Estudos Bíblicos
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Missão e Masturbação
09/02/11
Masturbação é a experiência de orgasmo sexual produzido por autoestimulação. Quase todo homem e muitas mulheres já experimentaram. Ela é uma prática regular de muitos homens solteiros.
A derrota na área da cobiça é uma das principais forças que impedem os jovens de obedecer ao chamado de Deus para o serviço cristão vocacional. Um adolescente ouve um chamado desafiador para se entregar à causa da evangelização mundial. Ele sente a persuasão do Espírito Santo. Prova a emoção de seguir ao Rei dos reis na batalha. Mas ele não obedece, pois está masturbando regularmente. Ele se sente culpado. Dificilmente consegue se imaginar testemunhando a uma bela garota sobre a condição eterna de sua alma, pois está acostumado a contemplar garotas nuas em sua imaginação. Assim, ele se sente indigno e incapaz de obedecer ao chamado de Deus. A masturbação se torna a inimiga de missões.
Mas a masturbação é algo errado? Deixe-me abordar a questão principalmente para os homens. Não posso imaginar orgasmo sexual sem imagem sexual na mente. Sei que existem ejaculações noturnas, as quais considero inocentes e úteis, mas duvido que alguém tenha um orgasmo à parte de um sonho sexual que forneça a imagem necessária na mente. Evidentemente, Deus constituiu a conexão entre orgasmo sexual e pensamento sexual de tal forma que a força e o prazer do orgasmo dependem do pensamento ou imagens em nossas mentes.
Portanto, para se masturbar, é necessário ter pensamentos ou imagens vívidos e excitantes na mente. Isso pode ser feito por pura imaginação ou mediante fotos, filmes, histórias ou pessoas reais. Essas imagens sempre envolvem as mulheres como objeto sexual. Uso a palavra “objeto” porque para uma mulher ser um verdadeiro “sujeito” sexual em nossa imaginação, ela deve na realidade ser alguém com quem experimentamos o que estamos imaginando. Esse não é o caso com a masturbação.
Dessa forma, voto um não para a masturbação. Pode haver outras razões pelas quais ela é errada. Por ora, fundamento meu voto sobre as inevitáveis imagens sexuais que acompanham a masturbação, as quais tornam as mulheres em objetos sexuais. Os pensamentos sexuais que possibilitam a masturbação não ajudam nenhum homem a tratar as mulheres com maior respeito. Portanto, a masturbação produz culpa real e legítima, e obstrui o caminho da obediência.
Três encorajamentos para homens solteiros:
1. Vocês não estão sozinhos na batalha.
2. Fracasso periódico nesta área não te desqualifica mais para o ministério do que fracassos periódicos de impaciência (que também é um pecado).
3. Procure o poder expulsivo de uma novação afeição. Andei por uma seção inteira de livros de “fotografia” no Walker Art Center na quinta-feira passada, capacitado pelo prazer melhor de sentir Cristo conquistar a tentação do olhar.
Por causa do seu poder,
Pastor John
Fonte: http://www.desiringgod.org/
Do serviço voluntário à missão de servo
26/10/10
Há diversos textos bíblicos que nos mostram servos de Deus sendo provados e aprovados através das experiências da vida. Aqui, queremos refletir sobre a experiência de Moisés, um dos maiores líderes da história do povo de Deus.
A história de Moisés, resumida por Estevão, está dividida em três fases de 40 anos (Atos 7). É importante compreender essas três fases na vida desse servo de Deus para percebermos como o jovem voluntarioso (Ex 2) tornou-se o homem mais manso da terra (Nm 12), e o que isto significa para nós hoje. Como aconteceu com José, Moisés foi duramente provado e, finalmente, aprovado por Deus para ser participante da sua obra na terra.
A frustração do voluntário
Na primeira fase de 40 anos, Moisés recebeu esmerada formação religiosa de sua mãe e a melhor educação geral no palácio egípcio, tornando-se um homem poderoso em palavras e obras. Moisés tinha consciência da sua identidade e da sua missão, talvez fruto da sua formação religiosa. Por isso, considerou-se apto para iniciar sua missão de libertador. Mas cometeu diversos equívocos.
Quando viu um egípcio espancando um hebreu, (1) olhou de uma banda e de outra e não olhou para cima; (2) temeu a presença de homens, mas não temeu a presença de Deus; (3) quis ser libertador e tornou-se homicida; (4) tentou esconder o que tinha feito. O resultado foi a fuga para esconder-se do faraó. Não há registro de que Moisés tenha ouvido ou buscado a Deus. Tentou, sinceramente, fazer alguma coisa para Deus e para o seu povo, mas foi frustrado.
Deus não desistiu de Moisés, como ele não desiste de nós. Todos os que se dispõem a servir podem errar. Faz parte do processo pedagógico de Deus. Precisamos de pausas para reflexão. Como Pedro, tornamo-nos mais humanos quando temos de chorar amargamente os nossos fracassos. Só não erra quem nunca tenta servir e ser útil.
O preparo do vocacionado
Na segunda fase de 40 anos, de príncipe egípcio, Moisés tornou-se pastor das ovelhas do sogro no deserto de Midiã (Ex 2.18-22; 3.1).
Essa escola do deserto foi importante na formação daquele que seria o maior líder de Israel. Aliás, o deserto é terreno fértil da reflexão bíblica (Moisés, João Batista, Jesus). Tempo de reflexão, de crescimento, de maturidade. O homem poderoso aprendeu a depender de Deus.
O homem versado nas ciências do Egito reconheceu-se incapaz para a missão para a qual Deus o chamava. O voluntário se oferece; o ministro é chamado; o voluntário é capaz para a tarefa; o ministro (servo) precisa ser capacitado por Deus.
De acordo com o Novo Testamento, todos os crentes são chamados e capacitados por Deus (Rm 12.4-6; Ef 4.7; 1 Co 12.7,11). A Igreja é o Corpo de Cristo. Assim como não há membro no corpo sem função, também não há crente sem ministério.
Todos nós podemos servir como ministros de Deus, porque “Deus não chama os capazes, mas capacita os chamados”. Deixemo-nos moldar pelas potentes e amorosas mãos do Senhor para que sejamos vasos de bênçãos.
A missão do servo
O chamado de Moisés começou com o encontro dele com Deus numa experiência de adoração (Ex 3.1-6). Isaías teve experiência semelhante (Is 6.1-3, 8). As ações que glorificam a Deus têm origem no trono e no altar de adoração. Moisés foi, primeiro, um adorador, e depois chamado e enviado por Deus como o líder libertador do seu povo. Não se ofereceu para fazer alguma coisa para Deus e para o seu povo, mas submeteu-se ao Senhor em adoração; por isso os sinais e prodígios procediam de Deus, glorificavam a Deus e abençoavam o povo.
Moisés serviu ao Senhor nos seus dias e profetizou a respeito do Messias (At 7.37-38). Com as experiências dele aprendemos que tudo coopera para o nosso bem e nos prepara para sermos bênçãos nas mãos do Senhor.
Na primeira fase da vida de Moisés, ele pensava que era tudo; depois, aprendeu que não era nada; por fim, reconheceu que Deus era tudo. A vida e o ministério de Moisés nos ensinam que na submissão completa ao Deus soberano somos felizes e cumprimos a missão que Ele tem para nós.
Receita para uma igreja bem sucedida
29/09/10
Gabriel Andrada é jovem, seminarista, recém casado, e cheio de ideais. Evangélico desde o berço, diz que só se converteu de fato com 17 anos em um acampamento de carnaval. Desde a experiência de conversão, que o levou às lágrimas, participa de eventos evangelísticos de sua igreja. Agora se sente vocacionado para ser pastor. Ávido por ser “usado” por Deus, Gabriel matriculou-se em um pequeno instituto bíblico.
Gabriel me conheceu na internet e escreveu pedindo ajuda. Precisa que eu lhe ensine o “caminho das pedras” para começar uma igreja do zero. Pensei, pensei! Sem conhecê-lo, sem saber exatamente aonde o noviço quer chegar, resolvi correr o risco de responder. Disse que para uma igreja ser bem sucedida no Brasil são necessários a combinação de pelo menos dois, de quatro ingredientes.
1) Um pastor carismático. Que tenha traquejo para falar em público com desenvoltura. Que cante afinado, ou que pelo menos comece os hinos no tom certo. Que tenha boa memória para decorar versículos e saiba citá-los sem tomar fôlego. Que seja simpático e bem humorado no trato pessoal.
2) Um bom prédio em uma boa localização. Que a igreja seja em um lugar de fácil acesso. Que tenha bom estacionamento. Que seja confortável, preferivelmente com cadeiras acolchoadas, climatizado com ar condicionado. Que os banheiros limpos não cheirem a creolina.
3) Acesso à mídia. Que a nova igreja tenha programa de rádio ou de televisão. Mas que a programação ressalte as qualidades especiais do líder como o apóstolo escolhido de Deus para os últimos dias. Que repita sem parar que a igreja é especial, diferente de todas as outras. É bom que o locutor fale em línguas estranhas (glossolalia) e profetize sobre detalhes da vida dos crentes. Que crie uma aura de “poder” pentecostal e curiosidade nas pessoas de comparecerem aos cultos.
4) Teologia da Prosperidade. Que o pastor não tenha escrúpulo de prometer milagre à granel. Que a maior parte do culto seja gasto colhendo testemunhos de gente que enricou com as campanhas dos sete dias, com os jejuns da conquista, com as rosas santas, com os cultos dos Gideões, com as maratonas de oração. Quanto mais relatos, melhor.
Ressalto. Gabriel não precisa se valer de todos os pontos para se tornar o novo fenômeno gospel brasileiro. Entretanto, sem o quarto ingrediente, ele não vai a lugar nenhum. Basta que combine qualquer um com o último e seguramente se tornará um forte concorrente nos disputadíssimo mercado gospel.
Entretanto, como vai concorrer com expoentes bem consolidados, terá que trabalhar muito. Talvez precise fazer o programa de rádio ou de televisão na madrugada. No começo, para pagar o horário, terá que fazer merchandise de Ginka Biloba. Gabriel não deve ter receio de oferecer, por uma pequena oferta, lenço ungido, óleo sagrado ou água do rio Jordão. Se necessário, pode até vender cadernos escolares com a capa espiritual; tipo, um rapaz surfando e uma frase ao lado: “Cristo é ‘sur-ficiente’ para mim”.
Não sei se Gabriel entenderá a minha ironia. Caso leve os meus conselhos a sério, logo teremos uma nova igreja de nome bizarro. Contudo, quando estiver nos píncaros da glória, todos saberão que a trajetória de Gabriel Andrada não foi tão espiritual quanto se poderia supor. “Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Shakespeare.
Soli Deo Gloria.
Autor: Ricardo Gondim
“Nós vamos alcançar esse mundo!” A mentira moderna da igreja cega
11/06/10
“Claro que vamos alcançar esse mundo. Estamos quase lá. “
“Acho que é mais fácil o coelho da Páscoa botar um ovo de chocolate de verdade.”
Não quero ser a chuva no piquenique de ninguém, mas essa parada de “ a igreja está alcançando o mundo” é uma das coisas mais pregadas, mais enganosas e mais usadas para arrancar um “aleluia!!” da galera, e está bem longe do que poderia ser verdade. Eu teria mais facilidade de acreditar que está nevando no inferno do que na igreja, do jeito que está hoje, estar influenciando alguma coisa neste mundo, muito menos alcançando ele. Fala sério. Não que eu esteja contra essa idéia, acho que seria ótima, mas vejo algumas coisas meio óbvias que impedem a realização desse sonho, coisas que precisam ser abordadas e mudadas.
Hoje em dia há um bom impulso para se conquistar os muçulmanos pra Jesus, mas, na boa, estou obrigado a dizer, “Será?”.
Será que nós temos esperança em alcançar um povo que ora cinco vezes por dia? E se eles ficarem sabendo que a gente fica , às vezes, cinco dias sem orar?
Será que vamos influenciar um povo que mata jovens que transam fora do casamento com nossa moralidade?
Com a nossa santidade fingida?
Com o nosso namoro santo, dentro do qual mais do que a metade dos jovens têm perdido sua virgindade?
E será que nossas igrejas subterrâneas vão impressionar um povo que está disposto a morrer por sua fé?
Vamos ser sinceros aqui, o maior impedimento do Cristianismo ganhar muçulmanos são os próprios cristãos. Que vivem vidas que muitas das vezes não tem nada a ver com o que eles pregam. Falamos em paixão sem amar. Falamos em transformação sem mudar. Falamos em dedicação sem se comprometer. Falamos em estarmos dispostos a morrer, enquanto nos escondemos em nossas igrejas subterrâneas mostrando a nossa vontade e desejo de viver. Nós somente teremos esperança de alcançar o mundo muçulmano, quando a nossa dedicação , no mínimo, alcançar a deles. Quando nossas vidas começarem a refletir o que falamos, e quando o sangue dos mártires começar a molhar o chão.
Alcançaremos o mundo muçulmano? Estamos longes.
Alcançaremos o mundo quando começarmos a olhar para os pobres com olhos de preocupação, quando pararmos para entregar algo mais do que um panfleto que eles não podem comer. É muito difícil falar para um morador de rua sobre um Deus que supre as necessidades e ama, quando ele mesmo nunca experimentou isso e nós não temos a mínima vontade de mostrar. Os moradores de rua não podem nos ouvir devido ao fato de que o barulho dos seus estômagos está alto o suficiente para os distrair. Me mostre uma igreja que se liga com os necessitados(sem benefício próprio) e eu te mostro uma igreja que ama o Senhor e entende Seu coração. Mas, não. Esta não é a realidade da igreja hoje em dia, a igreja está muito gorda e muito distraída com a mentalidade de que benção quer dizer “comer a vontade”. Nos ensinam que isso é prosperidade; mas parece bem mais com pecado(gula). Pastores gordos e ricos, passando na rua em seus carros importados e novos, sem perceberem membros das suas próprias igrejas dormindo na rua e passando fome. Pior, eles mesmo não ligam, pois não é o problema deles.
Como é que conseguimos olhar nos olhos de uma criança passando fome e não sentir nenhuma responsabilidade?
Talvez este seja o segredo, não olhar. Passar rápido, fingir estar com pressa e não olhar. Isso mesmo pastor. Isso mesmo “irmão”. Eles te vêem, pode crer, e sentem a sua rejeição.
Obviamente não é sobre eles que estamos nos referindo quando falamos em alcançar o mundo. Talvez estejamos simplesmente falando dos ricos, dos lindos, dos limpos, dos que tem algo a nos oferecer para nos acrescentar, mas com certeza, não é sobre aqueles que vão nos dar trabalho. Não é seu chamado, eu já sei.
E nem das prostitutas, homossexuais e travestis – as pessoas marginais, né? Pois se estamos tão interessados assim em “alcançar este mundo”, que tal a gente procurar umas pessoas “deste mundo” que precisam de ajuda, e que a igreja raramente vai atrás? Esses são fáceis de achar e você não precisa ser “treinado” para mostrar o amor de Cristo para eles. Mas, ninguém vai atrás eles? Por quê será?
Está sentindo o amor? Está se arrepiando meu “irmão”? Quer dar um grito de “vitória”?Não?! Nem eles. Se sua hipocrisia fosse bosta, a gente teria bosta o suficiente para fazer um jardim bem lindo do tamanho do Brasil. E sim, eu sei que existem alguns fariseus que não vão levar nada desse artigo, além do fato que eu escrevi bosta, que tal “merda” então. Melhor pra ti? É tudo a mesma coisa. Algo que não deve ser. E sabe o pior, o fato de ter colocado essas palavras aqui vai dar mais ibope do que as tristezas descritas e escritas aqui. Todo mundo vai falar das palavras “bosta” e “merda”, convenientemente esquecendo do conteúdo. Vamos alcançar o mundo? Duvido. A gente nem gosta dele e das pessoas achadas nele.
Vamos alcançar o mundo, se é que vamos conseguir, somente depois de alcançarmos a própria igreja que está cheia de pessoas vivendo vidas duplas. Eu sei que você sabe do que estou falando. Você sente isso cada dia em que se olha no espelho e se confronta com as suas próprias hipocrisias. O mais triste é que existem muitos na igreja cientes da sua falsidade e querendo mudar mas sem saber como. Em quem eles vão confiar para falar a verdade sobre seu namoro “santo”? Em quem eles vão confiar para falar sobre o seu problema de masturbação ou seu vício em pornografia? Pra quem eles podem contar que quando comem demais eles vomitam a comida para não engordar? E pode crer que a igreja está cheia de pessoas assim. Infelizmente nós somente nos amamos e não temos interesse suficiente para ver as lágrimas nos olhos dos nossos irmãos.
Em quem eles vão confiar para contarem sobre a luta secreta que eles tem contra homossexualidade? É meu amigo, esse tabu está prestes a explodir. Existem muitos homens e mulheres dentro da igreja travados nessa área. Com certeza eles precisam e querem ajuda, mas num lugar onde que se condena o que não entende e que nem se quer entender o que acontece, não é um lugar que convida as pessoas a serem honestas e liberarem os seus segredos. A igreja está a beira de um dos baques mais doidos que ela já passou na sua história e ela mal o vê chegando. Logo, logo a igreja vai ser confrontada com muitos jovens homossexuais ,que já fazem parte da sua liderança, assumindo suas vidas de homossexualidade. E como a igreja vai lidar com isso? Expulsando eles? Espancando eles como aconteceu num caso que a gente conhece? Pedir a eles pra saírem até que consigam levar uma vida mais “apropriada” aos nossos templos pagãos? Tentar expulsar o demônio deles? Seria mais fácil se fosse somente isso. O que a igreja vai fazer?
Quando aqueles que estão lá fora começarem a entrar vai ser um “Deus tem misericórdia!”. Como nós iamos conseguir continuar fingindo que tá todo mundo bem com Deus, se tem homens lá agindo como mulheres e mulheres agindo como homens? Sem falar que quando uma prostituta ou um travesti entrar as máscaras irão cair sem dúvida. Então, o que “ a noiva de Cristo” faria? Abraçaria eles? Mostraria seu amor ou mostraria a porta? Tentaria mudar o exterior logo, para não constranger nenhum fariseu dizimista, na esperança de que o interior mudasse em um dia também? Alcançaremos o mundo? Hmmmmm.
Não é a isso que nos referimos? Já saquei que essas palavras são bem vazias. Deus deve estar muito orgulhoso da gente. Estamos O representando perfeitamente, isso seria verdade se ele fosse um cão. Bacana as palavras que saem dos nossos púlpitos, palavras sem realidade, sem respaldo e sem nenhuma motivação para serem realizadas. Talvez essa nunca foi a razão de lançá-las, não esperam que elas se realizem. Pois aqueles que as lançam geralmente não fazem nada acerca do que pregam. Em defesa deles, talvez a gente possa usar a desculpa de que não é o chamado deles. Claro que não é. Me perdoe, o que eu estava pensando?! Estendendo a minha mão na direção do “ungido”. Eu quase cometi um erro gravíssimo tocando nele e mencionando sua hipocrisia. Parece que quem tem título hoje em dia tem também tem um direito de fazer o que quer sem ninguém questionar. Obviamente ninguém avisou o Apóstolo Paulo disso quando ele confrontou Pedro publicamente.
“Chamado” hoje quer dizer, “pregar e mostrar o caminho certo mas não necessariamente andar nele”. O “chamado” deles(pastores, evangelistas e CIA.) é de estimular a galera a alcançar o mundo enquanto eles tentam alcançar a grana da galera através da semeadura, do dízimo, da oferta, da oferta “especial”, das ofertas das primícias e etc. Estou me esqueçendo de alguma outra maneira enganosa que os “ungidos” usam hoje em dia para poder ter uma casa maior, um carro maior e uma barriga maior, mostrando o quanto Deus os “ama” enquanto passam por aqueles que estão jogados na rua e muitas das vezes na frente das suas próprias igrejas que Deus obviamente não “ama”? É entendido que não devemos perder nosso tempo tentando alcançar esses jogados(“vagabundos”, é o termo mais usado), pois eles não querem Deus. Mas, se o cara tem uma empresa, pode crer que o “anjo da igreja” daria até carona no seu carrão para ele, pois ele tem “potencial” (grana) e quer Deus, né?
Tiago 2:1-4; Meus irmãos, vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: “Este é o melhor lugar; sente-se aqui”, mas dizem ao pobre: “Fique de pé” ou “Sente-se aí no chão, perto dos meus pés.” Nesse caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros.
É claro que isso nunca acontece no contexto da igreja moderna. A gente não dá o lugar melhor para ninguém por causa do seu estado financeiro. Sem dúvida nós não fazemos isso, só pedimos para eles fazerem parte do nosso 12 ou conselho de líderes. Até hoje nunca vi um cara desempregado e duro sendo apresentado pelo um pastor diante de uma galera como parte dos meus “12”. Por que será?
Tiago 2:9; Mas, se vocês tratam as pessoas pela aparência, estão pecando, e a lei os condena como culpados.
Quem não é culpado disso, por favor, levante a sua mão limpa.
Tiago 2:15-17; Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.” Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta.
Imagine que um irmão não tem dinheiro para pagar a sua conta de luz. A igreja ajuda? Sim, de vez em nunca. Geralmente o que rola é algo do tipo: “Puxa, que coisa. Vou estar orando por você.” Ô seu safado! Ele não precisa da oração religiosa que você provavelmente nem ia fazer. Ele precisa que você meta a sua mão de vaca no bolso e tire uma nota que ajude a ele. Isso não seria Cristianismo de verdade? Isso não seria fruto de uma fé viva? Essa não seria a fé que alcançaria o mundo?
Tiago 5:1-5; Agora, ricos, escutem! Chorem e gritem pelas desgraças que vocês vão sofrer! As suas riquezas estão podres, e as suas roupas finas estão comidas pelas traças. O seu ouro e a sua prata estão cobertos de ferrugem, e essa ferrugem será testemunha contra vocês e, como fogo, comerá o corpo de vocês. Nestes últimos tempos vocês têm amontoado riquezas e não têm pago os salários das pessoas que trabalham nos seus campos. Escutem as suas reclamações! Os gritos dos que trabalham nas colheitas têm chegado até os ouvidos de Deus, o Senhor Todo-Poderoso. Vocês têm tido uma vida de luxo e prazeres aqui na terra e estão gordos como gado pronto para o matadouro.
Claro que não estou chamando ninguém de gordo. Foi o Tiago que chamou. Não gostou? Então, pode mandar seu e-mail reclamando a ele: tiago@to_nem_ai.com. Obrigado.
Ez. 34:1-10; O SENHOR me disse o seguinte: – Homem mortal, fale contra as autoridades que governam o meu povo de Israel. Profetize contra elas e diga que eu, o SENHOR Deus, estou dizendo o seguinte: “Vocês, autoridades, são os pastores de Israel. Ai de vocês, pois cuidam de vocês mesmos, mas nunca tomam conta do rebanho! Vocês bebem o leite das ovelhas, usam a sua lã para fazer roupas e matam e comem as ovelhas mais bem tratadas, porém não cuidam do rebanho. Vocês não tratam as fracas, não curam as doentes, não fazem curativos nas machucadas, não vão buscar as que se desviam, nem procuram as que se perdem. Pelo contrário, vocês tratam as ovelhas com violência e crueldade. E, por não terem pastor, elas se espalharam. Animais ferozes mataram e comeram as ovelhas. As minhas ovelhas andam perdidas pelos morros e pelas altas montanhas. Estão espalhadas por toda parte. Ninguém busca essas ovelhas, ninguém procura encontrá-las. – Pois bem, pastores, escutem o que eu, o SENHOR Deus, estou dizendo. Juro pela minha vida que é melhor vocês me escutarem. Por não terem pastor, as minhas ovelhas foram atacadas, mortas e devoradas por animais ferozes. Os meus pastores não foram procurá-las. Eles estavam cuidando de si mesmos e não das ovelhas. Por isso, vocês, pastores, prestem atenção. Eu, o SENHOR Deus, declaro que estou contra vocês. Tirarei de vocês as minhas ovelhas e não deixarei que vocês sejam os seus pastores. E não deixarei que continuem a ser pastores que só cuidam dos seus próprios interesses. Livrarei as minhas ovelhas do poder de vocês para que vocês não possam devorá-las.”
Opa, sei que um tosco vai me escrever para me adverter para não tocar nas auto-designadas, ou seja, os “ungidos do Senhor”. Mas por favor, poupe seu tempo. Se você estava prestando um pouco de atenção, não fui eu que falei isso, foi Deus. Então talvez você deva O adverter para não tocar nos “ungidos” Dele. O e-mail Dele é: eusou@to_nem_ai.com.
“Meu Deus, tenha misericórdia de nós!” Tenha misericórdia da sua igreja brasileira falsa, fria, afastada e desviada. Alcançaremos o mundo? Não sei. Acho que o mais da hora é perguntar: “Quem nos alcançará?”
Agora para terminar deixando todo mundo feliz, como que é de costume da igreja, vamos falar todo mundo junto: “Nós vamos alcançar o mundo para glória de Jesus!!!” Não faz mal sonhar, né?
A igreja precisa de uma missão?
06/06/10
Bill Hybells, pastor em Chicago, conta que certa vez foi participar de uma corrida de barcos. Ele era o dono do barco e tinha uma equipe de amadores que o ajudava. O regulamento permitia que um corredor profissional estivesse presente em cada barco para ajudar a equipe.
Ele convidou um dos veteranos corredores americanos. No dia da corrida, toda a equipe estava pronta e aquele corredor chegou. Depois de apresentar a equipe, Bill entregou o comando a ele. Aquele corredor disse que não poderiam sair dali sem antes definir algumas coisas. Em primeiro lugar ele perguntou:
- Qual é a nossa missão?
Todos ficaram se olhando e então alguém respondeu:
- Pretendemos ganhar a corrida.
Então ele disse:
- Ótimo, temos um bom ponto de partida, sabemos onde queremos chegar.
Depois disto ele ainda fez uma porção de perguntas, mas o objetivo inicial já tinha sido definido. A base de um planejamento também é esta. Se não houver a definição da missão da igreja, outras definições que venham a ser tomadas estarão soltas no ar, como pedras de meteorito no espaço. Estas pedras podem se colidir e provocar grandes estragos.
Muitas colisões que existem na igreja ocorrem porque os ministérios estão soltos. Talvez alguns deles até tenham uma direção, mas não estão olhando para o mesmo foco, e não tem uma visão geral.
A elaboração de uma declaração de missão
Muitos líderes argumentam que a igreja não precisa definir uma missão, pois ela já foi definida por Jesus. Isto é correto. Não dá para inventar uma nova missão para a igreja, diferente da que Jesus deixou.
No entanto, uma comparação simples torna possível entender uma coisa. Quando se pergunta qual é a missão de uma empresa de informática, a resposta é: fornecer tecnologia. Esta era a resposta que a IBM tinha anos atrás, antes que Bill Gates fundasse a Microsoft. Todas as empresas de informática eram iguais e pareciam ter a mesma missão. Depois que a Microsoft foi fundada, ela definiu como missão “ter um computador em cada casa do mundo”. Só que ela nunca fabricou um computador. O objetivo era: onde existir um computador a Microsoft teria um software instalado. Isto fez com que uma empresa criada na garagem com alguns jovens malucos se tornasse a maior do mundo. E a IBM? Ela quase desapareceu, e teve que se reinvetar para sobreviver.
Quando dizemos que todas as igrejas tem a mesma missão, isto é fato. Entretanto, muitas igrejas estão preocupadas em manter aquilo que sempre fizeram. Elas não contextualizam e nem criam um jeito diferente de fazer aquilo para o qual existem.
Talvez a sua igreja sempre esteve preocupada em manter aquilo que sempre fez. No entanto, é preciso fazer melhor aquilo que já se faz. Peter Ducker diz que “os fatores essenciais ao sucesso de uma missão são: Faça melhor aquilo que você já faz bem, se essa for a coisa certa a ser feita; olhe para fora em busca de oportunidades e necessidades. Um novo padrão é estabelecido quando se faz bem uma coisa. Isto é compromisso com a missão.”
A missão de uma igreja caracteriza o âmago do ministério a ser desenvolvido. Para John Stott, muitos consideram iguais os termos missão e evangelização, missionários e evangelistas e missões e programas de evangelização. Isto seria limitar demais a missão da igreja.
Isto nos leva a pensar em algumas coisas que Jesus afirmou, e que se relacionam com a missão da igreja. Jesus veio para servir e enviou sua igreja para servir ao mundo:
“…tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Mateus 20.28
“Assim com tu me enviaste ao mundo, também eu vos envio ao mundo”. João 17.18
“Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. João 13.15
Russell Shedd afirma que: “A vontade de Deus para Jesus Cristo é também a vontade de Deus para a igreja”. Considerar a missão da igreja apenas evangelizar é superficilizar sua missão. Uma missão superficial gera um ensino superficial e realimenta um ciclo vicioso.
Para refletir
Uma igreja precisa tomar aquilo que Jesus nos deixou como missão, pensar na profundidade e extensão disto e contextualizar isto para esta geração. A falta de reflexão na contextualização da missão leva à superficialidade. A superficialidade da missão leva à superficialidade dos planos.
Todos os hospitais tem a mesma missão, mas em alguns deles nós não queremos nem entrar. Todos os hotéis tem a mesma missão, mas em alguns deles nós não queremos passar nem na porta. Assim é também com a igreja. Todas elas tem a mesma missão, mas algumas decidiram refletir e contextualizar sua missão. Elas entenderam o que Jesus disse há dois mil anos, mas buscaram a ajuda do Espírito Santo para conseguir causar um impacto no século 21.
A mulher samaritana, Coca-Cola e Jesus
20/05/10
Às vezes, a gente ouve certas coisas que não aceita, mas não sabe bem o porquê. Só depois de algum tempo entende. Não foi por mera antipatia que aquela mensagem não desceu bem. Recordo-me quando ouvi pela primeira vez o paralelo entre Jesus e a Coca-Cola. O pregador, inflamado de zelo e paixão missionária, afirmava que numa viagem ao interior do Haiti, sob uma temperatura de mais de 40 graus, sentiu-se aliviado quando parou num quiosque miserável feito de palha de coqueiros e pôde comprar uma garrafa do mais famoso refrigerante do mundo. Devidamente refeito depois de beber sua Coca geladinha, perguntou ao dono da venda se já ouvira falar de Jesus. Ele não sabia de quem se tratava. E o nosso palestrante fez sua analogia, tentando dar um choque na complacência da igreja ocidental: “A Coca-Cola conseguiu alcançar o mundo inteiro em menos de um século e a igreja cristã ainda não cumpriu a ordem da Grande Comissão em mais de 20 séculos!”. Depois daquela primeira exortação, já devo ter escutado essa mesma comparação uma dúzia de vezes em diversas conferências missionárias. Verdade ou tolice? Pior. Estou certo que essas ilustrações não são meros simplismos, nascem de grandes erros teológicos (ou ideológicos?).
Coca-Cola é uma bebida inventada na Geórgia, Estados Unidos, com uma fórmula secreta. Sabe-se que sua receita original continha alguns ingredientes também encontrados na cocaína, daí o seu nome. Seus fabricantes nunca intencionaram outro propósito senão matar a sede das pessoas. A The Coca-Cola Company não convoca ninguém a rever valores do caráter, não confronta estruturas de morte, não se propõe a aliviar culpa, não revela a eternidade e nem Deus. Para chegar aos quiosques mais remotos do globo, bastou criar um produto doce e gaseificado. Investir bilhões em boas estratégias de propaganda, construir fábricas e desenvolver uma boa rede de distribuição para que o produto chegasse com a mesma qualidade nos pontos de venda. Tentar comparar a missão da igreja no anúncio do Reino de Deus às estratégias de mercado de um refrigerante, beira o absurdo. Confunde-se um bem material com uma pessoa e enxerga-se na mensagem um produto. Os missiólogos sucumbiram à lógica do mercado do novo milênio? Acreditam mesmo que cumpriremos nossa missão com os instrumentais corporativos? Tudo pode se tornar um produto?
No Brasil, o esforça-se muito para “vender” o Evangelho. Quase não se usa a mídia para proclamar os conteúdos do Evangelho. Alardeiam-se os benefícios da fé. Basta observar a enormidade de tempo gasto divulgando os horários dos cultos, a eficácia da oração, mostrando que aquela igreja é melhor e que a sua mensagem é a mais forte para resolver todos os problemas das pessoas. Aborda-se o Evangelho como um produto eficaz e adota-se uma mentalidade empresarial no seu anúncio. Prometem-se enormes possibilidades. Tratam as pessoas como clientes e sem constrangimento, anuncia-se que qualquer um pode adquirir esse determinado benefício com um esforço mínimo. As igrejas se transformam em balcões de serviços religiosos ou supermercados da fé. A tendência de oferecer cultos diferenciados e as intermináveis campanhas de milagres demonstram bem esse espírito. Como um supermercado com as gôndolas recheadas de produtos, as igrejas procuram incrementar os “serviços” ao gosto dos fregueses. Os pastores dividem os dias da semana com programações atrativas; gastam suas energias desenvolvendo estratégias que atraiam o maior número de pessoas. Sonham com auditórios lotados. Campanhas, correntes e demonstrações grotescas de exorcismos e milagres financeiros se sucedem. As pessoas, por sua vez, se achegam, seduzidos pelas promoções das prateleiras eclesiásticas.
Esse modelo induz as pessoas a adorarem a Deus por aquilo que ele dá e não por quem é. Não se anuncia o senhorio de Cristo, apenas os benefícios da fé. Os crentes acabam tratando a Bíblia como um amuleto e, supersticiosos, continuam presos ao medo. Vive-se uma religião de consumo.
Mas existe outra dimensão ainda mais sutil. Naomi Klein, jornalista canadense, publicou recentemente “Sem Logo” (Editora Record) para denunciar a tirania das marcas em um planeta obcecado pelo consumo. Ela defende a tese de que a grandes corporações do mercado global não vendem apenas os seus produtos, mas a marca. Procuram criar uma filosofia de vida embutida em seus produtos. Desejam induzir seus consumidores a acreditarem que podem viver um determinado estilo de vida, desde que comprem aquela marca específica. Assim os fumantes de Marlboro imaginam personificar o “cowboy” solitário, mesmo morando em um apartamento. Quando atletas amadores vestem as roupas ou calçam os tênis da Nike, acham que se transformam em campeões. Gente que vive presa no trânsito apinhado das grandes metrópoles, ao dirigir jipes com tração nas quatro rodas, sente-se desbravando sertões. Klein declara: “’Marcas, não produtos!’ tornou-se o grito de guerra de um renascimento do marketing liderado por uma nova estirpe de empresas que se viam como ‘agentes de significado’ em vez de fabricantes de produtos. Segundo o velho paradigma, tudo o que o marketing vendia era um produto. De acordo com o novo modelo, contudo, o produto sempre é secundário ao verdadeiro artigo. A marca e a sua venda adquirem um componente adicional que só pode ser descrito como espiritual”.
Infelizmente percebe-se o mesmo em determinados círculos cristãos. Querem fazer do Evangelho uma grife. Como? Primeiro transforma-se um seleto grupo de evangelistas, cantores e pastores em superestrelas ao estilo de Hollywood. Depois associam seu nome a grandes eventos e dão-lhes o holofote. Ensinam-lhes habilidades espirituais acima da média. Assim produzem-se ícones semelhantes aos do mundo do entretenimento. Eles aglutinam multidões, vendem qualquer coisa e criam novas modas. A indústria fonográfica enriquece, os congressos se enchem, e os novos astros do mundo “gospel” alavancam suas igrejas.
Jesus dialogou com uma mulher samaritana e ofereceu-lhe uma água viva. A mulher imaginou essa água com raciocínios concretos. Pensou que ao beber, nunca mais teria sede. Uma água dessas hoje, devidamente comercializada, seria um tesouro sem preço. “Dá-me dessa água e assim nunca mais terei que voltar aqui”.
Jesus corrigiu sua linha de pensamento. A água que ele oferecia não era mágica, mas um relacionamento: filhos e filhas adorando ao Criador em espírito em verdade. Infelizmente muitos evangélicos brasileiros propagandeiam água mágica. Pretensamente matando a sede de qualquer um no estalar dos dedos.
O evangelho não é produto ou grife, volto a repetir, mas uma alvissareira notícia. Não deveria se escravizar às regras do mercado. Ricardo Mariano em sua tese de doutoramento concluiu, para a vergonha de tantas igrejas neo-pentecostais: “As concessões mágicas feitas pelas igrejas pentecostais às massas desafortunadas, por certo, não constituem tão-somente meras concessões… observa-se que a oferta pentecostal de serviços mágicos segue cada vez mais uma dinâmica empresarial, ditada pela férrea lógica do mercado religioso, que pressiona os diferentes concorrentes religiosos a acirrarem seu ativismo e a tornarem mais eficazes suas ações e estratégias evangelísticas”.
Essa mercadoria religiosa caricaturada de evangelho não representa o leito principal da tradição apostólica. A indústria que encena essa coreografia carismática de muito barulho e pouca eficácia, não conta com o aval de Deus. Há de se voltar ao anúncio doloroso do arrependimento como primeira atitude para os candidatos ao Reino. Não se pode, em nome de templos lotados, omitir a mensagem da cruz. Precisa-se repetir sem medo a mensagem de Jesus: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8.34).
Se não voltarmos aos fundamentos do Evangelho, teremos sempre clientes religiosos, nunca seguidores de Cristo. Faremos proselitismo sem evangelizar. Aumentaremos nossa arrecadação sem denunciar pecados. Construiremos instituições humanas sem encarnação do Reino de Deus. E pior, continuaremos confundimos Jesus com Coca-Cola. No Maranhão há um refrigerante de grande sucesso com a marca Jesus. Entretanto, não se pode desejar alcançar o sucesso transformando Jesus numa soda e as igrejas em quiosques religiosos.
Que Deus tenha piedade de nós.
Soli Deo Gloria.
Autor: Ricardo Gondim
Evangelização: Ordem de Cristo, Missão da Igreje e Necessidade do Mundo
03/05/10
EVANGELIZAÇÃO: ORDEM DE CRISTO, MISSÃO DA IGREJA E NECESSIDADE DO MUNDO
O evangelho é a boa notícia de que Deus ama os pecadores e enviou seu Filho para resgatar os que estavam cativos e dar vida aos que estavam mortos nos seus delitos e pecados. A evangelização é a comunicação dessa boa notícia, no poder do Espírito Santo, instando aos pecadores, com senso de urgência, que se reconciliem com Deus. Vamos considerar, agora, o tema supra citado.
1. A evangelização é ordem de Cristo – Jesus fez-se carne, viveu em perfeita obediência ao Pai, cumpriu sua santa lei e satisfez sua justiça violada por nós. Morreu na cruz em nosso favor, ressuscitou dentre os mortos para a nossa justificação e consumou a obra da nossa redenção. Em seguida, comissionou seus discípulos a ir por todo o mundo, até aos confins da terra, pregando o evangelho e fazendo discípulos de todas as nações. Essa grande comissão é repetida em todos os Evangelhos e também no livro de Atos. A evangelização não é uma opção; é uma ordem. A evangelização é uma tarefa imperativa dada pelo soberano Senhor do Universo. Silenciar-se acerca das boas novas de salvação é um ato de rebeldia contra Cristo e uma atitude de desamor aos homens. O universo inteiro ouve a voz de Cristo e a obedece. O vento ouve sua voz e se aquieta. O mar escuta a sua ordem e se acalma. Os demônios obedecem sua ordem e batem em retirada. Seríamos nós, seu povo, os únicos no universo a nos rebelarmos contra sua autoridade e nos insurgirmos contra suas ordens?
2. A evangelização é missão da igreja – Jesus deixou nas mãos da igreja a responsabilidade de pregar o evangelho. Essa tarefa é nossa e de mais ninguém. Se nos calarmos seremos tidos como culpados. A evangelização é uma tarefa intransferível. Somente a igreja, remida pelo sangue do Cordeiro, é portadora dessa boa nova. Nenhuma instituição humana tem essa credencial. Nem mesmo os anjos podem cumprir essa gloriosa missão. Fomos chamados do mundo para sermos enviados de volta ao mundo como embaixadores de Deus, como ministros da reconciliação, como despenseiros da multiforme graça de Deus. O método de Deus é a igreja. Se ela falhar, ele não tem outro método. Se o ímpio morrer na sua impiedade, ele vai perecer e Deus vai lançar sobre nós o seu sangue. Precisamos compreender que a evangelização é tanto um privilégio como uma responsabilidade. Mas, precisamos entender, também, que a evangelização é uma missão urgente. Não há esperança de salvação depois da morte. Depois da morte vem o juízo. O tempo é agora; hoje é o dia da salvação.
3. A evangelização é necessidade do mundo – O homem de qualquer tempo, raça ou cultura precisa de Cristo. O homem não pode salvar-se pelos seus próprios esforços. Suas obras não podem levá-lo ao céu. Sua religiosidade não é suficiente para reconciliá-lo com Deus. A salvação não é um caminho que abrimos da terra para o céu. Ela vem do céu à terra, de Deus para o homem. A salvação é planejada, executada e aplicada por Deus. O homem não pode fazer nada para redimir-se dos seus pecados. Ele é prisioneiro do pecado e impotente para livrar-se dele. A fé em Cristo é o único meio pelo qual o homem pode ser salvo. Mais do que saúde e bens, o homem precisa do evangelho. Mais do que riquezas e sucesso o homem precisa de Cristo. O evangelho é a maior necessidade do mundo e a evangelização é a maior expressão de amor da igreja pelo mundo.
Fonte: Rev. Hernandes Dias Lopes
