Perguntas Bíblicas
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Posts Tagged ‘Pecado’

Pecados Capitais de um Líder

Filed under Liderança, Pecado by admin on 04-03-2010

Segundo John H. Zenger e Joseph Folkman em seu livro The Extraordinary Leader ( O líder extraordinário), os itens encontrados com maior freqüência nas avaliações dos líderes menos eficazes são:

1° Incapacidade de praticar o autodesenvolvimento, isto é, de aprender com os próprios erros;

2° Falta de habilidades e competências interpessoais fundamentais;

3° Deixar de inovar ou promover mudanças devido a não abertura a idéias novas ou diferentes;

4° Não focar em resultados e não assumir responsabilidades por estes;

5° Deixar de tomar a iniciativa.
Incapacidade de praticar o autodesenvolvimento e de aprender com os próprios erros:
Um líder com essa inabilidade apresenta maturidade profissional inadequada, ainda mais levando em conta sua responsabilidade enquanto gestor de pessoas, pois antes de ser um gestor de processos é um gestor de gente. E se não consegue aprender com os erros cometidos, terá dificuldades em ter uma equipe de alto desempenho já que a equipe é “espelho” do líder.

Inabilidade em relacionamentos interpessoais fundamentais:
Se um líder não ouve, não comunica e nunca acha que está errado certamente isso refletirá no seu relacionamento não só com sua equipe, mas também, com seus pares e superiores.

Não abertura a idéias novas ou diferentes:
Aqui parece prevalecer o receio do líder no qual se a idéia não partiu dele, não serve. Isso denota insegurança mesmo porque o líder não pode querer saber tudo, não é um super-homem.

Não focado em resultados e não assumir responsabilidades:
Se o líder não é focado em resultados sua permanência está a perigo, pois, isso refletirá nos objetivos da área e seu superior tomará alguma providência cedo ou tarde. E se o líder não assume responsabilidades que são inerentes à sua atividade, o caos está instalado.

Deixar de tomar a iniciativa:
Mesmo que ele não tome qualquer iniciativa, alguém tomará por ele, e uma das iniciativas tomadas será o seu desligamento. Aqui vale o ditado de que “se você não tomar conta da sua vida, alguém o fará por você”.

Conclusão:
Um aspecto interessante a ser notado nos pontos mencionados é o de que todos eles estão diretamente ligados ao comportamento do líder, ou seja, são aspectos internos relacionados às suas crenças enquanto pessoa.

Nesse caso, o próprio líder tem as condições necessárias de alterá-los, tendo total autonomia para isso. Porém, para que tal ação ocorra, terá que ter humildade e vontade, despindo-se das suas ‘verdades’ inquestionáveis.

Fonte: http://www.liderebrasil.com.br

A Queda do Homem

Filed under #Todos os Estudos, Pecado by admin on 03-03-2010

Gênesis 3:1-24

Versículo para memorização: Gênesis 3:19

Deus fez Adão em sua própria imagem espiritual. Isso quer dizer que Adão era uma criatura com autoridade, habilidade e vontade. Deus deu-lhe domínio sobre toda a terra. Deus então ordenou à terra que ela se submetesse a Adão, e ele criou o reino animal, que o reverenciou e o obedeceu. Adão, entretanto, não era soberano nessas coisas como é Deus. Ele, antes, tinha uma posição de responsabilidade para com Deus.

Parece-me que a ordem em, Gênesis 1:28, para povoar (encher) a terra e subjugar (dominar) foi uma instrução para que Adão submetesse seu domínio a Deus. Ele não deveria ter domínio soberanamente como Deus, reconhecendo (discernindo por si mesmo) bem e mal, decidindo por si mesmo o que poderia e o que não poderia, o que deveria e o que não deveria fazer. Deveria, antes, reinar de modo submisso, sob Deus, obedecendo as normas e as restrições colocadas sobre ele por seu criador soberano. Ao homem foi dada a habilidade para comer de todas as árvores do jardim, mas a responsabilidade de não comer de uma delas.

O Diabo, seja como serpente ou através dela, iludiu Eva. Ela comeu e deu para seu marido, e ele comeu do fruto proibido. Podemos apenas conjeturar sobre porque Adão comeu o fruto que sua esposa lhe ofereceu (tratarei disso mais tarde), ou sobre o que poderia ter acontecido com ele ou ela para que ele recusasse a tentação dela. Sabemos, entretanto, o resultado do fato de ele ter comido.

Ele exercitou capacidade contrária à sua responsabilidade. Adão, na verdade, declarou guerra à justiça de Deus por decidir por ele e exigir dele. Conseqüente e certamente, assim como o soberano criador espera, a criatura deve cair e, de fato, o faz. É improvável que algum homem já tenha sabido quão longe ele realmente caiu.

Como o pai da raça humana, Adão levou toda a sua descendência consigo. Em Adão vivemos, em Adão morremos (Romanos 5:15; I Coríntios 15:22). A morte espiritual tomou lugar em Adão imediatamente e toda a sua descendência nasce espiritualmente morta. Não apenas isso, mas também como julgamento sobre seu pecado, e para impedir a perpetuidade desse estado terrível, Deus pronunciou e impingiu a morte física sobre Adão e sua prole.

Isso não é tudo. Perdeu-se todo a harmonia em todo o domínio de Adão. É no âmbito dessa queda que as mulheres desobedecem a seus maridos, os filhos a seus pais, que os animais temem, atacam e aprisionam a si mesmos e ao homem. Essa é a causa de toda doença, deformidade e imperfeição nos homens, animais e plantas. Deus viu sua criação e ela era muito boa (Gênesis 1:31). Tudo nessa criação que hoje não é bom é resultado, tanto direta quanto indiretamente, do pecado e da queda de Adão.

PERGUNTAS - LIÇÃO 7

1. À imagem de quem Adão foi feito?
2. Isso significa que Adão se parecia com Deus?
3. O que isso significa?
4. Adão tinha autoridade sobre a criação?
5. Havia uma limitação sobre essa autoridade?
6. Qual era sua responsabilidade positiva?
7. Ele teve autoridade e responsabilidade para executá-la?
8. Quem motivou Adão a se rebelar?
9. Adão era mais sábio do que sua mulher?
10. Qual foi a rebelião de Adão?
11. Ele foi advertido de quais penalidade e resultado?
12. Isso foi executado imediatamente ou mais tarde?
13. A queda de Adão afetou Eva? Se sim, como?
14. A queda de Adão afetou seus filhos? Se sim, como?
15. A queda de Adão afetou os animais? Se sim, como?
16. A queda de Adão afetou as plantas? Se sim, como?
17. O homem ainda tem domínio sobre a criação?
18. O homem tem habilidade para executar sua responsabilidade hoje?
19. A falta de habilidade muda a responsabilidade?
20. A salvação nos restitui ao estado de Adão

Autor: Pr. Forrest Keener
Tradutor: Albano Dalla Pria
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

Setenta vezes sempre

Filed under #Todos os Estudos, Pecado, Perdão by admin on 02-03-2010

“Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?
lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” Mateus 18.21, 22

Qual o valor do perdão? Antes de aplicar esse texto, vamos fazer uma trajetória da vida do Apóstolo Pedro no ministério de Jesus, pois é justamente daí que vamos entender o valor do perdão.

Fazendo um passeio nos evangelhos, vemos que o apóstolo Pedro sempre se mostrou impulsivo diante da novidade da mensagem de Cristo e também foi o apóstolo que fez as maiores armações que conhecemos, como por exemplo:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”

E na mesma proporção em que afirmava coisas como estas, também pronunciava palavras que mostravam sua imaturidade diante do ministério de Cristo e do conhecimento do Reino e sua impulsividade o levou a afirmar ante a iminente prisão de Cristo que morreria com ele, mas nessa afirmativa, pronunciou a mais dura e cruel lição de sua vida, onde teve que aprender o que era realmente a natureza humana, a negação a Cristo, nessa negação Pedro se sente um traidor.

Bom, voltemos ao perdão. Vemos no ministério de Cristo a desconstrução de afirmações que a cultura da época dava como correta, como por exemplo a lei de Talião que dizia que se alguém pecar contra você deveria receber na mesma moeda.

“Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” Exodo 21.24

E essa justiça é baseada na vingança, mas com Cristo a coisa é diferente, a filosofia é o amor e não há espaço para o ódio, mas somente para misericórdia e a paciência com o próximo. Assim, o Mestre desnudou a nossa natureza e nos mostrou que por mais que nos esforcemos não há como mudarmos, a não ser que haja algo maior que nos transforme e nos leve ao amadurecimento. Nisso mora o segredo de nascer de novo, viver um novo princípio que não é o seu, mas o de Deus. E durante 3 anos Cristo ensinou os seus amigos  sobre esse segredo do Reino de Deus, que não era templo, nem lei, mas coração.

No percurso da vida do Apóstolo Pedro, podemos compreender que para nascer de novo, por mais que Pedro fizesse belas afirmações, mas elas ainda não atingiram seu local de morada, o coração e com isso, movido pelo ódio, tirou a orelha de Malcon e por medo e vergonha negou a quem mais amava. A partir desses acontecimentos Pedro se reduz e não consegue mais se olhar no espelho pelo que fez e assim, ele descobre o quão ruim é a sua natureza, começa seu parto, durante os 3 dias em que Cristo adormece, o velho Pedro também, justamente para renascer com seu Mestre.

Nesse renascer, Pedro descobre o caminho do descanso e do perdão, não só no sentido de ser um perdoador, mas principalmente o de ser perdoado e numa fogueira perto da praia, Pedro sente em seu Mestre não a repreensão, mas a magnitude de seu amor.

“E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.
Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.
E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me.” João 21.15-19

O caminho do perdão é necessário se quisermos seguir a Cristo, se nos denominarmos cristãos devemos nos assemelhar ao mestre e este mais do que ninguém se sentiu traido, pois fora aqueles que criou e amou, o levaram a morte tão cruel. Mas mesmo assim, orou por eles pedindo perdão. Seu principal ensinamento sobre oração colocou justamente nesse critério: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” e esse perdão não é apenas da boca pra fora, mas vem direto do coração, um coração transformado perdoa.

Todo esse caminho representa nossa trilha rumo ao destino que nos espera via o caminho estreito, que é árduo e nos conduz a um crescimento profundo, negando-se a cada dia e deixando que Cristo seja o guia e luz de nossas vidas.

Devemos abrir mão de nosso direito de ter razão sobre tudo e sobre todos para poder deixar que o amor ao próximo seja a nossa verdadeira razão de existir, mesmo que diante de grande ódio e sentimento de injustiça Cristo nos ensina que devemos abrir mão desses sentimentos, para dar lugar a misericórdia e o amor e somente assim poderemos crescer no Reino dos Céus.

Parafraseando um certo autor, a escolha do título Setenta vezes sempre é para mostrar que esse é a nosso destino para ser um discípulo de Cristo, lembra que o apóstolo Paulo afirma sobre o amor?

“A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” Romanos 12.17, 21

Esse é o caminho e só poderemos crescer no descanso de Deus quando tivermos ousadia por andar nele e ser reflexo desse ensinamento.

Que Deus nos Abençoe

Fonte: http://www.gospelmais.com.br

Pare de murmurar

Filed under #Todos os Estudos, Pecado, Vida Cristã by admin on 27-02-2010

Afinal, o que quer dizer “murmurar”?
Segundo o Dicionário Aurélio:
  • dizer mal; maldizer; conceber mau juízo;
  • falar (contra alguém ou algo); criticar;
  • conversar, difamando ou desacreditando.
E o que nos leva a murmurar?
  • ansiedade;
  • falta de fé;
  • falta de sabedoria;
  • falta de conhecimento da Palavra de Deus.
Vamos entender o que acontece quando murmuramos:
  • quando começamos a murmurar é sinal de que estamos duvidando de Deus;
  • é porque a nossa fé esta fraca;
  • acabamos dando brecha para o inimigo, e é isso que ele quer.
Pois bem, muitas vezes quando as coisas não saem do jeito que queremos e não entendemos o propósito de Deus, começamos a reclamar e é aí que erramos, pois reclamar não vai resolver o problema, não é dessa forma que receberemos a vitória. Lembremo-nos do povo de Deus, que passou quarenta anos no deserto por causa da murmuração.
Geralmente, quando murmuramos, nos esquecemos que o Deus que servimos é capaz de fazer muito mais do que pedimos, ou pensamos (Ef. 3.20). Deus sabe das nossas necessidades e o que é melhor para nós, não adianta reclamar. Acredite, reclamar não é a solução.
O murmurador nunca está contente com as decisões, com o outro que está na frente, sempre quer provar que o outro está errado e ele está certo. Geralmente, o murmurador é invejoso. A sua vida inteira é levar o outro a ouvir o que ele não foi capaz de dizer, chegar para a pessoa certa e falar tudo o que sente contra ela, não é capaz de ser transparente.
Não se engane, o caminho da murmuração é a perdição e a ruína. É semente do próprio demônio, plantada no coração daquele que não quer ser humilde. Troque a murmuração pelo louvor, pela adoração!
A murmuração é uma declaração de insatisfação para com Deus. A murmuração quase sempre descamba numa reclamação contra Deus. Revela o baixo nível da espiritualidade do murmurador, sua falta de gratidão, sua falta de respeito, sua falta de sabedoria, sua falta de fé.
A murmuração, além de não resolver, só agrava o problema, e é uma declaração antecipada de derrota. É uma afirmação de incredulidade. Quando murmuramos, estamos dizendo de forma indireta para Deus que não confiamos nele, nem nos seus propósitos.
É difícil não ficarmos ansiosos, é muito difícil, mas devemos descansar em Deus e confiar. Basta confiar nesse Deus que tudo pode. Nunca duvide do poder de Deus, é justamente em circunstâncias difíceis que percebemos como é grande o poder de Deus, para sua honra e glória. Nunca duvide do amor de Deus, o amor de Deus por você é incondicional. Ele o amará em todas as circunstâncias. Nunca murmure diante de Deus, quanto mais você murmurar, mais demorará a libertação de Deus para sua vida.
Sempre escute a voz de Deus, preste atenção no que Ele está falando, através das pessoas, da Bíblia, das circunstâncias.
Autor: João Placoná
Fonte:  http://www.institutojetro.com.br

Sua luta contra o orgulho

Filed under #Todos os Estudos, Orgulho, Pecado by admin on 25-02-2010

O texto abaixo foi retirado de um dos capítulos do livro Vencendo o Mundo, de Dr. Joel Beeke, que será lançando pela Editora Fiel em dezembro de 2008. Dr. Beeke utilizou esse texto como base de uma das mensagens que pregou na 24ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes em outubro passado.

Sua luta contra o orgulho
Dr. Joel Beeke

Atente à sua atitude para com o ministério. Os pastores podem desenvolver duas atitudes paralisantes em relação ao ministério: orgulho ou pessimismo. Ambas são mundanas, pois demonstram que o mundo ainda não está crucificado em nós. Neste capítulo, abordaremos o orgulho; nos próximos capítulos, o pessimismo.

O pecado de orgulho

Deus odeia o orgulho (Pv 6.16-17). Com seu coração, Ele odeia o orgulho; com seus lábios, amaldiçoa-o; com suas mãos, pune-o (Sl 119.21; Is 2.12; 23.9). O orgulho foi o primeiro inimigo de Deus. Foi o primeiro pecado no Paraíso e será o último que deixaremos na terra.
Como pecado, o orgulho é singular. Muitos pecados nos afastam de Deus, mas o orgulho é um ataque direto contra Deus. Eleva nosso coração acima de Deus e contra Ele. O orgulho procura destronar a Deus e entronizar a si mesmo.
O orgulho também procura destronar meu próximo. Sempre coloca a idolatria do “ego” acima do meu próximo. Em sua raiz, o orgulho transgride ambas as tábuas da Lei, todos os Dez Mandamentos.
O orgulho é complexo. “Assume muitas formas e estilos, envolvendo o coração como as camadas de uma cebola: quando remove uma camada, há outra por baixo”, escreveu Jonathan Edwards.
Nós, pastores, que estamos sempre sob o olhar das pessoas, somos particularmente inclinados ao pecado de orgulho. Conforme escreveu Richard Greenham: “Quanto mais piedoso for um homem, quanto mais graças e bênçãos de Deus estiverem sobre ele, tanto mais ele precisará orar, porque Satanás está muito ocupado em agir contra ele e porque é propenso a se envaidecer com uma presunçosa santidade”.
O orgulho se alimenta de qualquer coisa: uma medida justa de sabedoria e habilidade, um simples cumprimento, um tempo de prosperidade notável, uma chamada a servir a Deus em uma posição de prestígio — até a honra de sofrer por causa da verdade. “É muito difícil matar de fome esse pecado, visto que não existe quase nada do que ele não possa viver”, escreveu Richard Mayo.1
Se pensamos que estamos imunes ao pecado de orgulho, devemos perguntar a nós mesmos: quão dependente somos do louvor dos outros? Estamos mais preocupados com uma reputação de santidade do que com a própria santidade? O que os presentes e as recompensas que ganhamos de outros dizem a respeito de nosso ministério? Como reagimos ao criticismo das pessoas de nossa igreja?
Nossos antecessores não se consideravam imunes a este pecado. “Sei que sou orgulhoso; mas não conheço metade de meu orgulho”, escreveu Robert Murray M’Cheyne. Vinte anos depois de sua conversão, Jonathan Edwards lamentava as “profundezas insondáveis e infinitas de orgulho” deixadas em seu coração. E Lutero disse: “Tenho mais medo do papa do ‘ego’ do que do papa de Roma e de todos os seus cardeais”.
O orgulho destrói nossa obra. “Quando o orgulho escreve nosso sermão ele assume sua forma e sobe ao púlpito conosco”, disse Richard Baxter. “O orgulho forma o nosso tom, estimula nossa pregação e subtrai-nos aquilo que poderia ser desagradável às pessoas. Ele nos coloca na busca do fútil aplauso de nossos ouvintes. Faz os homens seguirem a si mesmos e buscarem sua própria glória.”2
Um pastor piedoso luta contra o orgulho, enquanto um pastor mundano alimenta o orgulho. “Os homens me admiram freqüentemente, e sinto deleite nisso”, admitiu Matthew Henry, “mas odeio o deleito que sinto”.3 Cotton Matthew recordava, quando o orgulho enchia seu coração de amargura e confusão diante do Senhor: “Esforçava-me para ver meu orgulho como a própria imagem do Diabo, contrário à imagem e graça de Cristo; vê-lo como uma ofensa contra Deus e uma afronta ao seu Espírito; como a tolice e a loucura mais insensata para alguém que não possuía nada excelente e uma natureza tão corrupta”.4 Thomas Shepard também lutava contra o orgulho. Em seu diário, na folha do dia 10 de novembro de 1642, ele escreveu: “Fiz um jejum pessoal, para obter mais clareza, a fim de ver toda a glória de Deus… e para obter a vitória sobre todo o orgulho remanescente em meu coração”.5
Você pode se identificar com esses pastores, em sua luta contra o orgulho? Você se importa bastante com seus irmãos no ministério, a ponto de admoestá-los a respeito deste pecado? Quando John Eliot, o missionário puritano, observava que um colega pensava muito elevado a respeito de si mesmo, diria para ele: “Irmão, estude a mortificação, estude a mortificação”.6

Maneiras de subjugar o orgulho

Como lutamos contra o orgulho? Eis algumas maneiras que nos ajudam a subjugar o orgulho.

● Entenda quão profundamente o orgulho está arraigado em nós e quão perigoso ele é para o ministério. Devemos protestar conosco mesmo  como o puritano Richard Mayo: “Deve ser orgulhoso o homem que pecou como tu pecaste, que viveu como tens vivido, que desperdiçou tanto tempo, que abusou tanto da misericórdia, que omitiu tantos deveres, que negligenciou tão grandes meios e, por isso, entristeceu o Espírito de Deus, transgrediu a sua Lei, desonrou o seu nome. Deve ser orgulhoso o homem que tem um coração como o que tens”.7
● Olhe para Cristo. Se desejamos destruir o orgulho mundano e viver com humildade santa, olhemos para Cristo, nosso Salvador, cuja vida, conforme disse Calvino, “era nada mais do que uma série de sofrimentos”. Em nenhum outro lugar a humildade foi tão cultivada como no Getsêmani e no Calvário. Quando o orgulho ameaça você, considere o contraste entre um pastor orgulhoso e um Salvador humilde. Confesse, como Joseph Hall:

Teu jardim é o lugar
Onde o orgulho não pode entrar,
Pois, se ali ele ousasse entrar,
Logo seria afogado em sangue.

E cante, com Isaac Watts:

Quando investigo a maravilhosa cruz,
Em que morreu o Príncipe da Glória,
Meu maior ganho reputo como perda
E lanço desdém sobre todo o meu orgulho.

● Permaneça na Palavra. Em dependência do Espírito, leia, pesquise, memorize, ame, ore sobre ela e medite em passagens como Salmos 39.4-6; Salmos 51.17; Gálatas 6.14; Filipenses 2.5-8; Hebreus 12.1-4; 1 Pedro 4.1. Somente o Espírito pode destruir o poder de nosso orgulho e cultivar humildade em nosso íntimo, tomando as coisas de Cristo e revelando-as para nós.
● Busque um conhecimento mais profundo de Deus, seus atributos e sua glória. Jó e Isaías nos ensinam que nada é tão humilhante como o conhecimento de Deus (Jo 42; Is 6). Gaste tempo meditando nas grandezas e santidade de Deus, em comparação com sua pequenez e pecaminosidade.
● Pratique a humildade (Fp 2.3-4). Lembre como Agostinho respondeu a pergunta: “Quais as três virtudes que um pastor mais necessita?” Ele disse: “Humildade, humildade, humildade”. Para obter isso, procure ter maior consciência de sua depravação, bem como da hediondez e da irracionalidade do pecado. Não descanse enquanto não puder confessar diariamente como João Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30), pois isto é a essência da humildade.
● Lembre, diariamente, que “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Considere suas aflições como dons de Deus para conservá-lo humilde. Considere seus talentos como dons de Deus que nunca lhe trazem qualquer honra (1 Co 4.7). Tudo que você já realizou e realizará veio das mãos de Deus.
● Encare a vitória sobre o orgulho como um processo vitalício que o chama a crescer em servidão. Esteja determinado a batalhar contra o orgulho, por considerar cada dia como uma oportunidade para esquecer-se de si mesmo e servir aos outros. Como escreveu Abraham Booth: “Não esqueça que toda a sua obra é ministerial — e não legislativa — para que você não seja um senhor da igreja, e sim um servo.8 O ato de servir é intrinsecamente humilhante.
● Leia a biografia de grandes santos, como Whitefield’s Jounals (Diário de Whitefield), A Vida de David Brainerd, e Spurgeon’s Early Years (Os Primeiros Anos de Spurgeon). Como disse Martin Lloyd-Jones: “Se isso não o trouxer à terra, declare que você é apenas um profissional, sem esperança”.9 Associe-se com santos que exemplificam humildade, e não com arrogantes ou bajuladores.
● Medite naquilo que os puritanos chamavam de “as quatro últimas coisas”: a solenidade da morte, a certeza do Dia do Juízo, a amplitude da eternidade e os estados inalteráveis do céu e do inferno. Considere o que você merece por causa do pecado e qual será o seu futuro por causa da graça. Permita que o contraste o humilhe (1 Pe 5.5-7).

Notas:

1. Puritan sermons, 1659-1689, being the morning exercises at Cripplegate. Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981. 3:378.
2. Baxter, Richard. The reformed pastor. New York: Robert Carter & Brothers, 1860. p. 212-226.
3. Citado em Bridges, Charles. Christian ministry. p.153.
4. Ibid. p. 152.
5. McGiffert, Michel (Ed.). God’s plot: puritan spirituality in Thomas Shepard’s Cambridge. Ambers: University of Massachusetts Press, 1994. p. 82, ss.
6. Citado em Bridges, Charles. Christian ministry. p.128.
7. Puritan sermons, 1659-1689, being the morning exercises at Cripplegate. Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981. 3:390.
8. In: Brown, John (Ed.). The christian pastor’s manual. Ligonier, Pa.: Soli Deo Gloria, 1991. p. 66.
9. Llyod-Jones, D. M. Pregação e pregadores. São José dos Campos: Fiel, 2007 p. xxx.

Fonte: Blog Fiel

A entrada do pecado no mundo

Filed under #Todos os Estudos, Comentários, Pecado by admin on 05-02-2010

TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM (Gn 3.1-7).

Em porção alguma a Bíblia provê um relato filosófico ou especulativo sobre a raiz, a origem, do mal. Na qualidade de livro da redenção, a Bíblia descreve o modo pelo qual o pecado entrou na esfera da experiência humana. Trata-se de um relato histórico sobre a queda do homem. Alguns expositores invocam o conceito de mito ao explicarem essa passagem: mas mito, mesmo em seu sentido técnico e legítimo, não é requerido na narração de acontecimentos históricos. A idéia do fruto proibido é familiar nas histórias antigas, mas essas histórias podem ser consideradas como memórias sobre o modo como ocorreu a queda do homem. O ponto teológico importante, neste registro, é que ele ensina que a tentação veio do exterior e que o pecado foi um intruso na vida do homem. Portanto, o pecado não pode ser considerado como latentemente bom: pelo contrário estragou um mundo que foi criado como “bom” (Gn 1.31).

A serpente. Em parte alguma do relato do livro de Gênesis o tentador é chamado de diabo ou Satanás. É impossível, entretanto, não ver mais do que a serpente aqui, pois o evento envolve muito mais do que poderia ser praticado por uma criatura irracional sozinha. A identificação com o diabo é feita em Jo 8.44; 2Co 11.3,14; Ap 12.9; Ap 20.2. O maligno empregou o caráter excepcional da serpente para alcançar seu propósito destruidor. Astuta. Cfr. “prudentes como as serpentes” (Mt 10.16). Essa sagacidade já devia ter sido observada pela mulher, pois não demonstrou sinais de alarma quando a serpente realmente falou com ela. Disse. Cfr. Nm 22.28. O fato do jumento ter falado a Balaão foi um milagre divino; o fato da serpente ter falado à mulher foi um milagre diabólico. Deus disse…? Uma dúvida e uma insinuação. Sereis como Deus. No original hebraico, a palavra para “Deus” é ’ el que, na qualidade de substantivo comum, tem forma análoga em todas as línguas semíticas. O plural, ’ elohim, portanto, pode significar “deuses”, como em Gn 31.30, ou “Deus” (Gn 1.1).

A mentira incluía certo elemento de verdade, o que a tornava ainda mais enganosa (ver versículo 22). É verdade que o participar da fruta proibida levaria à fixidez moral, no qual estado, naturalmente, Deus existe; porém, a semelhança com Deus, nesse caso, era de espécie contrária àquela que Deus tencionava para o homem. Da posição de contrapeso moral, embora esta palavra seja um tanto insuficiente, visto que o homem foi criado em retidão e com tendências inclinadas para Deus, o homem, supostamente, avançaria para uma posição avançada de perfeição moral e seria confirmado em seu caráter, num caráter santo. Quanto a esse respeito, a intenção divina é que o homem fosse como Deus. Mediante o pecado, porém, o homem atingiu uma diferente espécie de fixidez moral: foi confirmado em caráter, mas esse caráter era mau em sua qualidade.

Fonte: O Novo Comentário da Bíblia Editado pelo Prof. F. Davidson. EDITORA VIDA NOVA

Se o professor pode, eu também posso!

Filed under #Todos os Estudos, Casamento, Sexualidade, Uncategorized by admin on 29-10-2008

Se professores do COLUNI — Colégio de Aplicação, da Universidade Federal de Viçosa — podem fazer propaganda do homossexualismo em aula para alunos de 15 a 17 anos, por que eu, pastor evangélico, leitor assíduo da Bíblia e cristão convicto, não posso fazer propaganda do heterossexualismo?

Se a colunista social Heloisa Tolipan pode publicar em sua coluna no “Jornal do Brasil” três fotos de afagos sucessivos entre Daniela Mercury e Alinne Rosa, vocalista da banda Cheiro de Amor, por que eu não posso fazer propaganda do heterossexualismo?

Se as novelas da Globo podem mostrar “casais” de homem com homem e de mulher com mulher se acariciando, por que eu não posso fazer propaganda do heterossexualismo?

Se mulheres e homens homossexuais podem fazer um barulho enorme em favor da prática homossexual, do casamento “gay” e da adoção de filhos por casais “gays”, por que eu não posso fazer propaganda do heterossexualismo?

Não se faz propaganda nem do homo nem do hetero de boca fechada. Desde que saíram definitivamente do armário, os “gays” abrem a boca para justificar a opção e a prática homossexual. Os pregadores da opção e da prática heterossexual estão sendo empurrados para dentro do armário agora vazio e desocupado, por pressão da mídia, da sociedade permissiva e do movimento “gay”. O Projeto de Lei 122/06 favorece a propaganda da homossexualidade e desfavorece a propaganda da heterossexualidade.

Como posso fazer a propaganda da heterossexualidade? Voltando ao princípio de tudo, ao princípio do tempo, ao princípio da história, quando Deus criou o homem e a mulher (Gn 1.27) e apresentou um único modelo de relação sexual: “O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne [ou uma só pessoa]” (Gn 2.24). A relação homossexual sempre aconteceu, mas nunca foi considerada normal. Até bem pouco tempo atrás, em qualquer dicionário ou enciclopédia, casamento era “o relacionamento que une ‘um homem e uma mulher’” (“Enciclopédia Delta Universal”), ou “a união legítima de ‘um homem e uma mulher’ com o objetivo de fundar um lar” (“Grande Enciclopédia Delta Larousse”), ou “ato solene de união entre duas pessoas de ‘sexos diferentes’” (“Novo Dicionário Aurélio”). Para atender ao clamor “gay”, os dicionários estão acrescentando ou revendo alguma coisa. Por exemplo, o “Dicionário Enciclopédico Ilustrado Veja Larousse”, publicado em 2006, diz que casamento é a “união legal entre um homem e uma mulher”, mas, por extensão, pode ser também “qualquer relação conjugal entre duas pessoas”. O “Dicionário de Psicologia Dorsch” (2001) define a formação de casal como a “reunião de parceiros sexuais”.

Ainda como propaganda da heterossexualidade, posso tornar conhecidos os textos das Sagradas Escrituras que tratam do assunto, todos de fácil compreensão, sem, contudo, centralizar essa questão, deixando de lado outras (apropriação indébita, corrupção, egocentrismo, injustiça social, intriga etc.). Também não devo me deixar possuir pelo sentimento de arrogância ou de homofobia.

O mais explícito, mais contundente e mais veemente texto contra a prática da homossexualidade está na Epístola aos Romanos, a maior e mais teológica das treze cartas escritas por Paulo. É uma passagem dura, mas que não pode ser olvidada nem retocada. O apóstolo ensina que as práticas homossexuais não são primeiramente a causa, mas o resultado da depravação histórica e globalizada do ser humano. Por causa desse problema básico, Deus soltou as rédeas e está deixando a humanidade livre, não só para trocar “suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza” (Rm 1.26), mas também para matar, roubar, fazer uma guerra atrás da outra, esgotar e destruir o meio ambiente, e assim por diante. É sob esta ótica que ele fala abertamente sobre o homossexualismo feminino e masculino. Assim como as mulheres, “os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros [e] começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão” (Rm 1.27).

A exemplo de Jesus Cristo, eu não posso apontar o pecado sem apontar a salvação, não posso apontar a culpa sem apontar o perdão, não posso apontar o dedo em riste para o meu pecado e o pecado alheio sem apontar o dedo para Jesus Cristo, para repetir o mais substancioso pronunciamento de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Se os professores podem fazer propaganda do homo, sinto-me em plena liberdade para fazer a propaganda do hetero!

Autor: Elben César - www.ultimato.com.br

Os Anjos Maus - Sua Origem

Filed under #Todos os Estudos, Anjos, Pecado, Uncategorized by admin on 21-08-2008

Além dos anjos bons, há também os maus, cujo prazer esta em opor-se a Deus e combater Sua obra. Se bem que são criaturas de Deus, não foram criados como anjos maus. Deus viu tudo que tinha criado, e estava muito bom, Gn 1.31. Há duas passagens da Escritura que implicam claramente que alguns anjos não mantiveram a sua condição original, mas caíram do estado em que tinham sido criados, 2 Pe 2.4; Jd 6. O pecado específico desses anjos não foi revelado, mas geralmente se pensa que consiste em se exaltarem contra Deus e aspirarem à autoridade suprema. Se esta ambição desempenhou papel importante na vida de Satanás e o levou à queda, isso explica de vez por que ele tentou o homem nesse ponto particular, e procurou engodá-lo para destruí-lo recorrendo a uma possível ambição, parecida com sua, presente no homem. Alguns dos primeiros “pais da igreja” distinguiam entre Satanás e os demônios a ele subordinados, na explicação da causa da sua queda. Viam a explicação da queda de Satanás, no orgulho, mas a da queda mais geral ocorrida no mundo angélico, na luxúria carnal, Gn 6.2. Contudo, essa interpretação de Gn 6.2 foi sendo aos poucos repudiada, durante a Idade Media. Em vista disto, é surpreendente ver que alguns comentadores modernos reiteram aquela idéia, em sua interpretação de 2 Pe 2.4 e Jd 6, como o fazem, por exemplo, Meyer, Alford, Mayor e Wohlenberg. É, todavia, uma contraria à natureza espiritual dos anjos e ao fato de que, como Mt 22.30 parece implicar, não há vida sexual entre os anjos. Alem disso, com essa interpretação teríamos que admitir uma queda dupla no mundo angélico – primeiro a queda de Satanás e, depois, consideravelmente mais tarde, a que resultou no exército de demônios que agora presta serviço a Satanás. É muito mais provável que Satanás tenha arrastado os outros logo consigo, em sua queda.

Fonte: Teologia Sistemática/ Louis Berkhof; trad. por Odayr Olivetti. Campinas: Luz Para o Caminho, 2000

Dados Bíblicos a Respeito da Origem do Pecado

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Na Escritura, o mal moral existente no mundo transparece claramente como pecado, isto é, como transgressão da lei de Deus. Nela o homem sempre aparece como transgressor pó natureza, e surge naturalmente a questão: Como adquiriu ele essa natureza? Que revela a Bíblia sobre esse ponto?

1. NÃO SE PODE CONSIDERAR DEUS COMO O SEU AUTOR. O decreto eterno de Deus evidentemente deu a certeza da entrada do pecado no mundo, mas não se pode interpretar isso de modo que faca de Deus a causa do pecado no sentido de ser Ele o seu autor responsável. Esta idéia é claramente excluída pela Escritura. “Longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-poderoso o cometer injustiça”, Jó 34.10. Ele é o santo Deus, Is 6.3, e absolutamente não há falta de retidão nele, Dt 32.4; Sl 92.16. Ele não pode ser tentado pelo mal, e Ele próprio não tenta a ninguém, Tg 1.13. Quando criou o homem, criou-o bom e à Sua imagem. Ele positivamente odeia o pecado, Dt 25.16; Sl 5.4; 11.5; Zc 8.17; Lc 16.15, e em Cristo fez provisão para libertar do pecado o homem. À luz disso tudo, seria blasfemo falar de Deus como o autor do pecado. E por essa razão, todos os conceitos deterministas que representam o pecado como uma necessidade inerente à própria natureza das coisas devem ser rejeitados. Por implicação, eles fazem de Deus o autor do pecado e são contrários, não somente à Escritura, mas também à voz da consciência, que atesta a responsabilidade do homem.

2. O PECADO ORIGINOU-SE NO MUNDO ANGÉLICO. A Bíblia nos ensina que, na tentativa de investigar a origem do pecado, devemos retornar à queda do homem, na descrição de Gn 3 e fixar a tenção em algo que sucedeu no mundo angélico. Deus criou um grande número de anjos, e estes eram todos bons, quando saíram das mãos do seu Criador, Gn 1.31. Mas ocorreu uma queda no mundo angélico, queda na qual legiões de anjos se apartaram de Deus. A ocasião exata dessa queda não é indicada, mas em Jó 8.44 Jesus fala do diabo como assassino desde o princípio (kat’arches), e em 1 Jo 3.8 diz João que o diabo peca desde o princípio. A opinião é a de que a expressão kai’ arches significa desde o começo da história do homem. Muito pouco se diz sobre o pecado que ocasionou a queda dos anjos. Da exortação de Paulo a Timóteo, a que nenhum neófito fosse designado bispo, “para não suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo”, 1 Tm 3.6, podemos concluir que, com toda a probabilidade, foi o pecado do orgulho, de desejar ser como Deus em poder e autoridade. E esta idéia parece achar corroboração em Jd 6, onde se diz que os que caíram “não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio”. Não estavam contentes com a sua parte, com o governo e poder que lhes fora confiado. Se o desejo de serem semelhantes a Deus foi a tentação peculiar que sofreram, isto explica por que tentaram o homem nesse ponto particular.

3. A ORIGEM DO PECADO NA RAÇA HUMANA. Com respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia ensina que ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso e, portanto, com um ato perfeitamente voluntário da parte do homem. O tentador veio do mundo dos espíritos com a sugestão de que o homem, colocando-se em oposição a Deus, poderia tornar-se semelhante a Deus. Adão se rendeu à tentação e cometeu o primeiro pecado, comendo do fruto proibido. Mas a coisa não parou aí, pois com esse primeiro pecado Adão passou a ser escravo do pecado. Esse pecado trouxe consigo corrupção permanente, corrupção que, dada a solidariedade da raça humana, teria efeito, não somente sobre Adão, mas também sobre todos os seus descendentes. Como resultado da Queda, o pai da raça só pôde transmitir uma natureza depravada aos pósteros. Dessa fonte não santa o pecado flui numa corrente impura passando para todas as gerações de homens, corrompendo tudo e todos com que entra em contato. É exatamente esse estado de coisas que torna tão pertinente a pergunta de Jó, “Quem da imundícia poderá tirar cousa pura? Ninguém”, Jó 14.4. Mas ainda isso não é tudo. Adão pecou não somente como o pai da raça humana, mas também como chefe representativo de todos os seus descendentes; e, portanto, a culpa do seu pecado é posta na conta deles, pelo que todos são passíveis de punição e morte. É primariamente nesse sentido que o pecado de Adão é o pecado de todos. É o que Paulo ensina em Rm 5.12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. As últimas palavras só podem significar que pecaram em Adão, e isso de modo que se tornaram sujeitos ao castigo e à morte. Não se trata do pecado considerado meramente como corrupção, mas como culpa que leva consigo o castigo. Deus adjudica a todos os homens a condição de pecadores culpados em Adão, exatamente como adjudica a todos os crentes a condição de justos em Jesus Cristo. É o que Paulo quer dizer, quando afirma: “pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos”, Rm 5.18, 19.

Fonte: Teologia Sistemática/ Louis Berkhof; trad. por Odayr Olivetti. Campinas: Luz Para o Caminho, 2000