Estudos Bíblicos
Estudos Bíblicos
Ingratidão, o servo que não perdoa
28/07/10
Leia em sua Bíblia – Mt 18.23-35
As parábolas foram usadas diversas vezes por Jesus para ensinar os discípulos e o povo, podemos notar que a atitude do “personagem”, não reflete a boa ação que recebeu.
Porque muitas vezes não fazemos o bem em situações que deveríamos?
Essa é uma pergunta difícil, mas creio que seja a nossa velha natureza que sempre tenta reviver!
O capitulo 18 é muito interessante, pois ele nos fala sobre a importância de uma conduta digna, algo que distinguiria os membros do reino, do restante das pessoas.
Em especial, olharemos para a parábola, chamada pelos editores de nossas bíblias, A parábola do credor incompassivo (Revista e Atualizada) ou O empregado mau (Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
Jesus compara o reino com um rei que decidiu ajustar contas com seus servos. Esse rei encontra um servo que lhe devia dez mil talentos. O servo não teria como pagar, e conseguiu o perdão.
O importante não é falarmos da quantia, ou fazermos as contas para vermos quanto equivaleriam esses dez mil talentos, nos dias de hoje, mas sim de enfatizar que para um servo foi perdoado uma grande quantia, e este servo não fez o mesmo para o seu conservo.
Após ser perdoado, vemos que este servo, não fez o mesmo que o seu senhor, o rei, lhe havia feito, ele não perdoou. A palavra que descreve isso é ingratidão, pois quando somos abençoados, devemos também abençoar, não por obrigação, mas por livre e espontânea demonstração de uma vida transformada, pois um verdadeiro cristão é reconhecido por seus frutos, um bom texto que fala sobre os frutos é o de Galatas 5-22-23.
O rei é informado por pessoas, que não gostaram da atitude do servo. Creio que nem passou pelos pensamento do credor incompassivo
A parábola termina com a frase de Jesus: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”.
Essas palavras duras para os que não tem feito conforme os ensinamento de Jesus sobre o perdoar, e palavras doces para os que estão praticando e ensinando esses mandamentos para os outros.
Se você tem sofrido, ou tem não tem demonstrado sua gratidão, ore e peça a Deus que mude sua vida, sua forma de agir, e procure ajuda em sua igreja, com os pastores ou pessoas capacitadas para lhe ajudarem.
Fraternalmente em Cristo Jesus o Salvador,
Leonardo Rodrigues Pereira
“Esqueça os seus próprios interesses”
25/07/10
“Depois disse a todos: Se alguém quer ser meu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto cada dia para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Pois quem põe os seus interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira” (Lc 9.23-24, NTLH).
O que realmente significa ser um “discípulo” de Jesus? Discípulo não é somente aquele que crê na palavra do Senhor, mas é aquele que a segue integralmente. Certa vez, Jesus ensinou: “se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31).
Portanto, na passagem de Lucas logo acima, Jesus está dizendo que para sermos seguidores (discípulos) dele, primeiro precisamos esquecer nossos próprios interesses. Ora, que exigência que Jesus faz logo no início de nossa caminhada cristã!
É importante destacar, conforme o início do texto, que Ele disse essas palavras “a todos”, sem fazer qualquer distinção. Será que foi isso que nós aprendemos quando pela primeira vez escutamos o Evangelho? Ou simplesmente ouvimos que Jesus faria tudo por nós? Talvez por causa disso vemos pessoas hoje com bastante tempo de fé que têm dificuldade de deixar de lado os seus interesses, comprometendo a expansão do reino de Deus. É claro, porque “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto” (Jo 12.24).
Penso que às vezes muitos de nós somos diferentes das pessoas do mundo apenas naquilo que é grosseiro: não falamos palavrões, não adulteramos, não roubamos, etc; no entanto, quando temos a chance de demonstrar que somos realmente discípulos de Jesus, negando-nos a nós mesmos, só fazemos aquilo que nos agrada, aquilo que satisfaz nossa carne!
Jesus não disse que seríamos conhecidos como discípulos dele se tivéssemos “amor uns aos outros” (Jo 13.35)? Ocorre que quando somos chamados a servir na igreja, muitas vezes só servimos “quando” e “aonde” queremos – ou seja, “aonde nos sentimos à vontade”. Isto é servir? Ora, Paulo ensinou: “deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana” (Gl 5.16, NTLH). Para os coríntios, ele escreveu que Cristo “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5.15).
Portanto, para sermos seguidores de Jesus, precisamos deixar de lado nossos interesses pessoais e estar prontos para morrer a cada dia, para que finalmente possamos acompanhar o nosso Mestre, estando capacitados para dar os mesmos passos que Ele deu.
Ninguém fará as obras que Jesus fez ao longo da história bíblica sem antes também tomar as decisões que Ele tomou.
E às vezes nos esquecemos disto. Falamos de milagres, esperando que eles aconteçam, mas na verdade estamos preocupados com coisas materiais, como os discípulos, que após Jesus multiplicar pães e falar sobre o fermento dos fariseus, disseram: “é porque não trouxemos pão” (Mt 16.7). Uma pena! Em certo momento de sua vida, assim o Senhor orou a respeito de seus discípulos: “a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (Jo 17.19). Jesus se dedicou a todos nós.
O apóstolo Pedro também escreveu: “assim como Cristo sofreu no corpo, vocês também devem estar prontos, como ele estava, para sofrer. Porque aquele que sofre no corpo deixa de ser dominado pelo pecado” (1Pe 4.1).
Alguém tem alguma esperança de crescer na fé sem sofrer no corpo? Vejamos bem o que Pedro está ensinando aqui. Ele não está falando de qualquer tipo de sofrimento, mas de “sofrermos no corpo”. Ou seja, será que estamos dispostos a sofrer na carne em troca de uma recompensa espiritual? Ora, Paulo declarou: “todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma corroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu… esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.27).
Não podemos conciliar as obras da carne e as obras do Espírito, porque “a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer” (Gl 5.17). E aqui vem a questão central: o Espírito de Deus nos foi dado para não fazermos o que é do nosso querer! Por isso, é essencial que tenhamos uma vida de comunhão diária com o Espírito Santo, conforme Paulo recomendou aos coríntios: “a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2Co 13.13).
Precisamos ter uma vida de oração e leitura da palavra de Deus para que, fortalecidos interiormente, o Espírito Santo exerça domínio sobre a nossa alma (vontade e emoções) e sobre o nosso corpo. Assim, seremos cristãos espirituais – e não carnais.
É interessante observar que no texto de Lucas que estamos analisando Jesus não só nos mostra que devemos esquecer nossos próprios interesses, mas Ele mesmo declara, antes disso, no versículo anterior, que “o Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus” (v.22). Ou seja, Ele nos deu um grande exemplo.
Assim, um discípulo verdadeiro de Jesus não pode pensar, sentir ou agir diferentemente dele. Por isso, Pedro escreveu: “porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1Pe 2.21). Amados, que evangelho é esse que temos pregado e vivido, um evangelho de conforto material, comodismo e de vontades humanas intocáveis? Onde estão os servos do Senhor Jesus?
Paulo ainda ensinou que “nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos” (Rm 14.7-8). Mais adiante, ele conclui dizendo que não devemos “agradar-nos a nós mesmos. Portanto, cada um agrade ao próximo… Porque também Cristo não se agradou a si mesmo” (15.1-3). Portanto, amados, ouçamos bem as palavras do nosso Senhor Jesus, para que possamos, no tempo que se chama hoje, realmente ser identificados como discípulos dele, ou seja, como pessoas que se esquecem dos seus interesses pessoais e que estão prontas para morrer a cada dia em troca da vida verdadeira.
Autor: Christian Lo Iacono – Estudo disponível no site: www.cristoresposta.com.br
Jesus no meu barco
23/06/10
Mateus 14:22-27Jesus havia acabado de operar um milagre. Enquanto esteve na terra, Ele realizou muitos milagres: curou, libertou, o paralítico andou, o cego enxergou… Ele também tinha o dom de maravilha. Jesus enviou os discípulos num barco. O mundo inteiro gostaria de estar no lugar deles. Estavam felizes e contentes, relembrando o milagre que Jesus fez ao alimentar a multidão.
Opa!!! Não foi Jesus Cristo que enviou seus discípulos? Ele enviou seus discípulos para uma tempestade? Sim. Ele preparou uma experiência diferente para eles. Foi Jesus quem permitiu que o vento soprasse. Se Jesus te enviou, Ele não vai deixar seu barquinho afundar, mesmo que você seja marinheiro de primeira viagem.
Deus te envia e o mar está calmo, depois começa a ficar turbulento. Tudo está calmo até que chega uma notícia, um fato, uma conversa. Aí o vento calmo vira uma tempestade. Aquela confiança que você tinha no Senhor fica abalada e sua vida começa a balançar como um barco.
Onde estava Jesus Cristo nessa hora? No momento em que os seus discípulos mais precisavam dele? Essa é a hora que você começa a duvidar de Deus.
Não seja um “cristão 333″, ou seja, meio besta!
Tem hora que nós procuramos Jesus e não o achamos, parece que as nossas orações não estão sendo ouvidas e no nosso interior você se pergunta: por quê?
No versículo 23, Jesus estava orando enquanto eles estavam no barco. Ele estava intercedendo enquanto estavam no barco e, hoje, Ele continua intercedendo por nós à destra de Deus. Ele intercede enquanto estamos na tempestade.
O que podemos aprender com uma tempestade?
Nenhuma luta e nenhuma tempestade é sem propósito — Jesus está no controle. Ele tem propósito até nas tempestades. Jesus opera milagres, ama os pecadores, dá salvação pra nós, tem poder, provê tudo aquilo de que precisamos e tem as palavras de vida eterna. Nós o conhecemos assim.
Os discípulos o conheciam como mestre, só que eles não o conheciam na tempestade como nós o conhecemos. É muito fácil conhecer Jesus nos milagres, é fácil confiar em Jesus para a salvação, mas, e quando chega a tempestade?
Nós não conseguimos entender que aprendemos com as tempestades. Quando uma tempestade acontece na vida de alguém todo mundo acha que a pessoa já está em pecado e dizem: “Isso não é uma brecha, é uma avenida!
Isso é coisa do diabo! É retaliação!”
Os discípulos começaram a ver fantasmas. Isso acontece quando não confiamos em Deus nas tempestades. Se Deus tivesse de nos dar o que merecemos, nosso barco teria afundado faz tempo. Não conseguimos ver Jesus nas tempestades, só os fantasmas. Se nós temos fantasmas, vamos dar cabo deles!
A maior lição que Jesus ensinou aos discípulos foi tirá-los do ambiente dos milagres e colocá-los em um barquinho e agitar bastante para eles entenderem que Deus era com eles. Conserve o seu ânimo, mantenha-se fiel, seja perseverante por maior que sejam as ondas e os ventos — permaneça firme.
Jesus disse: tende bom ânimo, sou Eu! Não deixe nenhuma luta ou tempestade te enfraquecer, acabar com a tua fé, não tenha medo! Jesus é aquele que te pega pela mão e diz: não tema porque eu sou contigo por onde andares! A história da tua vida é minha! O barco não vai afundar, não pule dele!
No versículo 32 quando Jesus entrou no barco o vento cessou e os discípulos disseram: verdadeiramente esse é JESUS CRISTO!
Deixe Jesus tomar o leme do teu barco!
Deus abençoe.
Ap. Rina
Este estudo encontra-se no site www.boladeneve.com no menu mensagens. Usado com Permissão.
Procedimento Exemplar
21/06/10
“Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal. Eles não são do mundo como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.15-18).
Jesus proferiu essas palavras enquanto orava a Deus a favor dos seus discípulos. Podemos concluir, assim, que Ele não os queria fora do mundo, pois Ele mesmo tinha vindo ao mesmo mundo para salvá-lo. Mas Ele orava para que os seus discípulos não se apegassem ao mundo e fossem fiéis no cumprimento de sua missão: “vós sois o sal da terra … a luz do mundo … assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13,14,16).
Existe uma compreensão equivocada entre alguns cristãos de que um discípulo de Jesus, para crescer e tornar-se bastante útil para Deus, deve, um dia, obrigatoriamente, ter um ministério de tempo integral, ou seja, não deve ter nenhuma atividade profissional ou extra neste mundo a não ser o “ministério”. Essa idéia maligna tem retardado (e muitas vezes, até estancado) o processo de crescimento de muitos discípulos, que se sentem incapazes para essa tarefa, ou feito com que muitos deles deixem seus empregos e profissões (ou deixem de se dedicar a eles) na esperança de uma dia servirem a Deus. Mas devo observar que, se esse fosse o caso, o apóstolo Paulo não teria dirigido boa parte de suas cartas aos “senhores” e “servos” cristãos, orientando-lhes a darem um bom testemunho dentro da sociedade em que ambos estão inseridos, a fim de que eles sejam luz para a salvação de muitos. Lembremos que Jesus disse que a nossa luz deve brilhar em todo lugar deste mundo em que houver pessoas (“diante dos homens”), para que “vejam”.
Na sua primeira epístola, Pedro escreveu: “amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus … servos, sede subsmissos, com todo o temor aos vossos senhores, não somente aos bons e cordatos, mas também aos perversos, porque isto é grato, que alguém suporte tristezas … por motivo de sua consciência para com Deus” (2.11,12,18,19). Pedro chama os discípulos de “peregrinos e forasteiros”, salientando, com isso, que estamos aqui na terra em missão, como disse Jesus: “assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18). Assim, o nosso procedimento deve ser “exemplar” e “no meio dos gentios”. Antes de qualquer coisa, há um propósito divino no nosso trabalho secular: a glorificação de Deus.
Ao escrever aos efésios, por exemplo, Paulo diz aos servos: “obedecei a vossos senhores segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo” (6.5). Em Colossenses, o apóstolo também escreve aos servos: “tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo coração, como para o Senhor, e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa” (3.23,24). É muito importante que isso seja bem compreendido, a fim de que ninguém entre em conflito pessoal por causa do seu trabalho, como se ele fosse um empecílio para uma vida de vitória em Cristo, já que ele pode ser bem o oposto.
O apóstolo Paulo só “se entregou totalmente à palavra” na cidade de Corinto quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia para ajudá-lo. Até então, ele construía tendas com Priscila e Aquila, mas, mesmo assim, “todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus, como gregos” (At 18.3,4,5).
Daniel tinha grandes responsabilidades no governo da Babilônia, onde trabalhava muito, mas ele “três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer” (Dn 6.10). Daí surge a pergunta: precisamos de mais tempo para servir a Deus ou precisamos administrar melhor o tempo que já temos ? Precisamos de tempo integral ou de um coração integralmente de Deus ? Vamos ficar aguardando que advogados, médicos, funcionários públicos, empresários e outros profissionais nos visitem em nossos templos, ou vamos atrás deles ? Como vamos conquistar a nossa geração ? De muitas formas, inclusive sendo os melhores advogados, médicos, funcionários públicos, empresários e empregados da nossa geração, com “procedimento exemplar” e cheios do Espírito Santo!
Christian Lo Iacono
Estudo disponível no site www.cristoresposta.com.br/
Quem os outros dizem que o Filho do homem é? Mateus 16.13-19
20/06/10
“Chegando Jesus à região de Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é?”
Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas”.
“E vocês?”, perguntou ele. “Quem vocês dizem que eu sou?”
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus.
E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.
Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus”.
Mateus 16.13-19
O lugar aonde você começa, ajuda a determinar o lugar aonde você vai chegar, também podemos dizer que as respostas que dizemos exercem uma grande influência no nosso futuro.
Uma resposta errada pode arruinar um relacionamento ou pode causar a demissão de um funcionário. Pessoas colhem os resultados de suas palavras, parentes que ficam anos sem terem contato ou amizades que duraram décadas, acabam com uma simples resposta.
Nesse diálogo de Jesus com seus discípulos, ele fez uma pergunta: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é?”
A resposta foi:
“Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas”.
Hoje o que as pessoas têm falado sobre Jesus? Muitas pessoas têm seus conceitos e definições sobre Jesus. Cristãos e pessoas que não professam Jesus cristo como Senhor e Salvador escrevem livros e fazem análises sobre a vida de Jesus. No diálogo as respostas tratavam dos conceitos que os lideres religiosos tinham sobre Jesus.
Hoje poderíamos fazer uma lista sobre o que os grupos e movimentos religiosos têm falado sobre Jesus, mas nesse estudo eu gostaria apenas de falar sobre alguns conceitos que os não cristãos têm sobre Jesus:
Alguns vêem Jesus como uma pessoa popular, basta procurar na internet, e veremos pessoas que se dizem mais populares que Jesus. John Lennon disse:
“O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. (…) Nós Beatles somos mais populares do que Jesus neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro – o rock and roll ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos eram obtusos e vulgares. É a distorção deles que estraga o Cristianismo para mim.”
Se procurarmos ainda veremos que alguns dizem que Jesus casou e teve filhos, encontraremos pessoas que brincam com o estilo de Jesus, transformando ele em um membro de um determinado grupo:
“Jesus usava cabelo comprido, Padre bebe vinho e Freira usa preto, então porque dizem que “ROCK” è coisa do diabo”.
Não sei até que ponto pessoas que falam esse tipo de coisa, tem consciência de suas palavras, mas nós que somos responsáveis por anunciar o evangelho, nesse mundo “caótico e corrompido”, devemos sempre ter em mente que anunciamos “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, sempre que anunciarmos um Jesus diferente, os resultados serão terríveis, em Romanos 2.21-24 lemos:
21 E então? Você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo? Você, que prega contra o furto, furta?
22 Você, que diz que não se deve adulterar, adultera? Você, que detesta ídolos, rouba-lhes os templos?
23 Você, que se orgulha da Lei, desonra a Deus, desobedecendo à Lei?
24 Pois, como está escrito: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês”
Não consigo imaginar algo pior para alguém que ensina e não vive, deve ser uma sensação muito horrível, pregar contra o adultério e ser um adúltero, pregar contra o furto e furtar, ou ainda qualquer outro pecado. Ao escrever isso não estou dizendo que os pregadores e os evangelistas, ou qualquer pessoa que faz alguma coisa consegue deixar de pecar, mas me refiro quando conscientemente subimos em um púlpito, ou quando sentamos em uma cadeira para aconselhar alguém, e começamos a dizer: não minta… não furte… não desobedeça seus pais, lideres, professores… e a lista poderia ser bem maior, mas creio que temos duas opções diante dessas situações, podemos juntamente com a pessoa a quem falamos, renunciarmos nossos pecados, ou podemos continuar pecando e assim tornar-se um hipócrita.
Jesus respondeu para Pedro: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”.
Deus é nosso Pai que está nos céus, é Ele que nos revela quem Jesus é.
Se a mesma pergunta fosse feita para você, qual seria a resposta. Quem os outros dizem que Jesus é? E quem você diz que Jesus é?
Simão Pedro respondeu de forma correta, e talvez ao responder isso, ele não tinha imaginado o que a resposta certa lhe acrescentaria, Jesus lhe disse:
“E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus”.
Não tenho palavras para descrever o que deve ter acontecido, naquele momento, mas creio que a resposta que damos as perguntas que nos são feitas, podem determinar o resultado que iremos colher.
Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. É através de Cristo que somos salvos (João 3.16).
Autor: Leonardo Rodrigues Pereira
Podem os mortos retornar a esse mundo?
19/06/10
Uma conferência recente numa escola americana sobre experiências extrasensoriais e viagens fora do corpo deixou claro que cresce assustadoramente o número de pessoas que afirmam ter tido experiências desse tipo. Pesquisas indicam que quase 50% dos americanos adultos acreditam ter tido algum tipo de contato com pessoas que já morreram nos últimos 10 anos. 23% deles acredita em reencarnação.
Até mesmo entre os cristãos há quem acredite ter tido algum tipo de contato com alguém que já morreu, especialmente parentes queridos. Conheci cristãos que afirmaram ter visto o espírito de parentes ou ouvido vozes dos que já haviam falecido. Aparições, visões, vultos, vozes… será que realmente os que já morreram tentam se comunicar conosco? O que realmente acontece nesse tipo de experiências? A Bíblia nos diz algumas coisas com relação aos que já morreram e ao contato com eles.
1) É proibido buscar contato com os mortos. A Bíblia condena claramente a necromancia, isso é, a consulta aos mortos. Moisés disse ao povo de Deus:”Não ofereçam os seus filhos em sacrifício, queimando-os no altar. Não deixem que no meio do povo haja adivinhos ou pessoas que tiram sortes; não tolerem feiticeiros, nem quem faz despachos, nem os que invocam os espíritos dos mortos. O Deus Eterno detesta os que praticam essas coisas nojentas” (Deut 18.10-12).
2) Os mortos não podem voltar a esse mundo nem aparecer aos vivos sob qualquer forma. Jesus contou de certa feita a história de um homem que morreu e foi ao inferno. Em meio ao sofrimento, queria regressar ao mundo dos vivos para avisar a seus irmãos. Foi-lhe dito que “há um grande abismo entre nós, de modo que os que querem atravessar daqui até vocês não podem, como também os daí não podem passar para cá.” Diante da sua insistência para que Deus mandasse alguém que já havia morrido para aparecer aos seus irmãos e avisá-los, Deus lhe respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisarem. Que eles os escutem!” O homem insistiu:”Só isso não basta… porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados.” Mas Deus respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.” (Lucas 16.26-31). Ou seja, nenhum morto poderia regressar à terra.
3. O diabo pode se disfarçar para enganar as pessoas. O grande perigo que existe quando as pessoas desobedecem a Deus e procuram contato com os mortos, é que elas ficam expostas às mentiras de Satanás. A Bíblia diz que “Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz” (2 Coríntios 12.14). Há um caso na Bíblia em que aparentemente o diabo apareceu disfarçado como alguém que já havia morrido. Quando o rei Saul foi consultar uma necromante (o que era proibido por Deus), ele pediu para falar com o profeta Samuel, que já havia morrido. O resultado foi que “Samuel” apareceu quando invocado pela mulher: “Estou vendo um espírito subindo da terra!” -disse ela ao rei Saul. “Como é o jeito dele?” -perguntou Saul. “É um velho que está subindo! -respondeu ela. -Ele está todo enrolado numa capa”. Aí Saul entendeu que era Samuel: ajoelhou-se e encostou o rosto no chão, em sinal de respeito (1 Samuel 28.13-14). Provavelmente era Satanás fazendo-se passar por Samuel, para enganar o rei Saul e faze-lo desobedecer a Deus ainda mais.
Como então explicar os depoimentos de pessoas – até cristãos – de que tiveram algum tipo de experiência com pessoas que já morreram? Acredito na sinceridade dessas pessoas. Elas realmente tiveram algum tipo de experiência. Acredito, entretanto, levando em conta o ensino da Bíblia conforme vimos acima, que tais experiências não foram realmente com os espíritos de pessoas que já morreram. Mortos não voltam, não aparecem aos vivos, não se comunicam com eles. É possível que foram vítimas de algum tipo de fenômeno psicológico ou mesmo até de demônios desejando enganá-los.
Minha recomendação, seguindo o ensino da Bíblia, é que não se busque qualquer contato com os mortos e que se rejeite qualquer aparição, visão, voz ou comunicação que pareça vir do mundo dos mortos. Deus já determinou que fala conosco somente pela Sua Palavra, a Bíblia. Não são os espíritos de mortos que procuram contato conosco. Trata-se da nossa imaginação ou de um truque de Satanás.
Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Estudo disponível no site www.ipb.org.br
Corinto – Uma Igreja com Problemas de Disciplina
13/06/10
Uma Análise de 1 Coríntios 5
O Contexto de Corinto
A igreja de Corinto era uma igreja que havia sido muito abençoada por Deus em diversos aspectos. Quando Paulo inicia esta carta ele reconhece, no capítulo primeiro, que Deus havia abençoado a igreja com toda sorte de bênçãos espirituais, de dons espirituais, ao ponto de “não lhes faltar dom nenhum”. Corinto era uma igreja carismática no sentido bíblico da palavra, ou seja, tinha os “carismas” do Espírito de Deus, os dons, através dos quais desenvolvia seu serviço prestando culto a Deus e cumprindo a sua missão neste mundo. Infelizmente, por motivos que desconhecemos, esta igreja de Corinto, que havia sido fundada pelo apóstolo Paulo, com menos de três anos de fundada começou a desviar-se dos padrões de conduta e de doutrina que o apóstolo havia estabelecido por ocasião de sua fundação.
Os Problemas de Corinto
1) Divisões
Paulo estava no seu último ano de ministério na cidade de Éfeso, quando recebe informações de que a igreja de Corinto não estava indo muito bem. As informações eram muitas e poucas delas eram boas. Paulo soube que havia divisões na igreja, que estava dividida em 4 grupos. Grupos que se formaram em torno de personalidades, de pessoas que tinham tido uma participação no passado recente da igreja, com o próprio Paulo e Apolo (cap. 3:4). Havia até um grupo que talvez fosse o mais perigoso deles que era o “grupo de Cristo” (‘…e eu, de Cristo” Cap 1:12). Eles diziam que não eram seguidores de homem algum e sim de Cristo. Era como se dissessem: não queremos estar debaixo da orientação ou da instrução e autoridade de qualquer homem porque recebemos tudo diretamente de Cristo. Alguns estudiosos têm identificado este grupo como o “grupinho dos espirituais” que falavam em línguas e se gloriavam por terem experiências extraordinárias; que não aceitavam a autoridade de Paulo na igreja e outras coisas mais.
2) Problemas doutrinários
A igreja tinha todas estas divisões e além disso tinha problemas de ordem doutrinária. Um grupo não aceitava a ressurreição dos mortos (cap. 15). Havia um espírito faccioso naquela igreja; existiam problemas com respeito à doutrina da liberdade cristã ( 10:28). “Será que posso comer carne sacrificada aos ídolos”? Os “fortes” diziam que sim e subestimavam os “fracos”. Havia problemas com respeito às questões do casamento (cap. 7): O que é mais espiritual? Casar ou ficar solteiro?
A igreja estava dividida por uma série de problemas que se refletiam no culto. Os “espirituais” falavam línguas sem interpretação para a igreja e desta forma não edificavam (14:5); os profetas falavam, mas não havia ordem de quem deveria falar primeiro (14:29, 32); as mulheres entusiasmadas estavam querendo tirar qualquer sinal de que há uma diferença entre homem e mulher dentro da ordem da criação de Deus (11:8-9); na hora da Santa Ceia havia pessoas que até se embriagavam (11:21) e participavam do sacramento sem ter o espírito apropriado. Corinto era uma igreja com graves complicações. Mas, mesmo considerando isso, era uma igreja que se gloriava de ser “espiritual”. Afinal, muitos, na concepção deles, não tinham os dons que indicavam a presença do Espírito Santo? Muitos não estavam falando em línguas durante o culto (Cap. 14)? Outros não estavam profetizando e trazendo palavra de revelação? A igreja pensava que era espiritual e considerava-se assim apesar de estar toda minada de problemas.
3) Problemas Morais
Entre os problemas mencionados havia também problemas morais. Havia um irmão que estava processando outro num tribunal secular (6.4). Talvez a igreja não tenha se interessado o suficiente. A verdade é que não chegaram a um acordo e talvez por questão de terra ou talvez de dinheiro e negócios, este irmão estava em litígio com outro. Por isso estava processando-o no tribunal da cidade. Com esta atitude estava expondo o Evangelho à vergonha diante dos ímpios (v. 6).
Havia um grupo que estava voltando à prática da prostituição religiosa (6:18-19), o que era comum na cidade de Corinto. Isso era praticado nos templos onde se cultuava a deusa Afrodite.
Refletindo esta separação entre espiritualidade e a conduta moral surge um problema relatado no capítulo 5 e que estava bem de acordo com a natureza e espírito da igreja. Havia um homem, membro da igreja, que estava vivendo com sua madrasta. Seu pai provavelmente ainda estava vivo, mesmo assim estava tendo “um caso” a mulher de seu pai. O mais grave é que isto era do conhecimento não só da igreja mas também da própria sociedade de Corinto. Era algo notório e se comentava; circulava rumores verdadeiros com respeito a este incidente. Nos traz constrangimento o fato de que a igreja de Corinto, como um todo, parecia não ver nada de grave nisso: “Afinal Deus não está em nosso meio? Vejam o que acontece nos nossos cultos”! E este homem continuava a viver com sua madrasta às vistas de toda a igreja! Mas o que mais incomodava o apóstolo Paulo era a falta de uma atitude firme por parte da igreja com relação àquela pessoa. Ou seja, a igreja deveria constatar que conduta moral e espiritualidade são duas coisas que andam juntas. Temos de ter as duas coisas; e quando temos uma e não a outra, ou a espiritualidade é falsa ou a moralidade é falsa. Mas a genuína espiritualidade exige uma conduta de acordo com as verdades do evangelho.
O interessante é que Paulo não se dirige à liderança da igreja. Paulo, ao escrever, não se refere aos líderes mas fala à igreja como um todo. Porque, mesmo que no sistema presbiteriano, estes casos tenham a ver inicialmente com o Conselho, o fato é que na base do problema, além de um caso notório, pecado é um problema de toda igreja. É uma questão que afeta todos os membros e que não é somente responsabilidade do Conselho olhar para a vida dos outros membros e tomar algum tipo de decisão, mas que é responsabilidade de cada membro do corpo de Cristo zelar para que haja pureza, santidade, que haja no convívio da comunidade, verdadeira santidade ao Senhor. É uma responsabilidade de nós todos e não somente do pastor e dos presbíteros. É importante, portanto, que Paulo trata da questão dirigindo-se a toda comunidade. Talvez alguns estranhem este fato. Nas denominações batistas e congregacionais as questões disciplinares são resolvidas pela assembléia. Apesar de acharmos benefícios no sistema de governo representativo, através de pastores e presbíteros, a interpretação desta passagem só pode ser neste sentido: Paulo não está se referindo aos pastores e presbíteros porque ele sabe que a responsabilidade de vivermos uma vida santa na igreja, é de cada um dos seus membros. Devemos não só zelar por nós mesmos mas também pelo nosso irmão refletindo as palavras de Jesus: “Se o teu irmão pecar, vai repreendê-lo entre ti e ele só, se ele não te ouvir, leva mais alguém, se não te ouvir, comunica a liderança da igreja para que tomem as providências”. Mas, antes de chegar a este ponto existe todo um processo intra comunitário desenvolvido pelos membros, cada um participando e sendo responsável para que a vida da igreja ande corretamente. Se não for assim corremos o risco de sermos participantes dos pecados alheios e incorrermos na culpa de cumplicidade.
Assim, o apóstolo Paulo, no capítulo 5, chama a igreja à ordem e nos fala de forma apaixonada, fala com amor pela igreja; nos fala da responsabilidade que todos temos de cuidar de nós mesmos, de vivermos vidas santas e, de como comunidade, zelarmos para que o nome de Cristo seja honrado e glorificado através da vida santa da comunidade dos santos. Infelizmente nem sempre atentamos para esta maneira de Paulo abordar o problema em vista do nosso individualismo. Mais freqüentemente do que desejaríamos ouvimos falar de piedade em termos individuais, ou seja, piedosa é a pessoa que se fecha no seu quarto para ler e orar gastando tempo a sós com Deus. E santidade seria algo que se desenvolveria individualmente. Quando falamos em santificação geralmente temos a figura de uma pessoa em mente e nos esquecemos que Novo Testamento geralmente estas coisas são contempladas à luz da comunidade. Piedade é algo que eu exerço junto com o povo de Deus; culto não é algo que eu presto individualmente a Deus, somente, mas algo que faço com meus irmãos. Santidade é algo comunitário. Nós crentes caminhamos a vida de santidade juntos. Perdemos de vista este aspecto corporativo da Igreja apresentado no NT. É tão importante, salutar, equilibrado e abençoador para cada um de nós a idéia de andarmos juntos, vivermos juntos e nos santificarmos com a ajuda uns dos outros. É neste contexto que o apóstolo trás estas palavras.
O Texto
No versículo 1 e 2 encontramos o apóstolo Paulo apresentando o assunto que vai falar. Ele coloca o problema com palavra muito claras. O problema é duplo:
O Primeiro Aspecto do Problema
Primeiro, Paulo inicia dizendo que “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1) e depois especifica que imoralidade é esta. O pecado é de incesto que está proibido pela Lei mosaica em Deuteronômio 2:30 e outras passagens do VT onde Deus revela Sua repulsa ao adultério e muito menos que um homem faça isso com a mulher do seu pai. Era um caso claro de transgressão da Lei de Deus. É importante notarmos que para o apóstolo Paulo, a Lei de Deus sempre estava em vigor para o cristão. Paulo caracteriza bem esta imoralidade, e, muito embora não faça uma referência clara ao Antigo Testamento, há evidências na passagem, de toda legislação do VT sobre a conduta moral e sexual do povo de Deus. É bom enfatizar isso numa época em que as pessoas têm demonstrado descaso para com a Lei de Deus e para com os padrões morais das Escrituras. O apóstolo está muito à vontade expressando o ensino do VT para uma comunidade de cristãos do NT e caracterizando a conduta daquele indivíduo como sendo imoralidade à luz dos padrões Vetero Testamentários. Isso nos trás a um ensino importante, o de ter em alto apreço o Antigo Testamento que também é revelação de Deus para nós cristãos, ainda hoje. Tudo que foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que através das Escrituras e da paciência tenhamos conforto e esperança.
Esta era a primeira parte do problema: uma relação incestuosa de um homem que vivia com sua madrasta e que era do conhecimento de todos, como se vê nas palavras de Paulo: “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1).
O Segundo Aspecto do Problema
A segunda parte do problema está no v.2: “E, contudo, andais vós ensoberbecidos, e não chegaste a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?”. O que angustiava o apóstolo Paulo não era só o pecado em si, mas que a igreja, ao invés de “lamentar” o fato de ter um de seus membros vivendo uma relação pecaminosa e tomar a providência correta, que na ocasião seria tirar do meio da comunidade aquele indivíduo que não havia se arrependido (a julgar pelo que Paulo diz), ou que não queria corrigir-se. A atitude da igreja deveria ser excluir este membro contumaz. Paulo está angustiado pelo fato da igreja não tomar esta atitude para zelar pela vida e pela pureza da igreja, pelo nome de Cristo e pelo próprio pecador. Ao contrário, a igreja estava ensoberbecida, envaidecida possivelmente por causa dos dons espirituais. Os membros estavam orgulhosos de constituirem uma igreja “carismática”, ou quem sabe, uma igreja que amava a todos do modo que eram e de como agiam. Uma coisa é certa: Paulo entendia que a atitude da igreja não estava correta. Ao invés de lamentar e chorar pelo fato de um membro está sofrendo, e quando isso acontece, todos sofrem com ele, Paulo pensa na igreja em termos corporativos e vê uma comunidade negligente por não lamentar-se em vista do pecado que estava no seu meio. Ela assume uma postura oposta “festiva”, com um culto alegre, enquanto ninguém estava se preocupando com o problema. Paulo estava angustiado por ver um membro vivendo em pecado e por constatar uma igreja tolerante que convivia com o problema sem nenhuma dificuldade.
Antes mesmo de dizer os princípios pelos quais a igreja deveria expulsar o malfeitor que “tamanho ultraje praticou”, Paulo já vem com a solução para o problema, até contrariando seu método habitual, usado na primeira carta aos Coríntios. Paulo geralmente coloca o problema, introduz uma série de princípios doutrinários e no final apresenta a conclusão. Mas Paulo parece tão atribulado que apresenta o problema e logo dá a solução; só posteriormente fala sobre as doutrinas que estão por trás da questão. Isso, talvez pela angústia que lhe passava na alma em vista do grande amor que tinha por aquela igreja. Do versículo 3 até o 5 Paulo diz o que vai fazer. Ele fala como apóstolo de Jesus: “…já sentenciei…”. Ele usa das prerrogativas de apóstolo, a quem foi dada autoridade para edificar a igreja, fazê-la andar e para trabalhar no seu fundamento. Como tal, ele sentencia. Esta palavra “sentenciar” vem da linguagem jurídica que significa o pronunciamento final de um processo de julgamento. A igreja deveria ter feito isso e por que não fez, Paulo toma para si as prerrogativas de juiz. Ele mesmo faz o julgamento, sentencia o membro infrator dizendo: “…que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor [Jesus]” (vs. 3-5).
Quando o apóstolo Paulo sentencia que aquele infrator seja entregue a Satanás, ele o faz nos termos do ensino de Jesus. Paulo aqui está ecoando o ensino de Cristo quando disse num contexto de disciplina: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Jesus já havia dito dois versículos atrás (v. 18) que: “…tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu”. Este é um contexto de disciplina, quando Jesus estava respondendo a Pedro sobre o que deveria ser feito se um irmão pecasse contra ele. Jesus diz que a igreja reunida em espírito, com a presença do Senhor e em Seu nome deveria exercer o “poder das chaves”; de admitir alguém no Reino de Deus ou então excluir através da disciplina. Paulo está ecoando o ensino de Jesus quando diz: [Eu, juntamente com vocês] “em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor…” (v. 4). Dessa forma Paulo sentencia o membro daquela igreja.
O que significa “entregar a Satanás”? Isto tem sido bastante debatido e não vai fazer muita diferença na interpretação geral da passagem. Em linhas gerais se acredita que Paulo estava dizendo o seguinte: Uma vez que a pessoa não queira ouvir a voz da igreja, não aceita a repreensão do Espírito Santo, e, sendo excluído da comunidade, será como uma ovelha que foi colocada para fora do aprisco. Lá fora estão os lobos à espera. Satanás vai cirandar, vai colocar sua mão em cima. O objetivo de Paulo com isso não é destruir a pessoa como muitos pensam em relação ao ato disciplinar. Em termos eclesiásticos alguns pensam de disciplina como algo que trás simplesmente punição ou destruição do pecador. Mas não é este o objetivo da disciplina. Apesar de todo rigor e firmeza de Paulo em tratar o assunto, ele diz: “…a fim de que o espírito seja salvo” (v. 5). Este é o objetivo que Paulo revela na sua carta; o amor por aquele pecador e seu desejo de recuperá-lo, mesmo que para isso medidas drásticas tenham de ser tomadas. Paulo não fica vacilante. Se tem de ser entregue a Satanás, que seja, para que o espírito seja salvo. Se for o único meio, que assim seja excluído da igreja, ficando fora da proteção do Senhor e ficando exposto aos ataques do diabo. Ataques que são descritos no livro de Jó, quando este servo de Deus experimentou na carne a atividade satânica como doenças, aflições, perdas dos bens, etc. Em fim, toda sorte de aflições que com o decreto de Deus Satanás às vezes pode infligir às pessoas para que o propósito de Deus seja feito. No caso, para este membro da igreja, o propósito era trazê-lo de volta ao seio da igreja através das aflições, angústias, dificuldades, e tribulações que Deus permitiria (decreto permissivo) que Satanás trouxesse a este membro em pecado. Ele deveria ser levado ao arrependimento, cair em si e voltar ao convívio da igreja.
Não sabemos se a “estratégia” funcionou. Na Segunda carta que Paulo escreve à Igreja de Corinto há uma menção de alguém que se arrependeu, que mudou sua atitude. Paulo não diz quem foi esta pessoa. Mas Paulo recomenda que a igreja o receba, que o aceite, que não prolongue demasiadamente a disciplina para que ele não desfaleça. Alguns entendem que seja exatamente este homem citado por Paulo no v. 5.1. Se for o caso, a disciplina teria funcionado e o pecador voltado arrependido, recuperado, restaurado, e a igreja o teria recebido com alegria. Paulo passa para uma postura final e só depois explica o porque desta atitude. Pode parecer aos ouvidos pós-modernos uma atitude muito radical. Mas Paulo explica o porque de sua atitude.
As Razões de Paulo Para a Disciplina Rígida
1) Porque o pecado é como o fermento (v. 6). Se não cuidarmos ele se alastra e contamina toda a massa: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”. Paulo usa uma linguagem muito comum no VT. No VT uma das coisas usadas para tipificar o pecado é o fermento. Tanto é que na celebração da páscoa era proibido se comer pão com fermento (o pão era “asmo” – sem fermento). O fermento era símbolo do pecado. Uma das propriedades do fermento pelas quais ele tornou-se símbolo do pecado, é sua capacidade de aumentar e dominar o ambiente onde se encontra. Se colocado um pouco de fermento no pão que está sendo preparado logo levedará toda a massa. O apóstolo diz que o pecado é exatamente assim. Paulo pergunta se os crentes de Corinto não sabem disso: Que o pecado é como o fermento, que leveda toda a massa? A idéia é que, se deixado sem correção, no seio da igreja, sem que as devidas soluções sejam tomadas, o pecado se propaga. O que pensar dos jovens da igreja de Corinto? O que eles estavam aprendendo quando viam aquele homem vivendo com a madrasta e ninguém dava importância? O que eles estavam aprendendo? Aprendiam, que aquela atitude não faz diferença na vida cristã e que não importa nosso comportamento sexual. Podemos continuar em pecado e como um cristão normal. Era essa a mensagem que estava sendo passada para os membros da igreja; que o pecado realmente não importava porque a igreja parecia aceitar normalmente. Qual a mensagem que está sendo passada para os jovens e novos convertidos? Que o pecado não afeta meu estado, o meu relacionamento e minha comunhão com Deus e nem a vida da igreja. Ou seja, o que é pregado no púlpito é totalmente desfeito por este tipo de atitude. Nós podemos pregar santidade, e se temos de viver vidas santas mas não acrescentarmos à Palavra pregada as medidas corretas para que todos nós trilhemos este viver santo, a mensagem deixa de ter seu efeito.
Quando Calvino começou sua obra em Genebra ele tinha a idéia de que se houvesse apenas pregação fiel da Palavra de Deus e administração correta dos sacramentos, a igreja seria edificada, os crentes ouviriam e os problemas se resolveriam. Algum tempo depois, Calvino reconheceu que era necessário e bíblico acrescentar um terceiro elemento: a disciplina eclesiástica.
Há necessidade do exercício da disciplina eclesiástica feita em amor para recuperação do pecador e para que se coloque em prática o que a Palavra de Deus nos recomenda e exige. O mais importante é que Paulo não está aqui falando para a liderança. Ele está falando para toda a igreja. Não caiamos no erro de interpretar mal o apóstolo Paulo pois o que ele fala é para todos nós; é responsabilidade de toda a igreja zelar pela vida da comunidade seguindo os princípios bíblicos. Porque o pecado é como o fermento. Se deixarmos ele contamina a massa toda. Que mensagem estamos passando para o mundo? Qual a mensagem que a “Tiazinha”, que se diz evangélica, passa para o mundo? Sua mensagem é que não importa seu comportamento sexual, sua profissão corrupta. Assim, se conclui que cabe tudo na igreja.
Estamos vivendo um momento de crise de referência na igreja brasileira. Ou seja, precisamos de pessoas que sejam referenciais. A pouco tempo a revista “Isto É” publicou um suplemento sobre os maiores religiosos do século e citava Dom Evaristo Arnes, Alziro Zarur, Chico Xavier, Madre Tereza, Leonardo Boff, Frei Beto, Marcelo Rossi, mas nenhum evangélico. Pode ser apenas preconceito contra os evangélicos, mas pensemos qual evangélico poderia estar nesta lista? Soubemos depois que o candidato dos evangélicos seria o Bispo Macedo. Se há um momento em que a igreja precisa fazer diferença no Brasil, é hoje. E temos de começar nos lembrando de que o pecado é como o fermento. Ele destrói a reputação da igreja, a sua credibilidade, seu ensino, e por isso temos de tratá-lo com firmeza. Devemos começar conosco mesmo, sendo implacáveis com nós mesmos e brandos com os outros, mas firmes no geral. Tudo isso para evitar que o pecado se alastre. Este é o caminho. Não estou me referindo a fazermos cruzadas de moralidade; não creio nisso. Mas devemos pregar o ensino simples do evangelho e como lemos nos salmos “que os que temem ao Senhor odeiem o pecado”, se afastem do pecado pois este é o ensino de toda a Bíblia. O primeiro ensino é este: O pecado é como o fermento e se nós não cuidarmos ele tomará conta de tudo corrompendo as consciências.
2) O segundo argumento de Paulo está baseado na Páscoa (também vem do Velho Testamento). Aqui no v. 7 Paulo se refere a Cristo como sendo nossa Páscoa e que ele já foi imolado por nós. Paulo compara a vida da igreja a uma grande Páscoa, a uma eterna festa. O nosso Cordeiro Pascal já foi imolado e nós já nos alimentamos dele e se vivemos em uma eterna Páscoa, não deve haver fermento. Tem de ser lançado fora os fermentos, a massa velha. Por isso Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa…” (v.7). A Igreja é a comunidade Pascal liderada, salva e resgatada por aquele que é a nossa Páscoa. Na festa da Páscoa não podia se ter pão com fermento. Essa é a figura que Paulo usa. Se há pão fermentado já não é mais Páscoa. No v. 8 Paulo diz da vida cristã que “celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia; e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade”. É só quando a sinceridade e a verdade prevalecem que nós verdadeiramente celebramos. Somos uma comunidade que celebra, que vive na alegria, no gozo da santidade do nosso Cordeiro.
É claro que Paulo não está pregando o perfeccionismo. Mas alguns podem ter esta idéia; Paulo não está pedindo que a igreja seja perfeita, mas sim que a igreja de Corinto tome as atitudes certas quando o pecado aparecer. O pecado vai aparecer, é verdade, e pode ser em minha vida e na sua, mas que a comunidade ajude o pecador com interesse de auxiliá-lo. Não devemos ficar falando mal e criticando mas que tomemos as providências bíblicas para ajudar aquele que caiu vítima do pecado. Celebremos a festa com os “asmos” da sinceridade e da verdade.
3) Vemos um outro princípio nos versos 9-12. Há um momento para uma separação santa. Infelizmente há momentos em que somente uma separação resolve. A separação da comunidade colocada aqui por Paulo é daquele membro impenitente que não deseja arrepender-se. Parece que Paulo coloca este ponto em destaque (ele gasta vários versículos nisso) provavelmente porque ele sente que foi mal compreendido. Paulo já havia escrito uma primeira carta aos coríntios. Essa primeira carta que conhecemos é, na verdade, uma segunda carta, porque Paulo já havia escrito uma carta antes que foi perdida. Paulo faz menção desta primeira carta perdida no v. 9. Nesta primeiríssima carta ele já havia falado da necessidade de separação, de não haver associação entre o cristão e a impureza. “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros”.
Aparentemente os coríntios haviam entendido que Paulo estava falando que os cristãos não deveriam ter qualquer contato com incrédulos. Por isso os coríntios concluíram que não haveria problema de ter associação com aquele irmão, mesmo que em gravíssimo pecado, visto que era “irmão”. Eles haviam pensado da primeira carta de Paulo que não deveriam se associar apenas com quem não fosse cristão. Paulo, então, corrige este equívoco e diz: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso teríeis de sair do mundo”. Paulo, aqui, está dizendo que não estava dizendo que não se associassem, ou mantivessem contato com este tipo de gente, com os pecadores deste mundo, porque, se assim fosse, teriam de sair do mundo. Paulo nunca sugeriu um gueto ou mosteiro, nem ao menos estava sugerindo que não convivessem com os não cristãos. O que Paulo diz é: “Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com este tal nem ainda comais” (v.10). O que Paulo está dizendo é que não devemos nos associar com aquele que “dizendo-se irmão”, se fazendo passar por cristão, no meio da comunidade se comportem como não cristãos. A estes nem devemos convidar para uma refeição em nossas casas. Em outras palavras, há um momento em que é necessária uma separação clara e firme.
Muitos podem estar pensando nas palavras de Jesus quando disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1). É claro que Paulo e Jesus não estão em contradição. Quando Jesus disse estas palavras ele o fez no contexto do julgamento indevido. Ou seja, alguém julgar o comportamento de uma pessoa e não julgar-se a si mesmo. Lembremo-nos que nesta mesma passagem Jesus diz: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio” (Mt 7.3). O que Jesus proibiu foi o julgamento desproporcional, sendo pesado para com os outros e não para consigo mesmo. Isto não é correto! Mas quando Jesus fala estas palavras condenando o julgamento precipitado, no versículo 6 Ele diz: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas…” (Mt 7:6). Para eu cumprir este mandamento eu tenho de saber quem é “cão” e quem é “porco”. Ou seja, tenho de exercer julgamento. É claro que Jesus não está proibindo que nós, pelas evidências, pelo comportamento, por aquilo que está evidente e claro, cheguemos a uma conclusão de que uma pessoa não está se comportando como um cristão deve se comportar. Assim sendo podemos tomar as devidas providências.
Paulo termina este terceiro princípio dizendo: “Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora?” (5:12a). Paulo está dizendo que não vai julgar os de fora que não são cristãos e que vivem em outro contexto. E então pergunta: “Não julgais vós os de dentro?” (v.12b). Paulo aqui deixa muito claro que julgar os “de dentro” é competência da igreja. Não vamos julgar os de fora, pois Deus os julgará. É isso que Paulo diz no versículo 13: “Os de fora, porém, Deus os julgará” (v.13a). Mas os de dentro sim; a comunidade julga os de dentro e toma as providências para recuperar o faltoso, o extraviado, para trazer de volta o que se desviou. E, se necessário for, para isso, a santa separação, que haja separação.
Paulo conclui no v.13 dizendo: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor”.
Conclusão
Estamos vivendo uma época em que se Paulo viesse expor esta mensagem, desta forma, não seria bem recebido.
Hoje se diz que a verdade é relativa e que cada pessoa tem sua própria verdade. Estamos vivendo a relativização dos valores morais. Se diz que a vida de cada um é governada por aquilo que a pessoa sente que é melhor. Se a pessoa está se sentindo bem em determinado lugar, se algo está fazendo-lhe bem, então, não importa outras questões, outros critérios. O critério que é usado é sentir-se bem e passa a ser o principal para governar a conduta das pessoas. O que valida uma situação ou uma conduta é eu estar ou não me sentindo bem no que estou fazendo.
Esses conceitos têm predominado em nossa sociedade e em muitas igrejas. A relativização na mídia, nas músicas, nos escritos modernos, nas universidades, nos debates da ética e da moralidade. Os formadores de opinião pública nacional estão totalmente envolvidos na pós modernidade que resume tudo que foi dito. Tudo isso acaba minando a vida da igreja, a literatura, os seminários, os congressos. Às vezes, de forma sutil, nos tornamos avessos aquilo que venha nos contrariar, que venha nos obrigar a dizer: “Isso está errado!”.
Mas temos de fazer a escolha. É um momento sério de decisão da Igreja, se vamos viver à luz da Palavra de Deus e de seus valores absolutos ou se vamos nos deixar levar pelos “ventos” da época.
A Palavra de Deus nos chama a viver vidas santas e retas. Nos chama a aborrecer o pecado e se necessário, tomar as devidas providências para que ele não tenha livre curso em nosso meio, nas nossas vidas, nas nossas famílias. Tomar a providência necessária em amor, em espírito de brandura, olhando por nós mesmos para que não sejamos também levados pelo pecado mas ajudando-nos mutuamente, levando as cargas uns dos outros para que a comunidade toda viva vida de santidade e de alegria. O problema não é o pecado somente, mas o pecado não resolvido. Para o pecado há perdão, resgate, redenção e libertação. O problema não é só o pecado mas o pecado não confessado, não reconhecido e não tratado. É contra isso que Paulo fala. Que Deus nos ajude.
Lembremo-nos que esta mensagem é para a igreja e não para os líderes. Sempre fico admirado com Paulo pelo fato de que quando fala de disciplina eclesiástica ele não se dirige aos pastores e aos presbíteros apenas mas fala para à comunidade toda. É nossa responsabilidade de orarmos e vivermos vidas santas ajudando-nos uns aos outros a nos livrar do inimigo das nossas almas. Esse é o pior inimigo: o pecado não tratado.
Que Deus nos dê graça e misericórdia para vivermos segundo o padrão da Palavra de Deus.
Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Estudo disponível no site www.ipb.org.br
Cabelos Numerados
26/05/10
“Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Mateus 10.30).
Quanto o Senhor Jesus considera os nossos temores! Ele sabia que seu povo seria perseguido e buscava alegrá-los.
Que doce e familiar a maneira como ele colocava as coisas! Ele condescende em falar sobre os cabelos de nossa cabeça. Aqui está um provérbio, simples nas palavras, mas sublime no sentido. Parece que vemos quatro coisas nesta sentença.
I. PRÉ-ORDENAÇÃO.
O texto pode ser lido, “têm todos sido numerados.”
É do passado bem como do presente.
1. Sua extensão. Predestinação se estende a tudo.
- Todo o homem; seu ser como um todo é conhecido. “Foram escritos no teu livro” (Sl 139.16).
- Tudo o que diz respeito a ele já é conhecido, até o seu cabelo, que pode ser raspado sem prejuízo à vida ou saúde.
- Tudo o que ele faz, mesmo o mínimo e mais casual pensamento, ou ato.
- Tudo o que ele passa. Pode afetar os cabelos e mudar sua cor, mas cada fio de cabelo grisalho por tristeza é numerado. A fonte disso. O contar é feito pelo Senhor.
2. Suas lições. Jesus menciona esta ordenação com um propósito.
- Para fazer-nos corajosos sob provação.
- Para ensinar-nos a ser submissos.
- Para ajudar-nos a ser esperançosos.
- Para induzir-nos a ser alegres.
3. Sua influência. Enobrece-nos sermos assim predestinados de minuto em minuto.
Se Deus planeja até nossos cabelos, somos mesmo honrados.
Ser o assunto de um propósito divino de graça é uma glória.
II. CONHECIMENTO.
Somos conhecidos tão bem até a ponto de ter nossos cabelos contados. Com respeito a este conhecimento divino, vamos notar:
1. Seu caráter
- Preciso: “Os próprios cabelos de sua cabeça.”
- Completo: O homem todo, espírito, alma e corpo, é assim seguramente bem conhecido pelo Senhor onisciente.
- Preeminente. Deus nos conhece melhor do que nós nos conhecemos, ou do que outros nos conhecem, pois nem nós nem eles já contaram os cabelos de nossa cabeça.
- Terno. Assim a mãe valoriza cada fio de cabelo de sua filha querida.
- Simpatizante. Deus entra nas preocupações, nos anos e nas doenças que os cabelos de um homem registram.
- Constante. Nem um cabelo cai de sua cabeça sem Deus.
2. Suas lições.
- Com respeito à consagração, somos ensinados que nossas partes menos preciosas são do Senhor, e são incluídas no inventário real. Não usemos nem nosso cabelo para a vaidade.
- Com respeito à oração. Nosso Pai celeste sabe de que coisas nós necessitamos. Nós não oramos para informá-lo de nosso caso.
- Com respeito às nossas circunstâncias. Estas estão diante da mente divina, sejam pequenas ou grandes. Visto que matérias pífias como nossos cabelos são catalogados pela Providência, estamos assegurados de que maiores assuntos estão diante dos olhos do Pai.
III. VALORIZADOS.
Os cabelos de nossa cabeça são contados porque são valorizados. Estes foram santos pobres que eram assim avaliados tão altamente. A numeração mencionada no texto sugere algumas perguntas:
- Se cada fio de cabelo é valorizado, o que devem valer suas cabeças?
- O que devem valer seus corpos?
- O que devem valer suas almas?
- O que devem ter custado ao Senhor, seu Redentor?
- Como é possível pensar que ele perderá um deles?
- Nós não deveríamos estimá-los grandemente?
- Não é nosso dever, nossa honra, nossa alegria buscar aqueles que não foram ainda chamados pela graça?
IV. PRESERVAÇÃO.
Os cabelos de sua cabeça estão todos numerados, porque eles são para ser preservados de todo mal.
1. Da mínima perda verdadeira nós somos segurados por promessa. “Nem um fio de seu cabelo perecerá” (Lc 21.18).
2. De perseguição seremos salvos. “Não tenham medo deles” (Mt 10.28).
3. De acidente. Nada pode nos fazer dano a não ser que o Senhor permita.
4. De necessidade. Você não perecerá de fome, de sede ou de nudez. Deus guardará cada cabelo de sua cabeça.
5. De doença. Ela lhe santificará em vez de lhe prejudicar.
6. De morte. Na morte, nós não somos perdedores, e sim ganhadores infinitos.
- A ressurreição restaurará o homem completo.
Para nós mesmos vamos confiar, e não temer.
Vamos colocar alto valor em almas, e sentir amor sincero para com eles.
GRAMPOS
“Cabelos“–dos quais vós mesmos sois descuidados. Quem se importa com os cabelos uma vez puxados por um pente? Um cabelo é uma expressão proverbial para dizer uma ninharia absoluta (John Albert Bengel).
Se Deus enumera seu cabelo, muito mais ele enumera as cabeças deles, e cuida de sua vida, de seu conforto, de sua alma. Isso dá a entender que Deus cuida mais deles do que eles cuidam de si. Aqueles que são solícitos em contar seu dinheiro, e bens, e gado, contudo nunca foram cuidadosos para contar seus cabelos, que caem e são perdidos, e nunca sentem falta deles: mas Deus enumera os cabelos de suas pessoas, e nem um fio de cabelo de sua cabeça perecerá (Lucas 21.18). Nem o mínimo mal lhes será feito, senão numa consideração valiosa: tão preciosos para Deus são os seus santos, e suas vidas e mortes (Matthew Henry).
Existem aqueles que suspiram que não têm coração querido,
que não são os mais amados de ninguém–Ó vã suspiro!
Do peito do seu amor, ele dispensa–
O pai dispensa o filho, para tu morreres:
Por ti ele morreu–por ti reviveu:
Sobre ti ele vigia em seu reino sem limites.
Tu és tanto o cuidado dele, como se além disso
Nem homem nem anjo, no céu ou na terra, vivesse.
Assim raios de sol caem iguais em sua maré gloriosa
Para iluminar mundos, ou acordar o riso de um inseto.
Brilham, brilham, sem que se acabe o suprimento–
Tu és o amado do teu Salvador–não queiras mais (John Keble).
Um mártir italiano, no século XVI, foi cruelmente tratado nas prisões da Inquisição. Seu irmão, que com grande dificuldade obteve uma entrevista com ele, ficou profundamente emocionado por ver seu sofrimento. “Meu irmão”, disse o prisioneiro, “se você é um cristão, por que se aflige deste modo? Você não sabe que uma folha não pode cair ao chão sem a vontade de Deus? Console-se em Cristo Jesus, pois as presentes aflições não podem ser comparadas com a glória que virá.”
Se pestilência assola toda a terra, dizes “Senhor Deus o fez”;
Não é Deus também que traz o afídio à rosa em botão?
Se avalanche rola dos alpes, é a divina Providência;
E não é Deus que age quando as folhas velhas caem ao chão? (John Keble)
Fonte: Capítulo 41 do excelente livro Esboços Bíblicos – Volume 2, de Charles H. Spurgeon, publicado pela Shedd Publicações.
Ler, Orar e Praticar
22/05/10
Ler
É comum ouvirmos falar que a Bíblia é o livro mais vendido no mundo. Isso é um grande motivo de alegria para nós cristãos, mas apesar das estatísticas sobre as vendas ainda fica uma pergunta: será que a Bíblia é o livro mais lido?
Uma das características da igreja “Evangélica” ou “Protestante” é o incentivo que os líderes fazem para a leitura da Bíblia. Isso começou a crescer, com o surgimento de traduções, que foram feitas a partir dos manuscritos em grego e hebraico.
Acredito que boa parte das pessoas que irão ler este estudo, já devem ter ouvido a seguinte frase alguma vez na vida: “Leia a Bíblia”.
Eu gosto muito de perguntar coisas para as pessoas, então aqui eu poderia falar sobre as respostas que escuto quando pergunto para as pessoas: “quanto tempo você gasta por dia lendo a Bíblia?”, mas eu desafio você a fazer essa pergunta para alguns amigos ou pessoas da Igreja que você freqüenta.
Hoje em dia não podemos dizer que faltam recursos para o estudo da Bíblia, existem dezenas de livros que propõe métodos de como estudar a Bíblia, existem Bíblias de Estudo com os mais variados temas (Bíblia de estudo da Mulher, Bíblia de estudos sobre liderança…), temos versões em áudio, temos programas de computador como a Biblioteca digital da Bíblia, temos centenas de sites na internet que oferecem algum tipo de “Bíblia Online”.
Vivemos em um tempo em que temos tanto material que não sabemos escolher!
Acho que falar sobre “dicas de como ler a Bíblia” parece estranho, então prefiro usar a palavra “conselhos”. Dentre os vários que já ouvi, separei três que são extremamente básicos:
Orar antes de começar a leitura (e ao terminar também);
Ler os livros do começo ao fim;
Quando ler, não fique pensando para quais pessoas que você conhece as passagens se aplicariam perfeitamente, mas aplique o que você lê na sua vida!
Creio que orar pedindo sabedoria e discernimento, é algo que deveríamos fazer sempre, pois somente com humildade conseguiremos entender a palavra de Deus.
Ler um livro do começo até o fim é algo muito importante, com isso não estou dizendo que não podemos ler somente um capítulo ou um versículo, mas creio que conforme vamos amadurecendo, sentimos a necessidade de entendermos o contexto no qual o versículo ou capítulo está inserido.
É triste, mas alguns dos livros do Antigo Testamento são lidos com pouca freqüência.
Um grande perigo que corremos é o de fazer uma leitura bíblica e ficarmos pensando para quem o texto se aplicaria, quando lemos um texto que fala sobre algum pecado e por sabermos fatos sobre outras pessoas, corremos o risco de ficarmos imaginando que determinada pessoa tem que ler determinado versículo.
“Quando Julgamos as pessoas, não temos tempo de amá-las”. (Madre Teresa de Calcutá)
Não creio que alguém pode dizer que não tem tempo para ler a Bíblia. Ler em média cinco capítulos por dia ajuda a você ler a Bíblia de Gênesis até Apocalipse em um ano. Podemos falar que ler cinco capítulos exige menos de trinta minutos diários.
Orar
O que é oração?
Orar é falar com Deus.
Orar está fortemente ligado com o que lemos nas Escrituras e com o que acreditamos, podemos falar com Deus sobre os mais variados assuntos, podemos até mesmo orar em qualquer lugar. Hoje temos liberdade para expressarmos os nossos sentimentos publicamente ou particularmente em formas de palavras.
É muito legal quando vejo alguém usar partes de versículos em sua oração.
Não podemos esquecer que uma oração pode ter palavras bonitas e não agradar a Deus (Fariseu e o Publicano), o que importa é a sinceridade, mas creio que anos de sinceridade, tornam as orações estruturadas (é só observar alguém que está a alguns dias na igreja e faz uma oração e depois observar alguém que está na igreja a mais de 10 anos).
Seres humanos têm uma necessidade natural comunicar o que pensa e o que sente para as outras pessoas. Nos primeiros dias de vida a Criança praticamente não consegue ter uma forma estruturada de comunicação, uma que os pais possam realmente entender, demora anos até que o pai e o filho possam sentar e ter um diálogo de qualidade.
Na Bíblia temos vários exemplos sobre pessoas que oravam, um dos primeiros personagens que eu lembro é Daniel. Ele orava três vezes ao dia. Dn 6.3
Também encontramos o relato sobre o pedido que os discípulos de Jesus fizeram para ele:
“Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”. Lc 11.1
Os discípulos de João foram ensinados, e quando os discípulos de Jesus descobriram que João havia ensinado seus discípulos, eles foram e pediram que Jesus os ensinasse como orar.
Podemos observar três coisas neste versículo, a primeira é que Jesus orava e com isso era exemplo para os discípulos, a segunda é que os discípulos de João receberam ensinamento sobre como orar, e a terceira é que os discípulos de Jesus queriam aprender como orar. A resposta de Jesus foi:
“Quando vocês orarem, digam: “Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano. Perdoa-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todos os que nos devem. E não nos deixes cair em tentação”. Lc 11.2-4
Uma sugestão para quem não consegue orar diariamente é fazer uma lista com tópicos, e ao decorrer do dia, ir meditando e orando. Algumas idéias sobre o que orar:
Orar ao acordar, agradecendo pelo dia que passou e pedindo proteção pelo novo dia que inicia;
Orar pelos amigos e familiares;
Orar pelos colegas, patrões, professores e pessoas que temos contato diariamente;
Orar pedindo sabedoria no serviço, para que possamos ser exemplo;
Orar pelos lideres da igreja que você congrega, e pelos lideres da igreja de Cristo que se encontram espalhados pelo mundo;
Orar pelo alimento, orar agradecendo por ter uma casa onde morar, por ter roupas para vestir;
Orar pelos missionários, orar pelos amigos que não conhecem a cristo;
Esses são apenas alguns exemplos, e é a estrutura básica das orações que faço ao longo do dia, dependendo da criatividade e do contexto de cada pessoa, a lista pode aumentar.
Praticar
“Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações”.
2 Tm 3.16-17
Devemos praticar e defender as coisas que acreditamos. Ser cristão é muito mais do que apenas decorar conceitos, vestir uma camiseta com versículo, usar bonés e broches, ter uma bandeira com algum tema religioso…
O cristianismo não é vendido como um kit “camiseta + boné + bandeira + pulseira = Crente”, é legal de olhar para alguém e ver que as roupas dele identificam ele como um crente, mas o que realmente tem valor é demonstrar através das coisas simples, aquelas do tipo: não mentir, não roubar, ser uma pessoa boa pessoas e tentar melhorar a cada dia.
A vida cristã é a pratica dos ensinamentos de Jesus Cristo. Não adianta nos enchermos de conhecimento (leitura da Palavra) e não vivermos o que lemos. Eu posso orar e pedir para Deus salvar os meus vizinhos ou “salvar todas as pessoas do mundo”, mas se eu não evangelizar será difícil. Claro que Deus pode enviar alguém até eles ou até mesmo usar algum meio de comunicação, mas somente depender de ajuda “externa” é um pouco de comodismo de nossa parte.
A oração e a leitura nos ajudam a termos uma prática equilibrada, os problemas ocorrem quando caímos em extremos, como por exemplo, somente orar e ler, mesmo que nós lermos e orarmos ainda faltaria praticar.
Autor: Leonardo Rodrigues Pereira – www.estudosnovotempo.com.br
As dez Pragas
21/05/10
Estas terríveis pragas tiveram por fim levar Faraó (Faraó, era o título dado ao monarca do Egito) a reconhecer e a confessar que o Deus dos hebreus era supremo, estando o seu poder acima da nação mais poderosa que era então o Egito (Ex 9.16; 1Sm 4.8) cujos habitantes deveriam ser julgados pela sua crueldade e grosseira idolatria.
1 – Águas em Sangue:
Os egípcios tributavam honras divinas ao rio Nilo, e reverenciavam-no como o primeiro dos seus deuses. Diziam que ele era o rival do céu, visto como regava a terra sem o auxílio de nuvens e de chuva. O fato de se tornar em sangue a água do sagrado rio, durante sete dias, era uma calamidade, que foi causa de consternação e terror. (Ex 7.14…)
2- A praga das rãs:
Na praga das rãs foi o próprio rio sagrado um ativo instrumento de castigo, juntamente com outros dos seus deuses. A rã era um animal consagrado ao Sol, sendo considerada um emblema de divina inspiração nas suas intumescências. O repentino desaparecimento da praga foi uma prova tão forte do poder de Deus, como o seu aparecimento. (Ex 8.1…)
3- Piolhos:
A praga dos piolhos foi particularmente uma coisa horrorosa para o povo egípcio, tão escrupulosamente asseado e limpo. Dum modo especial os sacerdotes rapavam o pelo de todo o corpo de três em três dias, a fim de que nenhum parasitos pudessem achar-se neles, enquanto serviam os seus deuses. Esta praga abalou os próprios magos, pois que, em conseqüência da pequenez desses insetos, eles não podiam produzi-los pela ligeireza de mãos, sendo obrigados a confessar que estava ali o “dedo de Deus” (Ex 8.19).
4- Moscas:
As três primeiras pragas sofrem-nas os egípcios juntamente com os israelitas, mas por ocasião da separou Deus o povo que tinha escolhido (Ex 8.20-23). Este milagre seria, em parte, contra os sagrados escaravelhos, adorados no Egito.
5- Peste no gado:
A quinta praga se declarou no dia seguinte, em conformidade com a determinação divina (Ex 9.1). Outra vez é feita uma distinção entre os egípcios e os seus cativos. O gado dos primeiros é inteiramente destruído, escapando à mortandade o dos israelitas. Este milagre foi diretamente operado pela mão de Deus, sem a intervenção de Arão, embora Moisés fosse mandado a Faraó com o usual aviso.
6- Úlceras e tumores:
(Ex 9.8) A sexta praga mostra que, da parte de Deus, tinha aumentado a severidade contra um monarca obstinado, de coração pérfido. E aparecia agora também Moisés como executor das ordens divinas; com efeito, tendo ele arremessado no ar, na presença de Faraó, uma mão cheia de cinzas, caiu uma praga de úlceras sobre o povo. Foi um ato significativo. A dispersão de cinzas devia recorda aos egípcios o que eles costumavam fazer no sacrifício de vítimas humanas, concorrendo o ar, que era também uma divindade egípcia, para disseminar a doença.
7- A Saraiva:
(Ex 9.22) Houve, com certeza. algum intervalo entre esta e a do nº 6, porque os egípcios tiveram tempo de ir buscar mais gado à terra de Gósen, onde estavam os israelitas. É também evidente que os egípcios tinham por esta ocasião um salutar temor de Deus de Israel, e a tempo precaveram-se contra a terrível praga dos trovões e da saraiva. (Ex 9.20).
8- Os gafanhotos:
Esta praga atacou o reino vegetal. Foi um castigo mais terrível que os outros, porque a alimentação do povo constava quase inteiramente de vegetais. Nesta ocasião os conselheiros de Faraó pediram com instância ao rei que se conformasse com o desejo dos mensageiros de Deus, fazendo-lhes ver que o país já tinha sofrido demasiadamente (Ex 10.7). Faraó cedeu até certo ponto, permitindo que somente saíssem do Egito os homens; mas mesmo isto foi feito com tão má vontade que mandou sair da sua presença a Moisés e Arão (Ex 10.7-11). Foi então que uma vez mais estendeu Moisés o seu braço à ordem de Deus, cobrindo-se a terra de gafanhotos, destruidores de toda a vegetação que tinha escapado da praga da saraiva. Outra vez prometeu o monarca que deixaria sair os israelitas, mas sendo a praga removida, não cumpriu a sua palavra.
9- Três dias de escuridão:
A praga das trevas mostraria a falta de poder do deus do sol, ao qual os egípcios prestavam culto. Caiu intempestivamente a nova praga sobre os egípcios, havendo uma horrorosa escuridão sobre a terra durante 3 dias (Ex 10.21). Mas, os israelitas tinham luz nas suas habitações. Faraó já consentia que todo o povo deixasse o Egito, devendo contudo, ficar o gado. Moisés, porém rejeitou tal solução. Sendo dessa forma a cegueira do rei, anunciou a última e a mais terrível praga que seria a destruição dos primogênitos do Egito (Ex 10.24-11.8). Afastou-se Moisés irritado da presença de Faraó cujo coração estava ainda endurecido (Ex 11.9,10).
10- A morte dos primogênitos:
Foi esta a última e decisiva praga (Ex 11.1). E foi, também, a mais claramente infligida pela direta ação de Deus, não só porque não teve relação alguma com qualquer fenômeno natural, mas também porque ocorreu sem a intervenção de qualquer agência conhecida. Mesmo as famílias, onde não havia crianças, foram afligidas com a morte dos primogênitos dos animais. Os israelitas foram protegidos, ficando livres da ação do anjo exterminador, pela obediência às especiais disposições divinas.
Dicionário Bíblico Universal – www,vivos.com.br