Perguntas Bíblicas
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“Esqueça os seus próprios interesses”

Filed under #Todos os Estudos, Discipulado, Estudos Bíblicos, Novo Testamento by admin on 25-07-2010

“Depois disse a todos: Se alguém quer ser meu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto cada dia para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Pois quem põe os seus interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira” (Lc 9.23-24, NTLH).

O que realmente significa ser um “discípulo” de Jesus? Discípulo não é somente aquele que crê na palavra do Senhor, mas é aquele que a segue integralmente. Certa vez, Jesus ensinou: “se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31).
Portanto, na passagem de Lucas logo acima, Jesus está dizendo que para sermos seguidores (discípulos) dele, primeiro precisamos esquecer nossos próprios interesses. Ora, que exigência que Jesus faz logo no início de nossa caminhada cristã!
É importante destacar, conforme o início do texto, que Ele disse essas palavras “a todos”, sem fazer qualquer distinção. Será que foi isso que nós aprendemos quando pela primeira vez escutamos o Evangelho? Ou simplesmente ouvimos que Jesus faria tudo por nós? Talvez por causa disso vemos pessoas hoje com bastante tempo de fé que têm dificuldade de deixar de lado os seus interesses, comprometendo a expansão do reino de Deus. É claro, porque “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto” (Jo 12.24).

Penso que às vezes muitos de nós somos diferentes das pessoas do mundo apenas naquilo que é grosseiro: não falamos palavrões, não adulteramos, não roubamos, etc; no entanto, quando temos a chance de demonstrar que somos realmente discípulos de Jesus, negando-nos a nós mesmos, só fazemos aquilo que nos agrada, aquilo que satisfaz nossa carne!

Jesus não disse que seríamos conhecidos como discípulos dele se tivéssemos “amor uns aos outros” (Jo 13.35)? Ocorre que quando somos chamados a servir na igreja, muitas vezes só servimos “quando” e “aonde” queremos - ou seja, “aonde nos sentimos à vontade”. Isto é servir? Ora, Paulo ensinou: “deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana” (Gl 5.16, NTLH). Para os coríntios, ele escreveu que Cristo “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5.15).
Portanto, para sermos seguidores de Jesus, precisamos deixar de lado nossos interesses pessoais e estar prontos para morrer a cada dia, para que finalmente possamos acompanhar o nosso Mestre, estando capacitados para dar os mesmos passos que Ele deu.
Ninguém fará as obras que Jesus fez ao longo da história bíblica sem antes também tomar as decisões que Ele tomou.
E às vezes nos esquecemos disto. Falamos de milagres, esperando que eles aconteçam, mas na verdade estamos preocupados com coisas materiais, como os discípulos, que após Jesus multiplicar pães e falar sobre o fermento dos fariseus, disseram: “é porque não trouxemos pão” (Mt 16.7). Uma pena! Em certo momento de sua vida, assim o Senhor orou a respeito de seus discípulos: “a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (Jo 17.19). Jesus se dedicou a todos nós.

O apóstolo Pedro também escreveu: “assim como Cristo sofreu no corpo, vocês também devem estar prontos, como ele estava, para sofrer. Porque aquele que sofre no corpo deixa de ser dominado pelo pecado” (1Pe 4.1).

Alguém tem alguma esperança de crescer na fé sem sofrer no corpo? Vejamos bem o que Pedro está ensinando aqui. Ele não está falando de qualquer tipo de sofrimento, mas de “sofrermos no corpo”. Ou seja, será que estamos dispostos a sofrer na carne em troca de uma recompensa espiritual? Ora, Paulo declarou: “todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma corroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu… esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.27).
Não podemos conciliar as obras da carne e as obras do Espírito, porque “a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer” (Gl 5.17). E aqui vem a questão central: o Espírito de Deus nos foi dado para não fazermos o que é do nosso querer! Por isso, é essencial que tenhamos uma vida de comunhão diária com o Espírito Santo, conforme Paulo recomendou aos coríntios: “a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2Co 13.13).

Precisamos ter uma vida de oração e leitura da palavra de Deus para que, fortalecidos interiormente, o Espírito Santo exerça domínio sobre a nossa alma (vontade e emoções) e sobre o nosso corpo. Assim, seremos cristãos espirituais - e não carnais.

É interessante observar que no texto de Lucas que estamos analisando Jesus não só nos mostra que devemos esquecer nossos próprios interesses, mas Ele mesmo declara, antes disso, no versículo anterior, que “o Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus” (v.22). Ou seja, Ele nos deu um grande exemplo.
Assim, um discípulo verdadeiro de Jesus não pode pensar, sentir ou agir diferentemente dele. Por isso, Pedro escreveu: “porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1Pe 2.21). Amados, que evangelho é esse que temos pregado e vivido, um evangelho de conforto material, comodismo e de vontades humanas intocáveis? Onde estão os servos do Senhor Jesus?

Paulo ainda ensinou que “nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos” (Rm 14.7-8). Mais adiante, ele conclui dizendo que não devemos “agradar-nos a nós mesmos. Portanto, cada um agrade ao próximo… Porque também Cristo não se agradou a si mesmo” (15.1-3). Portanto, amados, ouçamos bem as palavras do nosso Senhor Jesus, para que possamos, no tempo que se chama hoje, realmente ser identificados como discípulos dele, ou seja, como pessoas que se esquecem dos seus interesses pessoais e que estão prontas para morrer a cada dia em troca da vida verdadeira.

Autor: Christian Lo Iacono - Estudo disponível no site:  www.cristoresposta.com.br

Anjos no Novo Testamento

Filed under #Todos os Estudos, Anjos, Estudos Bíblicos Temáticos, Novo Testamento by admin on 19-07-2010

A crença em anjos no Novo Testamento

Os cristãos não eram o único grupo do primeiro século que acreditava na existência de anjos. A maioria das seitas do judaísmo, berço do cristianismo, professava a crença nesses mensageiros celestes, à exceção provável dos saduceus (At 23.8).

O interesse dos judeus por anjos havia crescido de forma notável durante o período intertestamentário, quando o segundo templo foi construído, após o retorno do cativeiro babilônico. É provável que esse aumento de interesse pelos anjos tenha ocorrido como resultado da ênfase nesse período á idéia de que Deus havia se distanciado do seu povo, já que não havia mais profetas. A ausência de profetas, os mensageiros oficiais de Deus ao seu povo, provocava a necessidade de outros mediadores da vontade divina. Os anjos vieram ocupar esse espaço no judaísmo do segundo templo.

O aumento do interesse pelo mundo celestial e pelos seus habitantes, os anjos, nota-se nos escritos judaicos produzidos antes ou logo após o nascimento do cristianismo. Exemplos desta tendência se percebem em alguns livros apócrifos (4 Esdras 2.44-48; Tobias 6.3-15; 2 Macabeus 11.6). O mesmo se vê em alguns dos escritos dos sectários do Mar Morto achados nas cavernas do Wadi Qumran, como o rolo da Batalha entre os Filhos das Trevas e os Filhos da Luz. Alguns dos escritos produzidos pelo movimento apocalíptico dentro do judaísmo, mais que os escritos de outros movimentos, enfatizava o ministério dos anjos (1 Enoque 6.1 ss; 9.1 ss), O interesse pelos anjos se nota até mesmo nos escritos rabínicos datados a partir do século III (com exceção do Mishnah), e que possivelmente representam a linha principal do judaísmo no período do segundo templo.

Fora das fronteiras do judaísmo, a crença em anjos, encontrava-se não somente nas religiões que fervilhavam no mundo greco-romano, mergulhado no misticismo helênico, como também nas obras dos filósofos e escritores gregos famosos, como Sófocles, Homero, Xenofonte, Epicteto e Platão. A biblioteca de Nag Hammadi, descoberta em nosso século (1945) nas areias quentes do deserto egípcio, apresenta material gnóstico datando do século IV, com uma elaborada angelologia, onde a distância entre Deus e os homens é coberta por trinta “archons”, seres intermediários, possivelmente anjos, que guardam as regiões celestes.

Os “Papiros Mágicos” desta coleção contém fórmulas para atrair os anjos. Embora datando do século IV, estes escritos possivelmente refletem crenças que já estavam presentes de forma incipiente no mundo greco-romano desde antes de Cristo. Em contraste aos escritos produzidos cm sua época, a literatura do Novo Testamento é bem mais discreta e reservada em seus relatos da atividade angélica.

As palavras mais comuns para “anjos” no Novo Testamento

A palavra mais usada no Novo Testamento para “anjo” é aggelos, que é a tradução regular na Septuaginta da palavra hebraica Mala’k. Ambas significam “mensageiro”. Aggelos é usada umas poucas vezes no Novo Testamento para mensageiros humanos, como por exemplo os emissários de João Batista a Jesus (Lc. 7.24; veja ainda Tg 2.25; Lc 9.52). Na maioria esmagadora das vezes, a palavra refere-se aos mensageiros de Deus, que povoam o mundo celeste e assistem em sua presença. Aggelos é usada tanto para anjos de Deus quanto para os anjos maus.

Existe outro termo no Novo Testamento para se referir aos anjos, o qual só Paulo emprega: “principados e potestades”. Em duas ocasiões é usado em referência aos demônios (Ef 6.12; Cl 2.13) e em três outras aos anjos de Deus (Ef 3.10; Cl 1.16; 1 Pe 3.22). Em todos os casos, refere-se ao poder e á hierarquia que existe entre esses espíritos. Uma outra palavra usada no Novo Testamento para anjos e pneuma, geralmente no plural (pneumata), que se traduz por “espíritos”. Embora o termo seja empregado geralmente para os anjos maus e decaídos (quase sempre qualificado pelo adjetivo “imundo”, cf. Mt 12.43; Lc 4.36; At 8.7), é usado pelo menos uma vez para os anjos de Deus, como sendo “espíritos administradores” (Hb 1. 14). Alguns estudiosos têm sugerido que “espíritos” também se refere a anjos em outras passagens onde a palavra pneumata aparece, como por exemplo 1 Co 14.12. Neste versículo o apóstolo Pa-ulo aprova e incentiva o desejo dos membros da igreja por pneumata, expressão quase que universalmente traduzida como “dons espirituais”, devido ao contexto.

De acordo com E. Earle Ellis, Paulo, na verdade, não se refere a dons espirituais, mas aos anjos que estavam presentes aos cultos (1 Co 11. 10). Sua tese é que existe uma relação estreita entre as manifestações sobrenaturais que estavam acontecendo na igreja de Corinto e o ministério angélico. Tais manifestações, ou parte delas, não eram produzidas pelo Espírito Santo, e nem também por espíritos malignos, mas por estes espíritos bons. Outras passagens onde “espíritos” significa “anjos”, segundo Ellis, são 1 Co 14.32; 1 Jo 4.1-3; Ap 22.6.(1) Embora esta sugestão seja interessante e provocativa, fica difícil ver como “espíritos” produtores de dons espirituais se encaixam no contexto de 1 Co 14.12 e no ensino de Paulo de que os dons são dados pelo Espírito Santo. O uso de pneumata em 1 Co 14.12 (bem como nas demais passagens mencionadas acima) pode ser explicado á luz de 1 Co 12.7, onde Paulo afirma que há diferentes manifestações do Espírito Santo. Ou seja, o mesmo Espírito manifesta-se de formas diferentes através de pessoas diferentes. Paulo refere-se a estas manifestações como “espíritos”. Elas eqüivalem aos dons espirituais. E difícil admitir que Paulo aprovaria um desejo dos crentes de Corinto de buscar estas entidades celestiais.

Anjos através dos livros do Novo Testamento

A presença e a atividade de anjos registradas nos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) indicam invariavelmente a intervenção direta de Deus. Como mensageiros fiéis de Deus, que têm acesso a presença divina (Lc 1. 19; cf 12.8; Mt 10.32; Lc 15.10), a visita ou a intervenção de um deles eqüivale a uma manifestação divina. A encarnação e o nascimento de Jesus foram marcados pela presença de anjos, indicando a participação direta de Deus no nascimento do Messias (Mt 1.20; 2.13,19; Lc 1 . 11; 1.2638). Embora os evangelhos não registrem quase nenhuma participação direta dos anjos assistindo a Jesus em seu ministério (o que poderia ter ocorrido, se Jesus quisesse, Mt 26.52), os anjos acompanharam o Senhor e se rejubilaram à medida que pecadores se arrependiam (Lc 15.10). As poucas vezes em que se manifestaram visivelmente tinham como propósito demonstrar que Ele era amado e aprovado por Deus (Mt 4.11; Lc 2143). Os anjos ainda participaram da sua ressurreição, da anunciação ás mulheres, e da anunciação aos discípulos de que Jesus havia de voltar (Mt 28.2-5; At 1.9-11). E o próprio Jesus também mencionou varias vezes que os anjos participariam da sua segunda vinda e do Juízo final (Mt 13.4 1; 16.27; 24.3 l).

Embora nos evangelhos a atividade dos anjos praticamente se concentre em tomo da pessoa de Jesus, ele mesmo menciona uma atividade deles relacionada aos homens, “cuidado para não desprezarem nenhum destes pequeninos. Eu afirmo que os anjos deles estão sempre na presença do meu Pai que está no céu” (Mt 18. 10, NVI). Aqui Jesus fala do cuidado vigilante de Deus pelos “pequeninos ‘, através dos anjos. A quem Jesus se refere por pequeninos” tem sido debatido pelos estudiosos, já que o termo pode ser tomado literalmente (crianças) ou figuradamente (os discípulos). Talvez a última possibilidade deva ser a preferida, já que Jesus usa regularmente “pequeninos” para se referir aos discípulos, cf Mt 10.42; 18.6; Mc 9.42; Lc 17.2. Qualquer que seja a interpretação, a passagem não está ensinando que cada crente ou criança tem seu próprio “anjo da guarda”, como era crido popularmente entre os judeus na época da igreja primitiva. Fazia parte desta crença que o anjo “guardião” poderia tomar a forma do seu protegido (cf. At 12.15). Jesus está ensinando nesta passagem que Deus envia seus anjos para assistir aos “pequeninos”, e que, portanto, nós não devemos desprezar estes “pequeninos”. Esse ministério angélico para com os “pequeninos” faz parte do cuidado geral que os anjos desempenham, pelo povo de Deus (cf. SI 9 1.11; Hb 1. 14; Lc 16.22). A passagem, portanto, não deve ser tomada como suporte á crença popular em “anjos da guarda”.

E importante notar que o Evangelho de João faz pouquíssimas referências á atividade dos anjos, embora, segundo João, Jesus tenha dito aos seus discípulos, no início do seu ministério, que eles veriam, os anjos subindo e descendo sobre si (Jo 1. 51). Possivelmente esta passagem não deva ser entendida literalmente no que se refere aos anjos, mas apenas como uma alusão ao sonho de Jacó (Gn 28.12) e ao seu cumprimento na pessoa de Cristo (unindo o céu á terra). No relato de João das boas novas, os anjos só revelam a sua presença ao lado da sepultura de Jesus (Jo 20.12) (2).

Estes fatos indicam que as aparições angélicas durante o período cm que Jesus esteve presente fisicamente entre nós foram relativamente poucas, e quase todas associadas com o seu nascimento, ministério, morte e ressurreição. Era conveniente que a vinda do Filho de Deus ao mundo fosse marcada por esta atividade angélica especial.

Apesar de a narrativa do livro de Atos abranger um período marcado por intensa manifestação sobrenatural, que foi o nascimento da igreja cristã, as aparições angélicas registradas pelo autor são relativamente poucas. Não há aparição de anjos em grupos, á exceção dos dois homens em vestes resplandecentes no local da ascensão (At 1. 10- 11). Nas intervenções angélicas, é sempre um único anjo que aparece, o qual é chamado de “um anjo do Senhor” (At 5.19; 8.26; 12.7,15) ou “um anjo de Deus” (10.3; 27.23). A expressão “anjo do Senhor” não tem. em Atos a mesma conotação que no Antigo Testamento, onde ás vezes este anjo é identificado com o próprio Deus. Em Atos a expressão sempre designa um mensageiro angelical. Os anjos aparecem em Atos com a mesma função principal, que no Antigo Testamento e nos Evangelhos, ou seja, trazer uma mensagem oficial da parte de Deus (At 5.19; 10.’ 10.22; 27.23). A isto se acresce a função protetora, pois por duas vezes um anjo do Senhor libertou apóstolos da prisão (At 5.19; 12.7). Uma outra missão de um anjo foi punir o rei Herodes (At 12.23) missão esta já mencionada no Antigo Testamento (cf Ex 12.13; 2 Sm 24.17)

A atividade dos anjos em Atos, além de bastante discreta, é voltada quase que exclusivamente para o progresso do Evangelho. Um ponto de grande relevância para nos hoje é que ela se concentra, em torno dos apóstolos (At 5.19; 12.7 27.23) ou dos seus associados, como Filipe (8.26). A única exceção foi a aparição a Cornélio (At 10,3). Mesmo assim ocorreu una ponto crucial do nascimento da Igreja Cristã, que foi a inclusão dos gentios na Igreja. À exceção deste caso não há registro de aparições de anjos aos crentes em geral, nem para lhes trazer mensagens de Deus, nem para protegê-los, embora certamente eles estivessem ocupados em desempenhar esta última; função, provavelmente de forma não perceptível aos crentes.

O apóstolo Paulo é bastante ponderado no que escreve sobre os anjos, se com parado com outros autores religiosos não cristãos da sua época. Ele emprega a palavra aggelos apenas catorze vezes em suas treze cartas. Ele se refere aos anjos de Deus, não tanto como mensageiro: celestes ou protetores dos crentes, mas como participantes do progresso do plano de Deus neste mundo, que participaram da entrega da Lei no Sinai (G1 3.19) e que virão com Cristo para executar juízo sobre a humanidade (2 Ts 1.7). Estes são os “anjos eleitos”, que assistem diante de Deus (I Tm 5.2 1; cf. Gl 4.14). Uma possível explicação para a atitude reservada de Paulo é que, para ele, o Senhor Jesus, é a manifestação suprema de Deus, que suplanta todas as demais, diante das quais as manifestações angélicas perdem em importância e relevância (Ef 1.21; Cl 1. 16; cf. Hb 1. 1-2). Em nenhum momento Paulo menciona em suas cartas encontros angélicos que porventura teve, nem encoraja os crentes a buscar tais encontros. Some-se a isso a preocupação que demonstra em suas cartas com aparições e visões de anjos. O apóstolo teme que anjos caídos, passando-se por anjos de Deus, manifestem-se em visões com o alvo de enganar os crentes. Ele menciona a possibilidade de que um anjo do céu venha pregar outro evangelho (G1 1. S), e que Satanás apareça dissimulado de “anjo de luz” (2 Co 11.14). Ele alerta aos crentes de Colossos a que não se deixem arrastar para o culto aos anjos propagado pelos líderes da heresia que ameaçava a igreja, e que se baseava cm visões (C1 2.18).

Uma passagem surpreendente sobre anjos é Gl 3.19, em que Paulo diz que a Lei de Deus foi entregue ao povo de Israel por meio de anjos. Esse fato no é mencionado na narrativa da entrega da Lei a Moisés no livro de Êxodo. Sua veracidade foi aceita possivelmente durante o período do segundo templo, quando os anjos receberam cada vez mais lugar destacado na teologia do judaísmo, a ponto de serem reconhecidos como mediadores no Sinai, na hora da entrega da Lei a Moisés por Deus. O fato foi aceito como verídico por judeus cristãos como Estêvão (At 7.53), o autor de Hebreus (Hb 2.2), e por Paulo. Só que, enquanto que para os judeus da sua época, a presença de anjos no Sinai era algo que exaltava a glória da Lei, para Paulo, a presença destas criaturas era apenas um sinal da inferioridade da Lei em comparação ao Evangelho, que havia sido trazido pelo próprio Filho de Deus, sem mediação de criaturas.

Uma outra passagem difícil de entender nas cartas de Paulo é a enigmática expressão de 1 Co 11. 10. “Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade”. O que tem os anjos, a ver com o uso do véu nas igrejas de Corinto? A resposta está ligada a um aspecto da situação histórica específica da Igreja de Corinto no século I, que nós desconhecemos. Havia uma idéia estranha na época de Paulo de que Gn 6.1-2 se referia a anjos que se deixaram atrair pelos encantos femininos (uma tradição rabínica acrescenta que foram os longos cabelos das mulheres que tentaram os anjos), A falta de decoro e propriedade por parte das mulheres na igreja de Corinto poderia novamente provocá-los. O mais provável é que Paulo se refira a outro conceito corrente que os anjos bons eram guardiões do culto divino, o que exigiria decoro e propriedade por parte de todos os adoradores. Este conceito se encaixa perfeitamente no ensino do Novo Testamento de que os anjos observam e acompanham o desenvolvimento do evangelho no mundo (ver Ef 3. 10, 1 Tm 5.12; 1 Pe 1. 12; Hb 1. 14).

Não há menção de anjos cm Tiago, e nem nas três cartas de João. Pedro menciona apenas que os anjos anelam compreender os mistérios do Evangelho (1Pe 1. 12), e que estão subordinados a Cristo (3,22). Em Judas encontramos mais uma referência enigmática aos anjos, desta feita cm relação ao confronto do arcanjo Miguel com Satanás, em disputa pelo corpo de Moisés (Jd 9). Esse incidente não é narrado no Antigo Testamento, mas aparece num livro apócrifo que era bastante popular entre os judeus chamado A Ascensão de Moisés. Neste livro o autor narra que, após a morte de Moisés, sozinho no monte, Deus encarregou o arcanjo Miguel de dar-lhe sepultura. O diabo veio disputar o corpo, alegando que Moisés era um assassino (havia matado o egípcio), e que, portanto, seu corpo lhe pertencia. De acordo com a Ascensão, Miguel limitou-se a dizer que o Senhor repreendesse os intentos malignos de Satanás. Embora narrado num livro apócrifo, o incidente deve ter ocorrido, e Deus permitiu que, através de Judas, viesse a alcançar lugar no cânon do Novo Testamento.

A carta aos Hebreus menciona os anjos nada menos que 13 vezes, 11 das quais nos dois primeiros capítulos, onde o autor procura estabelecer a superioridade de Cristo sobre os anjos (Hb 1.4-7,13; 2.2,15,16). A razão para esta abordagem foi possivelmente a exaltação dos anjos por parte de muitos judeus no século I. O autor, escrevendo a judeus cristãos sentiu a necessidade de diferenciar a mensagem do evangelho trazida por Cristo, e as muitas mensagens e mensageiros angelicais que infestavam a crendice popular judaica no século I.

E no livro de Apocalipse que temos a maior concentração no Novo Testamento do ensino sobre anjos. É o livro do Novo Testamento que mais emprega a palavra aggelos (67 vezes). Aqui os anjos aparecem como agentes celestes que executam os propósitos de Deus no mundo, como proteger os servos de Deus (Ap 7.1-3) e administrar os juízos divinos sobre a humanidade incrédula e impenitente (Ap 8.2; 15.1; 16.1). Apocalipse está cheio das visões que o apóstolo João teve do céu, e os anjos aparecem como habitantes das regiões celestes, ao redor do trono divino, em reverente adoração a Deus e ao Cordeiro (Ap 5.11; 7.11), mediando ao apóstolo João as visões e as instruções divinas (Ap 1.1).

Uma questão que tem atraído o interesse dos intérpretes é o sentido da palavra “anjo” em Ap 1.20, “os anjos das sete igrejas” (cf Ap 2.1,8,12,18; 3,1,7,14).Alguns acham que João se refere aos pastores das igrejas às quais endereça suas cartas, já que em Malaquias os líderes religiosos são chamados de anjos (MI 2.7). Ou então, aos mensageiros (aggelos) das igrejas que haveriam de levar as cartas às suas comunidades. O problema com estas interpretações é que a palavra aggelos em Apocalipse nunca é usada para seres humanos, mas consistentemente para anjos. Por este motivo, outros, como Origenes no século II, acham que João se refere a anjos reais, já que este é o uso regular que ele faz da palavra no livro. Estes anjos seriam os anjos de guarda de cada igreja a quem João manda uma carta. A dificuldade óbvia com esta interpretação é que as advertências e repreensões das cartas seriam dirigidas a anjos, e não aos membros da igreja. Além do mais, fica claro pelo fim de cada carta que elas foram endereçadas aos membros das igrejas (2.7,11,17 etc).

Assim, outros estudiosos têm sugerido que “anjos” representam o estado real de cada igreja, o “espírito” da comunidade. Esta idéia, que no deixa de ser curiosa e estranha, tem sido adotada por alguns que defendem que igrejas têm suas próprias entidades espirituais malignas, que se alimentam dos pecados não tratados das mesmas (3). Fica difícil tomar uma decisão. Mas, já que é evidente que os anjos e as igrejas são uma mesma coisa nestas passagens, a interpretação que talvez traga menos dificuldades é que aggelos (anjos) se refere aos pastores das igrejas.

Anjos em batalha espiritual

Uma outra passagem cm Apocalipse que merece destaque é a que descreve uma batalha no céu entre Miguel e seus anjos, contra o dragão e seus anjos, onde Satanás é derrotado e lançado á terra (Ap 12.7-9). A que evento histórico esta guerra celestial corresponde tem sido bastante discutido. Para alguns, refere-se à queda de Satanás no principio, quando se revoltou contra Deus e foi expulso dos céus. Para outros, a vitória final de Cristo, ainda por ocorrer no fim dos tempos. O contexto, entretanto, parece favorecer outra interpretação, ou seja, que esta derrota de Satanás nas regiões celestiais corresponde à vitória de Cristo, ao morrer e ressuscitar, já que ela aconteceu, “por causa do sangue do cordeiro” (Ap 12. 10; cf. Jo 12.3 1; 16.1 l).À semelhança do Antigo Testamento, o Novo é igualmente reservado em narrar estas pelejas celestiais, e limita-se a registrar dois confrontos do arcanjo Miguel com Satanás (Jd 9; Ap 12.7-9). Não temos condições de saber quais as razões para estes embates entre anjos, e nem quão freqüentemente eles ocorrem no misterioso mundo celestial.

Digno de nota é o fato que Miguel, que no Antigo Testamento aparece como guardião de Israel, surge aqui em Ap 12.7-9 como defensor da Igreja, liderando as hostes angélicas contra Satanás e seus demônios, que procuram destruir a obra de Deus. Sua área de ação não e mais o território de Israel, mas o mundo, onde quer que a Igreja esteja. A constatação deste fato deveria moderar a fascinação de muitos hoje pela idéia de espíritos territoriais, maus ou bons, que seriam supostamente responsáveis por determinadas regiões geográficas, e que se embatem em busca da supremacia sobre aqueles locais. É possível que as nações ou outras regiões tenham seus príncipes angélicos, bons ou maus, mas esta idéia não exerce qualquer função ou influência no ensino do Novo Testamento, quanto aos anjos e á sua participação na luta da igreja contra os “principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6.12). Enquanto que em Daniel os principados e as potestades aparecem relacionados com determinados territórios, no Novo Testamento eles aparecem não mais relacionados com regiões, mas com este mundo tenebroso. O conflito regionalizado do Antigo Testamento tomou caráter universal e cósmico com a vitória de Cristo. O diabo e seus príncipes malignos são vistos agora como dominadores, não de determinadas regiões geográficas, mas “deste mundo tenebroso”. E os anjos agora servem aos servos de Deus, em qualquer região geográfica do planeta, onde se encontrem.

Autor:  Rev. Augustus Nicodemus Lopes - Estudo disponível no site www.ipb.org.br

Corinto - Uma Igreja com Problemas de Disciplina

Filed under #Todos os Estudos, Estudos Bíblicos, Novo Testamento by admin on 13-06-2010

Uma Análise de 1 Coríntios 5

O Contexto de Corinto

A igreja de Corinto era uma igreja que havia sido muito abençoada por Deus em diversos aspectos. Quando Paulo inicia esta carta ele reconhece, no capítulo primeiro, que Deus havia abençoado a igreja com toda sorte de bênçãos espirituais, de dons espirituais, ao ponto de “não lhes faltar dom nenhum”. Corinto era uma igreja carismática no sentido bíblico da palavra, ou seja, tinha os “carismas” do Espírito de Deus, os dons, através dos quais desenvolvia seu serviço prestando culto a Deus e cumprindo a sua missão neste mundo. Infelizmente, por motivos que desconhecemos, esta igreja de Corinto, que havia sido fundada pelo apóstolo Paulo, com menos de três anos de fundada começou a desviar-se dos padrões de conduta e de doutrina que o apóstolo havia estabelecido por ocasião de sua fundação.

Os Problemas de Corinto
1) Divisões
Paulo estava no seu último ano de ministério na cidade de Éfeso, quando recebe informações de que a igreja de Corinto não estava indo muito bem. As informações eram muitas e poucas delas eram boas. Paulo soube que havia divisões na igreja, que estava dividida em 4 grupos. Grupos que se formaram em torno de personalidades, de pessoas que tinham tido uma participação no passado recente da igreja, com o próprio Paulo e Apolo (cap. 3:4). Havia até um grupo que talvez fosse o mais perigoso deles que era o “grupo de Cristo” (‘…e eu, de Cristo” Cap 1:12). Eles diziam que não eram seguidores de homem algum e sim de Cristo. Era como se dissessem: não queremos estar debaixo da orientação ou da instrução e autoridade de qualquer homem porque recebemos tudo diretamente de Cristo. Alguns estudiosos têm identificado este grupo como o “grupinho dos espirituais” que falavam em línguas e se gloriavam por terem experiências extraordinárias; que não aceitavam a autoridade de Paulo na igreja e outras coisas mais.

2) Problemas doutrinários
A igreja tinha todas estas divisões e além disso tinha problemas de ordem doutrinária. Um grupo não aceitava a ressurreição dos mortos (cap. 15). Havia um espírito faccioso naquela igreja; existiam problemas com respeito à doutrina da liberdade cristã ( 10:28). “Será que posso comer carne sacrificada aos ídolos”? Os “fortes” diziam que sim e subestimavam os “fracos”. Havia problemas com respeito às questões do casamento (cap. 7): O que é mais espiritual? Casar ou ficar solteiro?

A igreja estava dividida por uma série de problemas que se refletiam no culto. Os “espirituais” falavam línguas sem interpretação para a igreja e desta forma não edificavam (14:5); os profetas falavam, mas não havia ordem de quem deveria falar primeiro (14:29, 32); as mulheres entusiasmadas estavam querendo tirar qualquer sinal de que há uma diferença entre homem e mulher dentro da ordem da criação de Deus (11:8-9); na hora da Santa Ceia havia pessoas que até se embriagavam (11:21) e participavam do sacramento sem ter o espírito apropriado. Corinto era uma igreja com graves complicações. Mas, mesmo considerando isso, era uma igreja que se gloriava de ser “espiritual”. Afinal, muitos, na concepção deles, não tinham os dons que indicavam a presença do Espírito Santo? Muitos não estavam falando em línguas durante o culto (Cap. 14)? Outros não estavam profetizando e trazendo palavra de revelação? A igreja pensava que era espiritual e considerava-se assim apesar de estar toda minada de problemas.

3) Problemas Morais
Entre os problemas mencionados havia também problemas morais. Havia um irmão que estava processando outro num tribunal secular (6.4). Talvez a igreja não tenha se interessado o suficiente. A verdade é que não chegaram a um acordo e talvez por questão de terra ou talvez de dinheiro e negócios, este irmão estava em litígio com outro. Por isso estava processando-o no tribunal da cidade. Com esta atitude estava expondo o Evangelho à vergonha diante dos ímpios (v. 6).

Havia um grupo que estava voltando à prática da prostituição religiosa (6:18-19), o que era comum na cidade de Corinto. Isso era praticado nos templos onde se cultuava a deusa Afrodite.

Refletindo esta separação entre espiritualidade e a conduta moral surge um problema relatado no capítulo 5 e que estava bem de acordo com a natureza e espírito da igreja. Havia um homem, membro da igreja, que estava vivendo com sua madrasta. Seu pai provavelmente ainda estava vivo, mesmo assim estava tendo “um caso” a mulher de seu pai. O mais grave é que isto era do conhecimento não só da igreja mas também da própria sociedade de Corinto. Era algo notório e se comentava; circulava rumores verdadeiros com respeito a este incidente. Nos traz constrangimento o fato de que a igreja de Corinto, como um todo, parecia não ver nada de grave nisso: “Afinal Deus não está em nosso meio? Vejam o que acontece nos nossos cultos”! E este homem continuava a viver com sua madrasta às vistas de toda a igreja! Mas o que mais incomodava o apóstolo Paulo era a falta de uma atitude firme por parte da igreja com relação àquela pessoa. Ou seja, a igreja deveria constatar que conduta moral e espiritualidade são duas coisas que andam juntas. Temos de ter as duas coisas; e quando temos uma e não a outra, ou a espiritualidade é falsa ou a moralidade é falsa. Mas a genuína espiritualidade exige uma conduta de acordo com as verdades do evangelho.

O interessante é que Paulo não se dirige à liderança da igreja. Paulo, ao escrever, não se refere aos líderes mas fala à igreja como um todo. Porque, mesmo que no sistema presbiteriano, estes casos tenham a ver inicialmente com o Conselho, o fato é que na base do problema, além de um caso notório, pecado é um problema de toda igreja. É uma questão que afeta todos os membros e que não é somente responsabilidade do Conselho olhar para a vida dos outros membros e tomar algum tipo de decisão, mas que é responsabilidade de cada membro do corpo de Cristo zelar para que haja pureza, santidade, que haja no convívio da comunidade, verdadeira santidade ao Senhor. É uma responsabilidade de nós todos e não somente do pastor e dos presbíteros. É importante, portanto, que Paulo trata da questão dirigindo-se a toda comunidade. Talvez alguns estranhem este fato. Nas denominações batistas e congregacionais as questões disciplinares são resolvidas pela assembléia. Apesar de acharmos benefícios no sistema de governo representativo, através de pastores e presbíteros, a interpretação desta passagem só pode ser neste sentido: Paulo não está se referindo aos pastores e presbíteros porque ele sabe que a responsabilidade de vivermos uma vida santa na igreja, é de cada um dos seus membros. Devemos não só zelar por nós mesmos mas também pelo nosso irmão refletindo as palavras de Jesus: “Se o teu irmão pecar, vai repreendê-lo entre ti e ele só, se ele não te ouvir, leva mais alguém, se não te ouvir, comunica a liderança da igreja para que tomem as providências”. Mas, antes de chegar a este ponto existe todo um processo intra comunitário desenvolvido pelos membros, cada um participando e sendo responsável para que a vida da igreja ande corretamente. Se não for assim corremos o risco de sermos participantes dos pecados alheios e incorrermos na culpa de cumplicidade.

Assim, o apóstolo Paulo, no capítulo 5, chama a igreja à ordem e nos fala de forma apaixonada, fala com amor pela igreja; nos fala da responsabilidade que todos temos de cuidar de nós mesmos, de vivermos vidas santas e, de como comunidade, zelarmos para que o nome de Cristo seja honrado e glorificado através da vida santa da comunidade dos santos. Infelizmente nem sempre atentamos para esta maneira de Paulo abordar o problema em vista do nosso individualismo. Mais freqüentemente do que desejaríamos ouvimos falar de piedade em termos individuais, ou seja, piedosa é a pessoa que se fecha no seu quarto para ler e orar gastando tempo a sós com Deus. E santidade seria algo que se desenvolveria individualmente. Quando falamos em santificação geralmente temos a figura de uma pessoa em mente e nos esquecemos que Novo Testamento geralmente estas coisas são contempladas à luz da comunidade. Piedade é algo que eu exerço junto com o povo de Deus; culto não é algo que eu presto individualmente a Deus, somente, mas algo que faço com meus irmãos. Santidade é algo comunitário. Nós crentes caminhamos a vida de santidade juntos. Perdemos de vista este aspecto corporativo da Igreja apresentado no NT. É tão importante, salutar, equilibrado e abençoador para cada um de nós a idéia de andarmos juntos, vivermos juntos e nos santificarmos com a ajuda uns dos outros. É neste contexto que o apóstolo trás estas palavras.

O Texto

No versículo 1 e 2 encontramos o apóstolo Paulo apresentando o assunto que vai falar. Ele coloca o problema com palavra muito claras. O problema é duplo:

O Primeiro Aspecto do Problema
Primeiro, Paulo inicia dizendo que “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1) e depois especifica que imoralidade é esta. O pecado é de incesto que está proibido pela Lei mosaica em Deuteronômio 2:30 e outras passagens do VT onde Deus revela Sua repulsa ao adultério e muito menos que um homem faça isso com a mulher do seu pai. Era um caso claro de transgressão da Lei de Deus. É importante notarmos que para o apóstolo Paulo, a Lei de Deus sempre estava em vigor para o cristão. Paulo caracteriza bem esta imoralidade, e, muito embora não faça uma referência clara ao Antigo Testamento, há evidências na passagem, de toda legislação do VT sobre a conduta moral e sexual do povo de Deus. É bom enfatizar isso numa época em que as pessoas têm demonstrado descaso para com a Lei de Deus e para com os padrões morais das Escrituras. O apóstolo está muito à vontade expressando o ensino do VT para uma comunidade de cristãos do NT e caracterizando a conduta daquele indivíduo como sendo imoralidade à luz dos padrões Vetero Testamentários. Isso nos trás a um ensino importante, o de ter em alto apreço o Antigo Testamento que também é revelação de Deus para nós cristãos, ainda hoje. Tudo que foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que através das Escrituras e da paciência tenhamos conforto e esperança.

Esta era a primeira parte do problema: uma relação incestuosa de um homem que vivia com sua madrasta e que era do conhecimento de todos, como se vê nas palavras de Paulo: “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1).

O Segundo Aspecto do Problema
A segunda parte do problema está no v.2: “E, contudo, andais vós ensoberbecidos, e não chegaste a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?”. O que angustiava o apóstolo Paulo não era só o pecado em si, mas que a igreja, ao invés de “lamentar” o fato de ter um de seus membros vivendo uma relação pecaminosa e tomar a providência correta, que na ocasião seria tirar do meio da comunidade aquele indivíduo que não havia se arrependido (a julgar pelo que Paulo diz), ou que não queria corrigir-se. A atitude da igreja deveria ser excluir este membro contumaz. Paulo está angustiado pelo fato da igreja não tomar esta atitude para zelar pela vida e pela pureza da igreja, pelo nome de Cristo e pelo próprio pecador. Ao contrário, a igreja estava ensoberbecida, envaidecida possivelmente por causa dos dons espirituais. Os membros estavam orgulhosos de constituirem uma igreja “carismática”, ou quem sabe, uma igreja que amava a todos do modo que eram e de como agiam. Uma coisa é certa: Paulo entendia que a atitude da igreja não estava correta. Ao invés de lamentar e chorar pelo fato de um membro está sofrendo, e quando isso acontece, todos sofrem com ele, Paulo pensa na igreja em termos corporativos e vê uma comunidade negligente por não lamentar-se em vista do pecado que estava no seu meio. Ela assume uma postura oposta “festiva”, com um culto alegre, enquanto ninguém estava se preocupando com o problema. Paulo estava angustiado por ver um membro vivendo em pecado e por constatar uma igreja tolerante que convivia com o problema sem nenhuma dificuldade.

Antes mesmo de dizer os princípios pelos quais a igreja deveria expulsar o malfeitor que “tamanho ultraje praticou”, Paulo já vem com a solução para o problema, até contrariando seu método habitual, usado na primeira carta aos Coríntios. Paulo geralmente coloca o problema, introduz uma série de princípios doutrinários e no final apresenta a conclusão. Mas Paulo parece tão atribulado que apresenta o problema e logo dá a solução; só posteriormente fala sobre as doutrinas que estão por trás da questão. Isso, talvez pela angústia que lhe passava na alma em vista do grande amor que tinha por aquela igreja. Do versículo 3 até o 5 Paulo diz o que vai fazer. Ele fala como apóstolo de Jesus: “…já sentenciei…”. Ele usa das prerrogativas de apóstolo, a quem foi dada autoridade para edificar a igreja, fazê-la andar e para trabalhar no seu fundamento. Como tal, ele sentencia. Esta palavra “sentenciar” vem da linguagem jurídica que significa o pronunciamento final de um processo de julgamento. A igreja deveria ter feito isso e por que não fez, Paulo toma para si as prerrogativas de juiz. Ele mesmo faz o julgamento, sentencia o membro infrator dizendo: “…que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor [Jesus]” (vs. 3-5).

Quando o apóstolo Paulo sentencia que aquele infrator seja entregue a Satanás, ele o faz nos termos do ensino de Jesus. Paulo aqui está ecoando o ensino de Cristo quando disse num contexto de disciplina: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Jesus já havia dito dois versículos atrás (v. 18) que: “…tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu”. Este é um contexto de disciplina, quando Jesus estava respondendo a Pedro sobre o que deveria ser feito se um irmão pecasse contra ele. Jesus diz que a igreja reunida em espírito, com a presença do Senhor e em Seu nome deveria exercer o “poder das chaves”; de admitir alguém no Reino de Deus ou então excluir através da disciplina. Paulo está ecoando o ensino de Jesus quando diz: [Eu, juntamente com vocês] “em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor…” (v. 4). Dessa forma Paulo sentencia o membro daquela igreja.

O que significa “entregar a Satanás”? Isto tem sido bastante debatido e não vai fazer muita diferença na interpretação geral da passagem. Em linhas gerais se acredita que Paulo estava dizendo o seguinte: Uma vez que a pessoa não queira ouvir a voz da igreja, não aceita a repreensão do Espírito Santo, e, sendo excluído da comunidade, será como uma ovelha que foi colocada para fora do aprisco. Lá fora estão os lobos à espera. Satanás vai cirandar, vai colocar sua mão em cima. O objetivo de Paulo com isso não é destruir a pessoa como muitos pensam em relação ao ato disciplinar. Em termos eclesiásticos alguns pensam de disciplina como algo que trás simplesmente punição ou destruição do pecador. Mas não é este o objetivo da disciplina. Apesar de todo rigor e firmeza de Paulo em tratar o assunto, ele diz: “…a fim de que o espírito seja salvo” (v. 5). Este é o objetivo que Paulo revela na sua carta; o amor por aquele pecador e seu desejo de recuperá-lo, mesmo que para isso medidas drásticas tenham de ser tomadas. Paulo não fica vacilante. Se tem de ser entregue a Satanás, que seja, para que o espírito seja salvo. Se for o único meio, que assim seja excluído da igreja, ficando fora da proteção do Senhor e ficando exposto aos ataques do diabo. Ataques que são descritos no livro de Jó, quando este servo de Deus experimentou na carne a atividade satânica como doenças, aflições, perdas dos bens, etc. Em fim, toda sorte de aflições que com o decreto de Deus Satanás às vezes pode infligir às pessoas para que o propósito de Deus seja feito. No caso, para este membro da igreja, o propósito era trazê-lo de volta ao seio da igreja através das aflições, angústias, dificuldades, e tribulações que Deus permitiria (decreto permissivo) que Satanás trouxesse a este membro em pecado. Ele deveria ser levado ao arrependimento, cair em si e voltar ao convívio da igreja.

Não sabemos se a “estratégia” funcionou. Na Segunda carta que Paulo escreve à Igreja de Corinto há uma menção de alguém que se arrependeu, que mudou sua atitude. Paulo não diz quem foi esta pessoa. Mas Paulo recomenda que a igreja o receba, que o aceite, que não prolongue demasiadamente a disciplina para que ele não desfaleça. Alguns entendem que seja exatamente este homem citado por Paulo no v. 5.1. Se for o caso, a disciplina teria funcionado e o pecador voltado arrependido, recuperado, restaurado, e a igreja o teria recebido com alegria. Paulo passa para uma postura final e só depois explica o porque desta atitude. Pode parecer aos ouvidos pós-modernos uma atitude muito radical. Mas Paulo explica o porque de sua atitude.

As Razões de Paulo Para a Disciplina Rígida

1) Porque o pecado é como o fermento (v. 6). Se não cuidarmos ele se alastra e contamina toda a massa: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”. Paulo usa uma linguagem muito comum no VT. No VT uma das coisas usadas para tipificar o pecado é o fermento. Tanto é que na celebração da páscoa era proibido se comer pão com fermento (o pão era “asmo” – sem fermento). O fermento era símbolo do pecado. Uma das propriedades do fermento pelas quais ele tornou-se símbolo do pecado, é sua capacidade de aumentar e dominar o ambiente onde se encontra. Se colocado um pouco de fermento no pão que está sendo preparado logo levedará toda a massa. O apóstolo diz que o pecado é exatamente assim. Paulo pergunta se os crentes de Corinto não sabem disso: Que o pecado é como o fermento, que leveda toda a massa? A idéia é que, se deixado sem correção, no seio da igreja, sem que as devidas soluções sejam tomadas, o pecado se propaga. O que pensar dos jovens da igreja de Corinto? O que eles estavam aprendendo quando viam aquele homem vivendo com a madrasta e ninguém dava importância? O que eles estavam aprendendo? Aprendiam, que aquela atitude não faz diferença na vida cristã e que não importa nosso comportamento sexual. Podemos continuar em pecado e como um cristão normal. Era essa a mensagem que estava sendo passada para os membros da igreja; que o pecado realmente não importava porque a igreja parecia aceitar normalmente. Qual a mensagem que está sendo passada para os jovens e novos convertidos? Que o pecado não afeta meu estado, o meu relacionamento e minha comunhão com Deus e nem a vida da igreja. Ou seja, o que é pregado no púlpito é totalmente desfeito por este tipo de atitude. Nós podemos pregar santidade, e se temos de viver vidas santas mas não acrescentarmos à Palavra pregada as medidas corretas para que todos nós trilhemos este viver santo, a mensagem deixa de ter seu efeito.

Quando Calvino começou sua obra em Genebra ele tinha a idéia de que se houvesse apenas pregação fiel da Palavra de Deus e administração correta dos sacramentos, a igreja seria edificada, os crentes ouviriam e os problemas se resolveriam. Algum tempo depois, Calvino reconheceu que era necessário e bíblico acrescentar um terceiro elemento: a disciplina eclesiástica.

Há necessidade do exercício da disciplina eclesiástica feita em amor para recuperação do pecador e para que se coloque em prática o que a Palavra de Deus nos recomenda e exige. O mais importante é que Paulo não está aqui falando para a liderança. Ele está falando para toda a igreja. Não caiamos no erro de interpretar mal o apóstolo Paulo pois o que ele fala é para todos nós; é responsabilidade de toda a igreja zelar pela vida da comunidade seguindo os princípios bíblicos. Porque o pecado é como o fermento. Se deixarmos ele contamina a massa toda. Que mensagem estamos passando para o mundo? Qual a mensagem que a “Tiazinha”, que se diz evangélica, passa para o mundo? Sua mensagem é que não importa seu comportamento sexual, sua profissão corrupta. Assim, se conclui que cabe tudo na igreja.

Estamos vivendo um momento de crise de referência na igreja brasileira. Ou seja, precisamos de pessoas que sejam referenciais. A pouco tempo a revista “Isto É” publicou um suplemento sobre os maiores religiosos do século e citava Dom Evaristo Arnes, Alziro Zarur, Chico Xavier, Madre Tereza, Leonardo Boff, Frei Beto, Marcelo Rossi, mas nenhum evangélico. Pode ser apenas preconceito contra os evangélicos, mas pensemos qual evangélico poderia estar nesta lista? Soubemos depois que o candidato dos evangélicos seria o Bispo Macedo. Se há um momento em que a igreja precisa fazer diferença no Brasil, é hoje. E temos de começar nos lembrando de que o pecado é como o fermento. Ele destrói a reputação da igreja, a sua credibilidade, seu ensino, e por isso temos de tratá-lo com firmeza. Devemos começar conosco mesmo, sendo implacáveis com nós mesmos e brandos com os outros, mas firmes no geral. Tudo isso para evitar que o pecado se alastre. Este é o caminho. Não estou me referindo a fazermos cruzadas de moralidade; não creio nisso. Mas devemos pregar o ensino simples do evangelho e como lemos nos salmos “que os que temem ao Senhor odeiem o pecado”, se afastem do pecado pois este é o ensino de toda a Bíblia. O primeiro ensino é este: O pecado é como o fermento e se nós não cuidarmos ele tomará conta de tudo corrompendo as consciências.

2) O segundo argumento de Paulo está baseado na Páscoa (também vem do Velho Testamento). Aqui no v. 7 Paulo se refere a Cristo como sendo nossa Páscoa e que ele já foi imolado por nós. Paulo compara a vida da igreja a uma grande Páscoa, a uma eterna festa. O nosso Cordeiro Pascal já foi imolado e nós já nos alimentamos dele e se vivemos em uma eterna Páscoa, não deve haver fermento. Tem de ser lançado fora os fermentos, a massa velha. Por isso Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa…” (v.7). A Igreja é a comunidade Pascal liderada, salva e resgatada por aquele que é a nossa Páscoa. Na festa da Páscoa não podia se ter pão com fermento. Essa é a figura que Paulo usa. Se há pão fermentado já não é mais Páscoa. No v. 8 Paulo diz da vida cristã que “celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia; e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade”. É só quando a sinceridade e a verdade prevalecem que nós verdadeiramente celebramos. Somos uma comunidade que celebra, que vive na alegria, no gozo da santidade do nosso Cordeiro.

É claro que Paulo não está pregando o perfeccionismo. Mas alguns podem ter esta idéia; Paulo não está pedindo que a igreja seja perfeita, mas sim que a igreja de Corinto tome as atitudes certas quando o pecado aparecer. O pecado vai aparecer, é verdade, e pode ser em minha vida e na sua, mas que a comunidade ajude o pecador com interesse de auxiliá-lo. Não devemos ficar falando mal e criticando mas que tomemos as providências bíblicas para ajudar aquele que caiu vítima do pecado. Celebremos a festa com os “asmos” da sinceridade e da verdade.

3) Vemos um outro princípio nos versos 9-12. Há um momento para uma separação santa. Infelizmente há momentos em que somente uma separação resolve. A separação da comunidade colocada aqui por Paulo é daquele membro impenitente que não deseja arrepender-se. Parece que Paulo coloca este ponto em destaque (ele gasta vários versículos nisso) provavelmente porque ele sente que foi mal compreendido. Paulo já havia escrito uma primeira carta aos coríntios. Essa primeira carta que conhecemos é, na verdade, uma segunda carta, porque Paulo já havia escrito uma carta antes que foi perdida. Paulo faz menção desta primeira carta perdida no v. 9. Nesta primeiríssima carta ele já havia falado da necessidade de separação, de não haver associação entre o cristão e a impureza. “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros”.

Aparentemente os coríntios haviam entendido que Paulo estava falando que os cristãos não deveriam ter qualquer contato com incrédulos. Por isso os coríntios concluíram que não haveria problema de ter associação com aquele irmão, mesmo que em gravíssimo pecado, visto que era “irmão”. Eles haviam pensado da primeira carta de Paulo que não deveriam se associar apenas com quem não fosse cristão. Paulo, então, corrige este equívoco e diz: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso teríeis de sair do mundo”. Paulo, aqui, está dizendo que não estava dizendo que não se associassem, ou mantivessem contato com este tipo de gente, com os pecadores deste mundo, porque, se assim fosse, teriam de sair do mundo. Paulo nunca sugeriu um gueto ou mosteiro, nem ao menos estava sugerindo que não convivessem com os não cristãos. O que Paulo diz é: “Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com este tal nem ainda comais” (v.10). O que Paulo está dizendo é que não devemos nos associar com aquele que “dizendo-se irmão”, se fazendo passar por cristão, no meio da comunidade se comportem como não cristãos. A estes nem devemos convidar para uma refeição em nossas casas. Em outras palavras, há um momento em que é necessária uma separação clara e firme.

Muitos podem estar pensando nas palavras de Jesus quando disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1). É claro que Paulo e Jesus não estão em contradição. Quando Jesus disse estas palavras ele o fez no contexto do julgamento indevido. Ou seja, alguém julgar o comportamento de uma pessoa e não julgar-se a si mesmo. Lembremo-nos que nesta mesma passagem Jesus diz: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio” (Mt 7.3). O que Jesus proibiu foi o julgamento desproporcional, sendo pesado para com os outros e não para consigo mesmo. Isto não é correto! Mas quando Jesus fala estas palavras condenando o julgamento precipitado, no versículo 6 Ele diz: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas…” (Mt 7:6). Para eu cumprir este mandamento eu tenho de saber quem é “cão” e quem é “porco”. Ou seja, tenho de exercer julgamento. É claro que Jesus não está proibindo que nós, pelas evidências, pelo comportamento, por aquilo que está evidente e claro, cheguemos a uma conclusão de que uma pessoa não está se comportando como um cristão deve se comportar. Assim sendo podemos tomar as devidas providências.

Paulo termina este terceiro princípio dizendo: “Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora?” (5:12a). Paulo está dizendo que não vai julgar os de fora que não são cristãos e que vivem em outro contexto. E então pergunta: “Não julgais vós os de dentro?” (v.12b). Paulo aqui deixa muito claro que julgar os “de dentro” é competência da igreja. Não vamos julgar os de fora, pois Deus os julgará. É isso que Paulo diz no versículo 13: “Os de fora, porém, Deus os julgará” (v.13a). Mas os de dentro sim; a comunidade julga os de dentro e toma as providências para recuperar o faltoso, o extraviado, para trazer de volta o que se desviou. E, se necessário for, para isso, a santa separação, que haja separação.

Paulo conclui no v.13 dizendo: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor”.

Conclusão

Estamos vivendo uma época em que se Paulo viesse expor esta mensagem, desta forma, não seria bem recebido.

Hoje se diz que a verdade é relativa e que cada pessoa tem sua própria verdade. Estamos vivendo a relativização dos valores morais. Se diz que a vida de cada um é governada por aquilo que a pessoa sente que é melhor. Se a pessoa está se sentindo bem em determinado lugar, se algo está fazendo-lhe bem, então, não importa outras questões, outros critérios. O critério que é usado é sentir-se bem e passa a ser o principal para governar a conduta das pessoas. O que valida uma situação ou uma conduta é eu estar ou não me sentindo bem no que estou fazendo.

Esses conceitos têm predominado em nossa sociedade e em muitas igrejas. A relativização na mídia, nas músicas, nos escritos modernos, nas universidades, nos debates da ética e da moralidade. Os formadores de opinião pública nacional estão totalmente envolvidos na pós modernidade que resume tudo que foi dito. Tudo isso acaba minando a vida da igreja, a literatura, os seminários, os congressos. Às vezes, de forma sutil, nos tornamos avessos aquilo que venha nos contrariar, que venha nos obrigar a dizer: “Isso está errado!”.

Mas temos de fazer a escolha. É um momento sério de decisão da Igreja, se vamos viver à luz da Palavra de Deus e de seus valores absolutos ou se vamos nos deixar levar pelos “ventos” da época.

A Palavra de Deus nos chama a viver vidas santas e retas. Nos chama a aborrecer o pecado e se necessário, tomar as devidas providências para que ele não tenha livre curso em nosso meio, nas nossas vidas, nas nossas famílias. Tomar a providência necessária em amor, em espírito de brandura, olhando por nós mesmos para que não sejamos também levados pelo pecado mas ajudando-nos mutuamente, levando as cargas uns dos outros para que a comunidade toda viva vida de santidade e de alegria. O problema não é o pecado somente, mas o pecado não resolvido. Para o pecado há perdão, resgate, redenção e libertação. O problema não é só o pecado mas o pecado não confessado, não reconhecido e não tratado. É contra isso que Paulo fala. Que Deus nos ajude.

Lembremo-nos que esta mensagem é para a igreja e não para os líderes. Sempre fico admirado com Paulo pelo fato de que quando fala de disciplina eclesiástica ele não se dirige aos pastores e aos presbíteros apenas mas fala para à comunidade toda. É nossa responsabilidade de orarmos e vivermos vidas santas ajudando-nos uns aos outros a nos livrar do inimigo das nossas almas. Esse é o pior inimigo: o pecado não tratado.

Que Deus nos dê graça e misericórdia para vivermos segundo o padrão da Palavra de Deus.

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Estudo disponível no site www.ipb.org.br

Grupos Religiosos e Políticos do Novo Testamento

Filed under #Todos os Estudos, Liderança, Novo Testamento, Política by admin on 29-05-2010

O Novo Testamento observa a presença de partidos religiosos que eram desconhecidos no Velho Testamento. A fonte principal de informação é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Em dois de seus livros, As Guerras dos Judeus (II, viii, 1-4) e As Antigüidades dos Judeus (XIII, v. 9), ele escreve acerca de quatro desses partidos: fariseus, saduceus, zelotes e essênios. Para nossos propósitos, os herodianos e os zadoqueus devem ser acrescentados. Os samaritanos já foram mencionados.

1. Fariseus — O grupo maior e mais importante é o chamado os fariseus. A palavra em si significa “separatistas”, tendo sido, provavelmente, aplicada como expressão de escárnio aos oponentes. Eles fizeram seu primeiro aparecimento definido como um grupo com este nome durante a época de João Hircano I. Alguns estudiosos dizem que o termo foi pela primeira vez usado quando alguns judeus piedosos “se separaram” de Judas Macabeu, depois de 165 a.C. É mais provável que eles foram os sucessores dos “hasidins”, que se haviam empenhado em “separar-se” do pecado, e na “separação” (interpretação) das Escrituras, durante as reformas de Esdras e Neemias.

Seja qual for sua origem, os fariseus foram o resultado final do movimento que teve seus primórdios com Esdras, intensificado pelos hasidins, sob os sírios e romanos. Eles representam aquela tendência, no judaísmo, que sempre reagiu contra dominadores estrangeiros, mantendo o exclusivismo judaico e a lealdade à tradição dos pais. Pouco se interessavam no poder político, mas se tornaram os mentores políticos de Israel. Eles tinham maior controle sobre o povo do que os saduceus, que eram mais abastados e politicamente poderosos. Controlavam a sinagoga, e só eles sobreviveram à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

Devido à sua profunda reverência para com os ideais nacionais e religiosos judaicos, e devoção aos mesmos, os fariseus se opuseram à introdução das idéias gregas, e não deixou de ser natural que se tornassem o partido reacionário. Para eles, as coisas velhas eram as únicas coisas boas. Num desejo sincero de tornar a lei praticável dentro do mundo greco-romano em mudança, os fariseus aderiram ao sistema da tradição dos pais. Começando com as Escrituras, eram feitas interpretações para se ajustar uma situação existente ou combater um erro em teologia. Nas tentativas de responder a problemas levantados por religiões intrusas, muitas idéias dormentes no Velho Testamento foram desenvolvidas e aumentadas. Entre essas doutrinas desenvolvidas durante esses 400 anos estão a ressurreição dos mortos, os demônios, os anjos e a esperança messiânica.

Para o fariseu, a tradição oral suplantou a lei. Este era o principal ponto em que divergiam dos saduceus, que não viam nenhuma necessidade de alterar-se a lei. Os fariseus diziam que as finas distinções das tradições orais eram para facilitar o cumprimento da lei sob novas condições e tornar virtualmente impossível pecar-se. Eles também colocavam uma forte ênfase sobre a providência divina nos assuntos do homem.

2. Saduceus — Embora a origem da seita esteja perdida na obscuridade, o nome pode ter-se derivado de um certo Zadoque, que sucedeu Abiatar como sumo sacerdote durante os dias de Salomão. Pode ter vindo da palavra hebraica “zoddikim”, que significa “os justos”. Os saduceus gabavam-se de sua fidelidade à letra da lei mosaica, em contradistinção à tradição oral. Este era o partido da aristocracia e dos sacerdotes abastados. Eles controlavam o sinédrio e qualquer resquício de poder político que restava. Eram os colaboracionistas, a tendência que favorecia o poder estrangeiro e que se alinhava com ele pelo poder. Também controlavam o templo. O sumo sacerdote era sempre o líder deste grupo. Era um grupo fechado e não procurava prosélitos, como o faziam os fariseus.

Teologicamente conservadores (diziam),limitavam o cânon à Torah ou Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, demônios, anjos, espíritos, e advogavam a vontade livre, em lugar da providência divina. Este grupo não sobreviveu à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

3. Zelotes — Os zelotes representavam o desenvolvimento na extrema esquerda entre os fariseus. Estavam interessados na independência da nação e sua autonomia, ao ponto de negligenciarem toda outra preocupação. Segundo Josefo, o fundador foi Judas de Gamala, que iniciou a revolta sobre o censo da taxação, em 6 d.C. Seu alvo era sacudir o jugo romano e anunciar o reino messiânico. Eles precipitaram a revolta em 66 d.C, que levou à destruição de Jerusalém em 70. Simão, o zelote, foi um dos apóstolos.

4. Essênios — Estes representavam o desenvolvimento na extrema direita entre os fariseus. Eram uma ordem distinta, na sociedade judaica, mais que uma seita dentro dela. Sendo o elemento mais conservador dos fariseus, eles enfatizavam a observação minuciosa da lei. Formavam uma comunidade ascética ao redor do Mar Morto, e viviam uma vida rigidamente devota. Eram a sobrevivência dos hasidins mais estritos, influenciados pela filosofia grega. A partir dos documentos de Qumram, parece que eles aguardavam um messias que iria combinar as linhagens real e sacerdotal, numa estrutura escatológica. Este grupo não é mencionado em o Novo Testamento.

5. Herodianos — Os saduceus da extrema esquerda eram conhecidos como os herodianos. Tirando o nome da família de Herodes, eles baseavam suas esperanças nacionais nessa família e olhavam para ela com respeito ao cumprimento das profecias acerca do Messias. Eles surgiram em 6 d.C, quando Arquelau, filho de Herodes, o Grande, foi deposto, e Augusto César enviou um procurador, Copônico. Os judeus que favoreciam a dinastia herodiana eram chamados “herodianos”. Este grupo é mencionado em Mateus 22:16 e Marcos 3:6; 12:13.

6. Zadoqueus — Na extrema direita dos saduceus estava o grupo conhecido como os zadoqueus. Embora não mencionados em o Novo Testamento, este grupo é importante, porque mostra outra tendência entre os saduceus, talvez dando uma chave quanto à sua origem. Em 1896, um fragmento de um documento foi encontrado numa sinagoga no Cairo. Publicado em 1910, com o título Fragmentos de uma Obra Zadoquita, este termo entrou em todas as discussões acerca do judaísmo sectário. A descoberta de outros documentos na comunidade de Qumram, do Mar Morto, sugere alguma relação entre os zadoqueus, os essênios e a comunidade de Qumram. Um movimento de reforma foi iniciado entre os sacerdotes (filhos de Zadoque), entre os saduceus, durante o início do segundo século a.C. Quando a reforma fracassou, eles foram para Damasco e estabeleceram uma comunidade sob um novo conjunto de regulamentos, denominado “o novo concerto”. Alguns posteriormente voltaram como missionários para sua terra natal e depararam com amarga oposição por parte dos fariseus e saduceus. Alguns, então, encontraram seu caminho em direção às comunidades ao redor do Mar Morto. Eram missionários fervorosos, em busca de um mestre de justiça que chamasse Israel de volta ao arrependimento e apareceria no advento do Messias. Eles aceitavam toda palavra escrita, mas rejeitavam a tradição oral. Eram muito abnegados na vida pessoal e leais aos regulamentos da pureza levítica. Deram grande ênfase à necessidade de arrependimento.

Fonte: Hale, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. JUERP

A REDENÇÃO SE APROXIMA - Lucas 21.25-28

Filed under #Todos os Estudos, Comentários, Lutero, Novo Testamento by admin on 21-05-2010

Leia em sua Bíblia: Lucas 21.25-28

“Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima”. (v. 28)

Veja: este é o verdadeiro mestre que interpreta os sinais corretamente, não como os astrólogos e adivinhos, que não conseguem ver neles nada a não ser coisas ruins e que amedrontam as pessoas. Mas ele só anuncia o que é bom. E aquilo que, para a razão humana e todo o mundo é sinal e destruição, que deve ser temido e do qual devemos fugir, Cristo considera um bom sinal. Em tudo isso, encontra a alegre e agradável palavra: “sua redenção”, e apresenta um quadro consolador, um desse que o coração deve buscar e desejar ansiosamente. Pois, que significa “sua salvação” senão isto: agora, você está sob o poder de Satanás, alvo de todos os seus dardos; agora, está apertado e oprimido pelo mundo, passa necessidade e corre toda sorte de perigo, dos quais nem você nem homem algum pode libertá-lo. Você será libertado e salvo por seu Senhor Jesus Cristo e terá domínio sobre o diabo, o mundo, a morte, ficando tudo debaixo de seus pés. Por que razão você deveria, então, ficar com medo e assustado diante desses sinais? Não há razão de sobra para saudá-los com intenso júbilo?

Agora, este consolo devemos reter: sabemos que ele virá, e esses sinais mostram que sua vinda está próxima.

Estudo disponível no site www.luteranos.com.br

A Auto Preservação - Mt 16.24-26

Filed under #Todos os Estudos, Antigo Testamento, Estudos Bíblicos, Estudos Bíblicos Temáticos, Vida Cristã by admin on 16-05-2010

Certa vez, um jovem rico aproximou-se de Jesus para perguntar-lhe: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” E logo após um pequeno diálogo, Jesus lhe respondeu: “se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me”. O jovem, tendo “ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades” (Mt 19.16-22).

Uma das coisas que todo cristão precisa conhecer é a bondade de Deus! Ele é
amor e tem sempre o melhor para nós. Por isso, quando nos dirigimos ao Senhor
para conhecer a sua vontade, devemos ter sempre um coração aberto, que está
disposto, acima de tudo, a ser transformado. De que adianta perguntarmos a Deus
sobre a sua vontade, como fez o jovem rico, se não estamos dispostos a
cumpri-la?  Vamos dar apenas uma de
curiosos, como muitos fazem hoje ao participarem daquelas “rodinhas de
discussão” sobre temas bíblicos?

Nem sempre o
caminho de Deus é o mais fácil para nós – isto é, para a nossa carne. Mas
sempre o caminho de Deus será o melhor caminho. Lembre-se: a vontade de Deus é
“boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2).

No evangelho de Marcos, no entanto, vemos que o jovem
rico ficou “contrariado” com as palavras de Jesus e foi embora (Mc 10.21).

Às vezes me pergunto se estou realmente disposto a cumprir
a palavra de Deus na sua totalidade, ou se apenas cumpro aquilo que me agrada,
ou o que é mais fácil, ou aquilo que eu “sinto” de cumprir. Será que já me
retirei da presença de Deus por não estar disposto a abrir mão de minha
vontade? Será que eu já disse: “hoje não, Senhor; talvez amanhã”? O apóstolo
Paulo ensinou: “pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção
ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão
para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem
ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade” (2 Tm 4.3-4, NTLH).

Será que o jovem
rico deu-se conta da sua escolha? Ele abriu mão do tesouro celestial em troca
de um pequeno tesouro material. Por causa disso, ele jamais conseguiria seguir
a Jesus, pois este fez justamente o contrário em sua vida aqui na terra.

Quando “começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário
seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais
sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado”, o que Pedro fez? Chamou
Jesus à parte e “começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor;
isso de modo algum te acontecerá” (Mt 16.21-22).

Note que Jesus lhes havia dito que o seu sofrimento era
“necessário”. Mas Pedro quis que Jesus tivesse pena de si mesmo, que pensasse
em si próprio e não nos outros. Afinal, por que Ele tinha que passar por aquele
sofrimento todo, morrendo pelos pecados dos outros? Não precisava ser assim,
pensava Pedro. E o que Jesus lhe respondeu: “Arreda! Satanás; tu és para mim
pedra de tropeço, porque não cogitas das cousas de Deus, e, sim, das dos
homens” (v.23). É interessante observar que este mesmo Pedro, um pouco antes
disso, tinha tido uma revelação sobre a pessoa de Jesus. Ele havia dito: “Tu és
o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16).

Isso mostra que muitos de nós, vira e mexe, caímos no
erro de preservar a nossa vida neste mundo. Jesus ensinou que “se o grão de
trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito
fruto. Quem ama a sua vida, perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste
mundo, preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.24-25). Depois, Ele
complementa: “agora está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me
desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora” (v.27).

O diabo se especializou em investir no egoísmo humano. Só
que aos olhos de Jesus, que enxergava o propósito do Pai, o diabo era uma pedra
de tropeço no seu caminho. É bom lembrar que Pedro também agiu assim quando lhe
perguntaram, após a prisão de Jesus, se ele era seu seguidor. Neste caso, a
única diferença foi que, entre Jesus e ele, Pedro preservou a si próprio,
negando o Senhor, pois ele era carnal. Paulo disse que nos últimos dias “os
homens serão egoístas” (2 Tm 3.1-2).

Deus nunca enfatizou o amor próprio em sua palavra. Pelo
contrário, a Bíblia nos ensina que devemos amar a Deus e ao nosso próximo,
assim como Cristo nos amou. Ele não veio ser servido, mas servir. A auto
preservação é um empecilho para o nosso crescimento espiritual. Jesus disse:
“quem quiser preservar a sua vida, perdê-la-á; e quem a perder, de fato a
salvará” (Lc 17.33). Quantas vezes damos mais valor a nós mesmos do a Deus e
aos outros?

Em outra ocasião, a palavra de Deus nos mostra que Jesus
foi “levado pelo Espírito, ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1).
Por que motivo o Espírito de Deus, que só queria o bem de Jesus, levou o Senhor
ao deserto, a um lugar tão difícil e solitário? O que significa o deserto?

O deserto representa a escassez material, nunca a
espiritual. Quando Jesus teve fome, o tentador, oportunamente, aproximou-se
para sugerir que Jesus transformasse pedras em pães. Só que neste momento,
Jesus lembrou-se de uma advertência divina que já havia sido dada ao povo de
Israel: “recordar-te-ás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou
no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o
que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou,
e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem
teus pais o conheceram, para te dar a entender que não só de pão viverá o
homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor” (Dt 8.2-3).

Jesus, ao
contrário do povo de Israel, foi fiel a Deus. Ele entendeu que aquele momento
era de provação. Ele não podia usar o seu poder para fugir daquela luta,
transformando as pedras em pães. Deus o havia levado àquele lugar e não o
diabo. Ele precisava aprender a deixar o Espírito dominar a sua carne, pois
isso era algo imprescindível para o sucesso do seu ministério. Assim, naquele
dia com Pedro, Ele pôde resistir à idéia de fugir da cruz. O tentador estava no
seu caminho, como pedra de tropeço, mas Jesus ficou firme. Não podemos fazer da
nossa vida o que o jovem rico fez, pois “que aproveitará o homem se ganhar o
mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.24-26).

Nunca fique contrariado com a palavra de Deus, nem fuja dela quando Deus vem falar com você. Troque os seus tesouros nesta terra por um tesouro no céu. Depois, siga a Jesus.

Novo Testamento Grego

Filed under #Todos os Estudos, Bíblia, Novo Testamento by admin on 15-05-2010

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo, destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado. A formação desses grupos marca o início da igreja cristã.

As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.

A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.

O MINISTÉRIO CRISTÃO

Filed under #Todos os Estudos, Comentários, Estudos Bíblicos Temáticos, Liderança, Novo Testamento by admin on 12-05-2010

A forma mais primitiva do ministério cristão, naturalmente se tem tornado motivo de muito debate e controvérsia, para o que aqui não é lugar de tratar delas. Quase inevitavelmente nos lembramos de 1Co 12 com sua lista de operações e manifestações do Espírito, os variados mas complementares charismata concedidos pelo Espírito para a edificação da Igreja. Aqueles que recebem e exercem tais dons não formam um ministério oficial. De fato, nas primeiras cartas do apóstolo Paulo há apenas três referências possíveis a esses ministros: 1Co 16.15 e seg.; 1Ts 5.12; e Fp 1.1. Nesta última passagem, bispos e diáconos são mencionados, cujas qualificações ideais são apresentadas nas epístolas chamadas pastorais.

No alto da lista dos ministérios dotados pelo Espírito, destacam-se três tipos bem definidos-apóstolos, profetas e mestres. Profetas são aqueles que recebem mensagens urgentes, de verdade para transmitirem-nas ao povo. Mestres talvez sejam aqueles que, à semelhança de Apolo, expõem o Antigo Testamento e o aplicam às necessidades da apologética cristã. Desses, o apóstolo é o mais importante. Ele é um missionário ao mundo externo, mas também exerce autoridade moral sobre as igrejas por ele fundadas. O apóstolo Paulo viu-se obrigado a defender sua reivindicação de ser um apóstolo, contra alguns que negavam tal autoridade. Talvez ele não fosse digno de ser chamado apóstolo; porém, tinha contemplado o Senhor ressurreto e d’Ele recebera sua comissão. Todos os sinais de um apóstolo tinham sido operados nele, e ele pôde apelar para seus mais abundantes labores, sofrimentos e realizações, nessa defesa.

No livro de Atos também lemos sobre apóstolos, profetas e mestres, sendo que os apóstolos, naturalmente, eram proeminentes. Eles são os porta-vozes na missão aos incrédulos, e têm honras especiais e exerciam a liderança dentro da Igreja. Supervisionavam novas comunidades e, em consulta com os irmãos, tomavam decisões quando surgiam novos problemas. Em At 1.21-22 encontramos um interessante relato sobre o que era necessário para que alguém estivesse qualificado para ser apóstolo. Tinha de ter acompanhado Jesus em todo o Seu ministério terreno, desde o batismo de João Batista até a ascensão, a fim de que pudesse ser testemunha da ressurreição do Senhor. Não obstante, o título de apóstolo é atribuído pelo menos uma vez a Barnabé e Paulo.

Mas, que dizer sobre Estevão, Filipe e seus companheiros? Em At 6 é dado um relato sobre sua eleição pela comunidade e sobre sua consagração pelos apóstolos para que servissem às mesas, a fim de que os apóstolos tivessem seu tempo livre para se dedicarem à oração e à pregação da Palavra. Porém, não são chamados de diáconos (pelo menos em At 6). Eram homens controlados pelo Espírito, e Estevão e Filipe pregavam com notável efeito. De fato, mais tarde Filipe aparece como evangelista, e a pregação de Estevão foi um degrau para a conversão de Paulo.

O título característico do ministério local, no livro de Atos, é presbítero ou seja, ancião. Paulo e Barnabé fizeram escolher anciãos nas igrejas que tinham fundado (At 14.23). Existem anciãos desde o começo da igreja em Jerusalém, e quando os apóstolos se afastaram, aquela igreja passou a ser liderada por Tiago, irmão do Senhor, juntamente com um concílio de anciãos. Sem dúvida tal prática foi herdade da organização das sinagogas. Em vista da natureza da evidência dada pelo Novo Testamento, é um tanto surpreendente encontrar que, pelos começos do segundo século cada congregação local era organizada com um ministério do bispo, presbíteros e diáconos.

Fonte: o Novo Comentário da Bíblia. Vida Nova

O amor não se vangloria - Max Lucado

Filed under #Todos os Estudos, Amor, Max Lucado by admin on 11-05-2010

“O amor não se vangloria, não se orgulha” 1 Coríntios 13:4.

O coração humilde honra os outros.

Jesus não é nosso exemplo? Contente por ser conhecido como um carpinteiro. Feliz por ser confundido com o jardineiro. Ele serviu seus seguidores lavando seus pés. Ele nos serve fazendo o mesmo. A cada manhã ele nos presenteia com beleza. A cada domingo ele nos chama para sua mesa. A cada momento ele reside em nossos corações. E ele não fala do dia em que ele como “senhor se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los” (Lucas 12:37)?

Se Jesus está tão disposto a honrar-nos, não podemos fazer o mesmo pelos outros? Faça das pessoas uma prioridade. Aceite seu papel em seu plano. Seja rápido em dividir os aplausos. E, acima de tudo, considere os outros mais importantes do que você. O amor faz. Porque o amor “não se vangloria, não se orgulha”.

Traduzido por Cynthia Rosa de Andrade Marques Almeida - Texto original extraído do site www.maxlucado.com

www.irmaos.com