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O Caráter do Político Astuto: Um Estudo Sobre a Vida de Absalão

Filed under #Todos os Estudos, Antigo Testamento, Liderança, Person, Política by admin on 11-03-2010

2 Samuel, capítulos 13-18
A história de Absalão não é uma história bonita. Filho do Rei Davi, ele teve uma existência marcada por inúmeros pecados. Era uma pessoa atraente, simpática, e famosa, que realmente chamava a atenção. Poucas pessoas no mundo poderiam receber o tipo de descrição que dele é feita em 2 Sm 14.25: “Não havia, porém, em todo o Israel homem tão celebrado por sua beleza como Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum”. Quando lemos a sua história, registrada nos capítulos 13 a 18 de 2 Samuel, vemos que ele era um daqueles “líderes natos”, com personalidade marcante e carismática. Era impulsivo em algumas ações, mas igualmente maquinador e conspirador para preencher suas ambições de poder. Por trás de um passado que abrigava até um assassinato de seu irmão, ele não hesitou em utilizar e manipular pessoas e voltar-se contra seu próprio pai, para vir a governar Israel. Uma vez no poder, demonstrou mais impiedade, crueldade e imoralidade. No seu devido tempo, foi castigado por Deus, sofrendo uma morte inglória, sendo Davi reconduzido ao poder.

O caráter de Absalão não é diferente de muitos personagens contemporâneos de nossa política. Na realidade, ele reflete bem como a ambição pelo poder, conjugada com outros pecados, transtorna o comportamento de políticos “espertos” e “astutos”, levando-os a uma vida de engano e egoísmo desenfreado, na maioria das vezes com o aproveitamento pessoal do bem público. Necessitamos de sabedoria e discernimento, para penetrarmos a couraça de fingimento que é mostrada à sociedade. Necessitamos de uma conscientização de nossas responsabilidades, como cidadãos, para que estejamos cobrando, com o devido respeito, as responsabilidades de nossos governantes, conforme estipuladas nas Escrituras em Romanos 13.

Nosso propósito, neste artigo, é estudar as ações de Absalão registradas no capítulo 15 de 2 Samuel, versos 1 a 12, identificando algumas peculiaridades de sua pessoa e caráter para que sirva de alerta à nossa percepção do mundo político e da busca pelo poder. Queremos verificar se essas características são reflexos da natureza humana submersa em pecado, e aprender que devemos resguardar nosso apoio irrestrito, a tais pessoas de intensa ambição. Devemos também agir responsavelmente como cidadãos cristãos, na medida do possível, para que as instituições que tais pessoas pretendem governar sejam também resguardadas.
As Características de Absalão
Vejamos, 10 características do político astuto e matreiro que foi Absalão, conforme o relato que temos no capítulo 15 do Segundo livro de Samuel:

1. Ostentação e demonstração de poder. No verso 1, lemos: “Depois disto, Absalão fez aparelhar para si um carro e cavalos e cinqüenta homens que corressem adiante dele”. No capítulos 13 e 14 lemos como Absalão ficou foragido, após assassinar seu irmão. Aparentemente, Davi tinha grande amor por Absalão e, após três anos dos acontecimentos que culminaram no assassinato e fuga, Davi o recebe de volta. Absalão era famoso. Em 2 Sm 14.25 lemos que ele era “celebrado” por suas qualidades físicas invejáveis e impecáveis. Possivelmente tudo isso havia “subido à cabeça”. Em vez de assumir uma postura de humildade e contrição, em seu retorno, o texto nos diz que ele trafegava em uma carruagem com cavalos. Semelhantemente a tantos políticos contemporâneos ele se deleitava na ostentação e na demonstração de poder. Nesse sentido, formou um extraordinário séquito de “batedores” – cinqüenta homens que corriam “adiante dele”. Certamente tudo isso contribuía para chamar ainda mais atenção, para a sua pessoa, e ia se encaixando nos planos que possuía, para a tomada do poder. Vamos ter cuidado com aqueles que buscam a ostentação e a demonstração do poder que já possuem, pois irão aspirar sempre mais e mais, às custas de nossa liberdade.

2. Comunicação convincente. O verso 2, diz: “Levantando-se Absalão pela manhã, parava à entrada da porta; e a todo homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si e lhe dizia: De que cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de Israel é teu servo…”. Parece que Absalão não era preguiçoso. Levantava-se cedo e já estava na entrada da cidade, falando com as pessoas. Possivelmente tinha facilidade de comunicação, de “puxar conversa”. Identificava aqueles que tinham necessidades, aqueles que procuravam acertar alguma disputa e logo entrava em conversação com eles. Certamente essa é uma das características que nunca falta aos que aspiram o poder. Devemos olhar além da forma – devemos atentar para o conteúdo e a substância, procurando discernir os motivos do comunicador.

3. Mentira. O verso 3 mostra que Absalão era mentiroso. Era isso que Absalão comunicava àqueles com os quais ele conversava, com os que tinham demandas judiciais a serem resolvidas: “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei”. Descaradamente ele minava a atuação, autoridade e função do rei Davi, seu pai. Com a “cara mais limpa”, como muitos políticos com os quais convivemos, passava uma falsidade como se fosse verdade. Certamente existia quem ouvisse as pessoas, em suas demandas. Certamente, nem toda causa era “boa e reta”, mas Absalão não estava preocupado com isso, nem com a verdade. Ele tinha os seus olhos postos em situação mais remota. Ele queria o poder a qualquer preço. Para isso não importava se ele tinha que atropelar até mesmo o seu pai. Não sejamos crédulos às afirmações inconseqüentes, às generalizações mentirosas de tantos que aspiram o poder.

4. Ambição e engano. O verso 4, confirma a linha de ação adotada por Absalão, na trilha da decepção: “Dizia mais Absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra, para que viesse a mim todo homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!” Será que realmente acreditamos que o malévolo Absalão estava mesmo preocupado com o julgamento reto das questões? Será que ele tinha verdadeira “sede e fome de justiça”? A afirmação demonstra, em primeiro lugar que a sua ambição era bem real – ele queria ser “juiz na terra” – posição maior que era ocupada pelo rei seu pai. Quanto à questão de “fazer justiça” – será que realmente podemos acreditar? Certamente com a demonstração de impiedade e injustiça que retratou posteriormente, quando ocupou o poder, mostra que isso era ledo engano aos incautos. Quantas pessoas terão sido iludidas por ele! Quantas o apoiaram porque acharam que ali estava a resposta a todas as suas preces e anseios – “finalmente, alguém para fazer justiça”! Como é fácil sermos iludidos e enganados em nossas necessidades! Não sejamos ingênuos para com promessas que não poderão ser cumpridas.

5. Bajulação. No verso 5, vemos como Absalão era mestre em adular aos que lhe interessavam: “Também, quando alguém se chegava para inclinar-se diante dele, ele estendia a mão, pegava-o e o beijava”. Que político charmoso! Estava prestes a receber um cumprimento, mas ele se antecipava! Com uma modéstia que era realmente falsa, como veríamos depois, ele fazia as honras para com o que chegava. Realmente era uma pessoa que sabia fazer com que os que o visitavam se sentissem importantes. Sempre gostamos de receber um elogio, de sermos bem tratados. Tenhamos a percepção de verificar quando existem interesses ocultos ou motivos noturnos por trás da cortesia aparente.

6. Furto de corações – O despertar de seguidores ferrenhos! O verso 6 fala literalmente dessa característica. Não, Absalão não violava sepulturas, nem estava interessado em transplantes de órgãos. Mas no sentido bem coloquial ele “roubava corações”: “Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel”. Com as ações descritas nos versos precedentes, Absalão angariava seguidores apaixonados por seu jeito de ser. Sua bandeira de justiça livre e abundante para todos, capturava o interesse, atenção e lealdade dos cidadãos de Israel. Não importava se havia um rei, legitimamente ungido pelo profeta de Deus. Aqui estava um pretendente ao poder que prometia coisas muito necessárias. Que era formoso de parecer. Que falava bem. O que mais poderiam as pessoas esperar de um governante? Será que alguém se preocupou em averiguar a sinceridade das palavras e das proposições? Será que alguém tentou aferir se as promessas proferidas eram possíveis de ser cumpridas? O alerta é para cada um de nós, também.

7. Falsa religiosidade – Os versos 7 a 9 registram: “Ao cabo de quatro anos, disse Absalão ao rei: Deixa-me ir a Hebrom cumprir o voto que fiz ao SENHOR, Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se o SENHOR me fizer tornar a Jerusalém, prestarei culto ao SENHOR”. É incrível como muitos políticos, mesmo desrespeitando os mais elementares princípios éticos, pretendem, em ocasiões oportunas, demonstrar religiosidade e devoção. No transcorrer do texto, vemos que tudo não passava de casuísmo, da parte de Absalão. Ele procurava costurar alianças. Procurava trafegar pela terra realizando os seus contatos, mas a fachada era a sua devoção religiosa. Pelo amor ao poder, antigos ateus declarados, se apresentaram como religiosos devotos. No campo evangélico deve haver uma grande conscientização de que existe uma significativa força eleitoral e política. Na busca pelo voto evangélico, muitos se declaram adoradores do Deus único e verdadeiro. Não nos prendamos às palavras, mas examinemos a vida e as obras de cada um, à luz das idéias que defendem. Vejamos também se as propostas apresentadas se abrigam ou contradizem os princípios da Palavra de Deus.

8. Conspiração – O verso 10, mostra que, finalmente, Absalão partiu para a conspiração aberta: “Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom”. Insurgiu-se de vez contra o rei que havia sido ungido por Deus, para governar Israel. Não – ele não era um democrata que queria instalar uma república naquela terra. Valia-se de sua personalidade magnética, do seu poder de comunicação e das ações comentadas e registradas nos versos anteriores, para instalar um governo que seria não somente despótico, como opressor e abertamente imoral (2 Sm 16.22). Que Deus nos guarde dos políticos conspiradores, que desrespeitam as leis e autoridades e que são egoístas em sua essência.

9. Utilização de inocentes úteis – Leiamos o verso 11: “De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados, porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio”. Certamente essas duzentas pessoas, selecionadas a dedo, eram pessoas importantes e influentes. Certamente transmitiram a impressão que havia um apoio intenso e uniforme às pretensões de Absalão. Vemos que não é de hoje que as pessoas participam de uma causa sem a mínima noção de todas as implicações que se abrigam sob o apoio prestado. Devemos procurar pesquisar e estarmos informados sobre as causas públicas e sobre as questões que afetam a nossa vida e a da nossa nação. Nunca devemos permitir que sejamos utilizados como “inocente úteis” em qualquer causa, como foram aqueles “convidados” de Absalão.

10. Populismo – O verso 12 registra: “Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifícios, tornou-se poderosa a conspirata, e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão”. Vemos que, saindo do estágio secreto, a campanha ganhou as ruas e ganhou intensa popularidade, ao ponto em que um mensageiro chegou a dizer a David (v. 13) “o coração de todo Israel segue a Absalão”. Um dos ditos populares mais falsos é: “a voz do povo é a voz de Deus”. Não nos enganemos – muitas questões são intensamente populares, mas totalmente contrárias aos princípios da Palavra. Assim é também com as pessoas – a popularidade não é um selo de aprovação quanto ao comportamento ético e justo. Democracia (a regência pela maioria do povo) não é uma forma de se estabelecer o que é certo e o que é errado, mas uma maneira administrativa de se reger o governo sob princípios absolutos que não devem ser manipulados pela maioria, ou por minorias que se insurgem contra esses preceitos de justiça. Como cristãos, devemos ter uma visão muito clara dos princípios eternos de justiça, ética e propriedade revelados por Deus em Sua Palavra.

Conclusão
A história de Absalão que se iniciou no capítulo 13, continua até o capítulo 18. Absalão sempre gravitou próximo ao poder, mas aspirava o poder absoluto. Para isso, fez campanha, conspirou e lutou contra o seu próprio pai. Aparentemente esse político astuto foi bem sucedido. Foi alçado ao poder e lá se consolidou perseguindo e aniquilando os seus inimigos, entre os quais classificou o seu pai Davi, a quem tentou, igualmente, matar. Ocorre que os planos de Deus eram outros. Seu conturbado reinado foi de curta duração. Causou muita tristeza, operou muita injustiça e terminou seus dias enganchado pelos cabelos em uma árvore, enquanto fugia, e foi morto a flechadas.

Parece que vivemos permanentemente em campanha eleitoral, em nossa terra. A política, naturalmente, desperta fortes paixões, interesses e defesas. Muitos políticos, em sua busca pelo poder, passam a demonstrar muitas características demonstradas na vida de Absalão. É natural que alguém que almeja um cargo de liderança qualquer, possua um comprometimento intenso às suas idéias e objetivos. Os partidários, também submergem nesse mesmo espírito de luta. O problema vem quando a paixão, quer pelo líder, quer pelo poder, leva à cegueira moral, como na vida de Absalão. Nesse caso, desaparece a ética e princípios são atropelados. Os partidários, às vezes até sem perceberem, são sugados e manipulados. Em muitas ocasiões verificam que se encontram em uma posição de defender até o que não acreditam.

O cristão tem que se esforçar para ter uma consciência e vida tranqüila e serena perante Deus e perante os homens. Ele tem que se conscientizar que a sua lealdade é primordialmente para com Deus, para com a Sua Palavra objetiva, para com a causa do evangelho. Participação política consciente não significa lealdade inconseqüente. Na maioria das vezes o cristão verificará que se apoia esse ou aquele candidato, assim o faz não porque ele é o ideal e defensável em qualquer situação, mas porque representa o menor dos males, entre as escolhas que lhes são apresentadas. Sobretudo ele não pode se deixar manipular, como no caso dos seguidores de Absalão. Devemos, sempre, com respeito, apontar o desrespeito aos princípios encontrados nas Escrituras, por aqueles sobre os quais Deus colocou a responsabilidade de liderar o governo e as instituições de nosso país, lembrando 1 Tm 2.1-8, intercedendo sempre por eles em oração.

Autor: Presb. Solano Portela - Estudo Disponível no site da Igreja Presbiteriana do Brasil

Todo líder precisa valorizar o silêncio

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 10-03-2010

Analise se estas cenas lhe são familiares:

a) Você está coordenando uma reunião e fica muito inquieto com o silêncio dos participantes. Sente-se constrangido por não saber administrar as pausas que, para você, soam como imensos buracos cinzentos.

b) Você chega do trabalho e o seu primeiro movimento é ligar a T.V., o rádio, o aparelho de som, o computador e apertar o botão da secretária eletrônica para saber se tem recados. No meio dessa parafernália barulhenta você pega o telefone para falar com alguém e, quando o silêncio se instala, imediatamente trata de disparar a metralhadora verbal, mesmo sem ter mais nada para dizer, como se silenciar fosse um pecado.

Quem de nós já não se sentiu pressionado pelo peso do silêncio, como se ele representasse uma ameaça insuportável? Quem já não se questionou também sobre essa necessidade de viver “afogado” em um universo de frases, sons e movimentos?

Podemos levantar duas hipóteses sobre o porquê do silêncio nos atemorizar tanto:

a) Do ponto de vista pessoal, silenciar obriga-nos a repensar fragilidades e inseguranças, colocando-nos em contato direto com a verdadeira essência do “eu”, estimulando um “check-up” mental, que pode provocar dor e traçando um retrato, em que o possível confronto com esse mundo interno assusta com a sua força.

b) No âmbito organizacional, o papel de líder exige a análise silenciosa e atenta daquilo que não é dito no ambiente de trabalho. A leitura desse material tão rico pode representar a necessidade de uma mudança estrutural das ações de liderança. Por medo, às vezes, é mais fácil ignorar o que não se quer ver do que assumir responsabilidades.

É claro que não se pretende aqui reforçar a magia do silêncio em detrimento da palavra. O poder da linguagem falada é indiscutível. Ela dá forma aos pensamentos e promove maior interação das pessoas, ajudando-as a compreender melhor o mundo.

Os líderes que utilizam bem a comunicação oral podem conseguir extrair da equipe de trabalho um resultado muito positivo. Mas a palavra não é tudo! A arte da liderança eficaz inclui, com certeza, o uso do silêncio inteligente. Há o tempo de falar e há o tempo de calar-se, sem medo da solidão do pensar, e entre esses dois tempos deve prevalecer o equilíbrio entre a razão e a sensibilidade.

Lapidar esse jogo instigador favorece o autoconhecimento e a maturidade psicológica, fatores imprescindíveis para se gerenciar pessoas. Além disso, a habilidade de traduzir bem o que fica nas “entrelinhas” ou sob a máscara das palavras, propicia um encontro mais harmonioso entre o sentir, analisar e agir e, consequentemente, uma melhor definição quanto à escolha de ações profissionais mais sensatas e produtivas.

A comunicação está presente na fala ou no silêncio

É preciso, pois, desmistificar a crença de que o ato de silenciar é sinônimo de caos ou solidão. O silêncio nem sempre significa ausência. No momento certo pode ser um grande companheiro para a reflexão, pois oferece pistas que nos conduzem ao verdadeiro significado de nossas emoções.

O silêncio funciona como um sensível toque de recolher, em que cada ser humano tem a chance de encontrar a chave de quem ele realmente é, mas, para ficar assim, à escuta de si mesmo e do “outro”, é preciso a coragem de desarmar as couraças internas que impedem um crescimento mais profundo e autêntico.

É no silêncio que o homem dimensiona o seu valor e revela a sua verdadeira imagem

Qual tal o desafio de aprender a dominar a linguagem do silêncio para administrar melhor a própria vida?

Experimente, não custa tentar!
Autor: Eunice Mendes

Fonte:  http://www.institutojetro.com


Há base bíblica para planejamento estratégico?

Filed under #Todos os Estudos, Igreja, Liderança by admin on 09-03-2010

A impressão que se tem a respeito de planejamento estratégico é que seja meramente técnico, aplicável a empresas e contrário ao Reino de Deus. De fato existem diferenças entre ambos. Josué Campanha afirma que ambos falam em “visão” e “missão”. Entretanto, uma grande diferença é que o Reino de Deus tem a “Visão” e a “Missão” de Deus. Esta se relaciona com os propósitos de Deus para a sua igreja, para o seu povo e para o mundo todo.

Portanto, o planejamento estratégico em empresas é a “arte” que promove resultados e lucros. No Reino de Deus se lida com “produtos” não mensuráveis como a fé, a esperança e o amor. Estes dependem exclusivamente do bondoso agir de Deus. São frutos do agir do Senhor e podem acontecer com ou sem estratégias e planos.

A terminologia “planejamento estratégico” parece ter a origem e aplicar-se a arte militar (e por que é aplicada a empresas?), ou a arte sócio-econômica do mundo secular, que visa principalmente lucros e resoluções condicionadas por resultados. Todavia, percebe-se elementos que podem contribuir para a reflexão do desenvolvimento do Reino de Deus. Isto porque se referem a uma caminhada que visa principalmente alcançar o alvo.

Observando a tradição da Igreja

A Igreja Cristã conhece o chamado “Plano de Salvação”. Ele é o exemplo e o resumo do amor de Deus pela humanidade. Ele é dividido em quatro partes:

1) Inicia com a Criação: Vivemos num mundo criado e amado por Deus (Gn 1 e 2; Jo 3.16);
2) Segue com a Queda: Mas, somos pecadores e separados de Deus sem Jesus (Gn 3; Rm 3.23);
3) Reconhecer e confessar: sou pecador e preciso de Jesus como Senhor e Salvador (1Jo 1.9; Rm 10.9);
4) Receber, confessar, e crer em Jesus nos torna filhos de Deus (Ap 3.20; Jo 1.12).

Este é o chamado “fio vermelho” que perpassa toda a Bíblia. O plano maravilhoso de Deus “que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4).

Deus, quando criou o mundo, teve um plano maravilhoso que era glorificar o seu nome Santo. A criação teve e tem um alvo que é a vida e a eternidade. Apesar de tudo o que já aconteceu e ainda acontecerá, o plano de Deus se realizará. O céu e a terra passarão, mas a palavra e o plano de Deus não passará, sem que tudo se cumpra (Mt 5.17).

Analisando os acontecimentos da Bíblia

A Bíblia revela e relata eventos consecutivos da realização do Plano e do Propósito de Deus. Analisemos como a Bíblia é um plano que caracteriza metas e alvos, com pessoas que Deus usa para tarefas e em determinadas épocas:

1. Noé – escolhido por Deus para ser uma testemunha. Deus colocou este projeto em seu coração. Foi mensurável com um propósito definido;

2. Abraão – chamado por Deus para formar um povo, cujo plano foi “ser abençoado e ser uma bênção” ao seu povo e aos outros povos. O plano durou durante quatro gerações e durante 400 anos em que o povo de Deus viveu no Egito debaixo da escravidão. José foi um grande líder, com um propósito de Deus no Egito, bem como durante 14 anos em que foi usado grandemente por Deus como um grande estrategista – ele fez um “planejamento sábio”;

3. Moisés foi um líder chamado e usado por Deus. Passou 40 anos na casa de Jetro, 40 anos no deserto com o povo de Israel. Caracteriza etapas que preparavam a caminhada. O episódio do conselho de Jetro é muito lembrado como exemplo de/para planejamento e organização do trabalho no Reino de Deus;

4. Josué foi um grande estrategista, que liderou o povo no cumprimento do propósito e da promessa de Deus para a ocupação das terras da promessa;

5. Davi caracteriza a etapa onde o povo de Israel se estabeleceu e teve paz;

6. Neemias é um personagem que marca a época da reconstrução do muro e da volta do povo a sua pátria. O livro de Neemias retrata um propósito específico do plano e da fidelidade de Deus. Ele mesmo foi um planejador e desenvolveu um plano com etapas para alcançar as metas propostas;

7. O silêncio de 400 anos (período inter-bíblico) caracteriza o propósito de Deus para que a Mensagem de João Batista tivesse repercussão fosse impactante;

8. O Senhor Jesus Cristo, realizou a sua missão durante três anos, segundo a visão completa de Deus, trazendo valores e princípios que jamais podem ser mudados. Estes servem para refletir um planejamento para a atualidade – O que queremos e o que devemos?

9. Na Igreja Primitiva, propriamente em Atos dos Apóstolos, percebe-se uma visão muito clara do propósito de Deus e as metas para alcançar – primeiro em Jerusalém, depois na Judéia, na Samaria e até os confins da terra (At 1.8). O livro desenvolve a estratégia a ser realizada durante a segunda metade do primeiro século da era cristã. O primeiro item do planejamento estratégico da igreja primitiva era a compaixão e o amor pelas pessoas. Sua estratégia era se aprofundar na doutrina, ter comunhão, orar, ajudar os necessitados e louvar a Deus (At 2.42-47). O apóstolo Paulo teve um ministério com a visão estratégica de alcançar os confins da terra. O evento de Atos 6 mostra a necessidade de planejamento e nova organização. É marcante o planejamento que fazem.

Algumas considerações bíblicas que remetem a ações de planejamento:

Assentar-se e calcular/planejar (Lc 14.28-33). Ser fiel e alcançar o propósito (Lc 12.42-48; 8.18). Reagir diante da necessidade e crise (Lc 16.1-8). Parábolas que remetem a consciência de desenvolver com cuidado e zelo o Reino de Deus, muitas vezes com caráter de negócio (Mt 13.44-45). Planejar e lançar a rede (13.47-52). Planejar e aproveitar as oportunidades (Mt 25.14-30). Negociar até que Jesus volte e fazer render (Lc 19.11-26). Estratégia do envio e da tarefa dos discípulos/lideranças (Lc 9.1; 10.1; Mt 28.18-20; At 1.8).

As ações no Reino de Deus, normalmente, iniciam pequenas, mas se desenvolvem até abrigar os necessitados e atenda carências (a semelhança do grão de mostarda e o fermento - Lc 13.18ss). Os resultados nem sempre são vistos e nem mensuráveis. Eles têm a promessa na eternidade.

Conclusão

1. Os mensageiros e servos de Deus sempre apontaram para o plano e o propósito de Deus. As ações e metas se realizaram e cumpriram o propósito maior do amor e da graça de Deus. Este propósito de Deus ainda está em aberto e se concretizará na volta de Cristo e na eternidade.

2. A Bíblia de fato não fala nos termos planejamento estratégico, mas percebe-se que ela é um plano muito bem planejado, que se realiza a cada momento que passa. Deus realiza o seu plano. O propósito é estar dentro do propósito de Deus. E a Bíblia oferece elementos que refletem que ela mesma é um “planejamento estratégico”, que não se baseia na técnica, em resultados e lucros, mas na visão, missão e valores/princípios do Reino de Deus.

3. O risco da igreja cristã na época da pós-modernidade é não conhecer a fundamentação bíblico-teológica e copiar do mundo secular o seu modelo de planejar (ou simplesmente agendar) e se organizar. O contrário acontece quando a organização, ou mesmo a comunidade local, se exime de não planejar e se organizar. Uma pode ser tão perigosa quanto à outra.

4. O atual desafio da igreja cristã é ouvir o falar e pulsar de Deus pelas pessoas que vivem na escuridão e perdidas no mundo que nos cerca. É estar atento para a oportunidade que Deus dá para redescobrir o propósito eterno de Deus, que compromete para realizar tarefas planejadas e cumprir o mandato de Deus. Desta forma, cumprir o mandato de Jesus até que ele volte.

5. O planejamento estratégico efetivo é aquele que ousa acreditar no propósito eterno de Deus, se dispõe a aprender dos grandes feitos de Deus, não se intimida diante de fracassos e contrariedades, mas acredita em ser agente de mudança e transformação.

Autor: Werner Lickfeld - http://www.institutojetro.com.br

Três práticas para enfrentar as muralhas

Filed under #Todos os Estudos, Liderança, Vida Cristã by admin on 06-03-2010

Jericó tinha uma localização privilegiada, tanto devido ao contato com o Oriente quanto pelo abundante acesso às águas. Arqueólogos escavaram as ruínas de Jericó e encontraram sinais de um muro que deveria ter 2,5 m de espessura e 9 m de altura e circundava toda a cidade. Era uma muralha e tanto!
Este episódio nos faz refletir sobre três práticas que levaram à queda dos muros:
A prática do ouvir
O Senhor falou com Josué (6.2-4) dando-lhe claras instruções sobre o que fazer. Uma geração inteira havia morrido no deserto porque não ouviu os conselhos dados por Deus, tornando-se desobediente (Josué 5.6). Esta geração comandada por Josué era diferente. Eles tinham seus corações preparados e dispostos a ouvir, talvez porque foram treinados no deserto.
Para que as muitas muralhas caiam em nossas vidas e ministérios temos que ter a mesma atitude de ouvir o que o Senhor fala. Muitos são seus ensinamentos sobre as várias áreas da vida que precisam ser ouvidos e seguidos. Orientações sobre a vida em família, finanças, saúde, relacionamentos, etc.
Além dos assuntos gerais, o Senhor fala para questões específicas de nossas vidas, através do testemunho interior, por meio de pessoas e, principalmente, através do testemunho de Cristo (Hebreus 1.1-2). Maridos ouçam suas esposas, e vice-versa; filhos ouçam seus pais; pastores ouçam o povo. Quem não tem disposição para ouvir ficará para fora das promessas de Deus. Jesus disse inúmeras vezes “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
A prática do esperar
Josué orientou ao povo que não desse o brado de guerra, não levantasse a voz, até o dia em que lhe ordenaria (Josué 6.10). Imagine uma multidão de cerca de quarenta mil homens (Josué 4.13) esperando em silêncio por seis dias a manifestação de Deus. Ficaram firmes, pacientes, confiantes e inabaláveis, esperando o tempo certo.
Precisamos aprender a esperar com confiança, sem ansiedade. Deus está no controle absoluto de nossas vidas. Muitos cristãos não sabem esperar o tempo de Deus. Deus é Senhor do tempo e soberano sobre todos os acontecimentos nos céus e na terra. Jesus disse com ênfase: “não andeis ansiosos de coisa alguma.”
A prática do avançar
Finalmente, no sétimo dia, as muralhas ruíram ao som das trombetas e do grito do povo e tomaram Jericó (6.20).  De maneira muito consciente e madura, avançaram dentro dos limites estabelecidos e, como haviam prometido, pouparam Raabe e toda a sua família reunida. Era somente a primeira cidade de muito mais que viria adiante.
Assim também em nossas vidas e ministérios existe o preciso momento de avançar. Aqui não é hora de ouvir, de esperar, de questionar. Quando as barreiras caem, portas são abertas, pontes construídas, ou conexões estabelecidas, simplesmente avance. Afinal, Jesus estabeleceu que: “as portas do inferno não prevalecerão sobre sua igreja.”

Liderança com base bíblica

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 06-03-2010

Nos últimos tempos, muito se tem escrito a respeito de liderança e gestão de pessoas. As organizações perceberam que, para competir, não basta simplesmente possuir um bom serviço, uma boa tecnologia, um bom produto ou ter o marketing bem estruturado.

Perceberam que o diferencial está na forma como se relacionam com as pessoas, tanto aquelas que são os consumidores quanto aquelas que são os responsáveis por fazer com que a organização alcance o esperado, ou seja os colaboradores.

Até mesmo esta nova palavra, colaborador, foi introduzida no vocabulário das organizações em substituição a “empregado” ou “funcionário”. Hoje, percebe-se a necessidade de ter as pessoas envolvidas com os processos e não simplesmente cumprindo ordem.

Não basta mais “pagar o salário no final do mês”, é necessário reter os talentos ofertando condições de trabalho, ganho, satisfação, crescimento profissional e pessoal.

O que motiva as pessoas não é visto mais como padrão para todos, e muito menos as recompensas. É necessário observar as expectativas e necessidades individuais e, assim, satisfazê-las de acordo com o perfil de cada um.

Diante desta constatação, muitas técnicas e filosofias são utilizadas, tentando mover as pessoas à produtividade. A Bíblia Sagrada, livro com mais de cinco mil anos, possui exemplos significativos sobre a gestão de pessoas que são perfeitamente aplicáveis hoje, em pleno século XXI. É importante extrair estes ensinamentos e aplicá-los no nosso dia-a-dia, com a certeza que estaremos recorrendo a mais inspiradora fonte de sabedoria.

O que a Bíblia ensina sobre liderança?

Uma das coisas mais importantes relatadas na Bíblia é saber dar a devida importância para as pessoas. Com base neste princípio, as pessoas sempre estarão em primeiro plano.

O caráter de um líder é que gera a confiança, e essa confiança é que possibilita a liderança. Ninguém melhor que o próprio Jesus Cristo e o exemplo de seu caráter para termos como padrão.

Jesus sempre mostrou respeito e preocupação para com aqueles que O seguiam, como relatado em Marcos 6: 31, onde Ele chama os discípulos para descansarem ou quando alimenta a multidão com os cinco pães e dois peixes. Marcos 6:35 a 44.

Outra característica muito importante em Sua forma de liderar, está no fato de saber exatamente qual o papel que desempenhava. Ele sabia que estava sob a liderança de seu Pai, e isto significava cumprir o que lhe fora determinado.Vejamos algumas citações

“Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra”. (João 4:34)

“Pai, se queres, passa de mim este cálice, contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”. (Lucas 22:42)

Ele sabia também, que estava acima dos discípulos e que teria que prepará-los para conduzir sua grande obra. Jesus deu o exemplo, conforme João 13:14 e 15, onde Ele lava os pés dos discípulos:

“ Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (João 13:15)

O exemplo de Jesus, nos mostra a importância de reconhecermos a autoridade que esta acima de nós, respeitá-la e caminhar de acordo com sua orientação.

Foi assim que Jesus fez, mesmo no momento de maior sofrimento (Lucas 22:42), Ele colocou a vontade de seu pai acima da sua. Vemos também aqui, a questão da confiança que devemos ter em nossos líderes.

Jesus tinha a plena convicção que seu sacrifício não seria em vão. Ele sabia que o plano de Deus tinha um propósito, mesmo exigindo d´Ele um extraordinário sacrifício – sua morte, foi fiel ao que seu líder lhe havia ordenado.

A confiança e obediência de Jesus foi incondicional, sem levar em conta circunstâncias como; seu bem-estar, as dificuldades, oposições ou qualquer outra coisa. Obediência irrestrita, pois Ele era um com seu líder (Pai).

Vemos também a forma como Jesus agia com seus liderados:

Ele estava disposto a pagar o preço por aqueles que estavam sob a sua liderança

Ele investiu tempo, muito tempo. Passou dias e noites ao lado deles ensinando, dando o exemplo, fazendo junto, de forma que pudessem ter a plena confiança em fazer o que seu mestre faziaJesus não reteu informação, não reteu poder, não reteu conhecimento. Ele precisava que seus discípulos tivessem a plena convicção que seriam capazes de realizar Sua obra e irem além. Tanto foi assim, que afirmou que eles poderiam realizar obras maiores que a Sua

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” (João 15:15)

“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” (João 14:12)

Jesus também capacitou seus discípulos e enviou-os em seu nome para realizar algo muito importante. A comissão dos Setenta – Lucas 10, mostra claramente um líder delegando a um grupo autoridade para que o precedessem e para fazer o que ele mesmo faria; curar enfermos, expulsar demônios e anunciar as boas novas.

O líder precisa contar com seguidores. Precisa preparar a sucessão. Um líder precisa em certo momento, delegar a outros aquilo que faz ou parte daquilo que faz.

Jesus só pode realizar sua maior obra aqui na terra, sua morte e ressurreição, depois que pode confiar aos discípulos a missão de anunciar ao mundo as “boas novas da salvação.”

O líder precisa também, deixar claro aos seus seguidores qual a recompensa que terão por segui-lo e neste ponto, Jesus nunca omitiu nada, foi sempre claro, conforte podemos observar em João 15:20 “…Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros…”

João 14: 23 “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará e viremos para ele e faremos nele morada.”

Autor: José Valdir Fonteque
Fonte: http://www.institutojetro.com

Líderes pacificadores

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 05-03-2010

Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Mt 5.9

Quem são os pacificadores? Algumas traduções definem como “aquele que trabalha pela paz” ou ainda “aquele que tem sua vida dirigida para as coisas que promovem a paz”. Segundo alguns comentaristas, o sentido mais correto da expressão pacificador refere-se à promoção de concordância entre duas ou mais pessoas que estão em contenda, em guerra, em litígio.

E é fato que vivemos em um mundo de guerras, e em várias dimensões. Existe a dimensão das nações, do mercado de trabalho, das tribos e gangs (ex. adolescentes), e mesmo debaixo do mesmo teto. Qualquer que seja a dimensão, a incapacidade de viver e conviver em paz reflete a natureza pecaminosa e egoísta da humanidade. Toda guerra tem uma raiz lá dentro dos nossos corações. Por outro lado, todo o processo de paz também só pode acontecer se uma grande mudança for promovida lá dentro de nossas vidas, no âmago das motivações e desejos.

Jesus é conhecido como o Príncipe da Paz. Sua grande obra foi nos reconciliar com Deus através da cruz. Ele quebrou as barreiras da inimizade e nos fez viver em paz com nosso Pai Celeste. Sua obra de reconciliação estende-se para nosso mundo interior. Reconciliando-os conosco mesmo, conduzindo-nos a perceber que se ele nos ama com esse amor indescritível, porque eu não deveria ter um amor próprio? A reconciliação também nos faz enxergar nosso próximo para que esse amor próprio não seja isolado e ilhado. Somos, assim, reconciliados pelo Príncipe da Paz.

Experimentando essa paz em Cristo, somos chamados para sermos embaixadores da paz. Como pacificadores precisamos entender e viver muitas coisas, dentre as quais destaco três características a serem perseguidas:

O líder pacificador tem que discernir a “falsa paz”

Disse Jesus: ”Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.” Jo 14.26

Jesus destacou que sua paz é de natureza diferente do mundo. Há um tipo de paz que é falsa, passageira, vendida por aí nas bancas, programas de televisão ou nas ruas.

Muitos movimentos chamados de pacifistas são superficiais e escondem atrás de si outras motivações. O movimento dos hippies, por exemplo, trazia atrás de si a motivação de uma vida irresponsável, onde a liberdade era sinônima do sexo liberado, do consumo de drogas, da rejeição de qualquer tipo de autoridade. Outros trazem o desejo de assumir o poder político ou de ganhos financeiros.

Muitas igrejas também pregam uma falsa paz. Trazem soluções simplistas para problemas complexos. Como se tudo fosse resolvido colocando-se um copo sobre a televisão, fazendo-se 3 orações, praticando penitências, auto-flagelos ou outros rituais religiosos. Nos dizeres do profeta Jeremias: “Desde o menor até o maior, todos são gananciosos; profetas e sacerdotes igualmente, todos praticam o engano. Eles tratam da ferida do meu povo como se não fosse grave. ‘Paz, Paz’, dizem, quando não há paz alguma.” (Jr 6.13-14).

Muitas pessoas também se enganam em considerar que a paz implica em não confrontar, em omitir fatos, em esconder a verdade. Existem muitos adeptos da política de “panos quentes” como que se, assim, tivessem paz. Evitam conversas francas, evitam assertividade. Pensam que a aparência de paz é suficiente. Paz aparente, mas profundos conflitos.

A verdadeira paz somente pode ser alcançada com a instalação da natureza de Cristo em nossos corações. A partir disso, começa um longo caminho de “transfusão de caráter”, uma espécie de download de um novo software que regerá nossos valores, pensamentos, palavras e atitudes. Em palavras bem conhecidas, paz só existe a partir da salvação em Cristo seguida da santificação produzida pelo Espírito Santo.

Um pacificador, segundo Jesus, trabalha na direção de promover a verdadeira paz que vem na entrega mais sincera e profunda de nossos corações a Deus, aceitando a obra suficiente de Cristo e deixando-se moldar pelo seu caráter.

O ponto de partida, portanto, do pacificador, é a obra de Cristo. Qualquer aparência de paz fora de Cristo é falsa!

O líder pacificador tem que combater “o que rouba a paz”

Disse Jesus: “O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” Jo 10.10

Vida em abundância é sinônimo de vida plena de paz. Mas Jesus deixa claro que há inimigos, forças que tentam roubar-nos essa paz. Pelo menos duas forças brigam intensamente contra a instalação da paz.

A primeira é nossa natureza pecaminosa e egoísta. Aquela natureza que traz pensamentos impuros à mente, libera palavras mortíferas sobre outras pessoas, que nos faz fofocar, invejar e outros hábitos que roubam a paz dos relacionamentos.

Neste ponto, o pacificador é alguém experiente e atento a tudo o que provoca a ignição dos conflitos e guerras. Alguém disse que toda guerra começa nas palavras. Toda palavra nasce de pensamentos e valores. Todos os valores estão fundamentados em nossa natureza. Promover a paz, portanto, é ministrar o coração das pessoas a partir das atitudes e procedimentos que flagram nossa distância do padrão de Cristo. Flagrar o ladrão da paz que está arraigado em nós pode ser uma atitude do pacificador que trará cura e libertação.

A segunda força que quer roubar nossa paz é Satanás e suas hostes malignas. Jesus sabia disso muito bem. Em seu relacionamento com Pedro, disse claramente que Satanás queria segá-lo, fazendo-o romper seu relacionamento com o Mestre através da negação. Jesus sabia muito bem as setas malignas lançadas contra o coração de Pedro e que o fariam perder a paz. Mas Cristo providenciou o escape intercedendo pelo amado discípulo.

Neste ponto, o pacificador sabe muito bem que existem forças do inferno que lutam para romper a paz conquistada por Cristo. O combate do pacificador é através de uma única arma: a oração. A oração é instrumento eficaz e poderoso para trazer paz no coração das pessoas. Ela libera a atuação do Espírito Santo e toda sorte de provisões nas regiões celestes.

Assim, o ponto de combate do pacificador é a palavra para ministrar os corações e a oração para resistir às trevas. Qualquer esforço para pacificar fora desses recursos providenciados por Deus resultarão em fadiga e exaustão.

O líder pacificador tem que promover “a verdadeira paz”

Disse Jesus: “o sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.” Mc 9.50

Jesus relaciona diretamente o fato de termos sabor e fazermos diferença à capacidade de vivermos em paz uns com os outros. Esse é um ministério deixado por Jesus a cada um de nós: o de sermos agentes para reconciliação.

A primeira atitude prática que um pacificador faz em um processo de reconciliação é estabelecer uma situação de “cessar fogo”. Não há condições de trazer paz em meio a um tiroteio. É necessário que uma bandeira branca seja levantada para um recesso. Pessoas envolvem-se tanto nos tiroteios dos conflitos que se tornam incapazes de baixar a guarda. Aí entra o pacificador, oferecendo sua credibilidade e autoridade para essa pausa.

A partir da pausa, o pacificador deve trabalhar rapidamente para “discernir causas e motivações”, agindo de maneira imparcial e justa. O trabalho de reconciliar exige a firme determinação de ouvir, fazendo perguntas certas, dentro de um ambiente de amor, acrescentando verdade e sinceridade.

Após entender bem o contexto, o pacificador deve aproximar-se incentivando a “busca de entendimento”. Isso exigirá certamente a necessidade de pedir e liberar perdão. Via de regra, ambos os lados tem sua mea-culpa. Muitos conflitos acontecem pela grande intolerância presente nas relações humanas. Assim, é importante a ministração da importância de suportarmos um ao outro. Na Bíblia não faltam instruções insistentes nesta direção.

Uma vez entendido, perdoado, haverá pré-disposição para “promover a reconciliação”. Neste ponto, o amor de Cristo deve ter brotado nos corações para que o ato não seja uma mera formalidade. Normalmente haverá certo constrangimento santo ao perceberem como foram tão intolerantes um com o outro. Quando o pacificador chega neste ponto, ele já sente concretamente o fluir da paz de Cristo.

Assim, o líder pacificador cumpre sua missão e pode alegrar-se, ser bem-aventurado, ser feliz.

Lá vem o filho de Deus…

Disse Jesus: “Como é que você me pede “mostra-nos o Pai’? Você não crê que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês não são as minhas. De fato, é o Pai que habita em mim que está fazendo o trabalho.” Jo 14.9, 10

O texto afirma que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. É claro que não se trata de semelhança física, mas semelhança com o caráter de Cristo.

À medida que exercermos nosso papel de pacificadores, reconciliando pessoas com Deus e com seus semelhantes, nos tornamos parecidos com Jesus. Que falem de nós: “lá vem o filho de Deus”.

Aceite o desafio de ser o embaixador do Reino da Paz! Deus fará coisas grandiosas através de sua liderança pacificadora.

Autor: Rodolfo Garcia Montosa. www.institutojetro.com

O anonimato da liderança

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 05-03-2010

O anonimato é desprestigioso e o é ainda mais quando acontece no exercício da liderança. Nenhum líder deseja liderar sem a glória do reconhecimento. Todavia, os líderes que gostam dos holofotes estão comumente aquém do que se dizem fazer, e muitos não conseguem vencer a tentação de ser relevante, evidenciando o seu eu muito mais do que suas próprias ações e, por isto, fracassam antes do tempo.

O líder que foge do anonimato por iniciativa própria revela um sério desvio ético em sua conduta e costuma trair a si mesmo por não ser fiel ao exercício da sua própria liderança. Quando o líder imagina que ele é maior do que o que ele faz, é porque o que ele faz não é forte o suficiente para ser notado. Daí a necessidade de propagandas, programas e mídia, pois “se o que eu faço não é bom o suficiente para que a minha liderança seja percebida, preciso de um marketing pessoal para aparecer”. Tudo isto porque ninguém gosta do anonimato. E ninguém gosta do anonimato exatamente porque lá o que se faz não se divulga, é anônimo!

O anonimato é para quem ama o que faz e o faz sem barganhas. Faz porque compreende a sua missão neste mundo. Faz na sombra porque sabe que os aplausos não são a consequência do seu feito. Faz sem holofotes porque as luzes não são a sua glória. Faz sem estruturas, medo, políticas, sem trocas, faz até mesmo sem nada porque quem faz no anonimato faz sem adereços e faz em qualquer lugar.

De fato, o anonimato não é para qualquer um. No entanto, a liderança extravagante serve para muitos, e muitos que dificilmente irão entender que a verdadeira liderança não tem nada a ver com exposição na mídia ou espaços conquistados, e muito menos com projetos inacabados.

É preciso voltar com urgência ao agir simples de uma liderança que não deseja os primeiros lugares, os melhores ambientes, as maiores recompensas. É preciso encontrar líderes em fidelidade ao que lhes foi proposto. Que são capazes de fazer o que fazem em qualquer circunstância ou espaço. É preciso sair à rua, como bem lembrou o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Tem muito líder que só está na mídia. Não entendeu ainda que é preciso estar no meio do povo. E, no meio do povo, os bons fazem a diferença e o anonimato é apenas um detalhe.

autor: Ivan Cordeiro
Fonte: http://www.institutojetro.com

Estabelecimento de metas

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 04-03-2010

A característica mais marcante das pessoas que realmente conseguem resultados efetivos é o estabelecimento de metas. Estas pessoas têm claro onde querem chegar. Seus objetivos de curto prazo são mensuráveis e os de longo prazo são claros e específicos.

Mas o que torna tão importante trabalhar com metas bem estabelecidas? Qual é a força que isto pode ter para se conseguir resultados efetivos?
Não é difícil compreender a importância de se saber onde se quer chegar: muitas pessoas são extremamente dedicadas no seu dia-a-dia; vivem se sacrificando e à própria família; fazem tudo com a máxima qualidade; entretanto, não raramente reclamam por não estarem sentindo que estão evoluindo. Na maioria das vezes, isto ocorre porque elas não sabem para onde querem evoluir. Como não sabem a direção a ser tomada, acabam desperdiçando esforços para todos os lados, não conseguindo priorizar ações.

Uma pesquisa realizada na década de oitenta com atletas norte-americanos mostrou um aspecto interessante a respeito do assunto que estamos tratando:

Dez atletas saltaram uma vara que se encontrava na altura limite que cada um costumava atingir. Dos dez saltos, oito foram bem sucedidos; dois fracassaram. Em um outro dia e nas mesmas condições, foi solicitado que estes dez atletas saltassem novamente. Deveriam saltar da melhor maneira possível, visando superar a marca anterior. Porém, existia agora uma diferença: não foi colocado nenhuma vara para definir a altura. Ao invés disto, sensores detectavam a altura atingida. Desta vez, o resultado foi contrário ao da etapa anterior: apenas dois obtiveram êxito; oito fracassaram. Qual é a diferença entre as duas situações? O que fez com que os resultados fossem tão diferentes? A diferença significativa foi que na segunda etapa, os atletas, por mais que se esforçassem, não tinham seus objetivos claramente definidos.
Se a persistência foi considerada o combustível das pessoas que alcançam êxito, sem dúvida as metas são os seus motores. Quando se tem uma verdadeira meta, esta faz com que tenhamos ânimo para vencermos as maiores adversidades.

Convém destacarmos que, para se ter realmente uma meta poderosa, é preciso lembrar de alguns ingredientes:

M: mensuráveis - se você não puder medir o resultado, como saberá se conseguiu ou não atingir seu alvo? “Ter o máximo de clientes possíveis” não é uma meta, afinal, quanto representa o máximo? Se você considerar isto como meta, qualquer valor que atingir vai achar que este é o máximo…

E: específica - mais uma vez, deixar o mais claro possível onde se quer chegar nos ajuda a descobrir o caminho e concentrar nossos esforços. Dizer “vou ter um computador” é bem menos potente do que dizer “terei um pentiun III, de 500mtz e monitor de 17 polegadas”. Cuidado se definir uma meta como o primeiro exemplo poderá receber um 286…

T: temporal - outra arma poderosa no estabelecimento de metas é o prazo para se atingi-las. Não estabelecer um prazo não ajuda a nos organizarmos e geralmente se leva mais tempo do que o necessário para se atingir a meta. Afinal, se não tivermos prazo teremos a vida toda para tentarmos…

A: atingível - a meta precisa ser algo tangível. Estabelecer que vou visitar marte até o meu próximo aniversário certamente não me motivará buscaras formas de se realizar tal sonho. Por outro lado, estabelecer uma meta que não seja desafiante também não mobiliza esforços para atingi-la. A meta deve ter um significado pessoal. Algo que realmente faça com que você levante da cama de manhã com “pique” para trilhar mais uma etapa do caminho que te aproxima de sua realização.

“Não há ventos favoráveis para quem não sabe onde quer chegar”.

Autor:  Joacir Martinelli
Fonte:  http://www.institutojetro.com.br

O líder-servo

Filed under Liderança by admin on 01-03-2010

Os líderes mais eficientes são aqueles que usam seu poder e influência para servir outras pessoas. Eles não o fazem por obrigação nem por recompensa, mas porque esse é o seu estilo de vida. E quanto mais servem, mais a sua liderança e influência crescem.
Embora o conceito de liderança de servo tenha se popularizado nos últimos anos, de forma alguma é um conceito novo, pois o encontramos por toda a Bíblia. Do Gênesis ao Apocalipse, a Palavra de Deus retrata a vida de muitos líderes que usaram sua posição e poder, não para obterem proveito próprio, mas para favorecer ao máximo as pessoas que os cercavam.
É claro que ninguém na Bíblia demonstrou melhor esse princípio do que Jesus Cristo. Isso é ilustrado no capítulo 2 de Filipenses, versículo 7, onde lemos: “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo (…)”. De fato isso pode ser visto em todos os seus atos desde o início do seu ministério. Enquanto a maioria esperava um Messias que surgisse impondo seu poder e promovendo, pela força, mudanças radicais em todas as esferas da sociedade de sua época, Jesus iniciou um movimento que desencadeou uma verdadeira revolução de amor e serviço, que se estende até os nossos dias.
Ele serviu de várias formas: pregando às pessoas e ensinando-lhes a única verdade que poderia libertá-las; desfazendo cadeias e curando enfermos e, assim, removendo de muitas pessoas os flagelos que as atormentavam; exercendo misericórdia e demonstrando às pessoas que melhor é dar do que receber e mais importante é honrar do que ser honrado; e, finalmente, entregando sua própria vida numa cruz para que a redenção pudesse ser estendida a toda a humanidade.
Mas por que Jesus era uma pessoa tão diferente? O que fez com que o Mestre se tornasse o menor e o mais humilde dos servos? Em primeiro lugar, porque Ele entendia que no reino de Deus, serviço não é o caminho para a grandeza, mas a própria grandeza. Em segundo lugar, porque Jesus estava seguro de si mesmo, pois sabia perfeitamente quem era, de onde vinha, o que deveria fazer e para onde estava indo. Em terceiro lugar, e o mais importante, porque Jesus realmente amava as pessoas ao seu redor, amor este, descrito com precisão em João 13:1: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.
Mesmo que as páginas da história humana estejam manchadas com as calamidades causadas por pessoas que fizeram mau uso do privilégio do poder, Jesus nos mostrou um modelo de liderança realmente eficaz, que honra a Deus e beneficia as pessoas. Nenhum outro em nenhuma época, influenciou ou influenciará o mundo mais do que ele. E o maior desejo dele sempre foi que os seus seguidores liderassem da mesma forma: servindo as pessoas com o melhor de suas habilidades.
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir
e dar a sua vida em resgate por muitos. Mc 10:45

O fator decisivo na aprovação de projetos

Filed under #Todos os Estudos, Liderança by admin on 23-02-2010

Você teve uma idéia brilhante a respeito de um evento de colheita e passou dias considerando se deveria ou não compartilhar com o seu líder na igreja. As semanas se passaram e a idéia não foi embora, muito pelo contrário, ganhou força quando você compartilhou com outros irmãos e isto lhe deixou mais motivado ainda. Marcou um horário com seu líder (quem sabe até com o pastor titular) e depois de um bom tempo explicando a idéia você ouviu: “Coloque seu projeto no papel e justifique bem direitinho a sua proposta”. De imediato, sua resposta foi: “Como assim, colocar no papel? Eu tenho a idéia mas não estou pronto para apresentar um projeto escrito!” O fato é que muitas idéias começam a desmoronar quando esta resposta é ouvida. É como se recebêssemos um “balde de água fria” e a idéia perdesse força no momento em que deve ser transferida para o papel e se transformar em um projeto.

A temática é atual. Nunca se publicou tanta literatura sobre projetos como agora e, ainda assim, à primeira vista, parece que o termo “projetos” somente nos lembra burocracia, papel, documentação, formalização excessiva. Mas, projetos existem desde o início dos tempos. As grandes construções da Antiguidade são exemplos de projetos bem sucedidos que foram planejados e executados e que até hoje podem ser visitados e admirados. Ao falarmos de projetos, quem não se lembra do texto de Lucas a respeito da construção da torre? E, se deixarmos de olhar para a História e para a Bíblia e olharmos para o nosso dia-a-dia, veremos que planejamos e executamos muito mais projetos do que supomos. Alguns exemplos são as viagens de férias, as festas de aniversário, a compra de um imóvel, uma mudança de cidade, a reforma da casa, celebrações de final de ano, enfim, atividades que fazem parte do nosso dia-a-dia que são, na verdade, projetos. Esta afirmação pode lhe surpreender mas a verdade é que você tem atuado como um gerente de projetos em muitas ocasiões e pode ser bem experiente nisso!

Cada mudança que fazemos é um projeto, ou seja, um esforço temporário (com início, meio e fim) que tem por finalidade alcançar um objetivo específico. Geralmente cada projeto resulta em um produto ou serviço único já que tem características próprias que o diferenciam de outros semelhantes. Vejamos, no caso da nossa viagem de férias: ela é única, temporária e (geralmente, com a graça de Deus!) alcança o objetivo de descanso para qual ela foi planejada. O mesmo acontece com os outros exemplos acima. Em cada um deles o esforço é temporário e o resultado é único.

Trazendo este conceito para a realidade das nossas igrejas podemos identificar rapidamente várias frentes que se encaixam perfeitamente nesta definição: eventos evangelísticos, acampamentos, reuniões de trabalho com a liderança, viagens para participação em congressos, conferências missionárias, palestras, construção do novo templo, compra de veículo, reforma das instalações, abertura de uma escola para treinamento de líderes, cultos de batismo, celebrações especiais, enfim, os exemplos são muitos e conhecidos por aqueles que atuam como líderes em suas igrejas locais.

Partindo então do pressuposto comum de que projetos fazem parte do nosso dia-a-dia e de que temos até “uma certa experiência nisso”, o que nos impede, como líderes, de formalizarmos nossas idéias e sugestões em formato de projeto? Por que ficamos desanimados e desmotivados diante do desafio de propor algo por escrito quando a idéia queima dentro de nós? Seria a falta de tempo? Ou será que fazemos parte do time daqueles que não conjugam o verbo planejar e, sendo assim, eliminaram também do seu dicionário os substantivos plano, projeto, propósito, cronograma, orçamento?

Muitas vezes a nossa dificuldade não reside propriamente em como descrever nossa idéia mas sim como justificá-la, ou seja, o porquê nosso projeto deve ser executado e de que forma ele faz sentido para a igreja. Em meio a tantas idéias, o que diferencia a nossa? Neste texto não pretendo analisar o projeto olhando para dentro dele, mas sim, para fora, para o contexto, para o ambiente, para a organização, para a igreja. Há muitos modelos e metodologias que podemos utilizar para formalizar nosso projeto mas isto será assunto para uma outra oportunidade.

Olhando então para fora do projeto, o que justificaria a sua execução? Hoje, mais do que nunca, os recursos físicos, financeiros e de pessoal são escassos. Afaste-se por um momento da sua idéia-projeto e olhe para a igreja, olhe para fora. Quais fatores ou qual fator validaria este projeto em detrimento de outros propostos? São muitas as idéias e é normal que muitas idéias nunca venham a ser executadas. Que tipo de indicador nos daria o sinal verde para transformar uma idéia em um projeto? Haveria um fator maior que tivesse tamanha importância a ponto de uma idéia “saltar aos olhos” da liderança?

Sim, sim, sim! Projetos são elementos de execução da estratégia da organização e como tal devem estar necessariamente alinhados com a estratégia estabelecida pela liderança da igreja. Entende-se estratégia como um conjunto de orientações e diretrizes de como atingir os objetivos definidos pela liderança. A estratégia fornece o rumo, a direção para onde a igreja está coordenando todos os seus esforços. Olhando então para fora da idéia “candidata a projeto” vemos a estratégia como um grande guarda-chuva embaixo do qual todos os projetos devem se alinhar. Este alinhamento resulta em sinergia para a igreja na medida em que contribui para que a mesma alcance os objetivos traçados pela estratégia.

Olhando a estratégia mais de perto e buscando dentro dela a sua essência chega-se na declaração de missão e visão da igreja. Esta declaração é o fator mais importante na validação da sua idéia. É a partir da visão e missão que todas as estratégias são construídas. Se a sua idéia não está remando na mesma direção da visão e missão, você tem grandes chances de fracassar em seu projeto ou, ainda que ele tenha um certo êxito, resulte em pouca ou nenhuma sinergia para a missão/visão da igreja. Assim como os músicos de uma orquestra mantém um olho no instrumento musical e o outro no maestro durante a performance, assim devem ser iniciados, conduzidos e finalizados todos os projetos dentro da igreja. Sem um alinhamento estratégico do projeto com a visão/missão corremos muitos riscos que vão desde desperdício de recursos até a frustração com o pouco resultado do mesmo.

A reflexão e a análise fundamental a ser feita, antes de um projeto ser colocado no papel, é: a minha idéia está alinhada com a visão/missão da igreja? Os recursos a serem alocados no meu projeto vão gerar sinergia para que a igreja seja fortalecida na direção da visão/missão? Eu conheço e entendo a visão/missão da igreja? Minhas prioridades e objetivos são influenciados por esta missão/visão? Esta visão queima dentro de mim? Esta análise é essencial, tanto para o projeto em si quanto para o reforço da visão da igreja. Portanto, não perca a missão/visão de vista. Utilize-a como uma bússola, como um direcionador, como inspiração, como motivação, como limitador e como objetivo maior!

Concluo com uma citação de George Barna extraída do livro Líderes em Ação: “Visão é o ponto de partida de uma liderança eficaz. É também o ponto de chegada, porque todos os nossos esforços, em última análise, são avaliados em termos do progresso que fazemos no sentido de implementar a visão plena e fielmente.”

Autor: Adriana Pasello
Fonte: http://www.institutojetro.com.br