Estudos Bíblicos
Textos
Utilize Métodos, mas não confie neles, confie em Deus
27/02/11
Isto parece tão simples; e, como um princípio, é bastante simples. Mas, na prática, nós, pecadores, somos inclinados a confiar nos meios e não em Deus. Faço planos freqüentemente e percebo que meu entusiasmo cresce ou diminui, à medida que os planos são perspicazes ou não. Isto é confiar em planos e não em Deus. Sem dúvida, Ele deseja que utilizemos meios para realizar a sua obra. Todavia, é evidente que Deus não deseja que confiemos nestes meios. “O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas a vitória vem do Senhor” (Pv 21.31). Portanto, nossa confiança deve estar no Senhor e não em cavalos. “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus” (Sl 20.7).
A vida de George Müller foi dedicada a comprovar esta verdade. Em certa ocasião, ele explicou como esta verdade se relaciona à nossa vocação. Devemos trabalhar para obter nosso sustento e suprir nossas necessidades. No entanto, não devemos confiar em nosso trabalho, e sim em Deus; pois, do contrário, sempre estaremos ansiosos pelo fato de que nossas necessidades não serão satisfeitas, se não pudermos trabalhar. Entretanto, se estamos confiando em Deus, não em nosso trabalho, e se Ele ordenar que percamos nosso trabalho, podemos estar certos de que Deus satisfará nossas necessidades; assim, não precisaremos ficar ansiosos. Eis a maneira como Müller apresentou o assunto:
Por que estou realizando este trabalho? Por que estou envolvido neste negócio ou nesta carreira? Em muitas instâncias, no que diz respeito à minha experiência, que reuni no ministério entre os crentes, durante os últimos 21 anos, creio que a resposta seria: “Estou envolvido em minha vocação terrena para que tenha meios de conseguir as coisas necessárias da vida, para mim e minha família”. No que se refere à vocação terrena dos filhos de Deus, este é o principal erro do qual resultam quase todos os demais erros nutridos por eles — não é bíblico nem correto estar envolvido em um negócio, uma profissão, uma vocação apenas para ter meios de conseguir as coisas necessárias à vida, pessoal e familiar. Mas, devemos trabalhar, porque é a vontade de Deus para nós. Isto é evidente das seguintes passagens bíblicas: 1 Tessalonicenses 4.11-12, 2 Tessalonicenses 3.10-12 e Efésios 4.28.
É verdade que o Senhor provê as necessidades da vida por intermédio de nossa vocação secular. No entanto, esta não é a razão por que devemos trabalhar; isto é bastante claro da seguinte consideração: se o possuirmos as coisas necessárias à vida dependesse de nossa capacidade de trabalhar, nunca ficaríamos livres de ansiedade, pois sempre teríamos de perguntar a nós mesmos: “O que farei quando estiver velho e não puder mais trabalhar? Ou quando, por causa de enfermidade, for incapaz de ganhar o pão de cada dia?” No entanto, se, por outro lado, estamos envolvidos em nossa vocação terrena, porque é a vontade de Deus que trabalhemos e que, fazendo isso, sejamos capazes de suprir nossas necessidades e de nossos queridos, bem como ajudar os fracos, os doentes, os idosos, os necessitados; assim, temos um motivo excelente e bíblico para dizermos: “Se agradar ao Senhor colocar-me na cama, por causa de enfermidade, ou impedir-me, por causa de doença, idade avançada ou falta de emprego, de obter o meu pão de cada dia, por meio do trabalho de minhas mãos, meus negócios ou minha profissão, Ele mesmo providenciará o necessário para mim”. (Uma Narrativa de Algumas das Realizações do Senhor para com George Müller — vol. 1, escrito por ele mesmo; Muskegon, Michigan, Dust and Ashes Publications.)
Esta verdade se aplica não somente à nossa vocação secular, mas a todas as áreas de nossa vida. Momento após momento, usamos meios para manter nossa vida e realizar os propósitos de Deus (comida, telefone, casa, remédios, carro, pedreiros, médicos, etc.). Temos de aprender a lição de não confiar nestas coisas, quando as usamos, e sim confiar em Deus. Isto se aplica também ao planejamento para a nossa igreja. Fazemos planos. Elaboramos orçamentos. Ensinamos e aconselhamos. A tentação permanente é a de confiarmos nestas coisas e não em Deus, para agir com, por intermédio de ou sem estas coisas. Portanto, enquanto sonhamos a respeito de missões e de nosso ministério, utilizemos meios, mas confiemos em Deus. As promessas dEle são as únicas coisas seguras. Todos os nossos meios são falíveis.
George Müller resumiu assim este princípio:
Este é um dos grandes segredos relacionados ao serviço bem- sucedido para o Senhor — trabalhar como se todas as coisas dependessem de nossa diligência, mas, apesar disso, não depender do menor de nossos esforços, e sim das bênçãos do Senhor” (Narrativa, vol. 2, p. 290).
Ou, conforme a Bíblia o diz: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13). E conforme Paulo também declara: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15.10).
Que o Senhor nos conceda estarmos livres de toda ansiedade, enquanto confiamos nEle, em vez de confiarmos nos meios que utilizamos.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
O Lugar da Pregação na Adoração
26/02/11
Por que a Palavra de Deus é tão Proeminente na Adoração Coletiva da Igreja?
Nesse artigo a respeito de adoração, precisamos fazer essa pergunta. Quase a metade do tempo de um culto é gasto na pregação da Palavra. Essa é uma proporção notável e exige uma explicação.
Por que eu devo gastar tempo ensinado-os sobre a pregação, se nem todos estão em um seminário preparando-se para serem pregadores? Há três respostas simples. Primeira: vocês saberão melhor o que fazer com a pregação, se entendem, de acordo com a Bíblia, porque a pregação ocupa esse lugar no culto. Segunda: vocês serão capazes de avaliar se estão realmente ouvindo o tipo correto de pregação, se compreendem, de conformidade com a Bíblia, o que deve ser uma pregação correta. Terceira: se vocês sabem o que é a verdadeira pregação, serão capazes de discernir e escolher o tipo certo de pregador, quando tiverem de convidar um pastor para ocupar o púlpito da igreja de vocês. Conseqüentemente, haverá implicações importantíssimas para a vida e para as famílias de vocês, bem como para o futuro de sua igreja — e de todas as igrejas —, se o povo de Deus souber o que é a verdadeira pregação bíblica e por que ela é tão proeminente na adoração coletiva.
Consideremos a pergunta: por que a Palavra de Deus é proeminente em nossa adoração coletiva?
Ora, essa pergunta, na realidade, está constituída de duas partes. Primeira: por que a Palavra de Deus é tão proeminente? Segunda: por que essa maneira de apresentar a Palavra possui tão grande relevância? Qualquer crente poderia simplesmente ler a Bíblia por meia hora, ao invés de ouvir a pregação da Palavra, e isto com certeza tornaria proeminente a Palavra de Deus. Ou alguém poderia apenas dirigir uma discussão sobre a Bíblia por meia hora. Ainda, outro poderia realizar uma análise acadêmica sobre o vocabulário, a gramática e as circunstâncias históricas da Bíblia. Portanto, não devemos apenas perguntar por que a Palavra de Deus é tão proeminente, mas também por que a pregação é tão relevante.
Deus se revela a Si mesmo como a Palavra e através da Palavra
A primeira razão é por que Deus decidiu revelar a Si mesmo como a Palavra e através da Palavra. O apóstolo João disse: “No princípio era o Verbo [a Palavra]” (João 1.1). No princípio, não era a música, nem o teatro. Deus identifica seu Filho, que é Deus, como a Palavra. Isso é tremendamente importante. “No princípio, era o Verbo [a Palavra].” O Filho de Deus é a Palavra de Deus. Ele é a comunicação de Deus para o mundo; Ele é a Palavra de Deus.
Deus não somente decidiu revelar a Si mesmo como a Palavra, mas também através da Palavra. Considere nosso texto-base: “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). Isto significa que Deus resolveu falar-nos, revelar a Si mesmo e interpretar suas realizações na História por meio da inspiração de palavras escritas. Isso é exatamente o que o vocábulo “escritura” significa — “escritos”. Toda a Escritura — todos os escritos do cânon judaico-cristão — é inspirada, ou seja, soprada por Deus; ou, conforme 2 Pedro 1.21 afirma: “Nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são a revelação de Deus mesmo para nós.
A primeira resposta à pergunta por que a Palavra é tão proeminente na adoração pública é esta: porque Deus revelou a Si mesmo como a Palavra e através da Palavra. Se tem o alvo de ser uma comunhão espiritual com Deus e causar uma reação amorosa e reverente para com Deus, então a revelação de Deus mesmo tem de estar no âmago da adoração; e Ele determinou tornar-se conhecido principalmente por meio de sua Palavra.
Deus realiza suas obras através de sua Palavra
Poderíamos dizer mais: a adoração é uma resposta à obra de Deus, e a Palavra de Deus é o instrumento pelo qual Ele age no mundo. Esta foi a maneira pela qual Ele agiu no princípio, quando criou o mundo por intermédio de sua Palavra (Hb 11.3).
E esta tem sido a maneira pela qual, desde então, Deus realiza suas grandes obras — através de sua Palavra. Por exemplo, sabemos que Jesus simples- mente falou e as ondas se aquietaram (Mc 4.39), a febre retirou-se (Lc 4.39), demônios foram expulsos (Mc 1.25), pecados foram perdoados (Mc 2.10), cegos recuperaram sua visão (Lc 18.42) e mortos foram ressuscitados (Lc 7.14). Deus agiu por intermédio de sua Palavra!
Também sabemos que Deus continua agindo no mundo por inter- médio de sua Palavra. Considere novamente 2 Timóteo 3.16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Em outras palavras, é por meio da Palavra que Deus realiza as boas obras de seu povo. Essa é a razão por que Jesus disse que os homens verão nossas boas obras e glorificarão ao nosso Pai, que está no céu (Mt 5.16). Deus age por intermédio de sua Palavra, para realizar sua obra, através de seu povo, no mundo.
Você pode ver isto freqüente-mente na Bíblia. Por exemplo, o Salmo 1 afirma: o homem que medita na Palavra de Deus, de dia e de noite, será “como árvore plantada junto a correntes de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (v. 3). Assim, a Palavra de Deus produz fruto e torna a pessoa bem sucedida na vontade dEle. Considere também Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”. A Palavra de Deus é o grande agente na grandiosa obra de julgamento e convicção. Recorde, também, João 17.17, quando Jesus orou ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. A grande obra de santificação, Deus a realiza por meio de sua Palavra. E nossa listagem poderia continuar.
O fato mais importante é que adoração significa conhecer, admirar e desfrutar de Deus, por intermédio de suas obras. Todas essas obras são vistas em sua Palavra e realizadas por meio dela. Portanto, a Palavra de Deus é proeminente na adoração.
Deus realiza o novo nascimento através de sua Palavra
Preciso mencionar outra razão por que a Palavra é tão proeminente na adoração. A adoração depende completamente do milagre espiritual do novo nascimento e da obra contínua de vivificação da fé. Esses milagres Deus realiza por meio de sua Palavra. Por exemplo, citamos 1 Pedro 1.23: “Fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”. O novo nascimento é realizado por Deus através de sua Palavra. Isto significa que a vida de que necessitamos para adorar a Deus com autenticidade surge por intermédio da Palavra. Se não há vida espiritual, não há adoração. Se não há pregação da Palavra, não há vida espiritual. E não somente isto; o contínuo reavivar da fé, domingo após domingo, se realiza por intermédio do ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17) — não apenas uma vez, e sim por repetidas vezes.
A Igreja Protestante colocou a Palavra de Deus no lugar de maior proeminência na adoração coletiva, porque a adoração contempla e desfruta de Deus mesmo; e Ele se revela como a Palavra, por intermédio da Palavra. Em particular, Deus realiza sua obra no mundo através da sua Palavra; e, por meio dela, outorga vida nova e aviva a fé. Sem a Palavra de Deus, não haveria vida, nem fé, nem obra, nem revelação, nem adoração. A Palavra significa para a adoração o que o oxigênio significa para a respiração.
Por Que Pregação é tão Proeminente na Adoração Coletiva?
Nossa segunda pergunta deve ser: Visto que a Palavra de Deus deve ser tão proeminente na adoração, por que esse ministério específico da Palavra, chamado “pregação”, é tão importante?
Observe o que vem logo em seguida às palavras afirmativas de que toda a Escritura é inspirada por Deus (2 Tm 3. 16.17). Paulo disse, com notável solenidade e elevada seriedade: Conjuro- te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Prega a palavra” (4.1-2). É claro que para este jovem ministro da Palavra (ver 2 Tm 2.15) a pregação tinha de ser uma atividade proeminente. E o contexto do capítulo 3 (vv. 16-17) parece transmitir a idéia de que a pregação não serve apenas para evangelizar nas praças ou nas esquinas; ela serve também para os crentes que necessitam de correção, repreensão, exortação e doutrina (conforme afirma 2 Timóteo 4.2).
Portanto, poderíamos dizer: nós pregamos porque 2 Timóteo 4.2 afirma que devemos fazê-lo. Gostaria de ir mais além e perguntar: Por que é tão adequado, no plano de Deus, que a pregação seja proeminente na adoração?
Os precedentes do Antigo e do Novo Testamento
Uma resposta é que existe precedentes bíblicos para esclarecer o lugar das Escrituras na adoração. Por exemplo, Neemias 8.6-8 afirma: “Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos, inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra. E… os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. Não houve apenas a leitura da Lei, houve também homens designados que davam “explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. Tudo isso aconteceu em um contexto de louvor e de adoração ao Senhor.
No Novo Testamento, a sinagoga dos judeus era uma continuação desse modelo. Em Lucas 4.16 e os versículos seguintes, vemos Jesus dirigindo-se a Nazaré, entrando na sinagoga, no sábado, e lendo na profecia de Isaías um texto que se referia à vinda dEle mesmo. Em seguida, Jesus assentou-se e apresentou sua interpretação: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.21). Este era o esquema habitual praticado na sinagoga: a Palavra de Deus era lida,e, em seguida, havia a sua interpretação e a sua aplicação.
Vemos isso também no livro de Atos dos Apóstolos. Conforme o relato neotestamentário, Paulo e seus colegas missionários chegaram à Antioquia da Pisídia e, “indo num sábado à sinagoga, assentaram-se. Depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação para o povo, dizei-a” (At 13.14-15). Paulo se levantou e pregou a Palavra (vv. 16 a 31).
Por conseguinte, a primeira razão por que a Palavra de Deus se tornou central na igreja é esta: esse foi o padrão estabelecido no Antigo Testamento e na sinagoga do Novo Testamento.
Os dois aspectos essenciais da adoração
Há duas razões que justificam, ainda mais profundamente, o proeminente lugar da pregação na adoração. Essas duas razões estão relacionadas aos aspectos essenciais da adoração: compreender a Deus e deleitar-se nEle. Jonathan Edwards explicou o objetivo de Deus na adoração, utilizando as seguintes palavras:
“Há duas maneiras pelas quais Deus glorifica a Si mesmo para com suas criaturas: 1) por manifestar-se ao entendimento delas; 2) por comunicar-se ao coração delas, quando elas se regozijam, se deleitam e desfrutam das manifestações que Ele faz de Si mesmo. Deus é glorificado não somente por sua glória ser contemplada, mas também por nos rego- zijarmos nela. Quando aqueles que vêem a glória de Deus se deleitam nela, Deus é mais glorificado do que se eles apenas a contemplassem. Deste modo, a glória de Deus é recebida por toda a alma, ou seja, tanto pelo entendimento quanto pelo coração”.
Portanto, há sempre duas partes na verdadeira adoração. Podemos dizê-lo assim: existe o contemplar a Deus e existe o provar da pessoa de Deus. Não podemos separá-las. Temos de vê-Lo, para que dEle pro- vemos. E se não provarmos dEle, quando O contemplarmos, estaremos insultando-O. Outra maneira de afirmar isso seria a seguinte: na adoração existe sempre o entender com a mente e o sentir no coração. O entender tem de ser sempre o alicerce do sentir, pois, do contrário, o que teremos será apenas emocionalismo sem fundamento. O entendimento de Deus que não resulta em sentimentos para com Deus torna-se em mero intelectualismo e apatia. Esta é a razão por que a Bíblia, por um lado, nos convida constantemente a pensar, a meditar, a ponderar, a lembrar; e, por outro lado, ela nos convida a temer, a lamentar, a esperar, a nos deleitarmos e nos alegrarmos. Essas duas atitudes estão na essência da adoração.
A pregação é a forma que a Palavra de Deus assume na adoração, porque a verdadeira pregação é o tipo de discurso que une, de maneira consistente, esses dois aspectos da adoração, tanto na maneira como a pregação é realizada quanto em seus objetivos. Quando Paulo disse a Timóteo: “Prega a palavra”, o vocábulo grego traduzido pelo verbo pregar é uma palavra que significava “ser o arauto”, “anunciar”, “proclamar” (khêruxon). Não é apenas um vocábulo com a idéia de ensinar ou explicar. Significava o que o arauto da cidade clamava: “Ouvi! Ouvi! Ouvi! O Rei tem uma proclamação de boas-novas para todos os que prometerem fidelidade ao seu domínio. Seja conhecido que a vida eterna será dada a todos os que confiam e amam o Filho dEle”. Essa proclamação, eu a chamo de “exultação”. A pregação é uma exultação pública a respeito da verdade que ela anuncia. Não é algo desinteressante, frio ou neutro; é apaixonante naquilo que ela anuncia.
No entanto, essa proclamação contém ensino. Perceberemos isso, se considerarmos novamente 2 Timóteo 3.16 — a Escritura (que suscita a pregação) é proveitosa para o “ensino”. E podemos ver isso quando olhamos adiante e consideramos o restante de 2 Timóteo 4.2: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Assim, verificamos que a pregação é expositiva; ela aborda a Palavra de Deus. A verdadeira pregação não é a expressão de opiniões de homens; é uma fiel exposição da Palavra de Deus.
Exultação expositiva
Em uma frase, a pregação é uma “exultação expositiva”.
Em conclusão, dizemos: a razão por que a pregação é tão proeminente na adoração é por que esta não consiste apenas do entender, mas também do sentir. Adoração não é apenas contemplar a Deus; é também provar dEle. Não é apenas uma resposta de nossa mente; é também uma resposta do coração. Por isso, Deus ordenou que a forma que sua Palavra deve assumir na adoração não seja apenas uma explicação à mente, nem apenas de uma simulação ao coração. Pelo contrário, a pregação da Palavra tem por objetivo ensinar a mente e alcançar o coração; tem de mostrar a verdade de Cristo e provar a glória de dEle; tem de expor a Palavra de Deus e exultar no Deus da Palavra.
Isto é o que significa a pregação. Esta é a razão por que ela é tão proeminente na adoração. A pregação não é uma
simples obra de um homem; é um dom e uma obra do Espírito Santo. Portanto, a pregação se realiza melhor quando os crentes estão orando e se encontram espiritualmente preparados para ela.
Orem por vocês mesmos e pelo(s) pastor(es) de sua igreja. Pro- curemos nos tornar pessoas que vivem e adoram no poder da Palavra de Deus — lida, memorizada, ensinada e pregada.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
Jesus, os Fariseus e o Livre-Arbítrio
25/02/11
Para muitos, hoje em dia, é intrigante que Jesus coloque tal valor nos direitos soberanos da liberdade eletiva de Deus, a ponto de falar da maneira como o faz àqueles que O rejeitam. Ele fala de maneira a impedi-los de vangloriarem-se, como se pudessem anular os propósitos últimos de Deus. Em João 10.25-26, por exemplo, Jesus respondeu aos céticos que exigiam mais e mais provas: “Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”. Pense nisto por um momento. Pense acerca do que significa e no fato que Jesus proferiu tais palavras a pessoas incrédulas.
Imagine-se como um fariseu ouvindo a mensagem de Jesus e dizendo a si mesmo: se Ele pensa que eu vou ser sugado para dentro desse movimento junto com coletores de impostos e pecadores, está louco. Eu tenho vontade própria e poder para determinar o meu próprio destino. Em seguida, imagine Jesus, sabendo o que se passa no seu coração e dizendo: “Você se vangloria em seu íntimo porque acha que tem o controle de sua própria vida. Você pensa que pode frustrar os planos máximos de meu ministério. Você imagina que os grandes propósitos de Deus na salvação são dependentes de sua vontade vacilante. Em verdade, em verdade eu lhe digo que a razão final pela qual você não crê é porque o Pai não o escolheu para estar entre as minhas ovelhas”. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “O orgulho final da incredulidade é destruído pela doutrina da eleição”. Aqueles a quem Deus escolheu, Ele também os deu ao Filho; e aqueles a quem Ele deu ao Filho, o Filho também os chamou; e para aqueles que foram chamados, Ele deu sua vida; e para esses Ele deu alegria eterna na presença de sua glória. Este é o prazer do Pai.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
Estratégias Para Lutar contra a Lascívia
24/02/11
Estou pensando em homens e mulheres. Para os homens, isto é óbvio. É urgente a necessidade de lutar contra o bombardeamento de tentações visuais que nos levam a fixar-nos em imagens sexuais. Para as mulheres, isto é menos óbvio, porém tal necessidade se torna maior, se ampliamos o escopo da tentação de alimentar imagens ou fantasias de relacionamentos. Quando uso a palavra “lascívia”, estou me referindo principalmente à esfera dos pensamentos, imaginações e desejos que visualizam as coisas proibidas por Deus e freqüentemente nos levam a conduta sexual errada.
Não estou dizendo que o sexo é mau. Deus o criou e o abençoou. Deus tornou o sexo agradável e definiu um lugar para ele, a fim de proteger sua beleza e poder — ou seja, o casamento entre um homem e uma mulher. Mas o sexo tornou-se corrompido pela queda do homem no pecado. Portanto, temos de exercer restrição e fazer guerra contra aquilo que pode nos destruir. Em seguida, apresentamos algumas estratégias para lutar contra desejos errados.
Evitar — evite, tanto quanto for possível e sensato, imagens e situações que despertam desejos impróprios. Eu disse “tanto quanto possível e sensato”, porque às vezes a exposição à tentação é inevitável. E usei os termos “desejos impróprios” porque nem todos os desejos por sexo, alimento e família são maus. Sabemos quando tais desejos são impróprios, prejudiciais e estão se tornando escravizantes. Conhecemos nossas fraquezas e o que provoca tais desejos. Evitar é uma estratégia bíblica. “Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça” ( 2 Tm 2.22). “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14).
Não — diga “não” a todo pensamento lascivo, no espaço de cinco segundos. E diga-o com a autoridade de Jesus Cristo. “Em nome de Jesus: Não!” Você não tem mais do que cinco segundos. Se passar mais do que esse tempo sem opor-se a tal pensamento, ele se alojará em sua mente com tanta força, a ponto de se tornar quase irremovível. Se tiver coragem, diga-o em voz alta. Seja resoluto e hostil. Como disse John Owen: “Mate o pecado, se não ele matará você”.1 Ataque-o imediatamente, com severidade. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).
Voltar — volte seus pensamentos forçosamente para Cristo, como uma satisfação superior. Dizer “não” será insuficiente. Você tem de mover-se da defesa para o ataque. Combata o fogo com fogo. Ataque as promessas do pecado com as promessas de Cristo. A Bíblia chama a lascívia de “concupiscências do engano” (Ef 4.22). Tais concupiscências mentem. Prometem mais do que podem oferecer. A Bíblia as chama de “paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância” (1 Pe 1.14). Somente os tolos cedem a elas. “Num instante a segue, como o boi que vai ao matadouro” (Pv 7.22). O engano é vencido pela verdade. A ignorância é derrotada pelo conhecimento. E tem de ser uma verdade gloriosa e um conhecimento formoso. Esta é razão por que escrevi o livro Vendo e Provando a Cristo (Seeing and Proving Christ — Crossway, 2001). Preciso de breves retratos de Cristo para me manter despertado, espiritualmente, para a sublime grandeza do Senhor Jesus. Temos de encher nossa mente com as promessas e os deleites de Jesus. E volvermo-nos imediatamente para tais promessas e deleites, depois de havermos dito “não”.
Manter — mantenha, com firmeza, a promessa e o deleite de Cristo em sua mente, até que expulsem a outra imagem. “Olhando firmemente para… Jesus” (Hb 12.2). Muitos fracassam neste ponto. Eles desistem logo. Dizem: “Tentei expulsar a fantasia, mas não deu certo”. Eu lhes pergunto: “Por quanto tempo fizeram isso?” Quanta rigidez exerceram em sua mente? Lembre: a mente é um músculo. Você pode flexioná-la com violência. Tome o reino de Deus por esforço (Mt 11.12). Seja brutal. Mantenha diante de seus olhos a promessa de Cristo. Agarre-a. Agarre-a! Não a deixe ir embora. Continue segurando-a. Por quanto tempo? Quanto for necessário. Lute! Por amor a Cristo, lute até vencer! Se uma porta automática estivesse para esmagar seu filho, você a seguraria com toda a sua força e gritaria por ajuda. E seguraria aquela porta… seguraria… seguraria… Jesus disse que muito mais está em jogo no hábito da lascívia (Mt 5.29).
Apreciar — aprecie uma satisfação superior. Cultive as capacidades de obter prazer em Cristo. Uma das razões porque a lascívia reina em tantas pessoas é porque Cristo não lhes é muito cativante. Falhamos e somos enganados porque temos pouco deleite em Cristo. Não diga: “Esta conversa espiritual não é para mim”. Que passos você tem dado para despertar sua afeição por Cristo. Você tem lutado por encontrar gozo? Não seja fatalista. Você foi criado para valorizar a Cristo — de todo o coração — mais do que valoriza o sexo, o chocolate ou o açúcar. Se você tem pouco desejo por Cristo, os prazeres rivais triunfarão. Peça a Deus que lhe dê a satisfação que você não tem. “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias” (Sl 90.14). E olhe… olhe… e continue olhando para Aquele que é a pessoa mais magnificente do universo, até que você o veja da maneira como Ele realmente é.
Mover – mova-se da ociosidade e de outros comportamentos vulneráveis para uma atividade útil. A lascívia cresce rapidamente no jardim da ociosidade. Encontre algo útil para realizar, com todas as suas forças. “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11); “Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58). Seja abundante em atividades. Faça alguma coisa: limpe um quarto, pregue uma tábua, escreva uma carta, conserte uma torneira. E faça tudo por amor a Jesus. Você foi criado para administrar e trabalhar. Cristo morreu para nos tornar zelosos “de boas obras” (Tt 2.14). Substitua as concupiscências e paixões enganosas por boas obras.
Pai de misericórdias, quão freqüentemente
Deixamos de lutar contra a lascívia.
Temos abraçado o inimigo que faz guerra contra a nossa alma.
Perdoa-nos, de acordo com tua promessa de ser
Tardio em ira e abundante em misericórdia.
Vem agora e dá-nos nova determinação
Novo poder e nova visão de tuas
Promessas e de teu supremo valor.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade
Destrói a raiz de nossa lascívia com um prazer superior.
Em nome de Jesus, oramos. Amém.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
Dez Efeitos de Crer nas Doutrinas da Graça
23/02/11
Estes dez efeitos são um testemunho pessoal a respeito de crer nas Doutrinas da Graça, que podem ser resumidos através dos cinco pontos do calvinismo. Acabei de ministrar um seminário sobre este assunto. Os alunos me pediram que escrevesse um artigo sobre estas reflexões, ao qual eles teriam acesso. Sinto-me feliz por fazer isso. Na verdade, eles conhecem o conteúdo do curso, que está acessível no site do ministério Desiring God. Contudo, escreverei na esperança de que este testemunho estimule outros a examinarem, como os bereianos, se a Bíblia ensina o que chamo de “Calvinismo”.
1. As Doutrinas da Graça enchem-me de temor a Deus e levam-me à verdadeira adoração profunda centrada em Deus.
Recordo a época em que vi, pela primeira vez, enquanto ensinava Efésios no Bethel College, no final dos anos 1970, a afirmação concernente ao alvo de toda a obra de Deus — ou seja: “Para louvor da glória de sua graça” (Ef 1.6, 12, 14).
Isso me fez perceber que não podemos enriquecer a Deus e que, por essa razão, sua glória resplandece mais esplendidamente não quando tentamos satisfazer as necessidades dEle, e sim quando nos satisfazemos nEle como a essência de nossas obras. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente” (Rm 11.36). A adoração se torna um fim em si mesmo.
Isso me faz sentir quão insignificantes e inadequadas são as minhas afeições, de modo que os salmos de anseios se mostram vívidos e tornam a adoração intensa.
2. Estas verdades protegem-me de vulgarizar as coisas divinas.
Um dos caminhos de nossa cultura é a banalidade, a esperteza, a sagacidade. A televisão é o principal mantenedor de nosso desejo compulsivo por superficialidade e trivialidade.
Deus é incluído entre essas coisas. Por isso, existe hoje a vulgarização das coisas espirituais. Seriedade não está em excesso nestes dias. Foi abundante no passado. Sim, há desequilíbrios em certas pessoas que parecem não ser capazes de relaxar e falar sobre o clima.
Robertson Nicole disse a respeito de Spurgeon: “O evangelismo agradável [podemos dizer, o crescimento de igreja norteado por marketing] pode atrair multidões, mas lança a alma nas cinzas e destrói as próprias sementes do cristianismo. O Sr. Spurgeon tem sido reputado frequentemente, por aqueles que não conhecem seus sermões, como um pregador que utilizava humor. De fato, não havia nenhum outro pregador cujo tom era mais uniformemente sério, reverente e solene” (Citado em The Supremacy of God in Preaching, p. 57).
3. Estas verdades me fazem admirar a minha própria salvação.
Depois de descrever a grande salvação em Efésios, Paulo orou, na última parte daquele capítulo, para que o efeito daquela teologia fosse a iluminação do coração, a fim de que nos maravilhássemos com a nossa esperança, com as riquezas da glória de nossa herança em Deus e com o poder de Deus que opera em nós — ou seja, o poder que ressuscitou a Jesus dentre os mortos.
Todos os motivos de vanglória são removidos. Há muita alegria e gratidão.
A piedade de Jonathan Edwards começa a crescer. Quando Deus nos dá um vislumbre da sua majestade e de nossa impiedade, a vida cristã se torna uma coisa bem diferente da piedade convencional. Edwards descreveu isso, de maneira magnífica, quando disse:
Os desejos dos santos, embora zelosos, são humildes. Sua esperança é humilde; e sua alegria, ainda que indizível e cheia de glória, é humilde e contrita, deixando o cristão mais pobre de espírito, mais semelhante a uma criança e mais propenso a um comportamento modesto (Religious Affections,New Haven: Yale University Press, 1959, p. 339ss).
4. Estas verdades tornam-me alerta quanto aos substitutos centrados no homem que passam por boas-novas.
Em meu livro The Pleasures of God (2000), nas páginas 144 e 145, mostrei que, na Nova Inglaterra do século XVIII, o afastamento do ensino sobre a soberania de Deus levou ao arminianismo e, deste, ao universalismo e, deste, ao unitarismo. A mesma coisa aconteceu na Inglaterra do século XIX, depois de Spurgeon.
O livro Jonathan Edwards: A New Biography (Edinburgh: Banner of Truth, 1987, p. 454), escrito por Iain Murray, documenta a mesma coisa: “As convicções calvinistas empalideceram na América do Norte. No andamento do declínio que Edwards antecipara corretamente, aquelas igrejas congregacionais da Nova Inglaterra que tinham abraçado o arminianismo, depois do Grande Avivamento, moveram-se gradualmente ao unitarismo e ao universalismo, lideradas por Charles Chauncy”.
No livro Quest for Godliness (Wheaton, IL: Crossway Books, 1990, p. 160), escrito por J. I. Packer, você pode perceber como Richard Baxter abandonou estes ensinos e como as gerações seguintes tiveram uma colheita horrível na igreja de Baxter, em Kidderminster.
Estas doutrinas são uma proteção contra os ensinos centrados no homem que, sob muitas formas, corrompem gradualmente a igreja, tornando-a fraca em seu interior, enquanto parece forte e popular.
1 Timóteo 3.15 — “Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”.
5. Estas verdades fazem-me gemer diante da indescritível enfermidade de nossa cultura secular que milita contra Deus.
Não posso ler o jornal, assistir a uma propaganda na TV ou ver um outdoorsem o intenso pesar de que Deus está ausente.
Quando Ele, a principal realidade do universo, é tratado como se não existisse, tremo ao pensar na ira que está sendo acumulada. Fico chocado. Tantos cristãos estão sedados pela mesma droga que entorpece o mundo. Mas estes ensinos são um antídoto poderoso.
Oro por um despertamento e avivamento.
Esforço-me para pregar tendo em vista criar um povo tão impregnado de Deus, que O mostrará e falará sobre Ele onde quer que esteja, em todo o tempo.
Existimos para afirmar a realidade de Deus e a sua supremacia em toda a vida.
6. Estas verdades tornam-me confiante de que a obra planejada e começada por Deus chegará ao final — tanto no que diz respeito ao universo como ao indivíduo.
Este é o argumento de Romanos 8.28-39: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
7. Estas verdades fazem com que eu veja todas as coisas à luz dos propósitos soberanos de Deus: dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas; a Ele seja a glória para sempre e sempre.
Todas as coisas da vida se relacionam a Deus. Não há qualquer aspecto de nossa vida em que Ele não seja extremamente importante — Aquele que dá sentido a tudo (cf. 1 Co 10.31).
Ver os propósitos soberanos de Deus sendo desenvolvidos nas Escrituras e ouvir o apóstolo Paulo dizendo: Ele “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11) faz-me perceber o mundo desta maneira.
8. Estas verdades enchem-me da esperança de que Deus tem vontade, direito e poder de responder as súplicas para que pessoas sejam mudadas.
A garantia da oração é que Deus pode irromper e mudar as coisas — incluindo o coração humano. Pode transformar a vontade. “Santificado seja o teu nome” significa faze as pessoas santificarem o teu nome. “Que a tua palavra se propague e seja glorificada” significa faze os corações abrirem-se para o evangelho.
Devemos tomar as promessas da nova aliança e rogar a Deus que sejam trazidas à realização em nossos filhos, vizinhos e todos os campos missionários do mundo.
“Ó Deus, remove deles o coração de pedra e dá-lhes um coração de carne” (Ez 11.19).
“Senhor, circuncida o coração deles para que Te amem” (Dt 30.6).
“Ó Pai, coloca dentro deles o teu Espírito e faze-os andar nos teus estatutos” (Ez 36.27).
“Senhor, concede-lhes arrependimento e conhecimento da verdade, para que fiquem livres das armadilhas do diabo” (2 Tm 2.25-26).
“Pai, abre-lhes o coração para crerem no evangelho” (At 16.14).
9. Estas verdades recordam-me que o evangelismo é absolutamente essencial para que as pessoas venham a Cristo e sejam salvas. Recordam-me também que há esperança de sucesso em levar as pessoas à fé e que, em última análise, a conversão não depende de mim, nem está limitada à insensibilidade do incrédulo.
Portanto, isso nos proporciona esperança na evangelização, especialmente em lugares difíceis e entre pessoas de coração empedernido.
“Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz” (Jo 10.16).
É a obra de Deus. Dedique-se a ela com resignação.
10. Estas verdades deixam-me convicto de que Deus triunfará no final.
“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.9-10).
Reunindo todas estas verdades: Deus recebe a glória, e nós, o gozo.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
Carne Forte para os Músculos de Missões
22/02/11
Estou cada vez mais convencido de que um movimento profundo e duradouro de missões precisará de uma doutrina de salvação que tenha raízes profundas. Em minhas férias, li algumas das memórias de Adoniram Judson. Você recorda que ele foi um Congregacional que se tornou Batista. Judson foi à Birmânia em 1812 e só retornou ao seu país depois de 33 anos.
Courtney Anderson conta a história emocionante e romântica em seu livro To The Golden Shore (Rumo à Praia Dourada). Mas, assim como muitos biógrafos de missionários, Anderson parece não saber o que motivava Judson. São as memórias que nos fazem ver as raízes teológicas. Hoje somos teologicamente superficiais e, por isso, não podemos imaginar quão apaixonados por doutrinas eram os primeiros missionários. O que motivava Judson era, simplesmente, um forte compromisso evangélico com a soberania da graça (um amor missionário intenso, humilde e reverente chamado calvinismo). Judson escreveu uma liturgia birmanesa e um credo que incluía as seguintes afirmações: “Deus, sabendo desde o princípio que a humanidade cairia em pecado e seria arruinada, por sua misericórdia, escolheu alguns da raça e deu-lhes o seu Filho, para salvá-los do pecado e do inferno… Adoramos a Deus… que envia o Espírito Santo para capacitar aqueles que foram escolhidos antes da fundação do mundo e dados ao Filho” O Breve Catecismo de Westminster, na Pergunta 20, atinge o âmago da fé exercida por Judson e acende o estopim de missões. Pergunta: Deus deixou todos os homens a perecerem na condenação do pecado e miséria? Resposta: Deus, motivado por seu beneplácito, desde toda a eternidade, tendo escolhido um povo para a vida eterna, entrou em um pacto de graça, para livrá-los da condição de pecado e miséria e trazê-los à condição de salvos por meio de um Redentor (Ef 1.3-4; 2 Ts 2.13; Rm 8.29- 30; 5.21; 9.11-12; 11.5-7; At 13.48; Jr 31.33). O termo “aliança da graça” está repleto de esperança agradável e preciosa. Refere-se à decisão e ao juramento espontâneo de Deus para empregar toda a sua onipotência, sabedoria e amor para resgatar seu povo do pecado e miséria. A aliança é iniciada e realizada completamente por Deus mesmo. E não pode falhar. “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40).
A aliança da graça é válida para todos os que crêem. Todos os que quiserem podem vir e desfrutar desta salvação. E, sendo este querer uma obra da graça soberana de Deus (Ef 2.5-8), aqueles que crerem e vierem são os eleitos — eleitos em Cristo “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). A aliança foi selada no coração de Deus antes que o mundo existisse (2 Tm 1.9).
Esta aliança da graça é o clamor de vitória sobre todos os conflitos no campo missionário. A graça de Deus triunfará. Ele tem um compromisso de aliança e de juramento para salvar todos os que estão predestinados para a vida eterna, de cada tribo, língua, povo e nação (At 13.48; Ap 5.9). “Jesus estava para morrer pela nação [de judeus] e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (Jo 11.51-52). O clamor da batalha de missões é: “O Senhor tem outras ovelhas, não deste aprisco. Ele as trará (um compromisso de aliança!); elas ouvirão (um compromisso de graça) a voz dEle” (Jo 10.16). Enquanto estava na Birmânia, Adoniram Judson pregou um sermão sobre João 10.1-18. Qual foi o objetivo de Judson? “Embora envolvidas no amor eletivo do Salvador, [as suas ovelhas] podem até vaguear nas montanhas obscuras do pecado.” Portanto, o missionário tem de chamar a todos com a mensagem de salvação, a fim de que, conforme disse Judson, “o convite de misericórdia e amor, que penetra nos ouvidos e coração apenas dos eleitos”, seja eficaz.
Se desejamos ver homens semelhantes a Adoniram Judson, William Carey, John G. Paton, Henry Martyn e Alexander Duff surgir entre nós, outra vez, devemos beber a mesma doutrina forte que os governou na causa de missões.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
Batalhando Pela Fé
21/02/11
A epístola de Judas começa e termina com palavras muito confortadoras para os crentes. No versículo 1, Judas nos descreve como aqueles que são “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo”. Os três verbos estão na voz passiva. Enfatizam a ação de Deus. Ele chama, ama e guarda. Somos chamados, amados e guardados. Judas se mostrou bastante zeloso em começar enfatizando a segurança do crente na eleição e no amor preservador da parte de Deus.
No final da epístola, versículo 24, Judas afirmou: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória, ao único Deus… glória”. Observe, no versículo 1, somos guardados por Deus em Jesus Cristo; e, no versículo 24, Deus é poderoso para guardar-nos de tropeços. Judas começou e terminou sua epístola assegurando os crentes de que Deus exercita sua onipotência em guardá-los de desviarem-se da fé.
O que devemos responder quando alguém nos perguntar por que estamos tão certos de que permaneceremos firmes na fé até ao fim e de que seremos salvos no Dia do Juízo? Devemos responder o seguinte: “Deus me chamou da incredulidade. Portanto, eu sei que Ele me ama com amor especial e eletivo. Por isso, sei que Ele me guardará de cair. Deus realizará em mim aquilo que é agradável diante dEle mesmo (Hb 13.21) e me apresentará com exultação diante do trono de sua glória”.
Essa é a maneira como Judas começa e termina sua epístola. No entanto, no meio da epístola, Judas demonstra outra preocupação. A sua preocupação não é ajudar os crentes a sentirem-se contentes, e sim a serem vigilantes. Depois de lhes haver mostrado o amor eletivo de Deus, bem como o incomparável poder de Deus em preservar os crentes em segurança, Judas passa a mostrar-lhes o perigo que os cerca, exortando-os a batalhar pela fé.
Versículo 3: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Em outras palavras, a vitória certa da igreja não significa que não temos de lutar para vencer.
O simples fato de que nosso excelente General nos promete vitória nas praias do inimigo não significa que as tropas podem guardar suas armas no navio. A promessa de vitória pressupõe coragem na batalha. Quando Deus promete que sua igreja será protegida de derrotas, o propósito dEle não é que mantenhamos nossa espada na bainha, e sim que lancemos mão da espada do Espírito e olhemos confiantes para Ele, a fim de recebermos forças para vencer a batalha. Sempre que a promessa de segurança da parte de Deus é utilizada para justificar a nossa ausência no campo na batalha, podemos suspeitar que há um traidor entre os nossos soldados.
Conforme podemos observar na epístola de Judas, o procedimento de Deus é proporcionar confiança ao seu povo, a confiança de que a sua fé será vitoriosa ao fim (vv. 1, 24), e, depois, enviá-los para lutar pela fé.
O assunto central do pequeno livro de Judas é o versículo 3. Por isso, desejamos torná-lo o assunto de nossa mensagem: é dever de todo crente genuíno batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Procurarei desenvolver o significado desta doutrina utilizando quatro sentenças.
1. Existe uma fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos.
2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela.
3. Esta fé está sendo constantemente ameaçada por elementos de dentro da igreja.
4.Todo crente genuíno deve batalhar por esta fé.
1. Existe uma fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Às vezes, a palavra “fé” é utilizada significando o sentimento de confiança em Cristo. Em outras vezes, como acontece nesta passagem, ela foi utilizada significando as verdades em que cremos a respeito dAquele em quem confiamos.
Por um lado, é necessário enfatizar que o cristianismo é basicamente um relacionamento com Jesus,
e não um conjunto de idéias sobre a pessoa de Jesus. A razão por que fazemos isso é esta: ninguém será salvo por crer em
um conjunto de idéias. O diabo crê na maior parte das verdades do cristianismo. Precisamos enfatizar que, se uma pessoa não tiver uma confiança viva em Jesus, como Salvador e Senhor, toda a ortodoxia do mundo não introduzirá tal pessoa no céu.
Mas, se nossa ênfase no relacionamento pessoal com Jesus nos leva a negar que existe um grupo de verdades essenciais no cristianismo, cometemos um grave erro. Existem verdades sobre Deus, o Senhor Jesus, o homem, a igreja e o mundo que são essenciais à vida do cristianismo. Se tais verdades são corrompidas e distorcidas, o resultado não será apenas idéias erradas e verdades mal aplicadas. A vida íntima de fé não é independente das afirmações doutrinárias da fé. Quando as doutrinas estão corrompidas, o coração se encontra na mesma condição. Existe um corpo de doutrinas que tem de ser preservado.
A maior evidência disso no versículo 3 é a declaração de Judas no sentido de que a fé “uma vez por todas foi entregue aos santos”. Isto significa que ela se propagou a partir dos apóstolos. A fé não foi inventada pela igreja. Foi revelada por Deus aos seus apóstolos e a seus companheiros mais achegados; em seguida, ela foi ensinada às igrejas como “todo o desígnio de Deus” (At 20.27).
Para nós, uma das ex-pressões mais importantes é “uma vez por todas” (v. 3). Agora estamos há quase dois mil anos depois que a fé foi inicialmente entregue à igreja e estamos cercados por milhares de pessoas e seitas que reivindicam ter uma nova palavra de revelação que completa a Palavra de Deus para a humanidade. Maomé ofereceu aos seguidores o Alcorão; Joseph Smith, o seu Livro de Mórmom; Sun Moon, o seu Princípio Divino. E todos os dias vocês encontram pessoas que consideram as tendências intelectuais contemporâneas como um substituto adequado para a Bíblia.
Mas observe com bastante cuidado. Judas ensinou que a fé “uma vez por todas foi entregue aos santos”. A revelação de Deus concernente ao conteúdo doutrinário de nossa fé está completo. A igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef 2.20). Qualquer pessoa que surge e reivindica ter uma nova revelação da parte de Deus, para acrescentá-la à fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”, está agindo contra as Escrituras.
A razão por que temos a Bíblia é que a igreja do terceiro e do quarto século reconheceu que Deus falou “uma vez por todas” nesses escritos. O cânon foi concluído, e todas as reivindicações a respeito da verdade têm de ser avaliadas pelo padrão da fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”.
Quando afirmamos a existência de uma fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”, queremos dizer fé e não “fés”. Em nossos dias, é comum alguém falar sobre diversas teologias no Novo Testamento.
Os eruditos gostam de enfatizar a diversidade de opiniões entre os autores do Novo Testamento e a dificuldade para trazê-los todos a um entendimento coerente da realidade.
Ora, certamente existe alguma diversidade entre um escritor inspirado e outro do Novo Testamento. Mas eu rogo à nova geração de estudiosos que pensem mais e melhor a respeito das implicações de Judas 3: “A fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Embora possa haver diversidade na maneira como entendemos esta fé, a ênfase recai sobre a unidade. Existe uma fé apostólica. Existe um corpo de doutrinas que sustentam uma à outra, chamado “fé”. Não devemos acrescentar ou retirar nada desse corpo de doutrinas. Ele foi uma vez por todas entregue aos santos.
2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela. Lemos em Romanos 14 que um crente considera um dia superior aos demais e que outro crente considera iguais todos os dias. Cada crente deve estar convicto em sua própria mente e não menosprezar nem condenar seu irmão. Mas na epístola de Judas somos ensinados a batalhar por aquilo em que cremos.
O que eu posso deduzir é que existe um conjunto de doutrinas digno de que batalhemos por ele, bem como aplicações secundárias dessas doutrinas; e por causa dessas aplicações não devemos contender uns com os outros.
Mas grave isto em sua mente: existe uma verdade digna de que batalhemos por ela. Existe uma verdade digna de morrermos por ela. Isso é muito difícil para a nossa cultura relativista entender. Talvez sejamos capazes de imaginar uma pessoa morrendo por outra; todavia, muitos em nossos dias não consideram qualquer verdade tão preciosa, que eles lutarão ou mesmo morrerão por ela.
Não foi sempre assim. A fé que hoje nutrimos foi preservada para nós à custa do sangue de centenas de reformadores. De 1555 a 1558, a rainha Maria, a católica que reinou na Inglaterra, queimou na fogueira 288 reformadores protestantes — homens como John Rogers, John Hooper, Rowland Taylor, Robert Ferrar, John Bradford, Nicholas Ridley, Hugh Latimer e Thomas Cranmer. E por que eles foram queimados? Porque permaneceram firmes em favor de uma verdade — a verdade de que a presença real do corpo de Jesus não está na eucaristia, e sim no céu, à direita do Pai. Por essa verdade, eles suportaram o agonizante sofrimento de serem queimados vivos.
O sangue dos mártires é um poderoso testemunho de que a fé “uma vez por todas” entregue aos santos é digna de batalharmos por ela. Existe evidência disso no versículo 3. Judas disse que desejava realmente escrever acerca da nossa comum salvação. “Quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé.” Quando a fé está em jogo, nossa salvação também está em jogo. Se a verdade está corrompida, a nossa salvação também está corrompida. Os apóstolos e reformadores se mostraram dispostos a morrer por causa da fé, porque se preocuparam com a preservação da mensagem de salvação — eles se preocuparam com pessoas e com a glória de Deus.
Precisamos obter um sentimento completamente novo da preciosidade da doutrina bíblica. Como igreja, precisamos conhecer a profundidade, a beleza e o valor da verdade doutrinária. Existe uma fé digna de contendermos por ela.
3. Esta fé está sendo constantemente ameaçada por elementos de dentro da igreja. Maria, a sanguinária, confessava ser cristã; ela não era bárbara. Os piores inimigos da doutrina cristã são aqueles que se declaram cristãos e não se apegam à fé que “uma vez por todas foi entregue aos santos”.
Em sua última mensagem aos pastores da igreja de Éfeso, o apóstolo Paulo os advertiu dizendo: “Depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20.29-30). Os lobos que pervertem a fé são pessoas que se declaram crentes. São pastores, líderes de igreja, professores de seminários e missionários.
Em sua epístola, Judas apresenta no versículo 4 a razão por que a igreja precisava preparar-se para batalhar pela fé: “Certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”.
Assim, a ameaça à fé está vindo de indivíduos que agora se encontram no meio da igreja. Provavelmente, eles estão dizendo o seguinte: “Se nós somos salvos pela graça, não importa o que somos em nossa vida moral. Na verdade, quando um crente peca, isto serve tão-somente para magnificar a graça de Deus”. Deste modo, eles colocam a graça de Deus em oposição aos mandamentos de Cristo e, na prática, negam o senhorio de Jesus.
Eles têm agido dessa maneira desde o primeiro século. Paulo disse que isso iria acontecer. Judas o viu se realizando, como um cumprimento das predições de Paulo. Nos versículos 17 e 19, Judas afirmou: “Lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito”.
Embora as cartas de Paulo tenham-no feito derramar muitas lágrimas (Fp 3.18), quase todas as cartas abordam assuntos relacionados a lutas que estava travando com pessoas que declaravam ser crentes. Portanto, não devemos ficar surpresos com o fato de que hoje muitas
de nossas lutas em favor da fé se realizam com crentes que ensinam e escrevem coisas que (pelo menos do nosso ponto de vista) são contrárias à “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.
O Novo Testamento ensina com muita clareza que a fé será, por repetidas vezes, ameaçada por pessoas de dentro da igreja.
4. Isso nos leva à admoestação final: todo crente genuíno deve batalhar por esta fé. A epístola de Judas não foi escrita para um pastor, e sim para aqueles que são “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (v. 1). Por conseguinte, o dever de batalhar pela fé não pertence exclusivamente aos pastores consagrados ao ministério da Palavra, embora eles tenham uma responsabilidade especial. Batalhar pela fé é o dever de todo crente verdadeiro.
Os versículos 21 e 22 nos dizem algo sobre as coisas que nos deveriam preparar para batalharmos pela fé — “Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna”. E os versículos 22 e 23 nos falam a respeito de maneiras pelas quais podemos envolver-nos nessa batalha.
A melhor coisa que podemos fazer para que sejamos uma igreja eficaz em batalhar pela fé
é nos tornarmos uma igreja bem fundamentada na fé — “Edificando-vos na vossa fé santíssima”. Estudem! Meditem! Edifiquem! Cresçam! Há muitas verdades maravilhosas a aprendermos sobre Deus. E a melhor defesa da fé é conhecer tais verdades e amá-las.
A oração é uma parte indispensável do batalhar pela fé — “Orando no Espírito Santo”. A menos que procuremos ter a mentalidade do Espírito Santo, através da oração, não cresceremos em nossa assimilação da fé e seremos soldados fracos.
No que se refere à batalha propriamente dita, Judas instruiu: “E compadecei-vos de alguns que estão na dúvida; salvai-os, arrebatando-os do fogo; quanto a outros, sede também compassivos em temor, detestando até a roupa contaminada pela carne”.
Pelo menos duas coisas são evidentes nessa instrução: 1) batalhar às vezes envolve um esforço intelectual para que seja mudada a maneira de pensar da outra pessoa — “Compadecei-vos de alguns que estão na dúvida”; 2) batalhar às vezes envolve repreensão moral — “Procurem aqueles que estão atolados no lamaçal onde foram apanhados por idéias perversas e resgatem-nos ao lugar de segurança, mesmo que odeiem o que eles estão fazendo”.
Na realidade, essas coisas andam sempre juntas: um esforço para mudar a maneira de pensar e um empenho para mudar a moralidade. Batalhar pela fé nunca é simplesmente um exercício acadêmico, assim como nunca é apenas um exercício mental; visto que a fonte de todas as falsas doutrinas é o orgulho do coração humano e não a fraqueza de sua mente.
Essa é a razão por que Judas nos exorta a crescer, orar, permanecer no amor de Deus e depender de sua misericórdia, antes de afirmar qualquer coisa sobre a maneira como devemos batalhar pela fé. Viver a fé é o melhor argumento que os crentes têm em favor da fé. Por essa razão, o apóstolo Pedro disse: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). A maneira como você luta é tão importante quanto o conteúdo de seus argumentos. Você pode vencer com sua lógica e perder com sua vida.
Em resumo,
1. Existe uma fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
2. Esta fé é digna de que batalhemos por ela.
3. A fé está, por repetidas vezes, sofrendo ameaças vindas da própria igreja, por meio de crentes que professam apenas verbalmente a fé.
4. É dever de todo crente batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
Fonte: Desiring God / Editora Fiel / John Piper
O Prazer De Deus em Seu Filho
20/02/11
Mateus 17:5
Este é o meu Filho amado de quem me agrado.
Introdução
Nós estamos começando uma nova série de mensagens hoje que, se Deus quiser, irá até o domingo de Páscoa, dia 19 de Abril. Então, eu gostaria de começar explicando como eu fui movido a desenvolver esta série.
Ver é Tornar-se
Quando se trata do entendimento de o que deve acontecer no ato da pregação, eu sou guiado por vários textos bíblicos, especialmente 2 Coríntios 3:18:
E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.
Eu acredito que este texto nos ensina que uma das maneiras em que somos transformados progressivamente à semelhança de Cristo é olhando para sua glória. “Todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados.” A maneira de tornar-se mais e mais como o Senhor é fixar seu olhar em sua glória e mantê-lo em foco.
Nós cantarolamos a música que escutamos. Nós falamos como os nossos amigos. Nós pegamos as manias dos nossos pais. E nós, naturalmente, tendemos a imitar aqueles que mais admiramos. E do mesmo jeito é com Deus. Se nós fixarmos nossa atenção nele e mativermos sua glória em foco, nós seremos transformados de glória em glória, à sua semelhança. Se os adolescentes tendem a usar o mesmo penteado que os artistas que eles admiram, do mesmo modo Cristãos tenderão a formar seu caráter como o Deus que eles admiram. Nesse processo espiritual ver não é apenas crer; ver é tornar-se.
A Pregação Como a Revelação da Glória de Deus
A lição que eu tiro disso para a pregação é que em grande parte ela deve ser a revelação da glória de Deus, porque o objetivo da pregação é transformar as pessoas à selhança de Cristo. Eu acho que isto bate com a visão de Paulo sobre a pregação porque apenas quatro versículos depois, em 2 Coríntios 4:4, ele descreve o conteúdo de sua pregação como “a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” E logo depois, no versículo 6, ele o descreve um pouco diferente como a “iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.”
Então, de acordo com Paulo, a pregação é um meio de se iluminar corações obscurecidos de homens e mulheres.
No versículo 4 a luz é chamada de “luz do evangelho”, e no versículo 6 a luz é chamada de “luz do conhecimento”.
No versículo 4 o evangelho é o evangelho da glória de Cristo, e no versículo 6 o conhecimento é o conhecimento da glória de Deus. Portanto, nos dois versículos a luz transmitida para dentro do coração é a luz da glória – a glória de Cristo e a glória de Deus.
Mas estas não são realmente duas glórias diferentes. No versículo 4 Paulo diz que é a glória de Cristo, que é a imagem de Deus. E no versículo 6 ele diz que a glória Deus está na face de Cristo. Portanto a luz transmitida na pregação é a luz da glória, e pode-se referir a esta glória como a glória de Cristo que é a imagem de Deus, ou a glória de Deus perfeitamente refletida em Cristo.
A pregação é a revelação ou a demonstração ou a exibição da glória divina ao coração de homens e mulheres ( 4:4-6), de maneira que pela contemplação desta glória eles sejam transformados à semelhança do Senhor com glória cada vez maior (3:18).
Conhecimento Pela Própria Experiência
Esta não é uma construção artificial ou meramente intelectual. Ela é precisamente o que eu conheço como verdade por minha própria experiência (como muitos de vocês também sabem!): Ver Deus como ele realmente é tem se provado, vez após vez, uma força poderosa e constrangedora motivando-me em minha busca por santidade e alegria nele.
Você e eu sabemos por experiência própria que o conflito principal na alma humana é entre duas glórias – a glória do mundo e todos os breves prazeres que ele pode oferecer, contra a glória de Deus e todos os prazeres eternos que ela pode oferecer. Estas duas glórias competem pela fidelidade, admiração e deleite dos nossos corações. E o papel da pregação é demonstrar, descrever, retratar e exibir a glória de Deus de um modo que sua excelência e valor superiores brilhem no seu coração para que você seja transformado com glória cada vez maior.
O Desafio Perante o Pregador
Isso significa que como um pregador eu sou, continuamente, confrontado com a questão: Como eu posso retratar da melhor maneira a glória de Deus de modo que o máximo de pessoas a verá e será transformado por ela? Enquanto eu me fazia esta pergunta no retiro, duas semanas atrás, uma nova resposta veio à minha mente.
Eu estava lendo novamente parte de “A vida de Deus na alma do homem” (The Life of God in the Soul of Man) de Henry Scougal. Ele fez esse intrigante comentário: “O valor e a excelência de uma alma devem ser medidos pelo objeto do seu amor” (p. 62). Aquilo me bateu como uma grande verdade. E me veio o pensamento que se é verdade para o homem, como Scougal sugeriu, certamente é também verdade para Deus: “O valor e excelência da alma de DEUS deve ser medido pelo objeto de seu amor”.
Eu então procurei nas Escrituras por vários dias todos os lugares que nos dizem o que é que Deus ama, em que ele se alegra, se deleita, se agrada e se regozija. O resultado é um plano para pregar 13 messagens entituladas “Os prazeres de Deus”.
Então é minha oração, e eu espero que você a fará sua oração, que ao ver os objetos do prazer de Deus nós veremos a excelência e o valor de sua alma; e ao vermos sua glória nós seremos transformados com glória cada vez maior à sua semelhança; e ao sermos transformados à sua semelhança nós confrontaremos essa cidade, e os povos inalcançados da Terra, com um testemunho vivo de um Salvador grande e irresistivelmente atraente. Que o Senhor se agrade em nos mandar um grande reavivamento de amor, santidade e poder enquanto nós olhamos para ele e oramos seriamente durante as próximas 13 semanas.
Exposição
Para retratar o valor da alma de Deus no objeto do seu amor nós devemos começar do início. A primeira e mais fundamental coisa que podemos dizer sobre os prazeres de Deus é que ele tem prazer em seu Filho. Eu vou tentar desenrolar esta verdade em 5 afirmações.
1. Deus tem prazer em seu Filho.
Em Mateus 17 Jesus leva Pedro, Tiago e João a uma montanha. Quando eles estão sozinhos algo completamente surpreendente acontece. De repente Deus dá a Jesus uma aparência de glória. Versículo 2: “Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz.” Depois, no versículo 5 uma nuvem resplandecente os envolve e Deus fala da nuvem: “Este é o meu Filho amado de quem me agrado. Ouçam-no!”
Primeiro, Deus dá aos discípulos um breve lampejo da verdadeira glória celestial de Jesus. Isto é o que Pedro diz em 2 Pedro 1:17 – “[Cristo] recebeu honra e glória da parte de Deus Pai.” Daí Deus revela seu coração pelo Filho e diz duas coisas: “Eu amo meu Filho” (“Este é o meu Filho amado”) e “eu tenho prazer em meu filho” (“de quem me agrado”).
Ele diz isso em uma outra ocasião: no batismo de Jesus, quando o Espírito Santo desce e unge Jesus para o seu ministério, significando o amor e o apoio do Pai – “Este é o meu Filho amado de quem me agrado.”
E no evangelho de João, Jesus fala várias vezes sobre o amor do Pai por ele: por exemplo, João 3:35, “O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos.” João 5:20, “O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz.”
(Veja também Mateus 12:18 onde Mateus cita Isaías 42:1 em referência a Jesus: “Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado, em quem tenho prazer.” A palavra hebraica traduzida como ‘tenho prazer’ é ratsah, e significa ‘deileitar-se.’)
Então nossa primeira afirmação é que Deus Pai ama seu Filho, não com auto-negação, misericórdia sacrificial, mas com o amor de deleite e prazer. Ele se agrada de seu Filho. Sua alma deleita-se no Filho. Quando ele olha para seu Filho ele gosta, trata com carinho, admira, estima e aprecia o que vê.
2. Filho de Deus é totalmente divino.
Esta verdade vai nos livrar de cometermos um erro sobre a primeira. Você deve concordar com a afirmação de que Deus tem prazer em seu Filho mas talvez cometa o erro de pensar que o Filho é, meramente, um homem extraordinariamente santo que o Pai adotou como Filho porque deleitava-se muito nele.
Mas Colossenses 2:9 nos dá uma perspectiva muito diferente das coisas. “Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” O Filho de Deus não é meramente um homem escolhido. Ele tem a plenitude da divindade nele.
E Colossenses 1:19 relaciona isso com o prazer de Deus: “Toda a plenitude [da divindade] agradou-se em habitar nele.” Ou você poderia dizer (com a NVI), “Foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a [sua] plenitude.” Em outras palavras, Deus teve prazer em fazer isso. Deus não olhou para o mundo a fim de achar um homem que se qualificaria para seu deleite para daí adotá-lo como seu Filho. Ao contrário, o próprio Deus tomou a iniciativa de colocar sua plenitude em um homem no ato da incarnação. Ou nós poderíamos dizer que ele tomou a iniciativa de cobrir a plenitude de sua própria divindade com a natureza humana. E Colossenses 1:19 diz que foi do seu agrado fazê-lo. Foi o seu prazer e deleite.
Nós podemos tender a dizer que Deus não encontrou um Filho que o agradasse, mas ele fez um Filho que o agradasse. Mas isto também induziria a um erro porque esta plenitude da divindade, que agora habita corporalmente (Colossenses 2:9) em Jesus, já existia de forma pessoal antes que ele tomasse a naturaza humana em Jesus. Isto nos leva adiante na Divindade e à afirmação 3.
3. O Filho em que Deus se deleita é a imagem eterna e reflexão de Deus e é, por conseguinte, o próprio Deus.
Aqui em Colossenses 1:15 Paulo diz,
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação [isto é, aquele que tem a posição exaltada de Filiação divina sobre toda a criação, como mostra a próxima frase], pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra.
O Filho é a imagem do Pai. O que isto significa? Antes de dizermos, vamos considerer outras designações similares.
Hebreus 1:3 diz do Filho,
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as; coisas por sua palavra poderosa.
Em Filipenses 2:6 Paulo diz,
Embora sendo Deus (ou embora existindo na forma de Deus), não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo.
Então, o Filho em quem Deus se deleita é sua própria imagem; é o resplendor da sua própria glória; é a expressão exata do seu ser; existe na forma de Deus; e é igual a Deus.
Logo, nós não devemos ficar surpresos quando o apóstolo João, em João 1:1, diz:
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.
Seria um grande erro dizer que o Filho de quem Deus se agrada foi feito ou criado na incarnação ou em qualquer tempo. “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.” Pelo mesmo tempo em que existe Deus, tem existido a Palavra de Deus, o Filho de Deus, que tomou a natureza humana em Jesus Cristo.
Agora nós podemos ter uma melhor idéia de o que a Bíblia quer dizer quando o chama de a imagem ou resplendor ou expressão exata ou forma de Deus que é igual a Deus.
Por toda a eternidade até hoje a única realidade que sempre existiu é Deus. Isto é um grande mistério, porque é muito difícil para nós pensarmos em Deus não tendo uma origem, apenas estando lá para todo o sempre sem nada ou ninguém tendo feito com que ele lá estivesse – uma realidade absoluta à qual cada um de nós deve ajustar-se, goste ou não.
A Bíblia ensina que esse Deus eterno tem tido por todo o sempre:
- uma imagem perfeita de si mesmo;
- uma reflexão perfeita de sua essência;
- um perfeito estigma ou impressão de sua natureza;
- uma perfeita forma ou expressão da sua glória.
Nós estamos no limite do inefável aqui, mas talvez nós possamos ousar dizer a seguinte grandeza: Deus tem, por todo o sempre, sendo Deus, tido consiência de si mesmo, e a imagem que ele tem de si mesmo é tão perfeita e tão completa e abundante assim como é a reprodução (criação) viva e pessoal dele mesmo. E esta imagem ou reflexão ou forma viva e pessoal de Deus é Deus, a saber, Deus Filho. E, logo, Deus Filho é co-eterno com Deus Pai e igual em essência e glória.
4. O Prazer de Deus em seu Filho é prazer em si mesmo.
Sendo o Filho a imagem de Deus e o resplendor de Deus e a expressão exata de Deus e a forma de Deus, igual a Deus e, de fato, sendo Deus, logo, o deleite de Deus no Filho é deleite em si mesmo. Logo, a alegria fundamental, mais profunda, primária e original de Deus é a alegria que ele tem em suas próprias perfeições conforme ele as vê refletidas em seu Filho. Ele ama o Filho e se deleita no Filho e se alegra no Filho porque o Filho é o próprio Deus.
A princípio isso soa como vaidade e passa o sentimento de convencimento e presunção e egoísmo, porque isto é o que seria se algum de nós encontrasse sua maior e mais profunda alegria olhando-se no espelho. Seriamos vaidosos, convencidos, presunçosos e egoístas.
Mas por quê? Porque nós fomos criados para algo infinitamente melhor e mais nobre e maior e mais profundo que auto-contemplação. O quê? A contemplação e o gozo de Deus! Qualquer coisa a menos que isso seria idolatria. Deus é o mais glorioso de todos os seres. Não amá-lo e deleitar-se nele é um grande insulto ao seu valor.
Mas o mesmo é verdade para Deus. Como poderia Deus não insultar o que é infinitamente belo e glorioso? Como poderia Deus não cometer idolatria? Há somente uma resposta possível: Deus deve amar e deleitar-se em sua própria beleza e perfeição acima de todas as coisas. Nós fazermos isso em frente ao espelho é a essência da vaidade. Deus fazer isso em frente ao seu Filho é a essência da retidão.
Não é a essência da retidão ser movido por um delite perfeito no que é perfeitamente glorioso? E não é o oposto da retidão quando nós colocamos nossas maiores afeições nas coisas de menor ou nenhum valor?
E então, a retidão de Deus é o infinito zelo e alegria e prazer que ele tem em seu próprio valor e glória. E se ele, em algum momento, agisse contra essa eterna paixão por suas próprias perfeições, ele seria iníquo. Ele seria um idólatra.
Nisso está o maior obstáculo para nossa salvação: pois como poderia esse Deus justo colocar suas afeições em pecadores como nós? Mas nisso também está o fundamento da nossa salvação, pois é precisamente a infinita estima que o Pai tem pelo Filho que faz possível para mim, um pecador perverso, ser amado e aceito no Filho; porque em sua morte ele restaurou todo o insulto e dano que eu causei à glória de Deus pelo meu pecado.
Nós veremos isso vez após vez nas semanas seguintes – como o prazer infinito do Pai em suas próprias perfeições é a fonte de nossa redenção e esperança e eterna alegria. Hoje é apenas o começo.
Eu encerro com a quinta afirmação e aplicação final. Se Scougal está certo – que o valor e a excelência de uma alma devem ser medidos pelo objeto ( e eu acrescentaria, pela intensidade) do seu amor – então…
5. Deus é o mais excelente e digno entre todos os seres.
Por quê? Porque ele tem amado seu Filho, a imagem de sua própria glória, com energia infinita e perfeita, por toda a eternidade. Quão gloriosos e felizes têm sido o Pai, o Filho e o Espírito Santo, juntos, por toda a eternidade!
Que nós reverenciemos este grande Deus! E que nós abandonemos todos os ressentimentos insignificantes, todos os prazeres efêmeros e buscas vazias da vida, e participemos do contentamento que Deus tem na imagem de suas próprias perfeições – seu Filho. Oremos:
Deus justo, infinito e eterno, nós confessamos que temos, freqüentemente, o diminuído e exaltado nós mesmos ao centro das nossas afeições, onde somente você pertence na imagem de seu Filho. Nós arrependemos e deixamos nossa presunção e , alegremente, reverenciamos sua felicidade eterna e auto-suficiente na união da Trindade. E nossa oração, nas palavras de seu Filho (João 17:26), é que o amor com que você o amou esteja em nós, e ele esteja em nós, para que participemos dessa relação de alegria e desse oceano de amor para todo o sempre. Amém.
Fonte: http://www.desiringgod.org
Dez Razões Porque é Errado Tirar a Vida de Crianças que Ainda Não Nasceram
19/02/11
Isto não é uma defesa à humanidade da criança não-nascida. É um argumento de que, se a criança não-nascida é humana, não deve ser abortada. Existem alguns abortistas que acreditam que a criança não-nascida é um ser humano. Mas estes médicos fazem abortos regularmente de qualquer forma, pois acreditam que tirar uma vida inocente, mesmo sendo algo trágico, é justificável devido às circunstâncias que enfrentam mãe e filho. Alguns destes médicos querem ser cristãos e bíblicos, e não vêem que sua prática é errada. Escrevi este pequeno texto para que estes médicos reconsiderem.
1. O Senhor ordenou, “Não matarás” (Êxodo 20:13).
Eu tenho consciência de que alguns assassinatos são endossados na Bíblia. A palavra “matar” em Êxodo 20:13 é, em hebreu, “rahaz”. É usada 43 vezes no Antigo Testamento hebreu. Sempre significa violência, matança que na verdade é assassinato. Nunca é usada com o sentido de matar na guerra ou (com uma exceção, Números 35:27) em execuções judiciais. Existe uma diferença clara entre a morte legal (sentença de morte) e o assassinato ilegal. Por exemplo, em Números 35:19, “O vingador do sangue matará o homicida.” A palavra “matará” vem de “rahaz” que é proibida nos Dez Mandamentos. A expressão “sentença de morte” é uma expressão geral para descrever as execuções legais.
Quando a Bíblia fala de algum assassinato que seja justificado, está se referindo a Deus partilhar alguns de seus direitos com as autoridades civis. Quando o estado age como preservador da justiça e da paz enviado por Deus, tem o direito de “fazer debalde a espada” como é citado em Romanos 13:1-7. Este direito do estado sempre é exercido para punir o mal, nunca para atacar o inocente (Romanos 13:4).
Portanto, “não matarás,” é uma denúncia clara e retumbante da matança de inocentes crianças ainda não-nascidas.
2. A destruição da vida humana concebida — seja ela embrionária, fetal ou viável — é uma violação da obra única de formar as pessoas que só Deus faz.
Podemos citar alguma coisa das Escrituras relacionada ao que está acontecendo quando uma vida que está no ventre é abortada? Salmos 139:13 diz: “Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.”
O mínimo que podemos extrair deste texto é que a formação da vida de uma pessoa no ventre é uma obra de Deus. Deus é quem “possui” e quem “cobre”, nesta passagem. Além do mais podemos dizer que a formação de vida no ventre não é um mero processo mecânico, é algo semelhante à tecelagem ou até mesmo ao tricô: “cobriste-me no ventre de minha mãe.” A vida da criança ainda não nascida é a tecelagem de Deus, e o que ele está tecendo é um ser humano a sua semelhança, diferente de qualquer outra criatura no universo.
A outra passagem, menos conhecida, está no livro de Jó. Ele atesta nunca ter rejeitado os pedidos de seus serviçais, mesmo que naquela cultura as pessoas considerassem os serviçais meros objetos. O que merece atenção aqui é como Jó argumenta.
Jó 31:13-15 diz: “13)Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo; 14)Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia? 15) Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele?Ou na nos formou do mesmo modo na madre?”
O versículo 15 nos dá a razão pela qual Jó seria culpado se ele tratasse um de seus serviçais de maneira desigual. A questão não é realmente o fato de que um nasceu livre e o outro nasceu na escravidão. A questão é anterior ao nascimento. Quando Jó e seus serviçais estavam sendo formados no ventre, o encarregado por este trabalho era Deus. Esta é a premissa das palavras de Jó.
Então ambos, Salmo 139 e Jó 31, dão ênfase ao fato de ser Deus o principal trabalhador — cuidador, formador, tecelão, criador — no processo de gestação. Por que isso é importante? É importante porque Deus é o único capaz de criar uma pessoa. As mães e os pais podem contribuir com um óvulo impessoal e com esperma impessoal, mas apenas Deus cria uma pessoa independente. Então, quando as Escrituras dão ênfase ao fato de que Deus é o cuidador e formador no ventre, deve-se destacar que tudo que acontece no ventre é obra de Deus, que é a formação de uma pessoa. Do ponto de vista bíblico, a gestação é a obra de Deus para formar uma pessoa.
Podemos ter uma discussão sem fim sobre o que é uma pessoa completa. Mas podemos dizer com muita confiança: o que está acontecendo no ventre é a obra de Deus para formar uma pessoa, e somente Deus sabe quão profunda e misteriosa é a criação de uma pessoa. Portanto, é arbitrário e injustificado presumir que com relação a qualquer parte tecida desta pessoa, sua destruição não será uma agressão às prerrogativas de Deus o Criador.
Em outras palavras: a destruição de uma vida humana — seja ela embrionária, fetal ou viável — é uma agressão ao trabalho único de formar pessoas, feito por Deus. O aborto é uma agressão a Deus, não só ao homem. Deus faz seu trabalho único no ventre desde o momento da concepção. Este é o testemunho claro do Salmo 139:13 e de Jó 31:15.
3. O aborto está relacionado com o que a Bíblia condena repetidamente: “derramar o sangue dos inocentes.”
A expressão “sangue inocente” aparece cerca de 20 vezes na Bíblia. O contexto é sempre o mesmo: condena aqueles derramam o sangue ou adverte as pessoas para que não o façam. O sangue inocente inclui o sangue das crianças (Salmos 106:38). Jeremias coloca este assunto no contexto de estrangeiros, viúvas e órfãos: “Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor, e não oprimais ao estrangeiro nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocentes neste lugar.” Com certeza o sangue da criança ainda não nascida é inocente.
4. A Bíblia freqüentemente expressa a alta prioridade que Deus coloca na proteção, abastecimento e defesa dos mais fracos e mais oprimidos membros da comunidade.
Por muitas e muitas vezes lemos sobre o estrangeiro, a viúva e o órfão. Esta é principal preocupação de Deus e deveria ser a principal preocupação de seu povo.
“O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egito. E nenhuma viúva ou órfão afligireis. Se de algum modo os afligires, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor. E a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos” (Êxodo 22:21-24).
“Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo” (Salmo 68:5).
“Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios” (Salmos 82:3-4).
“Matam a viúva e o estrangeiro, e ao órfão tiram a vida.” “E trará sobre eles a sua própria iniqüidade; e os destruirá na sua própria malícia; o Senhor nosso Deus os destruirá” (Salmos 94: 6, 23).
5. Ao julgar uma vida humana difícil e trágica como mais maligna do que tirar uma vida, abortistas contradizem os ensinamentos bíblicos de que Deus ama mostrar seu poder de Graça através do sofrimento, não apenas ajudando as pessoas a evitarem o sofrimento.
Isso não quer dizer que devemos procurar o sofrimento para nós mesmos ou para os outros. Quer dizer que o sofrimento é retratado na Bíblia como necessário e ordenado por Deus, apesar de não agradar a Deus a difícil situação deste mundo arruinado (Romanos 8:20-25, Ezequiel 18:32), e especialmente aqueles que irão entrar no paraíso (Atos 14:22; Tessalonicenses 3:3-4) e vivem vidas de deuses (2 Timóteo 3:12). Este sofrimento nunca é visto como mera tragédia. Também é visto como meio para crescimento em Deus e meio para tornar-se forte nesta vida (Romanos 5:3-5; Tiago 1:3-4; Hebreus 12:3-11; 2 Coríntios 1:9; 4:7-12; 12:7-10), para tornar-se glorioso na vida que estará por vir (2 Coríntios 4:17; Romanos 8:18).
Quando abortistas argumentam que tirar uma vida é menos maldoso do que deixar sofrer, estão querendo ser mais sábios do que Deus, que nos ensinou que sua Graça é capaz de atos maravilhosos de amor através do sofrimento daqueles que vivem.
6. É um pecado justificar o aborto no fato de que todas estas crianças irão para o céu ou terão uma vida completa na sua ressurreição.
Esta é uma boa esperança quando o coração está partido por causa das penitências e está à procura de perdão. Mas é maldade justificar o ato de matar com a felicidade da eternidade daquele que irá morrer. A mesma justificativa poderia ser usada para matar crianças de 1 ano de idade, ou qualquer outra pessoa que acreditasse no paraíso. A Bíblia apresenta a seguinte questão: “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?” (Romanos 6:1). E também: “Façamos males para que venham bens?” (Romanos 3:8). Em ambos os casos ressoa um NÃO. É presunçoso tomar o lugar de Deus e querer controlar o céu ou o inferno. Nosso dever é obedecer a Deus, não querer ser Deus.
7. A Bíblia nos ordena a resgatar nosso vizinho da morte.
“Resgata aqueles que estão sendo levados pela morte; segure aqueles que se deparam com a matança. Se você disser, ‘Não sabemos disso’, será que Ele que conhece o coração das pessoas não irá perceber? Será que Ele, que vigia a sua alma, não saberá, e será que Ele não irá retribui o homem de acordo com o seu trabalho?”
Não existe razão cientifica, médica, social, moral ou religiosa para colocar a criança em uma classe tal que este texto não se aplique a ela. É uma desobediência a este texto abortar uma criança ainda não-nascida.
8. Abortar uma criança ainda não-nascida vai contra a repreensão de Jesus àqueles que desprezam as crianças como sendo não-dignas da atenção do Salvador.
“E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto repreendiam-nos. Mas Jesus, chamando-os para si, disse: ‘Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais porque dos tais é o reino de Deus’” (Lucas 18:15-16). A palavra meninos também é usada para denominar a criança não-nascida no ventre de Isabel em Lucas 1:41,44.
“E lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes: ‘Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou” (Marcos 9:36-37).
9. Cabe somente a Deus, o Criador, dar ou tirar uma vida humana. Não é nosso direito pessoal fazer esta escolha.
Quando Jó ficou sabendo que todos os seus filhos tinham sido mortos, ele ajoelhou-se para adorar ao Senhor, e disse: “Nu sai do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó, 1:21).
Quando Jó falou sobre vir do ventre de sua mãe, disse, “o Senhor deu.” E quando Jó falou em morrer, disse, “o Senhor o tomou.” Vida e morte são as prerrogativas de Deus. Ele é que dá e quem tira nesta vida. Não temos o direito de fazer escolhas pessoais sobre este assunto. Nosso dever é cuidar do que nos dá e usar isto em Sua glória.
10. Por fim, ter fé em Jesus Cristo traz o perdão e a consciência limpa e nos ajuda através da vida e para a eternidade. Cercados por um amor tão onipotente, cada seguidor de Jesus está livre da ganância e do medo que podem seduzir uma pessoa a procurar por estas verdades para obter riqueza e evitar a repreensão.
Fonte: http://www.desiringgod.org/
Qual é a Filosofia de Adoração que nos Une?
18/02/11
• Centralidade de Deus: Uma grande prioridade do foco vertical do nosso culto matinal de domingo. O objetivo final é experimentarmos a Deus de uma forma que ele seja glorificado em nossas afeições.
• Expectativa da poderosa presença de Deus: Não somente nos dirigimos em direção a Ele. Nós buscamos sinceramente a sua aproximação, de acordo com a promessa feita em Tiago 4:8. Acreditamos que na adoração Deus se aproxima de nós em poder, e se faz conhecido e sentido para o nosso bem e para a salvação dos incrédulos que estão em nosso meio.
• Saturada e baseada na Bíblia: O conteúdo das nossas canções, orações, saudações, pregações e poesias sempre se conformará à verdade da Escritura. O conteúdo da Palavra de Deus estará entrelaçado em tudo o que fazemos na adoração e será o fundamento de todo o nosso apelo à autoridade.
• Cabeça e coração: Adoração que visa ascender e manter emoções profundas, fortes e reais para com Deus, mas não manipula as emoções das pessoas falhando em apelar ao pensamento claro sobre coisas espirituais baseadas em evidências compartilháveis fora de nós mesmos.
• Seriedade e intensidade: Evitando uma atmosfera banal, superficial e frívola, mas em invés disso, dando um exemplo de reverência, paixão e admiração.
• Comunicação Autêntica: A renúncia expressa de todo pretexto, engano, hipocrisia, pretensão, presunção e superioridade. Não a atmosfera de performance artística ou de oratória, mas a atmosfera de um encontro radicalmente pessoal com a verdade de Deus.
• A manifestação de Deus e do bem comum: Desejamos, aguardamos com esperança e oramos (de acordo com 1 Cor. 12:7) que o nosso foco sobre a manifestação de Deus seja para o bem das pessoas, e que, portanto, um espírito de amor uns pelos outros não é incompatível com, mas necessário à adoração autêntica.
• Excelência que não distrai: Tentaremos cantar, tocar, orar e pregar, de tal forma que a atenção das pessoas não seja desviada da substância por desleixo ministerial, nem por excessiva fineza, elegância ou requinte. A excelência natural e que não distrai deixará que a verdade e a beleza de Deus brilhem.
• A mistura de música contemporânea e histórica: E disse-lhes: “Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt. 13:52).
Fonte: http://www.desiringgod.org/






