Estudos Bíblicos
Vida Cristã
Eu quero ser um vaso novo
05/04/11
O profeta Jeremias foi chamado a descer à casa do oleiro para receber uma mensagem de Deus para a nação de Judá (Jr 18.1-6). Ali ele viu o oleiro trabalhando sobre as rodas, moldando o barro e fazendo dele um vaso novo. O vaso havia se estragado nas mãos, mas em vez do oleiro jogar o vaso fora, fez dele um vaso novo. Esse episódio encerra algumas preciosas lições:
1. Deus não desiste de você, mesmo quando você falha em cumprir seu propósito (Jr 18.4). O oleiro não jogou no lixo o vaso que se lhe havia estragado nas mãos. Ele não o colocou num canto como algo imprestável. Ele não desistiu desse vaso, mas fez dele um vaso novo. Assim, também, Deus não desiste de você. Mesmo quando você se torna como um barro sem liga ou como um vaso estragado, Deus continua investindo em sua vida. Ele não abre mão de fazer de você um vaso novo. Deus não desiste de fazer um milagre em sua vida. Ele não abdica do direito que tem de fazer de você um vaso de honra, um vaso útil, preparado para toda boa obra. Mesmo quando você cai, fracassa e se desvia, Deus não considera você como sucata imprestável. Ele não olha você com desprezo. Como oleiro divino, ele investe em sua vida e transforma você, para que você cumpra os propósitos eternos que ele mesmo estabeleceu para sua vida.
2. Deus não faz apenas remendos em sua vida; ele faz de você um vaso novo (Jr 18.4). O oleiro não remendou o vaso que se lhe havia estragado nas mãos. Ele não se contentou com meias medidas. Ele fez um vaso novo. A obra de Deus em você é completa. Ele faz de você uma nova criatura. Ele não quer apenas uma reforma externa, um verniz de aparência. Ele quer dar-lhe uma nova vida, uma nova mente, um novo coração, uma nova família, uma nova pátria. Deus tem para você uma vida nova, com novos gostos, novas preferências, novos alvos, novos sonhos, novos compromissos. A vida com Cristo é novidade de vida. É vida santa, é vida no altar, é vida cheia do Espírito, é vida abundante, maiúscula, superlativa, eterna. A obra de Cristo em você é um milagre extraordinário. Portanto, você deve despojar-se dos trapos da murmuração e revestir-se com as vestes de louvor. Você deve largar para trás o espírito angustiado e cobrir-se com roupagens de louvor e óleo de alegria.
3. Deus não faz de você um vaso segundo o seu querer, mas um vaso segundo o seu propósito soberano (Jr 18.4). Deus fez do vaso que se lhe havia estragado nas mãos um vaso novo, segundo bem lhe pareceu. A obra de Deus em você não é conforme os ditames da sua vontade, mas conforme os propósitos soberanos do próprio oleiro divino. Deus tem o melhor para você. Os planos de Deus para a sua vida são mais elevados do que os seus próprios sonhos. O projeto de Deus para a sua vida são mais altaneiros que os seus próprios projetos. A vontade de Deus e não a sua deve prevalecer em sua vida. Ele é o oleiro, e você o barro. Não é o barro que manda no oleiro; é o oleiro que molda o barro. O oleiro tem o direito de fazer do barro o que lhe aprouver. O oleiro divino que molda você é o mesmo que espalhou as estrelas no firmamento e o mesmo que lançou os fundamentos da terra. O oleiro divino está empenhado em esculpir em você a beleza de Jesus. Seu projeto eterno é transformar você à imagem do Rei da glória. Ele lhe predestinou para você ser conforme à imagem do seu Filho. Deus jamais desistirá desse projeto. Seus planos não podem ser frustrados. Se preciso for, ele vai quebrar o vaso e fazê-lo de novo. Mas, jamais vai desistir de fazer de você, um vaso de honra.
Rev. Hernandes Dias Lopes
Imitadores de Deus
31/03/11
Referência: Efésios 5.1-17
INTRODUÇÃO
• Vivemos dois extremos quando se trata de imitar a Deus: Primeiro, a teologia de que o homem é um semi-Deus. Ele fala e há poder em suas palavras. Ele decreta e as coisas acontecem. Ele ordena o mundo espiritual precisa se colocar em movimento em obediência às suas ordens. Segundo, a teologia de que Deus é um ser um desuso. O mundo secularizado não leva Deus em conta. Explica tudo pela ciência. Não lugar nem espaço para Deus.
• Não podemos imitar a Deus na sua soberania, na sua onipotência, onisciência e onipresença. Não podemos imitar a Deus na criação nem na redenção.
• A imitação a Deus é um ensino claro das Escrituras (Mt 5:43-48; Lc 6:35; 1 Jo 4:10,11). Devemos imitar também a Cristo (Jo 13:34; 15:12; Rm 15:2,3,7; 2 Co 8:7,9; Fp 2:5; Ef 5:25; 1 Jo 3:16).
• Paulo argumenta que os filhos são como seus pais. Os filhos aprendem pela imitação. Deus é amor (1 Jo 4:8), por isso os crentes devem andar em amor. Deus é luz (1 Jo 5:8), portanto os crentes devem andar como filhos da luz. Deus é verdade (1 Jo 5:6), por isso os crentes devem andar em sabedoria.
I. ANDAR EM AMOR – v. 1-2
• O crente é um filho de Deus.
• O crente é um filho amado de Deus.
• O crente é comprado por um alto preço
1. Definição: A mímica era a parte mais importante para um orador : Teoria – mímica – prática. Se você quer ser um grande orador, então imita os grandes oradores do passado. Mas se você quiser ser santo, então, imita a Deus.
2. Limites da imitação – Paulo diz que devemos imitar a Deus no amor. Andar em amor denota uma ação habitual. É fazer do amor a principal regra da nossa vida. Esse amor possui duas características distintas:
O perdão – Deus nos amou e nos perdoou (4:32). Assim, também, devemos amar e perdoar (5:1).
O sacrifício (5:2; 1 Jo 3:16). Este amor não é mero sentimento. Ele tudo dá pelo irmão, sem levar em conta nenhum sacrifício por aquele a quem é dedicado. O sacrifício de Cristo foi agradável a Deus no sentido de que satisfez sua justiça e adquiriu para nós eterna e eficaz redenção.
II. ANDAR COMO FILHOS DA LUZ – v. 3-14
• Paulo passa do auto-sacrifício, para a auto-indulgência. A ordem “andai em amor” é seguida da condenação da perversão do amor.
• Os crentes são santos – v. 3-4
• O crentes são reis – v. 5-6
• Os crentes são luz – v. 7-14
• Paulo ao tratar do assunto santidade, menciona os pecados dos quais é preciso fugir (v. 3-4). Os pecados estão ligados a dois grupos: pecados do sexo ( v. 3) e pecados da língua (v. 4).
• Os pecados do sexo não deviam estar presentes na vida dos crentes. A infidelidade conjugal era espantosamente comum nos dias de Paulo. O homossexualismo vinha sendo por séculos admitido como uma normal maneira de proceder. Dos 15 imperadores romanos, 14 eram homossexuais. Havia o templo de Afrodite em Corinto e o templo de Diana em Éfeso. A imoralidade sexual era uma prática comum nesse tempo.
• Os pecados da língua não deviam também estar presentes. Conversação torpe, palavras vãs ou chocarrices não devem fazer parte do vocabulário dos crentes. Palavras obcenas, piadas imorais, mexericos fúteis
• Porque somos a nova sociedade de Deus, devemos adotar padrões novos, e porque decisivamente nos despojamos da velha vida e nos revestimos da nova vida, devemos usar roupas apropriadas. Agora, Paulo vai acrescentar mais dois incentivos à santidade:
1. A certeza do julgamento – v. 5-7
• Devemos abster-nos da imoralidade, porque nosso corpo foi criado por Deus, é unido a Cristo e a habitado pelo Espírito (1 Co 6:12-20).
• A licenciosidade não convém a santos (Ef 5:3-4).
• Agora Paulo menciona o temor do julgamento. Os imorais podem escapar do julgamento da terra, mas não do juízo de Deus.
a) Não herdarão o Reino de Cristo – v. 5 – O Reino de Cristo é o reino de justiça e será excluída toda injustiça (1 Co 6:9,10; Gl 5:21). Aquele que se entrega ao pecado sexual como uma obcessão idólatra e não se arrepende não pode ser salvo.
b) O engano dos falsos mestres que tentam silenciar a voz de Deus – v. 6 – Muitas pessoas dizem que a Bíblia é reducionista, que o problema não é o pecado, mas a culpa. O mundo acha natural e aplaude o que Deus condena. Mas quem rejeita essas coisas, Jesus não a homens, mas a Deus. Ele contra todas essas coisas é o vingador (1 Ts 4:4-8).
c) A manifestação da ira de Deus sobre os filhos da desobediência – v. 6 – Os filhos da desobediência são aqueles que conhecem a lei de Deus e deliberadamente a desobedecem. Sobre esses vem a ira de Deus agora e na eternidade (Rm 1:24,26,28; Ef 4:17-19).
d) Não sejam participantes com os impuros – v. 7 – Porque o Reino de Deus é justo e a ira de Deus sobrevirá aos injustos, não sejam participantes com eles. Paulo não está proibindo você conviver com essas pessoas, mas ser co-participantes com elas, parceiras de seus pecados. Exemplo: Ló devia sair de Sodoma para não participar da sua condenação.
2.O fruto da luz – v. 8-14
• Três são as responsabilidades decorrentes do conceito de que os crentes são “luz no Senhor”:
a) Eles têm de andar como filhos da luz – v. 8 – Antes não apenas andávamos em trevas, mas éramos trevas. Agora não apenas estamos na luz, mas somos luz. Devemos viver de acordo com o que somos. A luz purifica, a luz ilumina, a luz aquece, a luz aponta direção, a luz avisa sobre os perigos, a luz produz vida.
b) Aqueles que são luz no Senhor devem produzir frutos luminosos – v. 9 – toda bondade, justiça e verdade estão em contraste com a vida impura e lasciva daqueles que são trevas e vivem nas trevas.
c) Os filhos da luz precisam condenar as obras infrutíferas das trevas – v. 11 – Precisamos negativamente não ser cúmplices e positivamente reprová-las, ou seja, desmascarando o que elas são, trazendo-as para a luz.
• As obras das trevas são indizivelmente más – v. 12 – A indústria pornográfica, os estúdios de Holywood explodem em sucesso porque promovem o proibido, escancaram o que é sujo e podre.
• O pecado não pode ficar oculto diante da luz – v. 13
• O versículo 14 é uma conclusão natural. A nossa condição anterior em Adão é vividamente descrita em termos de sono, de morte e de trevas, sendo que Cristo nos liberta de tudo isso. A conversão é nada menos do que despertarmo-nos do sono, ressuscitarmos dentre os mortos, e sermos trazidos das trevas para a luz de Cristo.
III. ANDAR EM SABEDORIA – v. 15-17
• Paulo apresenta várias razões para andarmos de forma sábia: 1) A vida é curta – v. 16a; 2) Os dias são maus – v. 16b; 3) Deus nos deu uma mente – v. 17a; 4) Deus tem um plano para as nossas vidas – v. 17b
• Os versos 15-17 definem o andar da sabedoria em dois pontos:
a) Primeiro, as pessoas sábias tiram o maior proveito do seu tempo – O verbo “remir” é comprar de volta. Significa aqui tirar o maior proveito do tempo. “Tempo” refere-se a cada oportunidade que passa. Certamente as pessoas sábias têm consciência que o tempo é um bem precioso. Todos nós temos a mesma quantidade de tempo ao nosso dispor: com 60 minutos por hora e 24 horas por dia. As pessoas sábias empregam o seu tempo de forma proveitosa. Ilustração: 1) Aviso: “PERDIDAS, ontem, nalgum lugar entre o nascer e o pôr do sol, duas horas de ouro, cada uma cravejada com sessenta minutos de diamente. Nenhuma recompensa é oferecida, pois foram-se para sempre!”
2) “RESOLVIDO: nunca perder um só momento de tempo mas, sim, tirar proveito dele da maneira mais proveitosa que eu puder!” Jonathan Edwards.
3) Os gregos representavam a oportunidade como um jovem com asas nos pés e nas costas, com longo cabelo na fronte e calvo atrás.
b) Segundo, as pessoas sábias discernem a vontade de Deus – v. 17 – O próprio Jesus orou: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua” (Lc 22:42) e nos ensinou a orar: “Faça-se a tua vontade, asssim na terra como no céu” . Nada é mais importante na vida do que descobrir e praticar a vontade de Deus. A coisa mais importante na vida é estar no centro da vontade de Deus. Exemplo: Ashbell Green Simonton.
CONCLUSÃO
• Como você avalia a sua vida à luz do texto de Efésios 5:1-17?
a) Você tem imitado a Deus quanto ao amor sacrificial?
b) Você tem fugido da impureza sexual?
c) Você tem fugido dos pecados da língua?
d) Você tem reprovado o que é errado em sua vida e na vida das outras pessoas?
e) Você tem produzido frutos luminosos?
f) Você tem aproveitado as oportunidades?
g) Você está vivendo no centro da vontade de Deus?
Rev. Hernandes Dias Lopes
Como ser um crente cheio do espírito santo
28/03/11
Referência: Efésios 5.18-21
INTRODUÇÃO
• Paulo, nesta cessão prática, falou sobre a unidade e a pureza da igreja. Agora, vai falar sobre novos relacionamentos. No restante da carta, ele concentra-se em mais duas dimensões do viver cristão.
• A primeira diz respeito aos relacionamentos práticos (lar e trabalho) e a segunda dimensão diz respeito ao inimigo que enfrentamos. Essas duas responsabilidades (o lar e o trabalho de um lado, e o combate espiritual do outro) são bem diferentes entre si. O marido e a esposa, os pais e os filhos, os senhores e os servos são seres humanos visíveis e tangíveis, ao passo que o diabo e suas hostes dispostos a trabalhar contra nós são seres demoníacos, invisíveis e intangíveis. Nossa fé deve estar à altura dessas duas dimensões.
• Paulo introduz essas duas dimensões com um imperativo e quatro particípios: enchei-vos + falando + louvando + dando graças + submetendo.
A IMPORTÂNCIA DA PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO
1. Seria impossível exagerar a importância que o Espírito Santo exerce em nossa vida: Paulo já falou que somos selados pelo Espírito (1:13-14) e que não devemos entristecer o Espírito (4:30). Agora nos ordena a sermos cheios do Espírito (5:18).
2. É o Espírito Santo que nos convence do pecado. É ele que opera em nós o novo nascimento. É ele quem nos ilumina o coração para entendermos as Escrituras. É ele quem nos consola e intercede por nós com gemidos inexprimíveis. É ele quem nos batiza no corpo de Cristo. É ele quem testifica com o nosso Espírito que somos filhos de Deus. É ele quem habita em nós.
3. Todavia, é possível ser nascido do Espírito, ser batizado com o Espírito, habitado pelo Espírito, selado pelo Espírito e estar ainda sem a plenitude do Espírito. Nós que já temos o Espírito, que somos batizados no Espírito, devemos agora, ser cheios do Espírito.
I. DUAS ORDENS – UMA NEGATIVA, OUTRA POSITIVA
• Embriaguez ou enchimento do Espírito? O apóstolo começa fazendo uma certa comparação entre a embriaguez e a plenitude do Espírito.
1. A semelhança superficial
• Uma pessoa que está bêbada, dizemos, está sob a influência do álcool; e certamente um cristão cheio do Espírito está sob a influência e sob o poder do Espírito Santo.
• Em ambas as proposições, há uma mudança de comportamento: a personalidade da pessoa muda quando ela está bêbada. Ele se desinibe; não se importa com o que os outros pensam dela. Abandona-se aos efeitos da bebida! O crente cheio do Espírito se entrega ao controle do Espírito e sua vida fica livre e desinibida.
2. O contraste profundo
• Na embriaguez o homem perde o controle de si mesmo; no enchimento do Espírito ele não perde, ele ganha o controle de si, pois o domínio próprio é fruto do Espírito.
• O Dr. Martyn Lloyd-Jones, médico e pastor disse: “O vinho e o álcool, farmacologicamente falando não é um estimulante, é um depressivo. O álcool sempre está classificado na farmacologia entre os depressivos. O álcool é um ladrão de cérebros. A embriaguez deprimindo o cérebro tira do homem o autocontrole, a sabedoria, o entendimento, o julgamento, o equilíbrio e o poder para aquilatar. Ou seja, a embriaguez impede o homem de agir de maneira sensata.
• O que o Espírito Santo faz é exatamente o oposto. Ele não pode ser colocado num manual de Farmacologia, mas ele é estimulante, anti-depressivo. Ele estimula a mente, o coração e a vontade.
3. O resultado oposto
• O resultado da embriaguez é a dissolução (asotia). As pessoas que estão bêbadas entregam-se a ações desenfreadas, dissolutas e descontroladas. Perdem o pudor, perdem a vergonha, conspurcam a vida, envergonham o lar. Trazem desgraças, lágrimas, pobreza, separação e opróbrio sobre a família. Buscam uma fuga para os seus problemas no fundo de uma garrafa, mas o que encontram é apenas um substituto barato, falso, maldito e artificial para a verdadeira alegria. A embriaguez leva à ruína. Ilustração: a lenda do vinho feito da mistura do sangue do pavão, leão, macaco e porco.
• Todavia, os resultados de estar cheio do Espírito são totalmente diferentes. Em vez de de nos aviltarmos, embrutecermos, o Espírito nos enobrece, nos enleva e eleva. Torna-nos mais humanos, mais parecidos com Jesus. O apóstolo agora, alista os quatro benefícios de se estar cheio do Espírito Santo.
II. OS BENEFÍCIOS DO ENCHIMENTO DO ESPÍRITO SANTO
1. Comunhão – v. 19a - “falando entre vós com hinos e cânticos espirituais”
• Este texto nos fala da comunhão cristã. O crente cheio do Espírito não vive resmungando, reclamando da sorte, criando intrigas, cheio de amargura, inveja e ressentimento, mas sua comunicação é só de enlevo espiritual para a vida do irmão.
• O enchimento do Espírito é remédio de Deus para toda sorte de divisão na igreja. A falta de comunhão na igreja é carnalidade e infantilidade espiritual (1 Co 3:1-3).
• O contexto aqui é a comunhão na adoração. No culto público, o crente cheio do Espírito Santo edifica o irmão, é bênção na vida do irmão. Salmo 95:1 “Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o rochedo da nossa salvação”. É um convite recíproco ao louvor!
2. Adoração – v. 19 – “entoando e louvando de coração ao Senhor”
• Aqui, o cântico não é entre vós, mas sim, ao Senhor. Não é adoração fria, formal, apagada, morta, sem entusiasmo, sem vida.
• O crente cheio do Espírito adora a Deus com entusiasmo. Usa toda a sua mente, emoção e vontade. Um culto vivo não é carnal nem morto. Não é barulho, misticismo nem emocionalismo. Não é experiencialismo, mas um culto em espírito e em verdade, um culto cristocêntrico, alegre, reverente, vivo.
3. Gratidão – v. 20 – “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai…”
• O crente cheio do Espírito está cheio não de queixas, de murmuração, mas de gratidão.
• Embora o texto diga que devemos dar graças sempre por tudo, é necessário interpretar corretamente este versículo.
a) Não podemos dar graças por tudo como por exemplo, pelo mal moral. Uma noção estranha está conquistando popularidade em alguns círculos cristãos de que o grande segredo da liberdade e da vitória cristãs é o louvor incondicional: que o marido deve louvar a Deus pelo adultério da esposa; que a esposa deve louvar a Deus pela embriaguez do marido; que os pais devem louvar a Deus pelo filho que foi para as drogas e pela filha que se perdeu.
b) Semelhante sugestão é uma insensatez e uma blasfêmia. Naturalmente, os filhos de Deus aprendem a não discutir com Deus nos momentos de sofrimento, mas sim, a confiar nele e, na verdade, dar-lhe graças pela sua amorosa providência mediante a qual ele pode fazer até mesmo o mal servir aos seus bons propósitos (Gn 50:20; Rm 8:28).
c) Mas, isso, é louvar a Deus por ser Deus e não louvá-lo pelo mal. Fazer assim, seria reagir de modo insensível à dor das pessoas (ao passo que a Bíblia nos manda a chorar com os que choram). Fazer assim seria desculpar e até encorajar o mal (ao passo que a Bíblia nos manda odiá-lo e resistir o diabo).
d) O mal é uma abominação para o Senhor e não podemos louvá-lo ou dar-lhe graças por aquilo que ele abomina. Logo, o tudo pelo qual devemos dar graças deve ser qualificado pelo seu contexto, a saber a nosso Deus e Pai, em nome do Senhor Jesus Cristo. Nossas ações de graças devem ser por tudo o que é consistente com a amorosa paternidade de Deus.
4. Submissão – v. 21 – “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”
• Uma pessoa cheia do Espírito não pode ser altiva, arrogante, soberba. Os que são cheios do Espírito Santo têm o caráter de Cristo, são mansos e humildes de coração.
• Em Cristo devemos ser submissos uns aos outros. Esse verso 21 é um versículo de transição, e forma a ponte entre as duas seções deste capítulo. Não devemos pensar que a submissão que Paulo recomenda às esposas, às crianças e aos servos seja outra palavra para inferioridade. Igualdade de valor não é identidade do papel.
• Duas perguntas devem ser feitas: 1) De onde vem a autoridade? Como essa autoridade deve ser exercida?
• 1) A autoridade vem de Deus – Por trás do marido, do pai, do patrão, devemos discernir o próprio Senhor que lhes deu a autoridade que têm. Portanto, se querem submeter a Cristo, submetam-se a eles. Mas a autoridade dos maridos, pais e patrões não é ilimitada nem as esposas, filhos e empregados devem prestar obediência incondicional. A autoridade só é legítima quando é exercida debaixo da autoridade de Deus e em conformidade com ela. Devemos obedecer a autoridade humana até o ponto em que não sejamos levados a desobedecer a autoridade de Deus. Se a obediência à autoridade humana envolve a desobediência a Deus, naquele ponto, a desobediência civil fica sendo o nosso dever cristão: “Ants importa obedecer a Deus que aos homens (At 5:29).
• 2) Nunca deve ser exercida de modo egoísta, mas, sim, sempre em prol dos outros para cujo benefício foi outorgada – Quando Paulo descreve os deveres dos maridos, dos pais e dos senhores, em nenhum caso é a autoridade que os manda exercer. Pelo contrário, explícita ou implícitamente, adverte-os contra o uso impróprio da autoridade, proíbe-os de explorar a sua posição, e os conclama, ao invés disso, a lembrar-lhes das suas responsabilidades e dos direitos da outra parte. Assim sendo, os maridos devem amar, os pais não devem provocar a ira e os patrões devem tratar os servos com justiça. Jesus foi o supremo exemplo de como deve ser exercida a autoridade. Como Senhor ele serviu.
• Um marido cheio do Espírito Santo ama a esposa como Cristo ama a igreja. Uma esposa cheia do Espírito se submete ao marido como a igreja a Cristo. Pais cheios do Espírito criam os filhos na admoestação do Senhor. Filhos cheios do Espírito obedecem seus pais. Patrões cheios do Espírito tratam seus empregados com dignidade. Empregados cheios do Espírito trabalham com empenho em favor dos seus patrões.
III. O IMPERATIVO DO ENCHIMENTO DO ESPÍRITO SANTO
• A forma exata do verso “Plerouste”é sugestiva por várias razões.
1. Está no modo imperativo
• “Enchei-vos” não é uma proposta alternativa, uma opção, mas um mandamento de Deus. Ser cheio do Espírito é obrigatório, não opcional. Não ser cheio do Espírito Santo é pecado. Ilustração: O diácono na Igreja Batista do Sul dos EUA excluído da igreja por embriaguez. Billy Graham perguntou: algum diácono já foi excluído por não ser cheio do Espírito Santo?
2. Está na forma plural
• Esta ordem está endereçada à totalidade da comunidade cristã. Ninguém dentre nós deve ficar bêbado; todos nós porém, devemos encher-nos do Espírito Santo. A plenitude do Espírito Santo não é um privilégio elitista, mas sim uma possibilidade para todo o povo de Deus. A promessa do derramamento do Espírito rompeu as barreiras social, da idade e do sexo.
3. Está na voz passiva
• O sentido é: “Deixai o Espírito encher-vos”. Ninguém pode encher-se a si mesmo do Espírito. Nenhum homem pode soprar sobre o outro para que ele receba a plenitude do Espírito.
• O sentido não é o quanto mais nós temos do Espírito, como se o Espírtio fosse um líquido enchendo um vazilhame. Mas o quanto mais o Espírito tem de nós. O quanto ele controla a nossa vida. Ser cheio é não entristecê-lo, nem apagá-lo, mas submeter-se à sua autoridade, influência e poder.
4. Está no tempo presente contínuo
• No grego há dois tipos de imperativo: 1) Um aoristo – que descreve uma ação única. Exemplo: João 2:7 Jesus disse: “Enchei dágua as talhas”. O imperativo é aoristo, visto que as talhas deviam ser enchidas uma só vez. 2) Um presente contínuo – descreve uma ação contínua. Exemplo: Efésios 5:18 Quando Paulo nos diz: “Enchei-vos do Espírito” é imperativo presente, o que subentende que devemos continuar ficando cheios.
• A plenitude do Espírito não é uma experiência de uma vez para sempre, que nunca podemos perder, mas sim, um privilégio que deve ser continuamente renovado pela submissão à vontade de Deus. Fomos selados de uma vez por todas, mas temos a necessidade do enchimento diariamente.
CONCLUSÃO
• Você é um crente cheio do Espírito Santo? Os sinais da plenitude do Espírito têm sido vistos em sua vida?
• Você tem adorado a Deus, relacionado com seus irmãos, agradecido a Deus e se sujeitando uns aos outros e feito a obra de Deus com poder?
• Ilustração: o moço de Eliseu que perdeu o machado no rio. Eliseu orou e o machado boiou. Muitos hoje estão tentando cortar as árvores com o cabo do machado. Precisamos mais dos recursos de Deus do que dos recursos do homem. A igreja primitiva quando ficou cheia do Espírito Santo tornou-se uma força invencível!
Rev. Hernandes Dias Lopes
A tolice de tentar agradar a homens
31/01/11
[Richard Baxter, um dos grandes pastores e teólogos puritanos, mostra, ao estilo puritano, o quanto é tolo tentar agradar a homens enquanto se está tentando viver a vida para Deus. O orgulho que faz com que nos preocupemos tanto com o que os outros pensam de nós e o que sentem por nós, nos prega ciladas e armadilhas que, por fim, podem destruir nossas almas. Quando tenta agradar a homens, o crente compromete seu testemunho e torna-se virtualmente inútil na obra de Deus.
Baxter nos dá 22 razões e advertências para que não sejamos tolos e para que procuremos sempre agradar a Deus e não a homens. As primeiras 8 aparecem nessa primeira parte.]
“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” – Gálatas 1:10
1. Lembrem-se de que multidão vocês têm para agradar; e quando vocês agradarem a alguns, quantos mais permanecerão insatisfeitos, e quantos ainda permanecerão insatisfeitos depois que vocês derem o seu melhor. Infelizmente somos completamente inaptos para observar a todos que nos observam e que se agradariam de nós. Vocês são como alguém que só tem 12 moedas no bolso e mil mendigos vêm rodeá-los em busca delas, e cada um deles ficará insatisfeito se não puder ter todas elas. Se vocês decidirem dar tudo que tem para os pobres, e fizerem isso para agradar a Deus, vocês poderão atingir seu objetivo. Mas se vocês derem tudo para agradar a eles, quando tiverem agradado aqueles poucos que receberem alguma coisa, talvez o dobro deles irá insultá-los e amaldiçoá-los porque não ganharam nada. O mendigo que for mais rápido irá declarar que vocês são generosos, e o que for mais lento proclamará que vocês são mesquinhos e impiedosos. Dessa forma vocês terão mais gente para ofendê-los e desonrá-los do que para confortar-lhes com seus elogios, se é que era esse o conforto que vocês buscavam.
2. Lembrem-se que todos os homens são tão egocêntricos, que as suas expectativas serão sempre mais altas do que vocês jamais serão capazes de satisfazer. Eles não considerarão suas dificuldades, afazeres, ou o que quer que vocês façam pelos outros. A maior parte deles procurará ter tanto para si como se vocês não tivessem ninguém mais para pensar a não ser neles. Muitas e muitas vezes, quando tive uma hora do dia para gastar, uma multidão (cada um deles) esperava que eu passasse aquela hora consigo. Quando eu visito um, freqüentemente há dez que se ofendem porque não estou visitando-os na mesma hora. Quando estou falando com um, muitos outros se ofendem porque não estou falando com eles ao mesmo tempo. Se aqueles com quem converso me consideram cortês, humilde, e respeitável, aqueles com quem não consegui conversar, ou só pude dirigir uma palavra, me considerarão descortês e antipático. Quantos já me censuraram porque não lhes dei o tempo que Deus e a minha consciência me mandaram gastar em algum trabalho maior e mais necessário! Se vocês têm algum cargo ou função para preencher, ou um privilégio para conceder, que só uma pessoa pode receber, todos se consideram os mais indicados para recebê-lo. E se você agradou aquele que recebeu, deixou insatisfeitos todos os outros que nada receberam e foram privados dos seus desejos.
“Quando eu visito um, freqüentemente há dez que se ofendem porque não estou visitando-os na mesma hora.”3. Vocês têm um grande número de pessoas para agradar que são tão ignorantes, irracionais e débeis, que consideram suas maiores virtudes como defeitos e que não sabem distinguir quando vocês fazem alguma coisa boa ou ruim. E não há ninguém que censure tão severamente como aqueles que menos entendem as coisas que estão censurando. Muitas e muitas vezes meus sermões e os de outros foram criticados, e abertamente difamados, por aquilo que nunca esteve neles, devido a ignorância ou falta de atenção de algum ouvinte mais crítico. Até mesmo por aquilo que os sermões falavam contra acabavam sendo repreendidos porque nunca foram compreendidos. Especialmente aqueles sermões com um estilo fechado, livre de tautologia, em que cada palavra precisa ser muito bem definida para evitar confusão, serão freqüentemente distorcidos e atacados.
4. Vocês terão muitos zelotes facciosos para agradar que, sendo estranhos ao amor à santidade, à cristandade e à unidade, são governados pelo interesse por alguma opinião ou grupo. E esses nunca estarão satisfeitos com vocês a não ser que vocês venham para lado ou partido deles, e se adaptem às suas opinões. Se vocês não forem abertamente contra eles, mas procurarem reconciliar a todos e pôr um fim nas diferenças da igreja, eles os odiarão por não promover as opiniões deles e ainda enfraquecê-los através de abomináveis sincretismos. Assim como na guerra civil, também na guerra eclesiástica os atiçadores não conseguem suportar os pacíficos. Se vocês forem neutros, serão considerados inimigos. Ainda que vocês dêem o máximo por Cristo, pela santidade e pela fé comum, tudo isso será nada, a não ser que vocês sejam também por eles e seus conceitos.
5. A maior parte do mundo é formada por pessoas que odeiam a santidade e tem uma sagaz inimizade contra a imagem de Deus, não tendo sido renovadas pelo Espírito Santo. Esses não se agradarão de vocês a não ser que vocês pequem contra o Senhor, e ajam como eles agem. 1 Pedro 4:3-5, “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos.” Se vocês lhes falarem sobre o seu pecado, vocês serão considerados como Ló entre os sodomitas, homens ocupados que chegam entre eles fazendo as vezes de juiz, para controlá-los. Se vocês não forem tão maus quanto eles são , vocês serão chamados de arrogantes, metidos e hipócritas (ou talvez algo pior). O mesmo ocorrerá se vocês, por sua abstinência (mesmo que não digam nada), parecerem repreender a sensualidade e o desrespeito a Deus que eles demonstram. Entre os insanos vocês precisam bancar os insanos se quiserem escapar das suas presas injuriosas. Será que vocês podem ter alguma esperança de agradar a homens assim?
“Pecadores inveterados negam-se a ir para o inferno sozinhos. É um tormento para eles verem outros em melhor estado que o seu.”6. Entre aqueles que precisarão agradar, vocês se depararão com inimigos satânicos de Deus, e homens de consciência cauterizada e perversa, os quais são maliciosos e cruéis, e não ficarão satisfeitos com nada a não ser com alguma iniqüidade terrível, e com a destruição de das almas de vocês, e com a possibilidade de levar outros à perdição. São como aquele monstro de Milão, que quando punha de joelhos seu inimigo, o fazia blasfemar contra Deus na expectativa de salvar sua vida, e então o apunhalava considerando aquela uma justa vingança, pois matava o corpo e condenava a alma de uma só vez. Há no mundo aqueles que farão tão abertamente o trabalho do diabo, que corromperiam as consciências de vocês com os mais horríveis perjúrios, perfídias e impiedades, a fim de triunfar sobre suas miseráveis almas. Se vocês responderem a eles que não podem agradá-los, a não ser sendo desonestos e desagradando a Deus e pecando contra o conhecimento e a consciência, e pondo em risco a sua própria salvação, eles retrucarão apenas com um gracejo zombeteiro diante desses argumentos e esperarão que vocês aventurem suas almas em seguir suas opiniões, e se preocupem tão pouco com Deus e suas almas quanto eles mesmos fazem. Pecadores inveterados negam-se a ir para o inferno sozinhos. É um tormento para eles verem outros em melhor estado que o seu. Aqueles que são cruéis e impiedosos consigo mesmos, e não têm pena de suas próprias almas, mas as vendem por uma prostituta, ou por uma promoção, ou por honra, ou por prazeres sensuais, dificilmente terão misericórdia da alma alheia: Mateus 27:25, “E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!”
7. Vocês terão homens duros, implicantes, não caridosos e injustos para agradar; os quais farão com que “por causa de uma palavra condenam um homem, os que põem armadilhas ao que repreende na porta, e os que sem motivo negam ao justo o seu direito.” Isaías 29:20,21. Esses não têm nenhum traço daquela caridade que cobre faltas e interpreta palavras e ações favoravelmente. Também não têm nada daquela justiça que faz com que um homem faça aos outros como quer que lhe façam, e julgue ao próximo como gostaria de ser julgado. Entretanto, como julgam sem misericórdia, provavelmente serão julgados sem misericórdia. Eles ficam felizes quando encontram algum assunto em que possam repreendê-los e quando encontram um (verdadeiro ou falso) eles jamais o esquecerão, mas insistirão nele como a mosca insiste em voltar ao local infectado.
8. Vocês terão que agradar pessoas passionais, cujos julgamentos são cegados, e que não são capazes de serem satisfeitas. São como o doente e ferido que sente dor a qualquer toque e que, por fim, como disse Sêneca, sente dor com a própria presunção de que foi tocado. Como podem agradar a esses se a insatisfação é a sua enfermidade, que habita no interior deles, no âmago do seu próprio coração?
9. Vocês verão que a disposição de condenar e criticar é um hábito comum, e apesar de poucos serem competentes para julgar as ações de vocês, por não estarem suficientemente a par da sua rotina diária, praticamente todos se aventurarão a reprová-los. Um entendimento orgulhoso e presunçoso é um defeito muito comum. Esse tipo de conhecimento se considera capaz de julgar qualquer coisa assim que ouve apenas uma pequena porção do tema, e não tem consciência de sua própria falibilidade, apesar de experimentá-la diariamente. Poucos estão perto de vocês e nenhum no seu coração, de forma que todos desconhecem as circunstâncias e as razões de tudo que vocês fazem. Também não ouvem o que vocês têm a dizer por si mesmos e mesmo assim insistem em censurá-los, sendo que talvez os tivessem absolvido se ao menos ouvissem as suas explicações. É raro encontrar alguém, mesmo entre aqueles que professam a maior sinceridade e que são muito cuidadosos e zelosos de não pecar, que não tenha a capacidade ou o chamado para executar esse tipo de julgamento precipitado e desprovido de fundamento.
10. Vocês vivem entre tagarelas incontroláveis e contadores de histórias que divertem outros lançando acusações contra vocês. Quem é que tem ouvidos e nunca teve algum desses vermes tentando ocupar-se deles? Talvez um ou outro homem mais correto, cuja face zangada espantou essas línguas fofoqueiras pra longe de si. E tudo que é coisa será dita nas costas de vocês quando não tiverem como responder. E se houver um homem a quem os ouvintes estimam, e que acuse e calunie vocês, então eles acharão correto acreditar nele. E a maioria daqueles que são amigos desse homem, ou do seu partido, ou têm interesses semelhantes, certamente o considerarão honesto e portanto crerão nele. E não é incomum uma pessoa sábia, inteligente e piedosa se precipitar em repetir algum relato da boca de outros e aí o ouvinte pensa que está totalmente justificado em acreditar nela e repassar a mesma história a outros. O próprio Davi, pela tentação de Ziba, foi levado a injustiçar Mefibosete, o filho do seu grande e digno amigo. 2 Sm. 16:3. Não surpreende então, que Saul tenha dado ouvidos a Doegue, para amaldiçoar Davi e matar os sacerdotes. Pv. 18:8 “As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre.” Pv. 26:20 20 “Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda.” E enquanto esses estiverem ainda perto dos homens e vocês longe, é fácil para eles persistirem nas mais odiosas representações das mais louváveis ações de uma pessoa.
“Experimentem servir aos homens da forma mais submissa e cuidadosa que puderem e, ao final, algum acidente ou a frustração de alguma das injustas expectativas nutridas por eles fará com que tudo o que vocês já fizeram seja esquecido.”11. A imperfeição do entendimento e da piedade dos homens é tão grande, que mesmo as mais sensatas diferenças de julgamento, levarão à injúria e ao desprezo aos irmãos. Alguém está plenamente confiante de que sua visão é a correta, outrem está plenamente convencido do contrário. Quem não percebe a que contendas e insultos essas diferenças conduzem, já tendo um certo tempo de vida, não perceberá jamais. Não precisamos ir a Paulo e Barnabé para um exemplo (esse foi um caso bem mais leve); nem a Epifânio, Jerônimo e Crisóstomo; nem àquelas eras trágicas daqueles bispos conflituosos, que viveram antes de nós na igreja oriental e ocidental: cada um pensando que sua causa era tão clara que o justificava em tudo que dizia e fazia contra os que ousavam pensar de forma diferente. E certamente vocês devem esperar certo desconforto por parte de homens bons e cultos, quando a igreja sente tão terríveis choques, sangrando até hoje em divisões tão horrendas, por causa dos restos daquele orgulho e ignorância de que seus reverendos guias continuam sendo culpados.
12. Vocês terão homens de grande inconstância para agradar. Em um momento eles estarão prontos a louvá-los como se fossem deuses e no instante seguinte prontos para apedrejá-los como se fossem demônios; como fizeram com Paulo e com o próprio Cristo. Que inconstante é a mente do homem! Especialmente a mente dos comuns e mundanos! Passem todos os dias da sua vida construindo sua reputação sobre essa areia e um único sopro de vento ou de tempestade a derrubará e todo o seu esforço e trabalho estará perdido. Experimentem servir aos homens da forma mais submissa e cuidadosa que puderem e, ao final, algum acidente ou a frustração de alguma das injustas expectativas nutridas por eles fará com que tudo o que vocês já fizeram seja esquecido. Então vocês deixarão este mundo com o lamento de Wolsey: “Se eu tivesse servido a Deus com a fidelidade que servi ao homem, teria sido melhor recompensado, em vez de ser abandonado na minha agonia.” Quantos já caíram pelas mãos ou olhares carrancudos daqueles cujo favor haviam encarecidamente adquirido, talvez pagando o preço da sua própria salvação! Se algum dia vocês puserem tanta confiança em um amigo, sem considerar a possibilidade dele vir a se tornar algum dia um inimigo, então vocês não conhece os homens; e talvez sejam levado a conhecê-los melhor, pagando um alto preço.
13. Todo homem será envolvido, inevitavelmente, pelo próprio Deus, em alguns deveres que correm o risco de ser mal interpretados e que têm uma aparência externa de coisas más. Com isso ofenderão aqueles que não conhecem todas as circunstâncias internas. Assim, boa parte da história é pouco digna de respeito; porque as ações de pessoas públicas são julgadas com parcialidade por aqueles que escrevem sobre elas. Eles escrevem mais por ouvir dizer; ou só conhecem o exterior e as aparências das coisas, e não o espírito, a vida e a realidade do caso. Os homens não escolhem seus deveres. Deus os determina pela Sua Lei e providência. E muitas vezes Ele se agrada em provar seus servos dessa forma: muitas das circunstâncias de seus atos permanecem ocultos aos homens. Estes os justificariam se o soubessem, mas acabam considerando-os pessoas publicamente escandalosas, porque não as conhecem. Quão parecido com o mal foi o fato de os israelitas tomarem os bens dos egípcios! Assim também a tentativa de Abraão de sacrificar seu filho; também Davi comendo os pães da proposição e dançando quase nu diante da arca. Cristo comendo e bebendo com publicanos e pecadores, Paulo circuncidando Timóteo e a sua purificação no templo. Não é surpresa que José tenha pensado em abandonar Maria até que ele tivesse evidência da sua milagrosa concepção. E quão merecedora de reprovação ela era, por parte daqueles que não conheciam os fatos! Portanto, quão vazio é o julgamento do homem! E quão contrário ele é freqüentemente à verdade! E com que cautela a história precisa ser lida! E quão aguardado é o grande dia do Senhor, quando toda censura humana será censurada com justiça!
“Se eu aceito uma promoção sou ambicioso, orgulhoso e mundano. Se recuso, por mais humildemente que o faça, eles dirão que estou descontente e querendo criar confusão e discórdia. Se eu não pregar quando sou proibido de fazê-lo serei acusado de abandonar o chamado que recebi e obedecendo a homens, contrariando a Deus. Se eu pregar serei chamado de desobediente e rebelde.”14. A perversidade de muitos é tal que eles exigem de vocês coisas contraditórias e até impossíveis só para deixar claro que eles estão decididos a nunca gostar de vocês. Se João jejua eles dizem que “tem demônio”, se Cristo vem “comendo e bebendo”, dizem, “vejam um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores” Mateus 11:18,19. Se o julgamento e a prática de vocês adaptarem-se aos requisitos de seus superiores, especialmente quando estes mudam alguma coisa, vocês serão considerados meros aduladores e contemporizadores. Se não for assim, serão considerados desobedientes, rebeldes e sectários. Se vocês falarem moderada e gentilmente eles os chamarão de bajuladores e dissimulados. Se falar mais livremente, mesmo quando necessário, dirão que é grosseiro. Se eu aceito uma promoção sou ambicioso, orgulhoso e mundano. Se recuso, por mais humildemente que o faça, eles dirão que estou descontente e querendo criar confusão e discórdia. Se eu não pregar quando sou proibido de fazê-lo serei acusado de abandonar o chamado que recebi e obedecendo a homens, contrariando a Deus. Se eu pregar serei chamado de desobediente e rebelde. Se ajudar um amigo ou parente a conseguir uma posição para a qual ele não é adequado ou que irá prejudicar a outrem; se eu atendo-lhe o pedido, serei chamado de desonesto, que por parcialidade prejudiquei a outros. Se negar-lhe o desejo, serei considerado antinatural e não amigo, e pior que um infiel. Se eu der ao pobre enquanto tenho o que dar, serei reprovado ao parar de dar quando não tiver mais. Aqueles que não sabem se vocês têm ou não para dar, ficarão descontentes se vocês não derem e se por muitos anos vocês permanecerem dando livremente, será tudo considerado nada se tiverem que cessar, não importando se pararam porque seu estoque acabou ou porque outro teve que ser objeto da sua caridade. Se vocês sofrerem algum dano em relação aos seus bens e forem à justiça, dirão que são contenciosos; se vocês deixarem tudo como está e sofrerem o dano então dirão que vocês são tolos e idiotas. Se fizerem alguma obra de caridade à vista dos homens, dirão que são hipócritas e o fazem para receber aplausos; se fizerem secretamente, de forma que ninguém saiba, dirão que são cobiçosos e não têm boas obras e que apesar de professar a religião vocês não fazem o bem. Se vocês forem alegres e divertidos eles os reprovarão porque são levianos e fúteis. Já se forem mais sérios e tristes, serão chamados de melancólicos e descontentes. Em uma palavra, façam o que fizerem, tenham a certeza de que sempre alguns os condenarão. E fazendo ou não fazendo, falando ou calando, certamente vocês desagradarão e nunca escaparão das censuras do mundo.
15. Há entre os homens uma contrariedade tão grande de julgamentos, disposições e interesses que eles nunca concordarão entre si. E se vocês agradarem a um, o resto ficará descontente. Aquele que vocês agradarem é considerado inimigo para outro e, assim, vocês desagradam seu inimigo agradando a eles. Às vezes, diferenças de estado dividem reinos em partidos e um partido ficará descontente com vocês se vocês forem do outro, e ambos ficarão se vocês forem neutros ou não gostarem de nenhum dos dois. Cada partido acha que sua causa justifica qualquer acusação que façam contra vocês ou títulos odiosos que queiram lhes conceder e até mesmo sofrimentos que possam querer lhes infligir. Diferenças e grupos sempre existiram na igreja e vocês não podem ter a opinião de todos os partidos. Quando há tal abundância de conceitos, vocês não podem concordar com todas elas ao mesmo tempo. E se vocês forem de um partido, desagradarão os demais. Se aderirem a um lado em opiniões controversas, o outro lado os considerará hereges e é impressionante até que ponto os interesses deles podem levá-los. Metade do mundo cristão, nos dias de hoje, condena o outro lado de ser cismático, para dizer o mínimo; e a outra metade faz o mesmo com a primeira. E será que vocês podem ser papistas, protestantes e gregos, e tudo mais? Se não, vocês terão que desagradar tantos quantos agradam. E ainda mais, se homens inconstantes ficam mudando o tempo todo, eles esperam que vocês mudem tão rápido quanto eles, e qualquer que sejam seus interesses conflitantes vocês terão que segui-los. Em um ano vocês precisarão jurar e no ano seguinte terão que desfazer o juramento. Qualquer causa ou ação que eles abraçarem, por mais diabólica que seja, vocês terão que aprovar ou permitir, e tudo que eles fizerem vocês terão que dizer que é bem feito. Em uma palavra, vocês terão que treinar sua língua a dizer ou jurar qualquer coisa, e terão que vender sua inocência e colocar sua consciência totalmente a serviço deles, ou não poderão agradá-los. Micaías precisa dizer, com os outros profetas, “Vá e prospere”, senão será odiado por não profetizar coisas boas para Acabe, mas somente coisas más. 1 Rs 22:8. E como poderão servir a todos os interesses de uma só vez? Parece que a providência divina embaralhou, de propósito, os assuntos do mundo, para tentar e envergonhar todos os que procuram agradar a homens e os contemporizadores que estão debaixo do sol. É evidente então, que para agradar a todos você precisa falar e ficar calado, ratificar contradições, estar em muitos lugares ao mesmo tempo, ter a mente e seguir o caminho de muitos homens. De minha parte, pretendo ver o mundo tendo um pouco mais de acordo entre si, antes de ter como minha ambição agradá-lo. Se vocês podem reconciliar todas as suas opiniões e interesses, o estado de coisas, as disposições, e fazer com que todos tenham uma só mente e vontade, só então passem a ter esperança de agradá-los.
16. Se vocês se sobressaírem em alguma qualidade pessoal ou atividade, mesmo isso não os isentará da difamação na direção oposta; tal é a irracionalidade dos homens maliciosos. Nada neste mundo pode proteger vocês das línguas fofoqueiras e difamadoras. A perfeita santidade de Jesus Cristo não o livrou de ser chamado de glutão, bebedor de vinho e amigo de publicanos e pecadores. O esplêndido desprezo que ele tinha pelas honras e pompas mundanas, e a sua sujeição a César, não evitaram que ele fosse ultrajado e crucificado como inimigo do imperador. A grande piedade dos antigos cristãos não os livrou de calúnias vulgares que diziam que eles se reuniam no escuro para cometer torpeza, e também não os livrou do clamor da turba: “Fora com os impíos”, provocada porque os cristãos eram contra a adoração dos ídolos que eles idolatravam. Conheço pessoas que deram tudo o que tinham para os pobres, exceto a própria comida e mais algumas coisas indispensáveis, e ainda assim (apesar das coisas serem de valor considerável) foram reprovadas como tendo sido inclementes em relação àqueles que não receberam tanto quanto esperavam. Muitos, cujas vidas inteiras foram de castidade incorruptível, foram difamados por rumores escandalosos de impureza. Os mais eminentes santos foram difamados como culpados dos mais horrendos crimes, que nunca sequer passaram pelo pensamento deles. A coisa que eu mais busquei nos meus estudos e com que mais me preocupei sempre foi a reconciliação, unidade e paz entre os cristãos. Sempre escrevi contra a falta de amor, a turbulência e a divisão. Mas, surpreendentemente, há muitos cujo interesse e malícia os fez acusarem-me exatamente daquele pecado que gastei meus dias, meu zelo e meus estudos para atacar. Com que freqüência facções contrárias me acusaram com acusações perfeitamente opostas! Não consigo pensar em nada que eu faça neste mundo que deixe de ofender alguém; nem em deveres tão grandes e claros que não sejam chamados de pecado; nem numa auto-renúncia tão grande (mesmo com o risco da própria vida) que não seja chamada de egocentrismo; ou algo totalmente puro que não seja considerado exatamente o contrário. Portanto, em vez de servir a este injusto e malicioso mundo, eu desprezo as suas cegas e injustas censuras e recorro ao infinitamente justo Deus.
17. Se vocês planejam manter um nome honrado quando morrerem, considerem bem o poder que uma facção prevalecente pode ter de corromper a história da sua vida e representá-los para a posteridade de forma perfeitamente contrária àquilo que vocês são. E é difícil para a posteridade avaliar qual história é produto de mentiras maliciosas e vergonhosas, e qual é a verdade imparcial. Quantas histórias contraditórias há por aí sobre pessoas e ações particulares, escritas por homens da mesma religião: como é o caso do Papa Gregório VII e os imperadores que brigaram com ele; e sobre o Papa João, e muitos outros parecidos. Casos em que vocês podem ler grande quantidade de historiadores posicionando-se de um lado ou de outro.
18. Lembrem-se de que os maiores santos e apóstolos nunca puderam agradar o mundo, nem escapar das suas censuras, calúnias e crueldades. Não; nem mesmo o próprio Jesus escapou. E vocês acreditam honestamente que podem agradá-lo melhor que Cristo e seus santos puderam? Vocês não têm a sabedoria que Cristo tinha para agradar aos homens e evitar ofensas. Vocês não possuem a perfeita inocência e ausência de culpa que Cristo tinha. Vocês não podem curar as doenças e enfermidades deles, e fazer a eles aquele bem que poderia agradá-los e ganhá-los, como Cristo fez. Vocês não podem convencer e constranger a eles para que os reverenciem por seus muitos milagres como Cristo fez. E será que vocês podem imitar um padrão tão elevado como o estabelecido pelo santo, paciente, amoroso e infatigável apóstolo Paulo? Atos 20; 1 Cor 4; 9; 2 Cor 4; 5; 6; 10; 11; 12. Se não podem, como poderão agradar àqueles que não se satisfizeram com tais inimitáveis obras de amor e poder? Quanto mais Paulo amava alguns de seus ouvintes, menos ele era amado (2 Cor 12:15). Eles o consideraram um inimigo por lhes dizer a verdade (Gl 4:16). Apesar de ele ter se tornado todas as coisas para todos os homens, ele apenas pôde salvar alguns e agradar alguns (1 Cor 9:22). E o que são vocês para que sejam mais bem sucedidos que ele?
“Será que os homens serão satisfeitos por meio de coisas que eles odeiam?”19. Piedade, virtude, e até mesmo honestidade, não agradam ao mundo e, portanto, vocês não devem ter esperanças de agradá-los com coisas que os desagradam. Será que os homens serão satisfeitos por meio de coisas que eles odeiam? E por meio daquelas ações que eles podem sentir que são as mesmas que os acusam e condenam? E se vocês forem ímpios e depravados para agradá-los, vocês estarão vendendo suas almas, suas consciências e seu Deus, só para satisfazê-los. Lembre-se que Deus e eles não se agradam dos mesmo caminhos. E qual dos dois vocês acham que deve ser satisfeito primeiro? Se vocês o desagradarem em favor deles, é certo que pagarão um alto preço.
20. Os homens não se agradam nem mesmo de Deus; aliás, ninguém desagrada a tantos, e tanto, como Ele. E será que vocês podem fazer mais do que Deus para agradá-los? Ou será que vocês merecem o favor deles mais do que Ele? Eles se desagradam dEle diariamente por causa da sua providência: um quer chuva enquanto o outro não quer. Um quer ventos para ajudar na sua viagem e o outro os quer soprando em outra direção. Um grupo fica desgostoso, porque outro está feliz e exaltado. Cada um dos adversários quer que a sua causa seja bem-sucedida e que a vitória seja sua, cada rival quer que tudo penda para o seu lado. Eles querem que Deus seja dirigido por eles e se adapte a eles e a seus interesses mais injustos, e à vontade dos mais depravados, e aja como se eles fossem donos dEle, e seja um servo dos seus prazeres. Se não for assim, eles não se agradarão dEle. E a Sua natureza santa, Sua imaculada Palavra, Seus santos caminhos, desagradam-nos mais ainda do que a sua providência do dia-a-dia. Eles ficam incomodados por Sua Palavra ser tão rígida e precisa, e porque Ele lhes ordena uma vida tão santa e disciplinada, e também porque Ele ameaça todos os ímpios com condenação. Deus precisa alterar suas leis, torná-las mais flexíveis, adaptá-las aos interesses carnais e às cobiças deles, dizer o que eles querem ouvir, antes que eles possam aceitar (a não ser que Ele transforme suas mentes e corações). E será que vocês imaginam que eles ficarão satisfeitos com Deus no final, quando Ele cumprir suas ameaças? Quando Ele os matar e tornar seus corpos em pó e suas almas culpadas forem lançadas no tormento e no desespero?
“Os homens não se agradam nem mesmo de Deus; aliás, ninguém desagrada a tantos, e tanto, como Ele.”21. Como vocês poderão agradar a homens que não se agradam a si mesmos? Seu próprio desejo e escolhas os satisfarão por muito pouco tempo. Como crianças, eles logo se entediam com aquilo pelo que clamavam. Eles precisam desesperadamente tê-lo, e quando têm, aquilo passa a ser como nada e é jogado fora. Não se satisfazem tendo e deixando de ter. São como pessoas enfermas que anseiam por todo tipo de comida e bebida, e quando finalmente podem tê-los não conseguem engoli-los, porque a enfermidade ainda está dentro deles e lhes causa desconforto. Quantos e quantos enfrentam problemas e atormentam-se por causa de paixões e bobagens dia após dia! E será que vocês conseguirão agradar a esses auto-destruidores?
22. Como poderão agradar a todos os outros homens se não podem agradar nem a si mesmos? Se vocês são pessoas tementes a Deus e sentem o fardo dos seus pecados, e têm vida suficiente para serem sensíveis às suas mazelas, eu ouso dizer que não há ninguém no mundo tão desgostoso de vocês quanto vocês mesmos. Vocês carregam consigo, e sentem no íntimo, aquilo que os desagrada mais do que todos os inimigos que possam ter no mundo. Suas paixões e corrupções, sua falta de amor a Deus, e a sua distância em relação a Ele e ao porvir; a imperfeição diária de seus deveres e sua vida, são o seu fardo diário, e os desagradam mais que tudo. E se vocês não são capazes, sábios e bons o suficiente para agradarem-se a si mesmos, poderão ser capazes, sábios e bons o suficiente para agradar o mundo? Assim como seus pecados estão mais próximos de vocês mesmos, assim ocorre com as suas graças; e assim como vocês conhecem mais maldade sobre si mesmos do que os outros, assim vocês conhecem mais bondade. Um pequeno fogo não aquecerá a casa se não consegue aquecer a lareira em que repousa.
Fonte: Bom Caminho
O evangelho na periferia
22/11/10
Normalmente, por motivos óbvios, não assisto televisão nos domingos. Ultimamente tenho conseguido ver a jornalista Regina Casé, no Fantástico, com suas reportagens sobre a periferia social do Brasil. Gosto dela. Seu jeito espontâneo de conversar e como valoriza os mais pobres, encantam meu coração. Ela não só apresenta a riqueza cultural dos mais miseráveis, como oferece uma rara oportunidade de integrar os excluídos sociais do camuflado aparthaid social brasileiro– que só se aprofunda em nossa perversa desigualdade.
Casé também consegue intrigar-me. Com seus programas, sinto-me confrontado com a distância que me separa dos marginalizados. Percebo também a facilidade com que os evangélicos se identificam com os valores da classe média burguesa. Noto que a espiritualidade cultivada entre os protestantes brasileiros se afastou anos luz do que Jesus viveu e praticou na Palestina.
Com a influência do “american way of life”, os crentes brasileiros sonham em ascender socialmente. Para subirem, porém, eles dependem de uma economia que funciona como peneira de malhas apertadas. Poucos privilegiados, que já nasceram em famílias privilegiadas, conseguem passar. Assim, a função religiosa se resumiu no esforço de pedir que Deus compense essas distorções, premiando o maior número de seus filhos com favores especiais. Repete-se nos cultos, ad nauseum, que Deus é bom e que ele não permitirá que seus filhos mendiguem o pão.
Infelizmente, a realidade cruel nega os sermões. Crianças, filhas de crentes, morrem nos corredores fétidos de hospitais públicos; nordestinos crentes esperam pelo assistencialismo dos coronéis para comerem; congregações evangélicas são construídas sobre palafitas na ribanceira de esgotos a céu aberto. Os excluídos continuam inalcançados pelos curtos braços da pátria gentil, e para eles, tarda a “bênção” da prosperidade.
A minoria sortuda, que já nasceu com larga vantagem sobre os demais, precisa apaziguar sua consciência, bem como “proteger” seus favores de eventuais ameaças circunstancias ou espirituais. Já que sobram textos bíblicos sobre o cuidado perene de Deus, basta citar os mais badalados: “Tudo posso naquele que me fortalece”; “Se Deus é por nós, quem será contra nós”. Resultado: com todos devidamente pacificados, solidifica-se o abismo que separa os crentes “melhor de vida” dos que dependem de narcotraficantes para entrarem e saírem em paz da favela onde vivem.
Vez por outra, os evangélicos de classe média percebem que existem pobres servindo o mesmo Deus que eles. Nessas horas, a teologia determinista da providência acalma eventuais angústias. “Deus sabe o que faz e dará aos seus filhos o cobertor do tamanho certo”. No caso dessas inquietações inoportunas continuarem, convém lembrar que a nobilíssima responsabilidade da igreja é salvar almas e que o autêntico missionário não precisa preocupar-se com a injustiça social – isso é coisa de comunista. Sempre será mais fácil fazer filantropia do que defender a justiça.
O rescaldo trágico disso tudo é que os cristãos precisam de uma Regina Casé para se inteirarem do que acontece nos lugares onde Jesus caminha e vive.
Soli Deo Gloria.
Como se vestir na Igreja?
03/11/10
Hoje em dia temos sido abalados de todos os lados em relação a como se vestir para ir à igreja, ou seja, “Qual roupa é apropriado para a casa de Deus?”.
Devido ao fato que eu basicamente nasci na igreja, tenho muita experiência pessoal em relação a esse assunto. Em geral existe uma regra só, seja escrito ou entendido, que você veste seu melhor para Deus, que pela aparência pode até fazer sentido. A minha pergunta é a seguinte: “Será que Deus se liga com nossas roupas, sendo que elas pelo menos são decentes?”, e disso eu te respondo: “Duvido”. A Bíblia é bem clara quando ela fala que Deus olha para o coração do homem, mas os homens olham para o exterior (1Samuel 16.7), e daí nós achamos não somente o coração de Deus, mas também a motivação do homem.
Sendo honesto, nós sabemos que são poucas pessoas que olham no espelho antes de ir para o culto e pensa, “Será que Deus vai gostar dessa camisa?”. Para quê? A gente não veste aquela camisa por Deus, mas para aqueles homens ou mulheres que vão nos ver e nos avaliar. Nós vestimos para chamar atenção de pessoas e receber elogios. Por que uma moça usa uma saia curta e uma blusa apertada? Por que um rapaz usa uma camisa “baby look”, um estilo criado para mulheres? Não tem nada a ver com Deus.
A verdade é que a igreja hoje em dia tem se tornada uma competição de beleza, um show de mostrar as últimas modas e modelos.
“Agora nós temos João Batista, e ele está nos mostrando sua nova coleção de verão com essas lindas roupas de banho”. E vem João entrando de sunga e uma camiseta de praia e passando pela frente de tudo mundo, girando e voltando. “Não fique fora da moda no seu próximo batismo, procure a marca JB que sempre te garante o melhor em roupas de banho”.
Fala sério, mas é isto que vemos. Pessoas que gastam horas e muito dinheiro para desfilar na igreja, criando regras que todo mundo tem que ser assim também. E se alguém não tem condições de alcançar o padrão? Vamos barrar ele de entrar? Acontece. Nós pastoreamos uma igreja na bacia Amazônica por três anos, numa vila ribeirinho que tinha 2.000 habitantes. Era uma vila simples com um povo simples que amavam a Jesus, mas eu te garanto que, se um deles fosse tentar entrar na maioria das igrejas aqui no Brasil, eles seriam barrados bem na porta. O jeito para muitos deles se vestir para o culto era bermuda, chinelo, camisetas e até boné; não porque eles queriam ser “rebeldes”, como nós julgamos muitos hoje em dia, mas porque eram as únicas roupas deles. Será que Jesus não aceitou sua adoração porque estava de bermuda ou boné? Duvido.
Tinha uma vez que um rapaz decidiu visitar uma igreja. Ele sabia que tinha algo faltando na vida dele e foi até a igreja para achá-lo. Ele curtiu o culto, apesar de ser um pouco estranho, mas ele gostou do calor do povo e todos os sorrisos. Depois do culto o pastor fez questão de chegar lá com ele para cumprimentá-lo e conversar um pouco. Disso o rapaz achou incrível, pois até o líder se importava com ele. Depois de um tempinho de conversa superficial, o pastor começou: “Meu querido, amado, sabe, existe uma maneira certa de se vestir para a igreja”. (O rapaz estava vestido de chinelas, bermudas, uma camiseta e boné.) “Ó”, respondeu o rapaz, “Eu não sabia”. “Sim”, continuou o pastor, “Mas, eu não quero criar regras. Então faz seguinte: vai para sua casa e, nessa semana, fale com Deus e pergunte a Ele como Ele acha que você deve se vestir nessa igreja”. “Tudo bem”. E o rapaz foi até sua casa. Na outra semana, ele voltou para a igreja e, mais uma vez gostou e, de novo, depois do culto, o pastor foi até ele para conversar, “Meu filho, eu não pedir você falar com Deus a respeito das suas roupas em nossa igreja?”. (Ele estava vestido da mesma maneira do que a semana antes.) “Sim, eu falei com Ele mesmo”. “E o que ele disse?” “Ele me falou que Ele não sabia de como se vestir para ir à sua igreja porque Ele nunca tinha visitado ela”.
A roupa não é o importante (se a pessoa está vestida numa maneira modesta para não escandalizar seu irmão e o levar a pecar), mas sim o coração.
1Timóteo 2.9-10; Quero também que as mulheres sejam sensatas e usem roupas decentes e simples. Que elas se enfeitem, mas não com penteados complicados, nem com jóias de ouro ou de pérolas, nem com roupas caras! Que se enfeitem com boas ações, como devem fazer as mulheres que dizem que são dedicadas a Deus!
Mateus 18.6-7; Mas qualquer que fizer tropeçar (pecar) um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos tropeços (pecados)! pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço (pecado) vier!
Infelizmente a gente coloca muita importância na maneira que alguém se veste e, infelizmente, muitas pessoas boas, de situação financeira ruim, estão sendo ignoradas e excluídas das nossas igrejas ou, pelo menos, de poder servir nelas. Já percebeu que somente aqueles que “têm” se acham na frente com suas roupas lindas, sendo o “modelo” pra gente seguir? Qual foi a última vez que viu alguém na frente com uma calça rasgada? Claro que não. Tem pessoas que iam até dizer que isto é uma vergonha para Deus. Vai tomar banho!
Tiago 2.1-4; Meus irmãos, vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas. Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas. Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: “Este é o melhor lugar; sente-se aqui”, mas dizem ao pobre: “Fique de pé” ou “Sente-se aí no chão, perto dos meus pés.” Nesse caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros.
Claro que isso nunca acontece na igreja… E não se esqueça de deixar biscoitos e leite na mesa para o Papai Noel, pois ele vem em junho também. O capitulo fala mais ainda:
Tiago 1.9; Mas, se vocês tratam as pessoas pela aparência, estão pecando, e a lei os condena como culpados.
Acho que podemos já encerrar o show de moda de Jesus. Ele não se interessa.
Então, como nós devemos nos vestir na igreja?
Temos que pisar cuidadosamente aqui. Eu admito que detesto religião, e tudo que tem cheiro dela, mas, ainda assim, eu tenho um dever de respeitar aqueles da igreja que podem se sentir ofendidos pela minha maneira de se vestir, ainda se Deus nem liga. Existe uma geração mais velha que ralou e trabalhou para criar a igreja que existe hoje em dia e nós temos que respeitar isso, ainda se não concordamos com tudo que acontece lá dentro. E é aqui que nós temos que pensar em o que vamos vestir. Não adianta nada se a nossa liberdade ofenda nosso irmão. Romanos 14 fala do argumento sobre comida e dias especiais, por que uns achavam que uns dias são mais especiais ou algumas comidas não são permissíveis, mas no fundo de tudo é que cada um tem que se resolver com Deus e, ainda assim, isso não dá a ele liberdade de agir como quer.
Romanos 14.12-13; Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Por isso paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado.
BLH Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão.
Então se uma bermuda vai escandalizar alguém, é melhor nem usar. Ou se um boné vai escandalizar alguém, é melhor não usar também (segundo a minha esposa). Quem me conhece sabe do meu gosto por bonés. Desde criança eu sempre tenho usado e, atualmente, tenho 25 no guarda roupa. Mas, em qualquer igreja tradicional, eu não uso no domingo, pois eu sei que tem pessoas que não vão entender e iam ficar escandalizadas, se não ofendidas. E sempre tem aquele irmão querendo me ajudar de entender as escrituras que sempre cita 1Coríntios 11.4;
“Se um homem cobre a cabeça quando ora ou anuncia a mensagem de Deus nas reuniões de adoração, ele está ofendendo a honra de Cristo”.
E se eu fosse um estudante novo na palavra e não entendesse nada de exegese (a aplicação prática de hermenêutica em que a interpretação e entendimento do texto estão baseados em si requerendo uma analise das palavras significantes no texto; um estudo do contexto histórico e cultural; confirmação dos limites do texto, e examinando do texto está baseado em si.) Em outras palavras, só porque um versículo fala algo, nem sempre quer dizer que a Bíblia fala algo. Isto é geralmente onde as seitas começam. Pegam um versículo fora do contexto e fazem uma religião. Por isso temos que estudar para entender. Agora, voltando para o versículo que fala do homem cobrindo a sua cabeça quando está orando ou pregando é um assunto cultural da época. Naquele dia, os homens descobriram suas cabeças na adoração para mostrar o seu respeito e submissão ao Deus. E sem nos pegar só no contexto histórico e cultural, temos que também olhar para o contexto bíblico, os versículos ao redor desse (neste caso, os dois versículos seguidos).
1Coríntios 14.5-6; E, se uma mulher não cobre a cabeça quando ora ou anuncia a mensagem de Deus nas reuniões de adoração, ela está ofendendo a honra do seu marido. Nesse caso, não há nenhuma diferença entre ela e a mulher que tem a cabeça rapada. Se a mulher não cobre a cabeça, então é melhor que ela corte o cabelo de uma vez. Já que é vergonhoso para a mulher rapar a cabeça ou cortar o cabelo, então ela deve cobrir a cabeça.
Bom, o que posso falar? Se um homem, segundo a regra baseado no versículo 4, não deve usar um boné na igreja por questão “bíblica” (religiosa), então, segundo o mesmo critério usado para formar a primeira regra, devemos criar uma segunda: cada mulher que ora ou profetiza sem sua cabeça coberta deve raspá-la. Entendeu o buraco na lógica disso? Nós decidimos o que queremos e agarramos nele e jogamos o resto fora. Não pode ser assim. Se for uma desonra um homem usar boné, então temos que voltar à época em que as mulheres cobriam suas cabeças na igreja ou raspavam elas, o que eu devo admitir que seria bem ridículo. Biblicamente falando, se eu não estou ofendendo alguém com meu boné, Deus também não tem problema com isso. O problema com o boné, a bermuda, a camiseta, uma moça usando calças em vez de um vestido não está com Deus nem com a Bíblia, mas com os homens que não ficam contentes sabendo que o jugo de Deus é suave e a sua carga é leve (Mt 11.30), e querem criar regras que vão mostrar um nível de espiritualidade e santidade que é nada mais do que uma fachada e regras que Deus nunca queria para seu povo. Nisso pode concordar com a Bíblia:
Colossenses 2.23; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.
São regras humanas feitas pelos homens com, eu creio, corações bons, querendo ajudar, mas no fim acabou sendo mais um jugo sobre a noiva que não era para ser. Então, ainda temos que responder, “Como nós devemos nos vestir na igreja?”. Claro que de uma maneira modesta, mas o resto depende da sua igreja. Como eles desejam que você se vista? Liberdade em Cristo nunca é uma desculpa para a rebelião. Respeite as normas aceitas da sua igreja, mas questione o que não é bíblico.
O outro lado da história
22/09/10
Freqüentemente escutamos pessoas contando seus problemas e casos do dia-a-dia. O mais comum ainda é ouvirmos alguém opinar sobre uma situação que está acontecendo. O interessante é a facilidade (poderíamos dizer propensão) que nós, como seres humanos, temos de tomar partido baseados unicamente no relato de “terceiros”. Poucas vezes ouvi alguém interromper um relato para perguntar o que motivou a pessoa ser ou agir de determinada maneira.
Pessoas têm sentimentos, falhas e também podem mudar. Existe algo que criamos em nossa mente que podemos chamar de estereótipo. Colocamos as pessoas dentro de moldes, esquecemos que elas mudam e que constantemente estão aprendendo novas coisas. O apóstolo Paulo teve uma mudança em sua vida, e um cristão em especial, um discípulo chamado Ananias, tinha criado a imagem mental sobre quem era Saulo de Tarso, associada a assassino, perseguidor de cristãos, etc.
10 Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ananias!” “Eis-me aqui, Senhor”, respondeu ele. 11 O Senhor lhe disse: “Vá à casa de Judas, na rua chamada Direita, e pergunte por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está orando; 12 numa visão viu um homem chamado Ananias chegar e impor-lhe as mãos para que voltasse a ver”. 13 Respondeu Ananias: “Senhor, tenho ouvido muita coisa a respeito desse homem e de todo o mal que ele tem feito aos teus santos em Jerusalém. 14 Ele chegou aqui com autorização dos chefes dos sacerdotes para prender todos os que invocam o teu nome”.
15 Mas o Senhor disse a Ananias: “Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. 16 Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome”.17 Então Ananias foi, entrou na casa, pôs as mãos sobre Saulo e disse: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo”. 18 Imediatamente, algo como escamas caiu dos olhos de Saulo e ele passou a ver novamente. Levantando-se, foi batizado 19 e, depois de comer, recuperou as forças.
Algumas vezes nosso passado pode nos trazer complicações com os novos relacionamentos, mas o importante é sabermos que assim como nós pecamos, erramos e tentamos mudar, as outras pessoas também pecam, erram e também, como nós, acertam algumas vezes.
Se pedíssemos para dois diretores famosos criarem um filme sobre Jesus, veríamos filmes com enfoques e características completamente diferentes. Assim são as histórias que ouvimos, pois elas estão presas aos pensamentos e opinião de quem nos conta os fatos.
O prazer de ouvir uma boa história não tem preço, mas assim como existem histórias boas, existe algo que podemos chamar de pecado. Isto ocorre quando nos enchemos de um sentimento prazeroso que com o tempo vai crescendo e nos torna mais e mais dependentes. Esse pecado se manifesta quando cedemos nossos ouvidos para ouvir “fofocas” e “comentários” ou quando falamos sobre pessoas ou instituições para alguém, que poderia ter sido poupada da contaminação.
Que é que as pessoas fazem quando recebem críticas, em especial críticas injustas? Uns tentam se explicar; outros partem para a ofensiva. Jesus Cristo contava histórias! Quando criticaram o fato de ele sentar à mesa com pessoas de má fama, ele se defendeu contando as parábolas dos perdidos: a ovelha, a moeda, e o filho. Todas essas parábolas estão em Lucas, capítulo 15[1].
Assim como Jesus contava histórias quando era “criticado” ou quando “estava sendo injustiçado”, devemos sempre meditar sobre como temos agido, pois facilmente erramos e quando menos esperamos já aconteceu.
Uma pessoa pode fazer 10 coisas boas, mas quando faz uma errada, essa “coisa errada” se torna tão grande para as pessoas, que se ocupam em rodear a terra para encontrarem defeitos nas pessoas. Ainda bem que Deus nos olha com olhos de amor e encontramos conforto em sua Palavra:
Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
1 Jo 2.1-2
Leonardo Rodrigues Pereira – www.estudosnovotempo.com.br
[1] http://www.ulbra.br/pastoral/textoscholz.htm
Nem tudo o que dá certo é certo!
07/09/10
Pare de murmurar
03/09/10
- dizer mal; maldizer; conceber mau juízo;
- falar (contra alguém ou algo); criticar;
- conversar, difamando ou desacreditando.
- ansiedade;
- falta de fé;
- falta de sabedoria;
- falta de conhecimento da Palavra de Deus.
- quando começamos a murmurar é sinal de que estamos duvidando de Deus;
- é porque a nossa fé esta fraca;
- acabamos dando brecha para o inimigo, e é isso que ele quer.
Fonte: http://www.institutojetro.com.br
