Estudos Bíblicos
Artigos com o marcador Devocionais
Livros Não Mudam Pessoas
17/06/10
Livros não mudam pessoas; parágrafos, sim. Às vezes, até sentenças. Ainda recordo uma tarde, no outono de 1968, quando estive em uma livraria na Avenida Colorado, em Pasadena, e li a primeira página deThe Weight of Glor y (O Peso de Glória), escrito por C. S. Lewis. Ainda que eu não tivesse lido outra página, minha vida teria sido mudada para sempre. Talvez possa resumir o que li em duas sentenças: “Somos criaturas indiferentes, que brincam com bebidas, sexo e ambição, enquanto o gozo infinito é-nos oferecido; como uma criança ignorante que deseja continuar brincando na lama em uma favela, porque não imagina o que significa o oferecimento de um feriado na praia. Satisfazemo-nos com coisas pequenas demais”.1 Quase trinta anos depois,2 ainda sinto o arrepio daquela descoberta e o ímpeto de luz que me atingiu. Nada mais seria o mesmo. Apenas um parágrafo, e a obra decisiva foi realizada.
Isso não é algo novo. Dezesseis séculos atrás, em agosto de 386, Agostinho estava em aflição espiritual. Em um jardim de Milão (Itália), ele se lançou ao chão, debaixo de uma figueira, e deu lugar às lágrimas, que jorravam de seus olhos: “Arranquei cabelos e bati na cabeça com os punhos. Fechei os dedos e abracei os joelhos”. Em seguida, ele ouviu “a voz melódica de um menino ou menina, não tenho certeza, que repetia em refrão: ‘Pega-o e lê; pega-o e lê’”. Agostinho aceitou isso como “uma ordem divina para abrir meu livro das Escrituras e ler a primeira passagem em que caísse o meu olhar”. Ele abriu e leu: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgia e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus e nada disponhas para a carne no tocante às suas concupiscências”. Com duas sentenças, toda a aflição foi desfeita. “Não tive qualquer desejo de ler mais, nem precisava fazê-lo. Pois, em um instante, quando cheguei ao final da sentença, aconteceu como se a luz da confiança inundasse meu coração, e todas as trevas de dúvidas foram removidas”. 3
Quanto a Lutero, sua vida foi tocada por intermédio de outra das grandes sentenças do apóstolo Paulo – Romanos 1:16-17. Na vida de Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. Para John Wesley foi o prefácio do comentário livroA Epístola aos Romanos , escrito por Lutero. E poderíamos acrescentar outros nomes à lista. A verdade é que a leitura de muitos livros pode ser semelhante a ajuntar pedaços de madeira, mas as chamas brilham de uma única sentença. A marca é deixada na mente não pela queima de muitas páginas, e sim pelo calor de uma sentença aquecida por Deus.
Minha oração é que Deus se agrade em tornar as breves leituras deste livro e queimar uma sentença ou um parágrafo em sua mente. As meditações têm apenas duas ou três páginas de extensão. Não estão arranjadas em ordem de assuntos. O que as mantém unidas é uma busca por experimentarmos a supremacia de Deus em toda a vida. O meu alvo é despertar e nutrir essa fome.
Fonte: Prefácio do excelente livro Uma Vida Voltada
para Deus, John Piper, Editora Fiel, pg. 11-2.
1 Lewis, C. S. The Weight of Glory. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., p. 1-2.
2 Piper está escrevendo isso em 1997. (Nota do Monergismo)
3 Augustine’s Confessions, Book VIII. In: Brown, Peter. Augustine of Hippo: a biography. Berkeley,
Calif.: University of California Press, 1967. p. 108-1098.
O povo da caverna
22/05/10
Há muito tempo atrás, ou talvez não muito tempo assim, havia uma tribo em uma caverna fria e escura. Os habitantes da caverna se apertavam e gritavam contra o frio. Eles se lamentavam em voz alta e demoradamente. Era só isso que faziam. Era tudo o que sabiam fazer. Os sons na caverna era tristes, mas as pessoas não sabiam disso, porque nunca tinham conhecido a vida.
Mas, então, um dia eles ouviram uma voz diferente. “Eu ouvi seu choro” ela disse. “Eu senti seu frio e vi as suas trevas. Eu vim para ajudar”.
Os habitantes da caverna permaneceram em silêncio. Eles nunca tinham ouvida esta voz. A esperança soava estranho aos seus ouvidos. “Como é que vamos saber que você veio ajudar?”
“Confiem em mim”, ele respondeu. “Eu tenho o que vocês precisam”.
O povo da caverna examinou no escuro até a figura do estranho. Ele estava empilhando alguma coisa, então curvava-se e empilhava mais.
“O que você está fazendo?”, alguém gritou, nervoso.
O estranho não respondeu.
“O que você está fazendo?”, gritou alguém em voz ainda mais alta.
Nenhuma resposta ainda.
“Diga-nos”, exigiu um terceiro.
O visitante ficou em pé e falou na direção das vozes: “Eu tenho o que vocês precisam”. Com isso ele virou-se para a pilha a seus pés e acendeu-a. A madeira pegou fogo, chamas levantaram-se e a luz encheu a caverna.
O povo da caverna afastou-se com medo. “Ponha isso para fora”, gritaram.
“Dói olhar para isso”.
“A luz sempre dói antes de ajudar”, ele respondeu. “Cheguem mais perto. A dor logo vai passar”.
“Eu não”, declarou uma voz.
“Nem eu”, concordou uma segunda.
“Só um tolo iria se arriscar a expor seus olhos a uma luz assim”.
O estranho chegou perto do fogo. “Vocês prefeririam a escuridão? Prefeririam o frio? Não consultem seus temores. Dêem um passo de fé.
Por um bom tempo ninguém falou. As pessoas pairavam em grupos cobrindo os olhos. O fazedor de fogo ficou de pé próximo do fogo. “Está quente aqui”, convidou.
“Ele está certo”, alguém atrás dele anunciou. “Está mais quente”. O estranho virou-se e viu um vulto caminhando em direção ao fogo. “Eu consigo abrir meus olhos agora”, ela proclamou. “Eu consigo ver”.
“Chegue mais perto”, convidou o fazedor de fogo.
Ela chegou. Ela caminhou para o anel de luz. “Está tão quente!” Ela estendeu as mãos e suspirou quando o frio começou a passar.
“Venham, todos! Sintam o calor”, ela convidou.
“Quieta, mulher”, gritou um dos habitantes da caverna. “Vai ousar nos arrastar para a sua tolice? Deixe-nos e leve sua luz com você”.
Ela virou-se para o estranho. “Por que eles não virão?”
“Eles escolhem o frio, porque embora é frio, é o que eles conhecem. Eles preferem ficar com frio do que mudar.”
“E viver no escuro?”
“E viver no escuro.”
A agora quente mulher ficou em silêncio. Olhando primeiro no escuro e depois no homem.
“Você vai sair do fogo?”, perguntou.
Ela fez uma pausa e então respondeu: “Eu não posso. Eu não consigo suportar o frio.” Então ela falou novamente: “Mas também não posso suportar pensar no meu povo no escuro.
“Você não tem que fazer isso”, ele respondeu, alcançando o fogo e tirando um graveto. “Leve isto para o seu povo. Diga-lhes que a luz está aqui e que a luz é quente. Diga-lhes que a luz é para todos os que quiserem.”
E assim ela pegou a pequena chama e caminhou para dentro das sombras.
Autor: Max Lucado
Fonte: http://irmaos.com
