Estudos Bíblicos
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As atitudes espelham a liderança
16/06/10
A frase acima foi dita no início do filme Duelo de Titãs, e só por ela valeu a pena o filme todo.
Sobre liderança o Dr. John Edmund Haggai, tem a seguinte definição: Liderar é se esforçar para influenciar de forma consciente um determinado grupo para levá-lo a atingir metas de permanente benefício, que atendam as suas reais necessidades.
Apesar de tantas pessoas buscarem a posição de liderança temos no Brasil uma grande crise de liderança, pois nossa sociedade, muitas vezes, tem à sua frente uma liderança doentia, que não evolui (cresce), que não percebe (sente) a reação dos liderados a tempo de agir, que trata todos como coisas e não respeita os sentimentos individuais, que não aprimora suas qualidades e não corrige suas deficiências. Espero que essa seja apenas uma fase de transição e que tenhamos nos próximos tempos líderes de verdade.
Motivos dessa crise
1. Todos querem a posição de liderança mas desistem quando se vêem diante da necessidade de se fazer tanto esforço para permanecerem na liderança, e não conseguem ver, ao final, qual seria o seu retorno (pagamento) por esse esforço empreendido. Esse tipo de pessoa não tem visão ou sua visão está destorcida e embaçada o suficiente para não valorizar a oportunidade que está diante dele. Pessoas sem visão desistem diante das primeiras dificuldades. Não arriscam sua pele (vida, status, dinheiro, etc.) pelo risco de liderar. Certa vez, ouvi a seguinte frase: Na vida quem não tem um motivo para morrer não está preparado para viver. Em outra oportunidade vamos falar um pouco sobre visão, mas, em síntese, quem quer liderar deve ter certeza do seu objetivo, onde quer chegar e avaliar se no meio do caminho, diante de grandes dificuldades, estará disposto a arriscar a sua pele (morrer pela causa) para atingir a visão proposta inicialmente, a ponto de pagar alto preço. O motivo de nossa liderança deve valer a pena para que se inicie o processo de liderança.
2. O verdadeiro líder exerce sua influência 24 horas por dia, 7 dias por semana. O líder influencia em todo o tempo e não só quando está diante dos seus liderados. A verdadeira liderança é um estilo de vida que marca as pessoas pelos benefícios que essa liderança traz. O mundo está ansioso, sedento por essa liderança. Nós como cristãos temos a solução para as crises da família e do casamento, da indústria e do comércio. Nós temos solução (permanente benefício) para a solidão e até para a morte. Temos condições de influenciar todo esse mundo de forma permanente até que Cristo volte, mas não somos líderes porque não temos (como grupo) consciência dessa força influenciadora que é nata em nós. Como podemos conscientizar os outros da necessidade de ter nova vida, novas atitudes, se nós não as temos praticado, não estamos cientes de que somos os grandes líderes de nossa época? Gostamos muito da história mas não estamos conscientes de que estamos também fazendo história e que história é a nossa? Tenho te colocado como cabeça e não como cauda (Dt 28:13). Esse versículo é verdade para nós?
3. O líder não pode temer as dificuldades e sim temer a falta de desafios (metas) em sua vida. Um líder sem metas é medíocre demais para exercer sua liderança. Hoje as igrejas perderam sua identidade e os membros dessa igreja também já não sabem quem são e às vezes as igrejas se tornam um depósito de gente que não sabem o querem da vida e nem para onde estão indo, pois muitos ainda não têm sequer certeza da salvação. Temos dentro das igrejas chefes e não líderes. Chefes mandam, líderes influenciam. O líder precisa ter metas e compartilhá-las para que o grupo se identifique com as metas e assim se identifiquem com o líder (ou não) e se sintam parte do grupo (ou não). Não alcançaremos unidade se não forem públicas nossas metas. Habacuque nos ensina: escreve claramente a visão… Precisamos em todo o tempo deixar claro nossa visão e metas e, como o povo tem memória curta, precisamos constantemente lembrá-los para onde estamos indo, através de nossas atitudes. Nossas atitudes devem revelar nossa visão.
4. Uma vez ouvi a seguinte frase : Dê o que eles querem para poder dar o que eles precisam. Essa intricada frase mexeu comigo. Nem sempre o que as pessoas querem é o que elas precisam, mas infelizmente às vezes precisamos dar para as pessoas o que elas querem primeiro, para depois darmos o que realmente elas precisam. O verdadeiro líder sabe o que seus liderados precisam, sabem de suas necessidades, por intermédio do discipulado, do companheirismo, do pastoreamento, do olho no olho, de pai para filho, do caminhar juntos, fruto da comunhão. Talvez tenha sido isso o que o Apóstolo tenha feito quando disse: tornei-me tudo para com todos, para ganhar alguns (I Cor. 9:22). Além disso parece que ninguém está disposto a ouvir outrem se não houver identificação (é do meu grupo ou tribo) de ambas as partes. Aqueles que conduzem as pessoas se portam como chefes e não como líderes. Não adianta olharmos para as pessoas com a visão de Deus, descobrindo suas reais necessidades, e não conseguirmos nos comunicar com elas. Mesmo que tenhamos a visão de Deus e o poder de Deus para dar às pessoas uma solução, não vamos alcançar nosso objetivo, se ela não entender o que estamos falando. Ela só entenderá quando conseguirmos chamar sua atenção para nossa proposta ou seja quando ela se identificar conosco. Para suprir a real necessidade das pessoas precisamos primeiro nos relacionar com elas (dia-a-dia, olho no olho, comunhão) a ponto de gerar confiança e depois liderá-las até Cristo Jesus.
Estamos conscientes da crise de liderança? Estamos prontos para assumirmos o nosso papel de liderança? Estamos prontos para morrermos por nossa visão? Queremos ser líderes ou chefes? Qual a atitude de nossos liderados? Observemos bem, pois as atitudes espelham a liderança.
Autor: Donício Cruz Antunes
Fonte: http://www.institutojetro.com
Quando palhaços discutem
16/06/10
Já fui insistentemente provocado a envolver-me em polêmicas. . Vez por outra, sou desafiado por gente que precisa pegar carona numa controvérsia para ganhar fama. Lamento afirmar, mas já caí na armadilha!
O pior é que o meio religioso está povoado de intolerantes que se enxergam separados para preservar a ortodoxia; e como se deliciam em ridicularizar os que não se conformam aos seus dogmas. A gente precisa ficar esperto para não embarcar em suas provocações.
Paulo aconselhou ao seu discípulo Timóteo que não entrasse em debates infrutíferos. Seguindo seu conselho, preciso aprender a desdenhar dos que me desafiam para o ringue teológico e escapar das teias montadas pelos que se enxergam escolhidos para protegerem o que julgam ser a Verdade.
Li um texto do moçambicano Mia Couto (Estórias Abensonhadas – Caminho, Portugal, 2002) e ri muito. Parecia que ele conhecia o ambiente fundamentalista que se alastra no Brasil religioso; considerei tão pertinente que transcrevo:
“Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.
- É o que?, perguntavam.
- Ora, são apenas dois palhaços discutindo.
Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cômicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um inteiro dia.
Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca.
Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espetáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.
No terceiro dia, porém, os palhaços chegavam a vias de fato. As chapadas se desajeitavam, os pontapés zumbiam mais no ar que nos corpos. A miudagem se divertia, imitando os golpes dos saltimbancos. E riam-se dos disparatados, os corpos em si mesmos se tropeçando. E os meninos queriam retribuir a gostosa bondade dos palhaços.
-Pai, me dê as moedinhas para eu deitar no passeio.
No quarto dia, os golpes e murros se agravavam. Por baixo das pinturas, o rosto dos bobos começava a sangrar. Alguns meninos se assustaram. Aquilo era verdadeiro sangue?
-Não é a sério, não se aflijam, sossegaram os pais.
Em falha de trajetória houve quem apanhasse um tabefe sem direção. Mas era coisa ligeira, só servindo para aumentar os risos. Mais e mais gente se ia juntando.
- O que se passa?
Nada. Um ligeiro desajuste de contas. Nem vale a pena separá-los. Eles se cansarão, não passa o caso de uma palhaçada.
No quinto dia, contudo, um dos palhaços se muniu de um pau. E avançando sobre o adversário lhe desfechou um golpe que lhe arrancou a cabeleira postiça. O outro, furioso, se apetrechou de simétrica matraca e respondeu na mesma desmedida.
Os varapaus assobiaram no ar, em tonturas e volteios. Um dos espectadores, inadvertidamente, foi atingido. O homem caiu, esparramorto.
Levantou-se certa confusão. Os ânimos se dividiram. Aos poucos, dois campos de batalha se foram criando. Vários grupos cruzavam pancadarias. Mais uns tantos ficaram caídos.
Entrava-se na segunda semana e os bairros em redor ouviram dizer que uma tonta zaragata se instalara em redor dos dois palhaços. E que a coisa escaramuçara toda a praça. E a vizinhança achou graça.
Alguns foram visitar a praça para confirmar os ditos. Voltavam com contraditórias e acaloradas versões. A vizinhança se foi dividindo, em opostas opiniões. Em alguns bairros se iniciaram conflitos.
No vigésimo dia se começaram a escutar tiros. Ninguém sabia exatamente de onde provinham. Podia ser de qualquer ponto da cidade. Aterrorizados, os habitantes se armaram. Qualquer movimento lhes parecia suspeito. Os disparos se generalizaram.
Corpos de gente morta começaram a se acumular nas ruas. O terror dominava toda cidade. Em breve, começaram os massacres.
No princípio do mês, todos os habitantes da cidade haviam morrido. Todos exceto os dois palhaços. Nessa manhã os cômicos se sentaram cada um em seu canto e se livraram das vestes ridículas. Olharam-se, cansados.
Depois, se levantaram e se abraçaram, rindo-se a bandeiras despregadas. De braço dado, recolheram as moedas nas bermas do passeio. Juntos atravessaram a cidade destruída, cuidando não pisar os cadáveres. E foram à busca de uma outra cidade“.
Gostei deste texto do Mia Couto. E a moral da estória seria: Aqueles que gostam de discutir apenas para ganhar pelejas ou firmar dogmas, acabam se transformando em palhaços. E quando bufões pelejam, muita gente pode morrer.
Assim, reservo-me a só conversar, tecer os mistérios divinos e ser confrontado em ambientes onde existe afeto, compreensão e respeito. Os outros que procurem palhaços para o seu espetáculo macabro!
Soli Deo Gloria.
Autor: Ricardo Gondim
Reações às mudanças
16/06/10
A Primeira Tradução
16/06/10
Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.
:: Septuaginta (ou Tradução dos Setenta): Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas. Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.
Fonte: SBB
O frade e o soldado alcoólotra
15/06/10
Um soldado lutava desesperadamente contra a bebida. Ele havia chegado até tenente Coronel. Mas, por causa da bebida ele foi rebaixado e rebaixado. No final, ele voltou a ser apenas um soldado.
Ele sabia que se fosse achado de novo bêbado iria para a cadeia. Um dia ele estava deitado no quartel quando um monge entrou. O velho frade passou entre os soldados distribuindo literatura.
Quando ele chegou ao soldado, ele percebeu sua aflição. O soldado mandou ele embora dizendo que não acreditava em Deus.
Mas, o frade continuou a falar. Ele disse que ele também havia lutado cotra a bebida. Ele falou que conhecia um poder que poderia libertá-lo. Ele deu um pequeno Novo Testamento para o soldado com as seguintes instruções:
“Cada vez que você sentir vontade de beber, tome seu Novo Testamento e leia o Evangelho. Antes de você terminar, o desejo passará.” O soldado agradeceu, mas quando o frade foi embora, ele jogou o Novo Testamento na cabeceira e foi dormir. Mais tarde ele acordou com um desejo infernal de beber. Ele sentiu aquela força incontrolável, aquele desejo de mergulhar na bebida.
Quando ele estava se arrumando para ir ao bar, ele lembrou das palavras do frade. Ele viu a Bíblia, pegou-a e começou a ler. Em menos de meia hora ele havia lido vários capítulos. E, o mais incrível – ele não queria mais beber.
Daquele dia em diante, cada vez que ele sentiu o desejo de beber, ele pegou a Bíblia e começou a ler o Evangelho. Em pouco tempo ele deixou de vez de beber e ficou curado.
Aonde está o poder? Se está em você, porque você ainda não venceu? Por que você ainda está lutando com aquela tentação?
Se o poder está em Jesus, por que você não procura Ele? Ou será que no fundo, no fundo, você realmente não quer mudar?
Se você quiser parar qualquer vício, vencer qualquer tentação, siga o conselho do frade – peque sua Bíblia e comece a ler o Evangelho. Pode ser Mateus, Marcos, Lucas ou João. Qualquer um serve. Se precisa ler todos, leia. Importa apenas que você leia o Evangelho. Procure Jesus. E depois, continue procurando.
Prove isso, experimente e você verá o poder da Palavra de Jesus. Mat 4:18-22
- Autor desconhecido
Fonte: http://www.hermeneutica.com
João Marcos
15/06/10
II Timóteo 4:11; Colossenses 4:10; Atos 12:12, 25; 13:5, 13; 15:36-41
Versículo para memorização – II Timóteo 4:11
Se muitas pessoas fossem solicitadas a citar os nomes dos apóstolos, certamente incluiriam Marcos. Isso, é claro, porque ele é o escritor de um dos evangelhos, mas isso não requereu nem garantiu o apostolado. O fato é que mesmo sendo Marcos um discípulo de Cristo, se associando aos apóstolos e sendo possivelmente um dos setenta (de Lucas 10:1-12) que receberam dons apostólicos supernaturais, seu nome não é mencionado nas Escrituras até algum tempo depois da ascensão do Senhor.
Marcos era sobrinho de Barnabé (Colossenses 4:10). Estava com Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária que fizeram (Atos 13:5), mas, quando chegaram a Panfília, deixou a companhia deles e retornou a Jerusalém. Essa falta da sua parte fez que Paulo o recusasse quando começou a segunda viagem missionária (Atos 15:37 e 38). O evangelho de Marcos foi escrito em algum tempo entre 13 e 19 anos depois desta falha, vemos portanto que sua vida teve considerável crescimento.
O evangelho de Marcos é diferente dos outros porque dá maior importância à servidão de Jesus Cristo. Enquanto Mateus escreve sobre Sua realeza, João escreve sobre Sua divindade e Lucas, sobre Sua humanidade, Marcos mostra-O como um servo. É por isso que Marcos inclui muitos detalhes em seu evangelho que não são registrados em nenhum dos outros evangelhos.
Há grandes lições a serem aprendidas a partir do registro da falha de João Marcos. Primeiro, deveríamos tomar cuidado com falhas em nossas vidas, porque isso afeta os outros e pode ser motivo para nossa ruína. Se Barnabé não insistisse em perdoar ele, Marcos poderia nunca mais ter sido usado no ministério. Segundo, deveríamos ver a necessidade de dar a um discípulo falho uma segunda chance, como fez Barnabé e como fez Paulo mais tarde (Colossenses 4:10 e II Timóteo 4:11). Não há duvidas de que Deus quer que estudemos a vida de tais homens cuidadosamente e aprendamos com eles.
Perguntas – JOÃO MARCOS
1. Qual era o sobrenome de João Marcos?
2. Qual era o nome de sua mãe?
3. Qual era o nome de seu tio?
4. Com quem acompanhou na primeira viagem missionária?
5. Marcos fez um bom trabalho nessa viagem?
6. Até onde chegou com Paulo e Barnabé?
7. Para onde retornou?
8. Ele se dispôs a ir, na ocasião da segunda viagem missionária?
9. Paulo concordou que ele fosse?
10. Como Barnabé se sentiu com relação a isso?
11. Qual o resultado da diferença de opinião?
12. O que houve de bom a partir da discordância entre Paulo e Barnabé?
13. Isso ocorreu antes ou depois do evangelho de Marcos ter sido escrito?
14. Quanto tempo antes ou depois foi escrito?
15. Que aspecto da vida de Cristo Marcos acentuou particularmente?
16. Onde Marcos obteve as informações incluídas em seu evangelho?
17. Como podemos ver nessa lição o perigo de nossas falhas?
18. O que nisso nos ensina a ser particularmente pacientes com as falhas dos outros?
19. Quem foi a pessoa mais paciente dessa lição?
20. João Marcos reconciliou-se completamente com o Apóstolo Paulo?
Autor: Pr Forrest Keener
Tradução: Albano Dalla Pria
Revisão: Joy Ellaina Gardner
Edição: Calvin Gardner
Fonte: www.palavraprudente.com.br
Cargos ou cargas?
15/06/10
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2)
Temos a tendência natural para cargos. E como a temos! Podemos até lutar por eles. Cargos geralmente trazem status, posição, destaque. Como gostamos dessas coisas! O grande problema do homem é conquistar o seu espaço mesmo que isto implique em passar por cima dos outros, fazendo dos ombros do próximo um degrau para a sua ascensão. Apreciamos ser admirados e ovacionados. O nosso ego gosta do topo, do pódio, de estar por cima da carne seca.
Nas igrejas, associações, ordens, convenções os cargos são disputados. Há indicações políticas, conchavos. Há, muitas vezes, manipulações, politicagem e atitudes e ações maquiavélicas. Soube que um irmão nosso, executivo de uma das nossas juntas, estava muito doente e havia elementos da organização buscando apoio para substituí-lo e até já havia candidatos. Não queriam levar a sua carga, mas o seu cargo. Isto me causa asco e é, no mínim, lamentável e indigno quando se trata de líderes que conhecem o Senhor.
Os cargos podem exaltar o homem. Alimentam o seu ego, principalmente quando se usa para o seu próprio benefício. Para se auto-apascentar. Os cargos são atraentes. Produzem brilho nos olhos de quem os deseja. São valorizados a peso de ouro. Fazem diferença no trato. Produzem, se não tivermos cuidado, acepção de pessoas, tão condenada pelo Senhor na Sua Palavra (Tg 2.1,9). Eles podem nos insensibilizar.
Os cargos podem trazer o apego ao ter em detrimento do ser. Eles, muitas vezes, afastam os seus possuidores da humildade e da dependência de Deus. Pessoas agridem umas às outras por causa deles. Lá no mundo há até morte por sua disputa. Nesta reflexão, gostaria de destacar mais as cargas do que os cargos. Confesso que estes não são o meu forte por mais que eu tenha uma tendência natural para eles.
As cargas (tristezas, calamidades, sofrimento) não são populares. Não atraem. Não trazem sucesso. Não alimentam o ego, mas o condenam à morte. Porque as cargas desencadeiam um processo de definhamento do ego. Processo de inanição. O Senhor deseja que levemos as cargas uns dos outros. Que ajudemos uns aos outros com profundo amor. Quando levamos as cargas de um irmão estamos cumprindo a lei de Cristo, ou seja, o novo mandamento. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (João 13.34). É a lei do dono da Igreja, que é organismo e também organização. Cristo é o nosso modelo de carregador amoroso. Ele levou sobre si as nossas culpas, os nossos pecados como uma grande carga.
Então, “se um irmão cair no pecado, outro que ‘anda no Espírito’ (Gl 5.16; 22-26) tem a responsabilidade de corrigi-lo, evitando que aquele esteja sobrecarregado pelo erro (6.1; Tg 5.19,20; Jd 22,23). Ajudando o outro a superar o pecado mostra o amor que cumpre tanto a lei de Moisés como a de Cristo” (Gl 6.2; 5.14). Como é pedagógico quando ajudamos o nosso irmão na solução de um problema; nas amputações da vida; quando está desempregado ou doente!
Precisamos levar as cargas uns dos outros. Elas só são levadas com o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Co 13.4-8). Cargas enfraquecem ego e fortalecem o espírito. As emoções ficam equilibradas. A sensibilidade espiritual aumenta. Só pode levá-las quem está comprometido com Jesus. Quem está nesta condição ama o próximo, porque foi salvo pelo evangelho da graça. Cargas são para o cristão autêntico, genuíno, que está morto para as suas preferências, para os seus interesses. O cristão que está morto com Cristo (Gl 2.20). Cargas são para o discípulo de Cristo, que toma a sua cruz e segue o Mestre. Cargas são para as pessoas que amam o seu Senhor. São para os que amam a Igreja. Que fazem toda a diferença.
Levar cargas não cansa porque o trabalho é feito em Cristo. Nele nós descansamos. Por isso, cargas são para aqueles que aspiram, oram e trabalham para a expansão do Reino de Deus em toda a terra. Levadas com amor e abnegação exaltam a Pessoa de Cristo e abençoam o nosso irmão. Ninguém levou tantas cargas como Ele! Ele as suportou porque amava o Pai e nos amava. Foi obediente ao Pai. Que Jesus maravilhoso, majestoso e amoroso!
Cargas são para pessoas com a fé de Abraão; com a persistência de Jacó; com a humildade e a pureza de José; com a submissão e a mansidão de Moisés; com o coração amoroso de Davi; com a sabedoria de Salomão; com a sensibilidade de Jeremias; com a firmeza de Isaias; com a intrepidez e ousadia de João Batista e com autoridade inquestionável do Mestre.
Cargas que fortalecem o crente. Que ajudam o crente a crescer na graça e conhecimento de Cristo. Recebidas por homens e mulheres que um dia morreram para si mesmos e para o mundo, e passaram a viver para Cristo, o Senhor, Aquele que levou o peso terrível por todos nós na cruz do Calvário. Aquele que viveu e ensinou a coerência da cruz, a coerência do amor.
Fonte: http://www.institutojetro.com
Autor: Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Violência – Retrato de uma Sociedade sem Deus
15/06/10
A violência está em toda parte. Não podemos passar um dia sem ouvir uma notícia
sobre atos violentos nos meios de comunicação. Entretanto, mesmo ocorrendo em
nosso país, em nossa cidade, em nosso bairro, a questão pode ficar um pouco
distanciada e acadêmica até que somos vítimas da violência, ou alguém próximo a
nós sofre algum tipo de agressão. Assaltos são cada vez mais comuns, seqüestros
deixaram de ser um pesadelo apenas para os ricos e a violência se agrava muitas
vezes seguida de assassinato. Uma estatística recente, na cidade de São Paulo,
indica que uma em cada duas pessoas já foi assaltada. A impunidade se alastra,
os governos se omitem, o ideal expresso por Paulo, em 1 Tm 2.2, onde ele nos
comissiona a orarmos pelos governantes e autoridades, – para que possamos ter
uma vida “tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade”- parece cada
vez mais distante. Os casos a seguir são reais e ocorreram todos com famílias
evangélicas, irmãos nossos, aqui no Brasil:
1.Um pai de família com alguns de seus filhos retornava para a propriedade rural
que possuem em um estado do Norte do Brasil. O veículo é emboscado e atacado a
tiros. Morre o chefe da família e um dos filhos. Deixou a esposa viúva, com
vários filhos e filhas.
2.Outro pai de família de classe média, que reside no estado do Rio de Janeiro,
é seqüestrado e permanece em cativeiro por três semanas, sob constantes ameaças
de morte, até que é libertado, sem o pagamento do resgate. Meses depois, ele e
toda a sua família, permanecem ainda traumatizados com a ocorrência.
3.Um missionário que reside na periferia de uma grande cidade nordestina, tem a
sua propriedade invadida por três homens. Durante quase três horas eles
aterrorizam a família e estupram a sua esposa e a sua filha mais velha, abusando
também da outra filha adolescente.
Qual é a nossa reação e compreensão do problema da violência? O que tem a
Palavra de Deus a dizer sobre o assunto? Qual a responsabilidade dos governantes
e das autoridades? Qual deve ser a postura do servo de Deus, numa era de
violência e criminalidade?
1.A violência é um problema moderno?
No Salmo10, David, seu provável autor, descreve o homem violento da seguinte
forma (vs.6-8):Pois diz lá no seu íntimo: Jamais serei abalado: de geração em
geração nenhum mal me sobrevirá. A boca ele a tem cheia de maldição enganos e
opressão; debaixo da língua, insulto e iniquidade. Põe-se de tocaia nas vilas,
trucida o inocente nos lugares ocultos; seus olhos espreitam o desamparado.
A bravata acompanha a violência, assim como a linguagem desses é cheia de
blasfêmias e maldição. Os atos, entretanto, não refletem a coragem propagada.
Esses são, via de regra, traiçoeiros e ciladas armadas contra os desamparados e
indefesos.
A violência caracterizou o homem desde seus primeiros passos, logo após a queda.
A Palavra de Deus nos relata a história do primeiro homicídio, em Gn 4.1-24. Lá,
tomamos conhecimento como a ira de Caim contra seu irmão, Abel, o levou a
cometer assassinato. Entre os descendentes de Caim, Lameque era violento e
reagiu a agressões sofridas também com assassinatos (Gn. 4.23-24). Aparentemente
Lameque, além de ser violento, alardeava o fato, ou seja, refletia aquela
postura de vida dos ímpios, tantas vezes descrita pelo salmista, que, cheios de
auto-confiança, em vez de se envergonharem dos seus atos, se gloriam na própria
violência. No Salmo 73:6 lemos – “a violência os envolve como um manto”.
Assim, antes do dilúvio, a violência já permeava a terra. Gn. 6.11 diz: “a terra
estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência”. Após o dilúvio, Deus
destruiu Sodoma e Gomorra pela impiedade, violência e imoralidade existentes
naquelas cidades. Em Gn 19.5 lemos que quando os anjos visitaram a Ló, os homens
da cidade procuraram arrombar a casa para arrancarem os dois varões formosos,
para os molestar sexualmente. Mas adiante, ainda no livro de Gênesis, lemos que
Jacó, em suas palavras finais, condenou a violência de dois de seus filhos -
Simeão e Levi, pois utilizaram a espada não para defesa, mas como “instrumentos
de violência” (49.5 e 6) para matarem homens e mutilarem touros.
Abimeleque, filho de Gideão, assassinou seus setenta irmãos, para conservar
sozinho a liderança, após a morte do pai (Ju. 9.24). A violência marcou a vida
de muitos reis de Israel, ao se afastarem dos caminhos de Deus. Violência foi
também, inúmera vezes, praticada contra o povo de Deus, pelos seus inimigos.
Violência maior foi praticada contra o Nosso Senhor Jesus Cristo, torturado,
espancado e pendurado pelas mãos e pés, com pregos, em uma cruz, culminando com
uma morte lenta e dolorosa, por asfixia, sem ter qualquer pecado. Ali ele sofria
violência e punição e morria em substituição aos seus amados que constituem a
sua igreja – aqueles que, pela graça de Deus, o reconhecem como Salvador e
Senhor de suas vidas. Muitos de seus discípulos experimentaram violência, ao
longo de suas vidas, encontrando morte violenta, antes de passarem à glória
eterna. O capítulo da fé, Hebreus 11, fala dos servos fiéis que experimentaram
açoites, escárnios, prisões, torturas e mutilações, ficando necessitados,
aflitos e maltratados.
A violência, portanto, por mais presente que esteja em nossa era, não é um
problema moderno. Temos a tendência de sempre olhar o nosso tempo época como a
pior que já existiu, mas quando lemos os relatos acima, da própria Palavra de
Deus, vemos a violência, imoralidade, crueldade e impiedade sempre presentes no
mundo. Ocorre que ela é uma conseqüência do pecado e sendo assim, a violência
está presente desde a queda de Adão, aparecendo as vezes com maior, outras vezes
com menor intensidade nas diversas épocas da história da humanidade. É verdade
que as pessoas sem Deus encontram, cada vez mais, formas sofisticadas de
exercitar a impiedade, mas lembremo-nos que mesmo que sejamos vítimas de
violência, Deus está presente e reina soberano, executando justiça em seu
próprio tempo. Os problemas que possamos estar atravessando com certeza já
fizeram parte da experiência de outros servos Seus. 1 Co10.13 nos ensina que as
provações a que somos submetidos não são exclusivas à nossa experiência, mas são
humanas, ou seja, comum aos demais homens, e que Deus nos concede a habilidade
de poder suportá-las.
2. Como procurou Deus restringir a violência?
O dilúvio foi um ato de julgamento de Deus contra a violência que campeava a
terra. Foi assim que Deus falou a Noé (Gn. 6.13): “Então disse Deus a Noé:
resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia de violência dos
homens: eis que os farei perecer com a terra”. Deus atingiu o mal na raiz,
deixando para repovoar a terra apenas a família que lhe era temente. Deus,
portanto, abomina a violência e não é sem razão que o Salmo 34:16 diz, “O rosto
do Senhor está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a
memória.” Os violentos não terão herança com Deus. Ele é contra o que oprime e
extorque (Salmo 35.10). Após o dilúvio, para o controle da violência, Deus
instituiu a pena de morte (Gn 9.6), muito antes da lei civil da nação de Israel.
A Pena de Morte foi instituída por Deus naquela ocasião, portanto, como um dos
freios contra a violência e os assassinatos, fundamentada no fato de que o homem
foi criado à imagem dele próprio. Ela foi comandada a Noé e a seus descendentes,
antes das Leis Civis ou Judiciais, numa inferência de sua aplicabilidade
universal. Foi instituída por Deus e não pelo homem, e ela ocorreu não porque
Deus desse pouca validade à vida do homem, mas exatamente porque Ele considerava
esta vida extremamente importante. Dessa forma, perdia o direito à sua própria
vida qualquer um que ousasse atentar contra a criatura formada à imagem e
semelhança do seu criador. A pena capital está enraizada na Lei Moral de Deus
que seria posteriormente codificada no decálogo. O 6º mandamento, não matarás,
expressa o mesmo princípio da santidade da vida, contido na determinação a Noé.
Essa compreensão também é expressa na Confissão de Fé de Westminster, no seu
capítulo 23 e no Catecismo Maior, nas perguntas e respostas 135 e 136.
A lei civil de Israel fornece solo fértil ao estudo de como Deus aplicou os
princípios de sua lei moral a um povo específico, em uma época específica, com a
finalidade de promoção de seus princípios de justiça. Sabemos que a lei moral é
normativa a todos em todos os tempos e que a lei civil era peculiar à teocracia
de Israel, enquanto que a lei cerimonial ou religiosa apontava e foi
integralmente cumprida em Cristo. Entretanto, mesmo sem ser normativa para nós,
podemos verificar como o sistema de crimes e punições do povo de Israel era
destinado a fazer com que o crime realmente não compensasse e temos muito a
aprender com os registros das Escrituras. Veja esses pontos interessantes, como
exemplos:
1. No povo de Israel não existia a provisão para cadeias, nem como instrumento
de punição nem como meio de reabilitação. A cadeia era apenas um local onde o
criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Em Números
15.34 lemos: “…e o puseram em guarda; porquanto não estava declarado o que se
lhe devia fazer…”
2. Não encontramos, na Palavra de Deus, o conceito de enclausuramento como
remédio, ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão e,
muito menos, a questão de “proteção da sociedade” através da segregação do
indivíduo que nela não se integra, ou que contra ela age.
3. O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Em Levítico 24.21
lemos, “…quem pois matar um animal restitui-lo-á, mas quem matar um homem
assim lhe fará.” A restituição ou retribuição, era sempre proporcional ao crime
cometido.
4. Para casos de roubo, a Lei Civil de Israel prescrevia a restituição múltipla.
Ex 22.4 diz “…se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, seja jumento,
ou ovelha, pagará o dobro.”
Assim Deus estruturou o seu povo com um sistema destinado a refrear a violência
e a criminalidade. Não há sombra de dúvidas que Deus julgará a violência e que
ampara os seus, quando vítimas nas mãos do seu semelhante. O Salmo 11.5 diz, “O
Senhor põe à prova o justo e ao ímpio; mas ao que ama a violência a sua alma o
abomina”. O Salmo 72.13 e 14 registra – “Ele tem piedade do fraco e do
necessitado, e salva a alma aos indigentes. Redime as suas almas da opressão e
da violência, e precioso lhe é o sangue deles”.
3.Qual o papel do estado, no que diz respeito à violência?
O salmo 55.9, que diz, “…vejo violência e contenda na cidade”, parece escrito
nos dias de hoje, e a visão de Ezequiel (7.23) é bem próxima à nossa realidade:
“Faze cadeia, porque a terra está cheia de crimes de sangue, e a cidade cheia de
violência”. O livro de Oséias expressa a dissolução dos costumes e dá a razão
para esse estado de coisas – o afastamento de Deus e de seus princípios de
justiça. Em 4.2, lemos: “O que prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e
adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios”. Porque? Porque
“não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus”(v. 1).
Mas qual o papel do estado, das autoridades, dos governantes no controle da
violência? Ele não pode “converter” as pessoas à força – não está em suas
possibilidades nem faz parte de sua esfera de autoridade.
Mesmo sabendo que o remédio final para a violência é o evangelho salvador de
Cristo, reconhecemos que o estado é o instrumento designado por Deus para
restringir o mal e para regular o relacionamento entre os homens. É pelas
autoridades que o constituem que oramos a Deus para que atinjamos aquele ideal
que nos referimos no princípio: que tenhamos uma vida “tranqüila e sossegada, em
toda a piedade e honestidade” ( 1 Tm 2.2). Ele é a ferramenta que o povo recebeu
de Deus para se manter em paz social.
Não cabem ao indivíduo ações violentas como reações à violência. A manutenção da
lei e da ordem não pertence a um grupo ilegal de “vigilantes” ou “justiceiros”
que massacram indiscriminadamente, sob a cobertura de estarem punindo os
criminosos. O crente não deve apoiar as ações fora da lei, por mais convenientes
que elas pareçam e por mais evidentemente criminosos que sejam os massacrados.
Ele não se gloria na guerra de quadrilhas, nem deve passar pelos seus lábios a
famosa frase: “ladrão bom é ladrão morto”. Mas Deus não quer os cidadãos
indefesos. O estado constituído, os governantes, as autoridades estabelecidas,
em qualquer sistema, são ministros de Deus para aplicação dos princípios de
justiça.
Sabemos que existem governos negligentes e corruptos. Isso sobrevirá como uma
terrível responsabilidade perante aqueles comissionados com a tarefa de
governar, mas o preceito de Deus é que o governo correto deve ser o que louva ao
que faz o bem e o que é vingador para castigar o que pratica o mal. Assim sendo,
não é sem motivo que possui armamentos para tal (”traz a espada”), como lemos em
Rm 13.1-7. Lembremo-nos, também, que Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo,
escreveu suas palavras não debaixo de um governo ideal, constituído de
governantes crentes e tementes a Deus, mas sob um governo imposto, autoritário,
invasor e também corrupto, mas nem por isso menos responsável diante de Deus.
A violência, conseqüência do pecado, está assim diretamente ligada à omissão dos
governos e das autoridades. Ela cresce na medida em que cresce a impunidade e o
desrespeito ao homem como criatura de Deus, criada à sua imagem. Quanto mais o
estado age como ministro de justiça da parte de Deus mais decrescerá a
violência. Por outro lado, a sua parcialidade com os mais ricos, protegendo o
acúmulo de riquezas angariadas indevidamente, aprofundará os abismos e carências
sociais, gerando mais e mais problemas criminais. A sua visão atenuada da
criminalidade, na busca de explicações sociais, encorajará mais e mais violência
na terra. É necessário, como indivíduos tementes a Deus, que tenhamos a visão
clara de que a principal função dos nossos governantes é exatamente a promoção
da paz social, com a visão aguçada do bem e do mal, nos termos expressos pelas
Escrituras. Tudo o mais em que se envolvem deveria ser secundário a esse dever
bíblico principal para com os seus cidadãos. Devemos constantemente relembrar
isso aos nossos governantes.
4. Qual o comportamento do Crente em uma era de violência?
Mesmo a violência sendo algo que acompanha os passos da humanidade submersa em
pecado, é realidade que vivemos em uma era violenta, em um país violento. Como
crentes, devemos relembrar os seguintes pontos:
1. Se somos vítimas de violência. Podemos ser vítimas de violência, como vimos
nos exemplos mencionados na introdução, ou como já pode ter sido a sua
experiência. Pode ser que você esteja agora sendo vítima de violência doméstica
e ninguém sabe disso. Lembre-se que Deus reina soberanamente e ele tem um
propósito para tudo, mesmo que não entendamos o que está ocorrendo, em um
determinado ponto de nossas vidas. Se o irmão ou irmã está sendo vítima de
violência, no temor do Senhor e em oração, procure a ajuda e aconselhamento em
sua Igreja, com o seu pastor, com um dos oficiais, com um irmão ou irmã amiga.
Saiba que Deus não lhe desampara (Sl 72.13-14). Se você já foi vítima de
violência, ore para que possa agir como o apóstolo Paulo, quando escreveu em 1
Co 1.4, “É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos
consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós
mesmos somos contemplados por Deus”. Peça a Deus que lhe console e que lhe
conforte, mas vá além disso – ninguém entende mais o que uma outra pessoa, que
foi vítima de violência, está passando, do que você, que também já foi.
Aproxime-se, console-a também. Paulo continua, no v. 6: “Mas, se somos
atribulados, é para o vosso conforto”. Ore para que Deus lhe use bem como a sua
experiência tão adversa e devastadora para o bem do seu Reino.
2. Não confiar em nossas próprias forças. O Salmista, em uma era de guerras e
batalhas afirmava: “Não confio no meu arco e não é a minha espada que me salva”
(Salmo 44.6). A sua confiança estava no Senhor, e por isso ele continua:
“Levanta-te para socorrer-nos, e resgata-nos por amor da tua benignidade”. Que
Ele seja também a nossa confiança e fonte de poder.
3. Procurar Refúgio em Deus. O medo existe em meio à violência, mas Deus é maior
do que todos e ampara os seus. O Salmo 22 é um salmo messiânico profético que
retrata a violência que seria cometida contra o ungido de Deus, Cristo Jesus.
Mas ele é também o reflexo da experiência de David. Houve ocasiões de mêdo em
sua vida: “derramei-me como água e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu
coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim (v.14)”, mas a confiança no
livramento de Deus era constante: “Livra-me a minha alma da espada, e das presas
do cão a minha vida”(v. 20). Ele sabia que Deus ampara os seus: “Pois não
desprezou nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas ouviu,
quando lhe gritou por socorro”. Em 2 Samuel 22.3 temos o registro de David
exclamando: “Ó Deus, da violência tu me salvas.” Não deve haver desespero,
portanto, na vida do crente. Oremos por coragem advinda de Deus e para que ele
remova o medo e a apreensão na presença de tanta violência.
4. Nunca ser violento. O crente não deve ser violento, mas deve ser conhecido
por sua mansidão e índole pacífica. Assim somos instruídos em Mateus 5.1-12, no
sermão da montanha, por nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos poder exclamar como
Jó (16.17): “… não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha
oração”. Isso quer dizer também:
- Nunca exercer violência física no lar – Com isso não queremos dizer que a
disciplina, da parte dos pais, não deve existir, mas devemos discernir entre a
firme disciplina – mencionada em Pv. 10.13 e 24; 22.15; 23.13 e 14; 29.15 – e a
violência que é fruto da ira inconseqüente, como lemos em Pv. 9.18 – “Castiga a
teu filho enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”).
- Nunca exercer violência psicológica no lar – assim somos exortados em Ef. 6.4
“E vós pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na
admoestação do Senhor.”
5. Apoiar a lei e a ordem – Devemos procurar encorajar o exercício da justiça de
Deus (Jr. 22.3) “Assim diz o Senhor: executai o direito e a justiça, e livrai o
oprimido da mão do opressor; não oprimais ao estrangeiro nem ao órfão, nem à
viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar”. Nunca
devemos deixar de orar por nossos governantes, para que eles sejam ministros
eficazes de Deus (1 Tm 2.1,2a).
6. Olhar para o alvo. Devemos almejar o ideal, expresso de forma precisa,
profeticamente, por Isaías (59:18) “Nunca mais se ouvirá de violência na tua
terra, de desolação ou ruína nos seus termos; mas aos teus muros chamarás
Salvação e às tuas portas Louvor”, sabendo que Deus nos resgatou do pecado
exatamente para que tenhamos esse tipo de paz, que é um prenúncio da paz eterna,
em Sua presença.
7. Pregar a palavra. Devemos ter o convencimento que a violência, sendo uma
conseqüência do afastamento de Deus e de seus princípios tem o seu remédio final
na conversão do pecador. Nisso podemos e devemos ser agentes contra a violência,
fazendo como o profeta Jonas, que, ordenado por Deus pregou em uma grande
cidade, com resultados espantosos para nós, mas nunca impossíveis para Deus. Em
Jonas 3.8 lemos: “… e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um,
do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos”.
Autor: Presb. Solano Portela – Estudo disponível no site da Igreja Presbiteriana do Brasil
O pastoreio sacerdotal do pai cristão
15/06/10
Considero ser pai, a tarefa mais difícil da terra. O pai é diferente da mãe. A mãe sente seu filho no ventre, sente-o crescer, sente as suas pulsações, o pai não. A criança nasce e sua afeição inicial está intrinsecamente ligada a vida da mãe.
Ela é a protetora, a provedora dessa criança, ainda tão indefesa. O pai observa tudo isto, compartilha de toda essa graça, mas ainda não se sente pai, até aquele dia que ouve dos lábios do filho gerado, a palavra “pai”, ser chamado de pai.
O pai cristão tem a responsabilidade de formar crianças à imagem de Cristo Jesus. O pai deve modelar para o filho o Senhor Jesus Cristo, para que o filho siga os seus caminhos.
Podemos chamar isso “o sacerdócio do pai” ou talvez “o pastoreio do pai”. Todo pai é um “pastor” do rebanho que Deus lhe concedeu.
É interessante traçar os paralelos entre o papel do pastor e o papel dos pais. Vejo pelo menos três responsabilidades paralelas entre os dois:
I. O pai sacerdote devem conduzir seus filhos a Deus (Intercessão)
Segundo Atos 6:2,4, uma das primeiras grandes responsabilidades do líder espiritual é a oração. Os pais que oram por seus filhos providenciam alguma forma de proteção para eles contra as doenças do pecado. O pai intercessor ergue paredes de proteção ao redor de seu filho, preocupando-se com seu bem estar, seu relacionamento com o Senhor, pecado, etc.
O pai que ora continuamente pelos filhos certamente agirá também para protegê-los contra o pecado.
Mas como orar pelos filhos? Gostaria de sugerir um esboço muito simples que serve como guia na minha oração pelos meus seis filhos.
s pais cristãos deve orar por pelo menos cada uma destas áreas:
a) Caráter dos filho (o fruto do Espírito, Gl 5:22 junto com a compreensão da sua identidade como filhos de Deus em Cristo, Ef 1:15-23,3:14-21)
b) Carreira (orar ao Senhor da seará que use meus filhos para expandir Seu Reino no mundo–Lc 10:2)
c) Casamento (orar que Deus direcione meu filho ao cônjuge com quem compartilhará sua chamada para o resto da vida)
O pai sacerdote intercede pelos seus filhos. Mas assim como o pastor, que se dedica à oração e ao ministério da Palavra, o pai sacerdote também se preocupa com o ensino de seus filhos.
II. O pai pastor deve apresentar Deus aos seus filhos (instrução)
O pai pastor está sempre ensinando seus filhos pelas palavras, pelas ações e pelas atitudes. É impossível escapar do olhar destas pequenas ovelhas, que admiram tanto seus “pastores”. Sempre estamos transmitindo o que somos para elas. Com tempo, os filhos se tornam o que os pais são. Por isso o “pai sacerdote” tem que reconhecer que ele é um “pai professor”, sempre instruindo seus filhos e vacinando-os contra a doença que chamo “amnésia espiritual”.
Amnésia espiritual é a doença que aflige os filhos de crentes que não se esforçam em transmitir sua fé para a próxima geração. É a memória de Deus apagada da vida de um filho pela negligência dos pais. Em Dt 6:6-9, nos lemos: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.”
Conforme estes versículos, o pai pastor (instrutor) aproveita toda oportunidade para ensinar seus filhos os valores e princípios bíblicos transmitidos pelo Supremo Pastor. Ensina a Palavra formalmente e informalmente, propositalmente e espontaneamente, em todo lugar e em qualquer lugar, em todo tempo e o tempo todo. Não é um fanaticismo evangélico mas um estilo de vida que avalia toda a vida por uma perspectiva bíblia. “O pai que ama Deus de todo coração, transmite sua fé à outra geração!”
III.O pai pastor deve disciplinar os seus filhos (Intervenção)
A última responsabilidade do “pai-pastor” segue naturalmente as primeiras duas. Provérbios 22:6 chama o pai para “ensinar a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” Junto com este texto, Efésios 6:4 chama os pais (o termo “pais” designa especificamente homens) a “não provocar seus filhos à ira, mas criá-los na admoestação e na disciplina do Senhor.” Assim como o pastor de rebanho vai atrás de ovelhas desgarradas e às vezes precisa discipliná-las, para que evitem perigos maiores longe do aprisco, os pais precisam intervir na vida dos seus filhos com disciplina equilibrada.
O equilíbrio entre instrução e intervenção ou seja, disciplina, pode ser entendida por meio de uma analogia. O pai vai na frente do seu filho como alguém que quer cavar uma trilha ou valeta em que o filho pode caminhar. No início, a valeta está muito rasa, e o filho pode sair dela com facilidade. Quando isso acontece, o pai coloca seu filho de volta na trilha cavada com firmeza e amor. Com o passar de tempo, a valeta fica cada vez mais funda, e o filho só poderá escapar dela com grande esforço. Quando isso acontece, o papai o coloca dentro do caminho de novo. Depois de 18 anos, a trilha deve ser tão profunda, que o filho teria que chamar o corpo de bombeiros e uma escadona para sair do caminho do Senhor. É possível, mas não muito provável.
O pai que realmente ama seu filho precisa intervir quando este deixa o caminho da instrução. Provérbios recomenda o uso da vara, uma consequência artificial mas estruturada pelos pais, para desviar os filhos do pecado. Deve ser aplicada com força suficiente para arder mas nunca ferir a criança. Assim o pai ajuda seu filho a associar o pecado com dor, assim evitando conseguências muito piores no futuro, proporcionadas pela própria vida.
Muitos anos atrás, resolvi seguir meu caminho, com 9 anos de idade, decidi não ir a Igreja, abandonar os meus padrões cristãos, e não seguir a fé e a doutrina ensina por meu pai. No domingo pela manhã preparei-me para a tão esperada pesca. De posse da minha vara de pescar, fui para o rio, naquela época com muita água, ali na cidade de Mantena-MG. Estava tranquilho pescando, quando senti a dor de uma varada nas costas, era o meu pai. Pegou-me pelo braço e me arrastou até a minha casa, fez vestir a roupa dominical e fui arrastado para igreja. Ele me falou-me as seguintes palavra: “Hoje não entendes o que faço, mas amanhã compreenderás e nunca esquecerás desse ato”. Dou graças a Deus por aquele momento, pelo cuidado e pela disciplina aplicada, que com certeza fez com que permanecesse fiel nos caminhos do Senhor.
Pais da Igreja Presbiteriana do Sinai, não posso pensar em presente maior que você possa dar a seu filho do que ser um exemplo de seriedade e reverência para com Deus em sua vida. Caminhando com o Senhor, será um referencial inesquecível que ajudará a construir o caráter de seu filho. Você não será perfeito, pois por definição somos imperfeitos, mas a integridade de reconhecer um erro e pedir perdão deverá ser uma marca do pai cristão.
E assim, juntos, pais e filhos procurando conhecer a vontade de Deus para nosso relacionamento, teremos muito mais chances de acertar!
Soli Deo Glória
Autor: Rev. Ashbell Simonton Rédua – Estudo disponível no site da Igreja Presbiteriana do Brasil
Tecnologia para apoiar a expansão do evangelho
14/06/10