Estudos Bíblicos
Estudos Bíblicos Temáticos
O evangelho na periferia
22/11/10
Normalmente, por motivos óbvios, não assisto televisão nos domingos. Ultimamente tenho conseguido ver a jornalista Regina Casé, no Fantástico, com suas reportagens sobre a periferia social do Brasil. Gosto dela. Seu jeito espontâneo de conversar e como valoriza os mais pobres, encantam meu coração. Ela não só apresenta a riqueza cultural dos mais miseráveis, como oferece uma rara oportunidade de integrar os excluídos sociais do camuflado aparthaid social brasileiro– que só se aprofunda em nossa perversa desigualdade.
Casé também consegue intrigar-me. Com seus programas, sinto-me confrontado com a distância que me separa dos marginalizados. Percebo também a facilidade com que os evangélicos se identificam com os valores da classe média burguesa. Noto que a espiritualidade cultivada entre os protestantes brasileiros se afastou anos luz do que Jesus viveu e praticou na Palestina.
Com a influência do “american way of life”, os crentes brasileiros sonham em ascender socialmente. Para subirem, porém, eles dependem de uma economia que funciona como peneira de malhas apertadas. Poucos privilegiados, que já nasceram em famílias privilegiadas, conseguem passar. Assim, a função religiosa se resumiu no esforço de pedir que Deus compense essas distorções, premiando o maior número de seus filhos com favores especiais. Repete-se nos cultos, ad nauseum, que Deus é bom e que ele não permitirá que seus filhos mendiguem o pão.
Infelizmente, a realidade cruel nega os sermões. Crianças, filhas de crentes, morrem nos corredores fétidos de hospitais públicos; nordestinos crentes esperam pelo assistencialismo dos coronéis para comerem; congregações evangélicas são construídas sobre palafitas na ribanceira de esgotos a céu aberto. Os excluídos continuam inalcançados pelos curtos braços da pátria gentil, e para eles, tarda a “bênção” da prosperidade.
A minoria sortuda, que já nasceu com larga vantagem sobre os demais, precisa apaziguar sua consciência, bem como “proteger” seus favores de eventuais ameaças circunstancias ou espirituais. Já que sobram textos bíblicos sobre o cuidado perene de Deus, basta citar os mais badalados: “Tudo posso naquele que me fortalece”; “Se Deus é por nós, quem será contra nós”. Resultado: com todos devidamente pacificados, solidifica-se o abismo que separa os crentes “melhor de vida” dos que dependem de narcotraficantes para entrarem e saírem em paz da favela onde vivem.
Vez por outra, os evangélicos de classe média percebem que existem pobres servindo o mesmo Deus que eles. Nessas horas, a teologia determinista da providência acalma eventuais angústias. “Deus sabe o que faz e dará aos seus filhos o cobertor do tamanho certo”. No caso dessas inquietações inoportunas continuarem, convém lembrar que a nobilíssima responsabilidade da igreja é salvar almas e que o autêntico missionário não precisa preocupar-se com a injustiça social – isso é coisa de comunista. Sempre será mais fácil fazer filantropia do que defender a justiça.
O rescaldo trágico disso tudo é que os cristãos precisam de uma Regina Casé para se inteirarem do que acontece nos lugares onde Jesus caminha e vive.
Soli Deo Gloria.
Idoso, mas feliz
29/10/10
A velhice é um dos períodos mais difíceis da vida. Além de uma maior vulnerabilidade às doenças e de ter de depender mais de outras pessoas, muitos idosos sofrem com a solidão e com o senso de inutilidade. Não são poucos os velhos abandonados num asilo por seus próprios filhos. Hoje em dia existe uma conscientização social maior quanto aos que alcançaram a terceira idade. Existem programas e projetos de atividades envolvendo idosos, com o objetivo de vencer a solidão e a ociosidade. Mas por melhor que sejam, nem sempre conseguem trazer alguma felicidade a quem já viveu muito.
A Bíblia nos traz vários exemplos de pessoas que chegaram a uma idade avançada e que morreram felizes e realizadas. Uma delas é o patriarca Abraão. Lemos no livro de Gênesis que Abraão “morreu em ditosa velhice, avançado em anos” (Gênesis 25.8). Uma velhice “ditosa” quer dizer uma velhice feliz, satisfeita, venturosa, afortunada. Quando lemos o que a Bíblia diz sobre a vida de Abraão fica fácil descobrir o segredo de sua felicidade. Há pelo menos 3 coisas que contribuíram para ela:
1) Abraão foi um homem de FÉ toda a sua vida. Desde o dia em que Deus o chamou para sair de sua terra e ir peregrinar em uma terra distante, Abraão aprendeu a confiar em Deus e a depender das Suas promessas. Não é em vão que Abraão ficou conhecido como o pai da fé e “amigo de Deus” (Tiago 2.23; Hebreus 11.8-19). Quando uma pessoa aprende cedo na vida a confiar em Deus e a depender dele, terá melhores condições de enfrentar as incertezas e sofrimentos da velhice, como Abraão.
2) Abraão foi um homem OBEDIENTE a Deus toda a sua vida. Fé e obediência andam juntas. Abraão cria em Deus e portanto, obedeceu-o. A maior demonstração que deu disso foi quando se dispôs a sacrificar seu próprio filho Isaque por determinação de Deus (Gênesis 22.1-14). Se aprendemos desde cedo na vida a obedecer a Deus incondicionalmente, quando atingirmos a velhice teremos uma consciência tranqüila de que Deus, a quem procuramos servir durante nossa vida, jamais nos desamparará.
3) Abraão ANDOU COM DEUS toda a sua vida. Através dos anos, ele desenvolveu um relacionamento pessoal e significativo com Deus. Deus fazia parte integrante da sua vida. Diariamente Abraão orava, falava com Deus, procurava ouvir e entender Sua vontade e segui-la. Abraão compartilhava continuamente com Deus as alegrias e dificuldades. Basta ler a história de sua vida para ver como isso é verdade. Não pensem que Abraão foi um privilegiado que diariamente tinha uma visão onde Deus lhe aparecia e falava diretamente com ele. As visões que Abraão teve foram poucas e muito espaçadas entre si, as vezes por anos a fio. Abraão aprendeu a andar com Deus pela fé. Quando ficou velho, já havia andado o suficiente com Deus para saber que o Senhor estava ali, ao seu lado. Que conforto extraordinário nos momentos de solidão!
O Salmo 71 é a oração de um velho, pedindo a Deus que o socorresse e auxiliasse nos dias de sua velhice. Não sabemos quem a escreveu, provavelmente foi o rei Davi. Nela, o autor revela profundo conhecimento de Deus e certeza de que Ele haverá de atender a seu pedido. Um dia todos seremos velhos. Passaremos pelo mesmo vale de lágrimas que muitos passam nesse momento. Quem confiou em Deus e andou com Ele durante a sua vida poderá ter uma ditosa velhice, frutífera e cheia de sentido. Comecemos hoje!
Autor: Augustus Nicodemus Lopes. Doutor em Novo Testamento, é professor de Exegese do Sem. Presbit. José Manoel da Conceição, em São Paulo e Diretor do Centro Presbit. de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo.
Como Transformar Crise em Triunfo
18/10/10
Referência: Gênesis 26.1-33
INTRODUÇÃO
1. A crise é uma encruzilhada: onde uns colocam os pés na estrada da vitória, outros descem a ladeira do fracasso. A crise revela os verdadeiros heróis: uns ficam esmagados debaixo da bota dos gigantes, outros olham para os horizontes largos por sobre os ombros dos gigantes. Na crise uns fracassam, outros triunfam. É no ventre da crise que surgem os grandes vencedores.
2. A crise é um tempo de oportunidade: uns olham para a ela como a porta da esperança, outros vêem-na como a sepultura dos sonhos. John Rockefeller disse que “o futuro não acontece simplismente, ele é criado por homens de visão”.
3. Ilustração: Os Estados Unidos estão no meio do terceiro padrão residencial. No começo o país era agrícola. O florescimento da industrialização e o leque dos serviços públicos levou o país a ser predominantemente urbano. Hoje, a nação é suburbana, a maioria da população concentra-se na periferia das grandes cidades. O grande idealizador desse deslocamento das pessoas dos centros congestionados para os subúrbios foi William Levitt. Ele inovou o sistema de construção, criou financiamento para aquisição da casas e desenvolveu um novo modelo de comunidade. Depois da segunda guerra mundial, os país experimentou uma crise residencial. O número de casamentos aumentou assustadoramente com o retorno dos soldados combatentes. Houve uma explosão demográfica e assim milhões de pessoas viviam inadequadamente em garagens e barracões. William Levitt então, aproveitando a crise de habitação deu corpo ao seu sonho, comprando enormes lotes no subúrbio de Nova York, onde as propriedades eram baratas eenviou suas equipes para contruir casas. A idéia explodiu no país. Em pouco tempo os Estados Unidos estavam semeados de áreas semelhantes e a crise habitacional foi eliminada. Foi uma revolução na indústria de moradias. A crise é um tempo de semeadura.
4. A crise gera medo, insegurança e instabilidade. Isaque quer fugir, pois há fome em sua terra. Mas a crise é tempo de oportunidade e da intervenção sobrenatural de Deus. Vejamos à luz deste texto cinco princípios para transformar a crise em triunfo.
I. NA CRISE SIGA A ORIENTAÇÃO DE DEUS EM VEZ DE FUGIR – V. 1-6
1. Na crise somos desafiados a lutar pela própria sobrevivência – v. 1
• A fome assola a sua terra. É tempo de escassez, de desemprego, de contenção drástica de despesas, de recessão. Isaque não ficou lamentando, ele saiu, se moveu. Hoje vivemos o drama do achatamento da classe média, da falta de oportunidade e perspectiva para aqueles que não conseguem ter acesso às universidades. A batalha do emprego é maior do que a batalha do vestibular. O desemprego é um gigante. O medo do futuro apavora os pais de família.
2. Na crise não podemos buscar atalhos sedutores – v. 2
• Isaque foi tentado a descer ao Egito, lugar de fartura e riquezas fáceis. Queremos soluções rápidas, fáceis e sem dor. Mas Deus diz a ele: “Não desças ao Egito”. Cuidado para não transigir com os valores de Deus na hora da crise. Cuidado para não tapar os ouvidos à voz de Deus na hora da crise. Desista das vantagens imediatas por bênçãos mais invisíveis (v. 3) e remotas (v. 4). Desista dos seus planos e siga o projeto de Deus.
3. Na crise, precisamos tirar os olhos das circunstâncias e pô-los nas promessas de Deus – v. 3-5
• Deus diz para Isaque: não fuja, fique! Floresça onde você está plantado. Não corra dos problemas, enfrente-os. Vença-os. O seu futuro está nas mãos de Deus. Não deixe a ansiedade estrangular você: Onde vou morar? Onde vou trabalhar? Onde meus filhos vão estudar? Como eu vou pagar o meu plano de saúde? E se eu ficar doente?
• Deus acalma o coração de Isaque e lhe diz: Calma! Eu estou contigo. Calma! Eu tomo conta da sua descendência. Calma! Seu futuro está nas minhas mãos e não acabado pelo terremoto das circunstâncias. Calma! Eu vou fazer de você e da sua descendência uma bênção para o mundo todo.
• A causa da nossa vitória não é ausência de problemas, mas a presença de Deus nos garantindo a vitória. Moisés não se dispôs a atravessar sem a presença de Deus. Paulo disse: “Se Deus é por nós quem será contra nós?”
4. Na crise, precisamos obedecer sem racionalizações – v. 6
• Deus tem duas ordens para Isaque: Não desças ao Egito (v. 2) e fica na terra de Gerar (v. 2,6). Isaque não discute, não questiona, não racionaliza, não duvida. Isaque obedece prontamente, pacientemente. Ele aprendeu com seu pai Abraão. Abraão saiu, ele saiu. Abraão, vai a Moriá, ele foi. Abraão ofereça seu filho em sacrifício, ele ofereceu. Abraão não estendas a mão sobre o menino e ele obedeceu. O caminho da obediência é o caminho da bênção. Na crise não fuja de Deus, obedeça a Deus!
II. NA CRISE INVISTA EM SEU RELACIONAMENTO FAMILIAR EM VEZ DE MENTIR – V. 7-11
1. Os grandes homens também têm os pés de barro – v. 7
• Isaque mentiu para salvar a sua pele e para colocar a sua mulher na maior de todas as encrencas. Ele demonstrou que amava mais a si do que a esposa. Ele estava preocupado com a sua segurança e não com os sentimentos da sua mulher. Ele negou o mais sagrado dos relacionamentos: a união conjugal. Ele foi covarde na hora que precisava ser mais corajoso.
• Isaque colocou a sua mulher no balcão dos desejos e na vitre da cobiça. Ele usou um dote físico da esposa, sua beleza como um fator de risco para ela.
• A mentira contada (v. 7), tornou-se mentira descoberta (v. 8-9). A mentira descoberta, tornou-se mentira reprovada (v. 10-11).
2. Os grandes homens também podem ser incoerentes – v. 8-11
• As carícias na intimidade eram uma contradição da negação do compromisso em público. Isaque só era marido dentro do quarto. Fora dos portões não tinha coragem de assumir a sua mulher. Isso certamente feriu o coração de Rebeca. Daí para frente o diálogo morreu na vida deste casal. Eles passavam a velhice na solidão. Jogaram um filho contra o outro e sofreram amargamente as consequências. A velhice de Isaque foi vivida com a ausência de Jacó, a revolta de Esaú e a falta de diálago com Rebeca.
• Isaque cometeu três pecados graves: Mentira, Egoísmo e Medo.
• Não deixe que a crise financeira ou qualquer outro problema familiar fragilize o seu relacionamento conjugal. A crise deve ser um tempo de aproximação do casal e não de instabilidade. Hoje 50% dos casamentos acabam em divórcio. Dez anos depois do segundo casamento, 70% terminam também em divórcio. Nos últimos 6 anos, o índice de divórcio na terceira idade, aumentou 51%.
• A sua família é o seu maior patrimônio. Nenhum sucesso compensa o fracasso da sua família.
III. NA CRISE VENÇA OS PROGNÓSTICOS PESSIMISTAS E FAÇA INVESTIMENTOS EM VEZ DE FICAR LAMENTANDO – V. 12-14
1. Semeia na sua terra, ainda que todos duvidem – v. 12
• Muitos podiam dizer: o lugar é deserto. Aqui não chove. A tera é seca. Aqui não em água. Não vai dar certo. Outros já tentaram e fracassaram. Não tem jeito, jamais vamos sair dessa crise. Isaque se recusou a aceitar a decretação do fracasso em sua vida. Ele desafiou o tempo, as previsões, os prognósticos, a lógica: “Semeou Isaque naquela terra”. Irmão, pára de reclmar: semeia na sua terra. Semeia no seu casamento. Semeia nos seus filhos. Semeia no seu trabalho. Semeia na sua igreja. Não importa se hoje o cenário é de um deserto. Lança suas redes em nome de Jesus. Lança o seu pão sobre as águas. Ande pela fé.
• Davi podia pensar o mesmo diante de Golias. Há quarenta dias o exército de Saul corre desse gigante. Eu também não consigo. Mas Davi correu para vencer o gigante. Agarre seu gigante pelo pescoço. Semeia no seu deserto. Deus faz o deserto florescer.
• Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961, filho de um caxeiro-viajante e uma professora pública, ficou órfão de pai aos 3 anos. Foi estudar Medicina em Belo Horizonte e era tão pobre, que além de pagar os seus próprios estudos não tinha dinheiro para comprar uma cadeira. Sua cadeira é uma caixote de tomate. Mas esse homem venceu as dificuldades. Tornou-se um médico cirurgião, fazendo especialidade na França e na Alemanha. Foi Deputado Federal duas vezes. Prefeito e Governador de Minas. Foi presidente da Repúbica de 1956 a 1965. Em 21 de Abril de 1960 inaugurou Brasilia, a capital da república no coração do serrado.
2. Torne-se um especilialista do que faz, não se acomode – v. 18-22
• Quando estamos vivendo num deserto, precisamos nos tornar especialistas em derrotar crises. Isaque começou a cavar poços. Cavou sete poços. Ele se especializou no que fazia. Ele busca um milagre, mas está pronto a suar a camisa. Ele quer passar no vestibular, mas estuda com afinco. Ele quer passar no concurso, mas estuda com seriedade. Ele busca um emprego, mas sai de casa de madrugada. Ele quer ser próspero, mas não fica deitado de papo para o ar. Ele vai à luta. Ele se especializa no que faz. Ele se torna doutor em cavar poços no deserto. Ele prospera quando todo mundo está reclamando da crise e da fome.
• Ilustração – Charles Steinmetz era um anão deformado, contudo uma das maiores inteligências que o mundo já viu no campo da eletrecidade. Foi ele quem fabricou os primeiros geradores para a fábrica FORD, em Michigan. Um dia os geradores se queimaram e toda a fábria parou. Mandaram chamar vários mecânicos e eletricistas para consertá-los, mas ninguém conseguiu recolocá-los em funcionamento. A firma estava perdendo dinheiro. Então, Henry Ford mandou chamar Steinmetz. E o gênio chegou ali e ficou a remexer por algumas horas, e depois ligou a chave e toda a fábrica voltou a funcionar. Alguns dias depois, Henry Ford recebeu a conta de Steinmetz no valor de $ 10,000. Embora fosse muito rico, devolveu a conta com um bilhete: “Charles, essa conta não está muito alta para um serviço de poucas horas, em que você apenas deu uma mexida naqueles motores?” E Charles devolveu-a para Ford, mas desta vez tinha uma explicação: “Valor da mexida nos motores $ 100. Valor do conhecimento do lugar certo para mexer $9,900. Total: $ 10,000. E Ford pagou a conta.
3. Faça o ordinário e espere o extraordinário de Deus – v. 12-14
• Isaque colheu a cento por um no deserto, na seca (v. 12). “Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo” (v. 13). Tornou-se um próspero empresário rural (v. 14). A razão? Porque o Senhor o abençoava (v. 12b).
• A intervenção sobrenatural de Deus não anula a ação natural do homem: Isaque experimentou o milagre de Deus na crise. Mas Isaque não prosperou na passividade. Ele cavou poços. Ele plantou. Ele investiu. Ele trabalhou. Ele foi um empreendedor. É hora de parar de falar em crise e arregaçar as mangas. É hora de parar de reclamar e começar a trabalhar com afinco.
• Há uma profunda conexão entre a dilência humana e a bênção de Deus, entre trabalho e prosperidade (Pv 10:4; 13:4; 28:19).
• Ilustração – Ray Kroc foi um homem de visão. Na metade dos anos 50, Kroc que morava em Chicago, trabalhava vendendo máquinas de Milk-Shake para restaurantes. Durante suas viagens como vendedor, ouviu falar das Unidades de Milk-Shake que eram usadas pelo restaurante dos irmãos McDonalds, no sul da Califórnia. Ray Kroc viajou até lá e ficou observando como as pessoas chegavam continamente e compravam lanches e saíam felizes e satisfeitas. Seu instinto de comerciante foi aguçado. Kroc conversou com os clientes e então fez uma parceria com os McDonalds, que não tinham a visão de expandir o seu negócio, de abrir franquias de refeições rápidas. Essa visão de Kroc explodiu em sucesso. A indústria de refeições instantâneas tornou-se uma grande força na economia dos Estados Unidos e agora do mundo. Hoje, os restaurantes McDonalds estão espalhados no mundo inteiro. Tom Sine em seu livro “A face oculta da globalização” diz que a McDonald’s passou a Coca-Cola como a marca mais conhecida do mundo.
IV. NA CRISE PROTEJA O SEU CORAÇÃO DA AMARGURA EM VEZ DE BRIGAR PELOS SEUS DIREITOS – V. 14b-21
1. Esteja no controle dos seus sentimentos, sua paz de espírito é melhor do que a riqueza
• Isaque enfrentou: 1) A inveja dos filisteus (v. 14); 2) A suspeição e rejeição de Abimeleque (v. 16) e 3) A contenda dos pastores de Gerar (v. 20,21). As pessoas normalmente não se alegram quando você prospera. Inveja, rejeição e contenda são tensões que você precisa enfrentar.
• Como Isaque enfrentou a inveja, a rejeição e a contenda? Com paciência. Quando Abimeleque mandou ele sair, ele saiu. Quando os filisteus encheram os seus poços de entulho, ele saiu e abriu outros poços. Quando os pastores de Gerar contenderam para tomar os dois poços novos, ele não discutiu, foi para frente para abrir o terceiro poço. Ele teve uma reação transcendental (Mt 5:39-42).
• Isaque nos ensina que é melhor sofrer o dano do que entrar numa briga buscando os nossos direitos. É impossível ser verdadeiramente próspero sem exercitar o perdão. Quem guarda mágoa, e passa por cima dos outros, quem atropela os outros e fére as pessoas não tem paz.
2. Quando você teme a Deus, ele reconcilia com você os seus inimigos – v. 26-33
• Abimeleque o expulsa, mas agora o procura, pede perdão e reconhece que ele é “o abençoado do Senhor” (v. 29) e Isaque o perdão.
V. NA CRISE BUSQUE VELHAS E NOVAS POSSIBILIDADES EM VEZ DE SE ACOMODAR – V. 18-22,25,32
1. Isaque reabriu os poços antigos de seu pai – v. 18
• Isaque aprende com a experiência dos mais velhos. Ele não chama especialistas para cavar poços. Ele reabriu as fontes de vida que abasteceram os seus pais. Precisamos redescobrir as fontes de vida que nossos pais beberam e que foram entulhadas pela corrupção dos tempos. Precisamos cavar esses poços outra vez. Lá tem água boa. Lá tem mananciais. Precisamos voltar a reunir a família em torno da Palavra. Precisamos orar juntos. Precisamos voltar a fazer o culto doméstico. Precisamos voltar às antigas veredas em vez de ficar flertando as novidades do modernismo teológico. Não estamos precisando de novidades, de correr atrás de cistenas rotas. Precisamos do Antigo Evangelho.
2. Isaque abriu novos poços, mostrando que não se contentava com as experiências do passado, ele queria mais – v. 19-22, 32
• Isaque era um homem empreendedor. Ele queria mais. Precisamos aspirar mais do que os nossos pais aspiraram. Precisamos avançar mais do que eles avançaram. Os melhores dias não ficaram para trás, estão pela frente. Nada de saudosismo. Não podemos deixar que as experiências do passado sejam o limite máximo das nossas buscas. Não podemos jogar o passado fora nem idolatrá-lo. A história é dinâmica. Devemos aprender com o passado, viver no presente, com os olhos no futuro. Isaque saiu da terra dos filisteus, foi para o vale de Gerar, depois para Reobote, depois para Berseba. Mas aonde vai, ele vai cavando poços. Ele quer água no deserto. Berseba antes era um deserto, agora é uma cidade, porque Isaque achou água ali.
3. Isaque tirou os entulhos dos filisteus para que a água pudesse jorrar – v. 18
• Isaque compreende uma verdade sublime: havia água nos poços. Mas ela não podia ser aproveitada. Primeiro era preciso tirar o entulho dos filiteus. Deus tem para nós fontes, rios de água viva. Nós não os recebemos porque há entulho para ser tirado.
• Antes de sermos cheios do Espírito de Deus, precisamos tirar o entulho do pecado: 1) Incoerência – Vida dupla, ortodoxia morta, legalismo. 2) Impureza – fornicação, pornografia, adultério; 3) Increduliadade – Secularismo, mundanismo, falta de fervor.
CONCLUSÃO
1. Isaque não era apenas um homem próspero, era também um homem piedoso – (v. 24-25) – Ele misturava liturgia e trabalho. Ele levantava altares no seu trabalho. Ele levava Deus para o seu trabalho e trazia o seu trabalho para Deus. Tudo que você faz na vida precisa ser um ato litúrgico. Você precisa trafegar da igreja para o trabalho com a mesma devoção. Sua segunda-feira precisa ser tão cúltica quando o culto de domingo à noite. Antes de receber o seu culto, Deus precisa se deleitar com a sua vida. Se no seu escritório, balcão, comércio, campo você não levanta altares a Deus, seu culto na igreja é vazio.
2. Se a crise chegou, você é um forte candidato a um extraordinário milagre de Deus – Se você está no deserto, ouça Deus, siga a direção de Deus, semeia no seu deserto. Se você está vivendo num lugar seco, reabra os poços antigos. Busque as fontes da graça de Deus. Tire os entulhos. Não deixe o seu coração azedar. O seu deserto vai florescer. Se o chão está duro, regue a semente com as suas lágrimas e prepare-se para uma colheita milagrosa.
Fonte: Rev. Hernandes Dias Lopes
A Criação da Vida Animada
06/10/10
Gênesis 1:1 – 2:25
Versículo para memorização: Gênesis 1:24
Nesta lição, trataremos do quinto dia da criação e, de maneira geral, da criação do sexto dia, excluindo o detalhe concernente à criação do homem. A criação do quinto dia envolve a criação da vida marinha e das aves. “E disse Deus: produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus” (Gênesis 1:20).
Há alguns que vêem isso como base para pensar que os pássaros vieram do mar de segundo a Bíblia, que eles igualmente evoluíram do peixe. Penso ser essa hipótese uma interpretação descuidada do versículo 20 e, na realidade, uma especulação totalmente infundada. O caminho para decidir a respeito de qualquer versículo questionável é ler os versículos precedente ou seguinte. Nesse caso, o versículo 21 explica perfeitamente a ordem. Deus criou grandes baleias e toda criatura viva que a água produziu conforme a sua espécie. Essas palavras são constantemente proferidas em razão da criação para negar a mutação e garantir que Deus criou.
A Palavra diz: “toda a ave de asas conforme a sua espécie”. Afirma-se que Deus criou de ambas as categorias, e afirma-se de ambas: cada criatura, cada ave conforme sua espécie. Somos constantemente conduzidos a negar qualquer possibilidade de evolução ou negar a Bíblia. Você não pode ter ambas possibilidades.
A criação do sexto dia pode ser basicamente dividida dessa forma: animais, serpentes, insetos e homem. A pessoa que reivindica que o versículo 20 afirma a evolução da vida a partir do mar também deve afirmar que o versículo 24 afirma a evolução da vida a partir da terra. Assim, novamente, a falta de lógica cronológica evolucionista encontrou sua cauda voltando ao redor da árvore. Deus criou a besta, o gado e as criaturas rastejantes conforme sua espécie.
A criação final de Deus para o sexto dia foi o homem. Devo também dizer que esta é a criação física final de Deus. Deus está preparando, julgando e regenerando hoje, mas Ele não está criando (Gênesis 1:31).
A criação final e exclusiva de Deus é o homem. O homem é único por duas razões. Primeiro, foi criado para ter domínio (Gênesis 1:26) sobre todo o resto da criação e, segundo, porque Deus deu-lhe responsabilidade. Deus incumbiu e comandou o homem sob um propósito. É notável que Deus não falou dessa forma para os animais. Eles devem mover-se, agir e multiplicar-se apenas por instinto. Não é assim com o homem, ele teve desejo, responsabilidade e desígnio. É nesse sentido que foi feito à imagem de Deus.
Deus não é físico, Ele é Espírito. Deus é, entretanto, pessoal. Ele tem desígnio, desejo e domínio e, depois de tudo, foi criado o homem.
PERGUNTAS – LIÇÃO 4
1. Quais são os dois tipos de vida mencionados no versículo 20?
2. O versículo 20 está descrevendo um ato da criação?
3. O versículo 21 indica uma ou duas formas de vida?
4. Deus estava satisfeito com a criação do versículo 21?
5. O versículo 24 é um ato de criação ou um decreto?
6. Aponte três tipos de vida criadas no versículo 25.
7. Por que não podemos assumir que as aves foram criadas através do peixe?
8. O mar produziu a ave?
9. As baleias são um resultado da criação direta?
10. As baleias e os peixes são diferentes?
11. Qual deve ser a principal característica do homem?
12. Isso significa que Deus tem um corpo?
13. A Escritura indica que o homem pode ter evoluído?
14. Deus deu domínio para o homem sobre o quê?
15. O que é entendido por o homem ter domínio?
16. Quantos homens tiveram esse domínio?
17. Adão deveria ter desejos e planos?
18. Deus deu a Adão alguma ordem?
19. Se sim, aponte algumas delas.
20. Deus disse a Adão o que era para o homem comer?
Autor: Pr. Forrest Keener
Tradutor: Albano Dalla Pria
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
MINISTRAR OU SERVIR?
23/09/10
Eu creio firmemente que uma das características que vai diferenciar a igreja do mundo em geral é a sua capacidade de servir.
Lembremos do que Jesus ensinou: “sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mt 20.25,26).
Numa sociedade dominada pelo egoísmo – e, muitas vezes, com o uso da própria força, seja ela política, econômica ou mesmo física -, tenho certeza de que a nossa luz vai brilhar ainda mais se, em contraste, tivermos uma disposição de servir a Deus e aos seres humanos que Ele criou.
Essa compreensão se torna clara quando entendemos o princípio do serviço esboçado nas Escrituras: “servi ao Senhor com alegria … sabei que o Senhor é Deus: foi ele quem nos fez e dele somos; somos o seu povo, e rebanho do seu pastoreio” (Sl 100.2,3); e “não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço” (1Co 6.19). Certa vez eu ouvi alguém dizer que o cristão tem livre arbítrio. Mas esse entendimento não está de acordo com as Escrituras.
O livre arbítrio é para quem não nasceu de novo. Para nós, que fomos comprados pelo sangue de Jesus e nascemos de novo, resta apenas OBEDECER. Nós não pertencemos mais ao diabo e nem a nós mesmos! Somos “de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9). Isso quer dizer que a propriedade de Deus sobre nós exclui as demais, inclusive a propriedade que gostamos de manter sobre nós mesmos, tentando administrar nossas vidas como bem entendemos. “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6.24).
E a liderança da igreja tem um papel importantíssimo nesta questão: ela deve ser padrão para os fiéis. A Bíblia nos ensina que Jesus “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20.28). Após ter lavado os pés dos discípulos, dando o exemplo, Ele disse: “ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). Davi, que foi rei em Israel, é citado nas Escrituras como tendo “servido à sua própria geração conforme o desígnio de Deus” (At 13.36).
Seguidamente escutamos algumas pessoas, preocupadas com a sua função no corpo de Cristo, perguntarem: “e o meu ministério?” Muitas delas, inclusive, usando essa mesma expressão como argumento, e impulsionadas por ambiciosos sonhos pessoais, precipitaram-se em decisões erradas, ferindo, com tais atitudes, a própria igreja, como se os “outros irmãos” nada tivessem a ver com as suas vidas, e como se os ministérios existissem para causar divisão no corpo. Mas não foi o apóstolo Paulo quem disse que “somos membros uns dos outros” (Rm 12.5) e que “se um membro sofre, todos sofrem com ele” (1Co 12.26)? O que realmente quer dizer a palavra “ministério”?
É interessante observar que a expressão característica para o vocábulo “ministério” no Novo Testamento é a palavra diakonia, que em sua tradução significa “serviço”, cuja definição é “ato ou efeito de servir; exercício de funções obrigatórias; trabalho; utilidade” (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, 11ª edição, pág. 1047).
Quando os apóstolos não estavam mais dando conta do seu trabalho, eles convocaram a comunidade dos discípulos para a escolha de diáconos, alegando o seguinte: “não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens … aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.2-4). É bom dizer que no texto acima a palavra “servir” e a palavra “ministério” têm origem no mesmo vocábulo: diakonein, cuja tradução é “servir as mesas”, dando a idéia de alguém que serve uma refeição. Exemplo semelhante encontramos com relação a Paulo no livro de Atos: “tendo enviado a Macedônia dois daqueles que lhe ministravam (serviam), Timóteo e Erasto, permaneceu algum tempo da Ásia” (19.22).
No mês de março deste ano, ao completar trinta e dois anos de idade, eu me recordo de estar em meu quarto orando quando, então, o Espírito Santo me trouxe ao coração o que disse Davi: “Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma” (Sl 131.1,2). Muitas pessoas ainda “andam à procura” do seu “próprio ministério” porque ainda não compreenderam o que é servir. Neste salmo, inclusive, podemos ver que não basta fazer a alma calar. É preciso, também, fazê-la sossegar! Jesus, muito embora Marta estivesse agitada “de um lado para outro, ocupada em muitos serviços”, valorizou a atitude de Maria, que estava aos seus pés “a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lc 10.39,40).
Logo após a ascensão de Jesus ao céu, os apóstolos voltaram para Jerusalém e oraram: “Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido, para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio caminho” (At 1.24,25). Deus, aqui, não precisava de “novos ministérios”. Ele apenas queria que alguém se encaixasse na vaga que precisava ser preenchida. E, segundo o texto, isso dependia exclusivamente do coração de cada um. Deus, por acaso, mudou?
A Bíblia refere: “servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus … se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas seja Deus glorificado” (1Pe 4.10,11). Quando entendemos o princípio do serviço – de que somos servos de Deus -, servimos a todos indiscriminadamente, sem exceção. Consequentemente, Deus supre as nossas carências e imperfeições com alimento, para que a nossa despensa esteja sempre cheia e seja útil para os que têm fome. E por quê? Para que Deus – e não nós – “seja glorificado”.
Não percamos tempo andando à procura. Tenhamos um coração disposto a servir. “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Ec 9.10). E nunca nos esqueçamos da advertência de Jesus: “Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso, e não te assistimos (servimos)? Então lhes responderá: Em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer” (Mt 25.44,45).
Autor: Christian Lo Iacono – http://www.cristoresposta.com.br/
O outro lado da história
22/09/10
Freqüentemente escutamos pessoas contando seus problemas e casos do dia-a-dia. O mais comum ainda é ouvirmos alguém opinar sobre uma situação que está acontecendo. O interessante é a facilidade (poderíamos dizer propensão) que nós, como seres humanos, temos de tomar partido baseados unicamente no relato de “terceiros”. Poucas vezes ouvi alguém interromper um relato para perguntar o que motivou a pessoa ser ou agir de determinada maneira.
Pessoas têm sentimentos, falhas e também podem mudar. Existe algo que criamos em nossa mente que podemos chamar de estereótipo. Colocamos as pessoas dentro de moldes, esquecemos que elas mudam e que constantemente estão aprendendo novas coisas. O apóstolo Paulo teve uma mudança em sua vida, e um cristão em especial, um discípulo chamado Ananias, tinha criado a imagem mental sobre quem era Saulo de Tarso, associada a assassino, perseguidor de cristãos, etc.
10 Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ananias!” “Eis-me aqui, Senhor”, respondeu ele. 11 O Senhor lhe disse: “Vá à casa de Judas, na rua chamada Direita, e pergunte por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está orando; 12 numa visão viu um homem chamado Ananias chegar e impor-lhe as mãos para que voltasse a ver”. 13 Respondeu Ananias: “Senhor, tenho ouvido muita coisa a respeito desse homem e de todo o mal que ele tem feito aos teus santos em Jerusalém. 14 Ele chegou aqui com autorização dos chefes dos sacerdotes para prender todos os que invocam o teu nome”.
15 Mas o Senhor disse a Ananias: “Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. 16 Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome”.17 Então Ananias foi, entrou na casa, pôs as mãos sobre Saulo e disse: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo”. 18 Imediatamente, algo como escamas caiu dos olhos de Saulo e ele passou a ver novamente. Levantando-se, foi batizado 19 e, depois de comer, recuperou as forças.
Algumas vezes nosso passado pode nos trazer complicações com os novos relacionamentos, mas o importante é sabermos que assim como nós pecamos, erramos e tentamos mudar, as outras pessoas também pecam, erram e também, como nós, acertam algumas vezes.
Se pedíssemos para dois diretores famosos criarem um filme sobre Jesus, veríamos filmes com enfoques e características completamente diferentes. Assim são as histórias que ouvimos, pois elas estão presas aos pensamentos e opinião de quem nos conta os fatos.
O prazer de ouvir uma boa história não tem preço, mas assim como existem histórias boas, existe algo que podemos chamar de pecado. Isto ocorre quando nos enchemos de um sentimento prazeroso que com o tempo vai crescendo e nos torna mais e mais dependentes. Esse pecado se manifesta quando cedemos nossos ouvidos para ouvir “fofocas” e “comentários” ou quando falamos sobre pessoas ou instituições para alguém, que poderia ter sido poupada da contaminação.
Que é que as pessoas fazem quando recebem críticas, em especial críticas injustas? Uns tentam se explicar; outros partem para a ofensiva. Jesus Cristo contava histórias! Quando criticaram o fato de ele sentar à mesa com pessoas de má fama, ele se defendeu contando as parábolas dos perdidos: a ovelha, a moeda, e o filho. Todas essas parábolas estão em Lucas, capítulo 15[1].
Assim como Jesus contava histórias quando era “criticado” ou quando “estava sendo injustiçado”, devemos sempre meditar sobre como temos agido, pois facilmente erramos e quando menos esperamos já aconteceu.
Uma pessoa pode fazer 10 coisas boas, mas quando faz uma errada, essa “coisa errada” se torna tão grande para as pessoas, que se ocupam em rodear a terra para encontrarem defeitos nas pessoas. Ainda bem que Deus nos olha com olhos de amor e encontramos conforto em sua Palavra:
Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
1 Jo 2.1-2
Leonardo Rodrigues Pereira – www.estudosnovotempo.com.br
[1] http://www.ulbra.br/pastoral/textoscholz.htm
Os nomes de Deus
19/09/10
O alvo deste volume é levar os leitores a um melhor conhecimento do Deus vivo e verdadeiro. Se qualquer dos leitores sente que o autor deixa-se pender, e não mantém o equilíbrio da verdade ao enfatizar a responsabilidade do homem, devo relembrá-lo que nossa tese é Deus, não o homem.
Existem várias fontes de conhecimento sobre Deus. Os céus e a terra e Sua criação revelam Seu eterno poder e divindade, e declaram a Sua glória. A consciência humana também testifica de Sua existência como a testificam as leis da natureza. Mas a Bíblia é a fonte principal de informação a respeito de Deus em Seu caráter e trabalho.
Os vários nomes e títulos dados a Deus na Bíblia revelam muito em relação a Seu caráter e governo. Na Bíblia, os nomes de pessoa, lugares e coisas são de grande significado; os nomes foram escolhidos por motivo de seu significado. Nós damos nome a nossos filhos hoje sem nem pensar no significado e muitas vezes o nome não é apropriado ao caráter a quem foi dado. Muitos homens já receberam o nome de Jesus, mas a um só este nome foi apropriado; a Jesus de Nazaré. As vezes encontramos um ignorante com o nome de Rui ou um gago com nome dum grande orador. Mas os nomes de Deus na Bíblia são muito bem apropriados e pode-se aprender muito pelo estudo de Seus nomes.
O estudo de nomes dados a pessoas e a lugares na Bíblia é tão interessante que somos forçados a olhar um pouco a este estudo antes de chegarmos ao tema principal que é “Os nomes de Deus”. Na Bíblia os nomes revelam o caráter de pessoas e de solenidades em certas ocasiões. Como ilustração, vamos tomar diversos nomes encontrados na Bíblia e vamos examinar um pouco seus significados. Na batalha de Afeca, Israel foi derrotado pelos filisteus, perdendo trinta mil soldados; os dois filhos de Eli, Ofní e Finéias foram mortos; a arca de Deus foi levada pelos filisteus; e quando estas notícias chegaram à esposa de Finéias, ela faleceu ao dar a luz a uma criança, a quem deu o nome de Icabô logo antes de falecer. Este nome significa “sem glória”, demonstrando assim que a glória de Deus havia saído de Israel. 1 Samuel 4:21. O nome Moisés significa “tirado” e foi-lhe dado pela filha de Faraó que disse: “porque o tirei das águas”. Êxodo 2:10. O nome Samuel foi dado ao filho de Elcana e Ana como memorial a uma oração respondida. Samuel significa “ouvido por Deus” e foi-lhe dado por sua mãe: “porque o pedi do Senhor”. 1 Samuel 1:20. O nome humano de Jesus foi dado o nosso Senhor porque significa “Jeová salva”. Quando o anjo do Senhor apareceu a José para aquietar seu temor e desconfianças concernentes à sua virgem, Maria, ele anuncia o nascimento de um filho e diz: “chamarás seu nome Jesus, pois Ele salvará seu povo dos seus pecados.” Mateus 1:21. O nome Abraão significa “pai de muitos”, e foi dado a Abrão por Deus quando lhe prometeu numerosa descendência. Adão chamou a criatura tirada de seu lado de mulher: “porque do homem ela foi tirada”. Gênesis 2:23. Quando Adão e Eva tornaram-se pecadores pela transgressão do mandamento de Deus, o evangelho foi-lhes pregado por Deus… O evangelho que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente. Gênesis 3:15. Como sinal de fé, Adão chamou a mulher de Eva, que significa “vivente”, pois ela é a mãe de todos os viventes. Gênesis 3:20. O primeiro filho de Eva foi chamado Caim, que significa “adquirido”, porque como ela disse: “Tenho recebido um homem do Senhor”. Gênesis 4:1. O nome dado a este filho provavelmente indica que Eva pensava que ele seria o Salvador. Se isto é verdade, grande foi sua decepção. Talvez por este motivo é que ela chamou seu próximo filho de Abel que significa; “vaidade ou vapor”. Quando Samuel venceu os filisteus num campo de batalha entre Mizpa e Sem, ele colocou uma pedra no lugar exato da vitória e chamou-a de Ebenezer, que significa “pedra de auxílio,” dizendo: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. 1 Samuel 7:12.
OS NOMES DE DEUS
Alguns dos nomes de Deus dizem respeito a Ele como sujeito: Jeová, Senhor, Deus; outros são atribuídos como predicados que falam dEle ou a Ele, como: Santo, justo, bom, etc. Alguns nomes expressam a relação entre Deus e as criaturas: Criador, Sustentador, Governador, etc. Alguns nomes são comuns às três pessoas, como; Jeová, Deus, Pai, Espírito. E outros são nomes próprios usados para expressarem Sua obra e Seu caráter.
O nome de Deus é o que Ele é: representação do Seu caráter. Mas o Criador é tão grande que nome algum jamais será adequado à Sua grandeza. Se o céu dos céus não O pode conter, como pode um nome descrever o Criador? Portanto, a Bíblia contém vários nomes de Deus que O revelam em diferentes aspectos de Sua maravilhosa personalidade.
ELOÌM
Este é o primeiro nome de Deus encontrado nas Escrituras (Gênesis 1:1), e aqui o nome encontra-se em sua forma plural, mas o verbo continua no singular, indicando a pluralidade das pessoas na unidade do Ser. Este nome denota a grandeza e o poder de Deus. Este nome encontra-se somente no relato da criação (Gênesis 1:1-2:4); é o Seu nome de criação. Eloím é sempre traduzido no português, como Deus em nossa Bíblia. De acordo com a opinião mais ponderada entre os estudiosos, esta palavra é derivada duma raiz na língua árabe que significa “adorar”. Esta opinião é fortalecida quando observamos que a mesma palavra é usada inapropriadamente para anjos, dos homens, e falsas divindades. No Salmo 8:5 a palavra anjos é eloím no texto original, e vemos que certas vezes os anjos são impropriamente louvados. No Salmo 82:1,6 eloím é traduzido deuses, e é usado para homens. Em Jeremias 10:10-12 temos o verdadeiro Deus (eloím) contrastado com os “deuses” (eloím) que não fizeram os céus nem a terra, implicando assim que ninguém, não ser Deus, é objeto próprio de adoração.
EL-SHADAI
Este nome composto é traduzido “Deus o Todo poderoso” (El é Deus e Shadai é Todo poderoso). O título El é Deus no singular, e significa forte ou poderoso. El é traduzido 250 vezes no Velho Testamento como Deus. Este título é geralmente associado com algum atributo ou perfeição de Deus, como; Deus Todo poderoso (Gênesis 17:3); Deus Eterno (Gênesis. 21:33); Deus zeloso (Êxodo 20:5); Deus vivo (Josué 3:10).
Shadai, sempre traduzido Todo-poderoso, significa suficiente ou rico em recursos. Pensa-se que a palavra é derivada duma outra que significa seios. A palavra seio nas Escrituras simboliza bênção e nutrição. Na pronúncia da última bênção de Jacó sobre José quando morria, entre outras coisas disse: “Pelo Deus (El) de teu pai o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso (Shadai), o qual te abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo que está debaixo, com bênçãos dos peitos e da madre”. Gênesis 49:25. Isaías, ao descrever a excelência futura e as bênçãos de Israel, diz: “E mamarás o leite das nações, e te alimentarás dos peitos dos reis; e saberás que eu sou o Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Possante de Jacó”. Isaías 60:16. O povo de Deus será sustentado pelos recursos das nações e dos reis porque seu Deus é El-Shadai – O poderoso para abençoar.
Satanás tenta competir com Deus e é um falsificador de Suas obras. Portanto, podemos esperar encontrar nas religiões pagãs imitações de Deus em vários aspectos de seu caráter e governo. Este fato é bem demonstrado na seguinte citação tirada do livro de Nathan J. Stone concernente aos nomes de Deus no Velho Testamento.
“Tal conceito de um deus ou divindade não era estranha nem incomum aos antigos. Os ídolos dos antigos pagãos são às vezes chamados por nomes que indicam seu poder em suprir as necessidades dos seus adoradores. Sem dúvida, porque eram considerados como grandes agentes da natureza ou dos céus, dando chuva, fazendo com que da terra brotassem águas, para trazer abundância e frutos para manter e nutrir a vida. Havia muitos ídolos com peitos, adorados entre os pagãos. Um historiador mostra que o corpo inteiro da deusa egípcia, Isis, era coberto de peitos, porque todas as coisas são sustentadas e nutridas pela terra ou natureza. O mesmo se vê com a deusa Diana dos efésios no capítulo 19 de Atos, pois Diana simbolizava a natureza e todo o mundo, com todos os seus produtos.
Este nome de Deus primeiramente aparece em conexão com Abrão. Gênesis 17:1-2. Anos antes e em diferentes ocasiões, Deus prometera a Abraão que faria dele uma grande nação e uma numerosa descendência. Os anos se passaram e o filho prometido a Sara e Abrão não vinha. Foi então que ele recorreu aquele expediente carnal que trouxe Ismael e o Islamismo ao mundo. E a promessa de Deus ainda não havia se cumprido. E agora, de acordo com as leis da natureza, era muito tarde: Abrão contava com 99 anos de idade e Sara com 90. A esta altura é que Deus lhe aparece como o Deus Todo-poderoso (El-Shadai) e repete Sua promessa. E aqui é que seu nome foi mudado de Abrão a Abraão, que significa “pai de muitas nações”. Aqui temos uma promessa desconcertante, mas Abraão não vacilou, pois ele “era forte na fé, dando glória a Deus”. Romanos 4:20. A fé forte de Abraão era baseada sobre esta nova revelação de Deus como Deus Todo-poderoso (El-Shadai). “Ele não considerou mais seu corpo como morto… nem a madre de Sara como infrutífera”; pois seus pensamentos estavam sobre um Deus Todo-suficiente. Esta é uma bela ilustração da diferença entre a lei da natureza e o Deus da natureza. As leis da natureza não podiam produzir um Isaque, mas isto não era problema para o Deus da natureza. Não importa, se todas as coisas forem contra Deus; Ele é Todo-suficiente nele mesmo.
ADONAI
Este nome de Deus está no plural, denotando assim a pluralidade das pessoas na Divindade. É traduzido como Senhor em nossa Bíblia e denota uma relação de Senhor e escravo. Quando usado no possessivo, indica a posse e autoridade de Deus. A escravidão é uma bênção quando Deus é o Dono e Senhor. Nos dias de Abraão, a escravidão era uma relação entre homem e homem e não era um mal implacável. O escravo comprado tinha a proteção e os privilégios não gozados pelos empregados assalariados. O escravo comprado devia ser circuncidado e tinha permissão de participar da Páscoa. Êxodo 12:44.
Esta palavra no singular (Adon) refere-se a homem mais de duzentas vezes no Velho Testamento e é traduzida várias vezes como; Senhor, Mestre, Dono. Este nome de Deus é usado pela primeira vez no Velho Testamento em conexão com Abraão. Abraão foi o primeiro a chamar Deus de Adonai. Abraão como dono de escravos reconhecia Deus como seu mestre e proprietário. Quando Abraão retorna da sua vitória sobre os reis, depois de ter libertado Ló, o rei de Sodoma queria gratificá-lo, mas ele recusou recompensas. E “depois destas coisas veio a palavra do Senhor (Jeová) a Abraão dizendo: “Não temas, Abraão, Eu sou teu escudo e tua grande recompensa, e Abraão disse: Senhor Deus” (Adonai Jeová). Ele que possuía escravos reconhecia a si próprio como escravo de Deus.
JEOVÁ
Este é o mais famoso dentre os nomes de Deus e é predicado dele como um Ser necessário e auto-existente. O significado é: AQUELE QUE SEMPRE FOI, SEMPRE É E SEMPRE SERÁ. Temos assim traduzido em Apocalipse 1:4: “Daquele que é, e que era, e que há de vir”.
Jeová é o nome pessoal, próprio e incomunicável de Deus. No Salmo 83:18 lemos: “Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome Jeová, és o Altíssimo sobre toda a terra”. Os outros nomes de Deus são às vezes empregados a criaturas, mas o nome Jeová é usado exclusivamente para o Deus vivo e verdadeiro.
Os judeus tinham uma reverência supersticiosa por este nome e não o pronunciavam quando na leitura, antes o substituíam por Adonai ou Eloím. Este é o nome de Deus no concerto com o homem. Este nome aparece aproximadamente sete mil vezes e na maioria é traduzido como “Senhor”. Como já dissemos ele inclui todos os tempos; passado, presente e futuro. O nome vem de uma raiz que significa “Ser.”
A. W. Pink tem comentários esclarecedores sobre a relação entre Eloim e Jeová em seu livro: A Inspiração Divina da Bíblia, e citamos: “Os nomes Eloim e Jeová são encontrados nas páginas do Velho Testamento diversas mil vezes, mas nunca são usados de modo negligente nem alternadamente. Cada um destes nomes tem um propósito e significado definido, e se os substituirmos um pelo outro a beleza e a perfeição de muitas passagens seriam destruídas. Como ilustração: A palavra “Deus” aparece em todo o capítulo de Gênesis 1, mas “Senhor Deus” no capítulo 2. Se nestas duas passagens os nomes fossem invertidos; falha e defeito seriam o resultado. “Deus” é o título de criação, enquanto que “Senhor” implica relação de concerto e mostra Deus tratando com Seu povo. Portanto, em Gênesis 1, “Deus” é usado, no capítulo 2 “Senhor Deus” é empregado e através do resto do Velho Testamento estes dois nomes são usados discriminadamente e em harmonia com seus significados neste dois primeiros capítulos da Bíblia. Um ou dois exemplos serão o suficiente. “E entraram para Noé na arca, dois a dois de toda carne que havia espírito de vida. E os que entraram, macho e fêmea de toda carne entraram, como Deus (Eloím, C. D. Cole) lhe tinha ordenado; “Deus”, porque era o Criador exigindo o respeito de Suas criaturas; mas no restante do mesmo versículo, lemos: “e o Senhor (Jeová, C. D. C.) fechou-a por fora, (Gênesis 7:15-16) isto porque a ação de Deus para com Noé estava baseado na relação de concerto. Quando saiu para enfrentar Golias, Davi disse: “Neste dia o Senhor (Jeová) te entregará na minha mão (porque Davi tinha um concerto com Deus) e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves dos céus e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus (Eloím) em Israel; E saberá toda esta congregação (que estava em relação de concerto com Ele) que o Senhor (Jeová) salva não com espada nem com lança”. 1 Samuel 17:46-47. Mais uma vez: “Sucedeu pois que, vendo as capitães dos carros a Josafá disseram: É o rei de Israel e o cercaram para pelejarem, porém Josafá clamou, e o Senhor (Jeová) o ajudou. E Deus (Eloim) os desviou dele”. 2 Crônicas 18:31. E assim temos exemplos através todo o Velho Testamento.
OS TÍTULOS DE JEOVÁ
O nome Jeová é muitas vezes usado de modo composto com outros nomes para apresentar o verdadeiro Deus em algum aspecto de Seu caráter, satisfazendo certas necessidades de Seu povo. Existem quatorze destes títulos de Jeová no Velho Testamento, mas neste volume não há espaço para se tratar de cada um separadamente. Teremos que nos satisfazer com uma apresentação dos títulos e algumas referências onde são usados:
JEOVÁ-HOSENU, “Jeová nosso criador”. Salmo 95:6.
JEOVÁ-JIRÉ, “Jeová proverá”. Gênesis 22:14.
JEOVÁ-RAFÁ, “Jeová que te cura”. Êxodo 15:26.
JEOVÁ-NISSI, “Jeová, minha bandeira”. Êxodo 17:15.
JEOVÁ-M?KADDÉS, “Jeová que te santifica”. Levítico 20:8.
JEOVÁ-ELOENU, “Jeová nosso Deus”. Salmo 99:5 e 8.
JEOVÁ-ELOEKA, “Jeová teu Deus”. Êxodo 20:2,5,7.
JEOVÁ-ELOAI, “Jeová meu Deus”. Zacarias 14:5.
JEOVÁ-SHALOM, “Jeová envia paz”. Juízes 6:24.
JEOVÁ-TSEBAOTE, “Jeová das hostes”. 1 Samuel 1:3.
JEOVÁ-ROÍ, “Jeová é meu pastor”. Salmo 23:1.
JEOVÁ-HELEIÓN, “Jeová o altíssimo”. Salmo 7:17; 47:2.
JEOVÁ-TSIDKENU, “Jeová nossa justiça”. Jeremias 23:6.
JEOVÁ-SHAMÁ, “Jeová está lá”. Ezequiel 48:35.
OS NOMES DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO
1. TEOS. No Novo Testamento grego este é geralmente o nome de Deus, e corresponde a Eloim no Velho Testamento hebraico. É usado para todas as três pessoas da Trindade, mas especialmente para Deus, o Pai.
2. PATER. Este nome corresponde ao Jeová do V. T., e denota a relação que temos com Deus através de Cristo. É usado para Deus duzentas e sessenta e cinco vezes e é sempre traduzido como Pai.
3. DÉSPOTES. (Déspota no português). Este título denota Deus em Sua soberania absoluta, e é semelhante a Adonai do V. T. Encontramos este nome apenas cinco vezes no N. T., Lucas 2:29; Atos 4:24; 2 Pedro 2:1; Judas 4; Apocalipse 6:10.
4. KÚRIOS. Este nome é encontrado centenas de vezes e traduzido como; Senhor (referendo a Jesus), senhor (referendo ao homem), Mestre (referendo a Jesus), mestre (referendo ao homem) e dono. Em citações do hebraico usa-se muitas vezes em lugar de Jeová. É um título do Senhor Jesus como mestre e dono.
5. CHRISTUS. Esta palavra significa o Ungido e é traduzida Cristo. Deriva-se da palavra “chrio” que significa ungir. É o nome oficial do Messias ou Salvador que era por muito tempo esperado. O N. T. utiliza este nome exclusivamente referindo-se a Jesus de Nazaré.
Destes nomes todos do Ser Supremo, aprendemos que Ele é o Ser eterno, imutável, auto-existente, auto-suficiente, todo-suficiente e é o supremo objeto de temor, confiança, adoração e obediência.
Para o autor este estudo tem sido interessante, e ao mesmo tempo tedioso e difícil, e o leitor deverá ser paciente para ter proveito máximo. Que revelação maravilhosa temos do grandioso Deus através destes diversos nomes!
Autor: C. D. Cole
Revisão 2004: David A Zuhars Jr
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
A Criação do Homem
17/08/10
Gênesis 1:26 – 2:25
Versículo para memorização: Gênesis 1:26
A origem do homem tem sido um assunto proeminente para discussão ao longo de muitos séculos. Provas científicas e registros históricos são ambos impossíveis, a menos que aceitemos a revelação divina. Nenhuma outra criatura escreve a história do homem e, exceto se aceitarmos a história que Deus nos deu em Sua palavra, constataremos que todo registro histórico cai um pouco longe do registro da origem. Há, basicamente, apenas duas opiniões em relação a essa origem. Uma é de que o homem originou-se através de algum processo de evolução; a outra, de que Deus o criou assim como proclamam os capítulos um e dois dos Gêneses.
O esquema evolucionário divide-se em duas filosofias. A primeira é a evolução aleatória. Isto é, aquela mudança direta sem causa ou propósito, uma forma de vida tornou-se outra até que o homem finalmente evoluiu. Uma idéia como essa é totalmente não científica sob, no mínimo, três aspectos básicos. Primeiro, nenhuma razão, causa ou propósito podem ser dados para isso. É um efeito sem causa e um projeto sem projetista. Em segundo lugar, o tempo matematicamente necessário para o processo aleatório teorizado não decorreu mesmo pelas mais extensas estimativas de idade da terra. Em terceiro lugar, não temos nenhuma evidência real da existência passada ou presente de qualquer processo de evolução que trouxe uma forma de vida a partir de outra. A outra filosofia é de que a criação divina através da evolução ainda necessitava de mutação, e tem todos os problemas da primeira filosofia evolucionária.
Por outro lado, nossa Bíblia nos dá uma afirmação consistente para responder sobre a origem e a existência do homem.
Deus propôs: “Façamos o homem”. Deus designou: “à nossa imagem”. É o propósito de Deus que pôs o homem aqui, o mantém aqui e acabará com sua residência no tempo próprio de Deus.
É preciso entender que “à imagem de Deus” não significa físico, pois Deus não é físico, mas Espírito. Significa, simplesmente, semelhança de Deus no sentido de ter iniciativa, propósito e domínio. Não se diz que nenhuma outra criatura de Deus tem domínio sobre alguma outra criatura. Observe que ao homem foram dados o domínio (Gênesis 1:26) e a responsabilidade para reinar (Gênesis 1:28). A responsabilidade de Adão para subjugar a terra foi uma delegação para que conduzisse seu domínio em sujeição a Deus. É perfeitamente consistente que os homens que gostariam de subjugar essa criação a si mesmos, antes do que subjugar a Deus, neguem a criação divina e, deste modo, o domínio divino.
PERGUNTAS – LIÇÃO 5
1. Em qual capítulo da Bíblia nos diz mais sobre a criação do homem?
2. À semelhança de quem o homem foi criado?
3. O homem deveria ter domínio sobre o quê?
4. Qual era a responsabilidade do homem na terra?
5. O que significa a palavra povoar?
6. O que foi dito para ao homem que comesse?
7. O que os animais deveriam comer?
8. Quanto tempo Deus levou para fazer as coisas?
9. O que Deus fez no sétimo dia?
10. Isso significa que ele estava cansado?
11. Deus criou o homem a partir de quê?
12. Deus criou a mulher a partir de quê?
13. Que lugar Deus cedeu ao homem para esse morar?
14. Onde o jardim do Éden obteve sua água?
15. Qual a diferença entre o alimento do homem e dos animais?
16. O que o homem não deveria comer?
17. Quem deu nome aos animais?
18. Em que dia ele os nomeou?
19. O que não foi bom em relação à afirmação da existência do homem, no sexto dia?
20. Deus fez o homem e a mulher no mesmo dia?
Autor: Pr. Forrest Keener
Tradutor: Albano Dalla Pria
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
Você já convidou Jesus para entrar em sua casa hoje?
27/07/10
E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. Lc 19.5
Por esses dias parei pra meditar sobre a passagem de Zaqueu, o publicano. O pessoal aqui do Gate fica me dizendo que dificilmente eu parto pro lado dos estudos bíblicos e fico mais nos artigos e eles tem razão
. Tentei mudar hoje mas não deu.
Zaqueu era um camarada que tinha tudo o que um cidadão da época desejava. Estava diretamente ligado ao poder, era cobrador de impostos do governo romano, possuía muitas riquezas e bens, muitos dos quais usurpava do povo, e estava longe dos problemas que seus conterrâneos judeus tinham. Apesar de tudo, creio que sofria com conflitos internos profundos: medo, culpa, apreensão. Tal foi o seu anseio que ele não mediu esforços para ver Jesus. Zaqueu viu em Jesus a solução para sua vida miserável e se dispôs num esforço superior à sua própria capacidade subir numa árvore de difícil acesso, ignorando o bom-senso para vê-lo.
Chega uma hora em que a gente decide dar um basta. Reconhece que nosso pecado já limitou muito a nossa vida e ocupa proporções cada vez maiores.
Zaqueu? bom, Zaqueu e Jesus se encontraram. Jesus já sabia que ele estava lá, mas pra vida do cobrador de impostos mudar, Jesus precisava entrar em sua casa.
A casa representa nosso local mais íntimo, nosso refúgio, onde escondemos de todos o que não conseguimos disfarçar de nós mesmos. Quando Zaqueu permitiu que Jesus fosse jantar em sua casa, na verdade ele o convidou para entrar no seu cotidiano. O resultado foi bombástico: Zaqueu teve um encontro real com Jesus. Renunciou o seu pecado. Juntamente com muitas riquezas Zaqueu deixou pra trás um monte de complexos e prisões.
Permita que Jesus faça parte do seu cotidiano. Você pode até ter a sua religião e freqüentar regularmente reuniões e igrejas, mas nada disso vai fazer uma real diferença na sua vida. Dentro da igreja, todo mundo é limpo, perfeito, arrumado, lúcido, elegante, sóbrio. É dentro de casa que a gente se confronta com a realidade, se confronta com o pecado. É dentro de casa que você precisa realmente de Jesus!
Jesus atingiu diretamente o coração de Zaqueu. Ele bate à porta do nosso coração todos os dias. Deixe Jesus fazer uma reviravolta na sua vida. Mesmo que pra isso você tenha que renunciar o seu pecado e jogar fora um monte de “bagulho” que estava estocado.
Convide Jesus para entrar em sua casa hoje!
Anjos no Novo Testamento
19/07/10
A crença em anjos no Novo Testamento
Os cristãos não eram o único grupo do primeiro século que acreditava na existência de anjos. A maioria das seitas do judaísmo, berço do cristianismo, professava a crença nesses mensageiros celestes, à exceção provável dos saduceus (At 23.8).
O interesse dos judeus por anjos havia crescido de forma notável durante o período intertestamentário, quando o segundo templo foi construído, após o retorno do cativeiro babilônico. É provável que esse aumento de interesse pelos anjos tenha ocorrido como resultado da ênfase nesse período á idéia de que Deus havia se distanciado do seu povo, já que não havia mais profetas. A ausência de profetas, os mensageiros oficiais de Deus ao seu povo, provocava a necessidade de outros mediadores da vontade divina. Os anjos vieram ocupar esse espaço no judaísmo do segundo templo.
O aumento do interesse pelo mundo celestial e pelos seus habitantes, os anjos, nota-se nos escritos judaicos produzidos antes ou logo após o nascimento do cristianismo. Exemplos desta tendência se percebem em alguns livros apócrifos (4 Esdras 2.44-48; Tobias 6.3-15; 2 Macabeus 11.6). O mesmo se vê em alguns dos escritos dos sectários do Mar Morto achados nas cavernas do Wadi Qumran, como o rolo da Batalha entre os Filhos das Trevas e os Filhos da Luz. Alguns dos escritos produzidos pelo movimento apocalíptico dentro do judaísmo, mais que os escritos de outros movimentos, enfatizava o ministério dos anjos (1 Enoque 6.1 ss; 9.1 ss), O interesse pelos anjos se nota até mesmo nos escritos rabínicos datados a partir do século III (com exceção do Mishnah), e que possivelmente representam a linha principal do judaísmo no período do segundo templo.
Fora das fronteiras do judaísmo, a crença em anjos, encontrava-se não somente nas religiões que fervilhavam no mundo greco-romano, mergulhado no misticismo helênico, como também nas obras dos filósofos e escritores gregos famosos, como Sófocles, Homero, Xenofonte, Epicteto e Platão. A biblioteca de Nag Hammadi, descoberta em nosso século (1945) nas areias quentes do deserto egípcio, apresenta material gnóstico datando do século IV, com uma elaborada angelologia, onde a distância entre Deus e os homens é coberta por trinta “archons”, seres intermediários, possivelmente anjos, que guardam as regiões celestes.
Os “Papiros Mágicos” desta coleção contém fórmulas para atrair os anjos. Embora datando do século IV, estes escritos possivelmente refletem crenças que já estavam presentes de forma incipiente no mundo greco-romano desde antes de Cristo. Em contraste aos escritos produzidos cm sua época, a literatura do Novo Testamento é bem mais discreta e reservada em seus relatos da atividade angélica.
As palavras mais comuns para “anjos” no Novo Testamento
A palavra mais usada no Novo Testamento para “anjo” é aggelos, que é a tradução regular na Septuaginta da palavra hebraica Mala’k. Ambas significam “mensageiro”. Aggelos é usada umas poucas vezes no Novo Testamento para mensageiros humanos, como por exemplo os emissários de João Batista a Jesus (Lc. 7.24; veja ainda Tg 2.25; Lc 9.52). Na maioria esmagadora das vezes, a palavra refere-se aos mensageiros de Deus, que povoam o mundo celeste e assistem em sua presença. Aggelos é usada tanto para anjos de Deus quanto para os anjos maus.
Existe outro termo no Novo Testamento para se referir aos anjos, o qual só Paulo emprega: “principados e potestades”. Em duas ocasiões é usado em referência aos demônios (Ef 6.12; Cl 2.13) e em três outras aos anjos de Deus (Ef 3.10; Cl 1.16; 1 Pe 3.22). Em todos os casos, refere-se ao poder e á hierarquia que existe entre esses espíritos. Uma outra palavra usada no Novo Testamento para anjos e pneuma, geralmente no plural (pneumata), que se traduz por “espíritos”. Embora o termo seja empregado geralmente para os anjos maus e decaídos (quase sempre qualificado pelo adjetivo “imundo”, cf. Mt 12.43; Lc 4.36; At 8.7), é usado pelo menos uma vez para os anjos de Deus, como sendo “espíritos administradores” (Hb 1. 14). Alguns estudiosos têm sugerido que “espíritos” também se refere a anjos em outras passagens onde a palavra pneumata aparece, como por exemplo 1 Co 14.12. Neste versículo o apóstolo Pa-ulo aprova e incentiva o desejo dos membros da igreja por pneumata, expressão quase que universalmente traduzida como “dons espirituais”, devido ao contexto.
De acordo com E. Earle Ellis, Paulo, na verdade, não se refere a dons espirituais, mas aos anjos que estavam presentes aos cultos (1 Co 11. 10). Sua tese é que existe uma relação estreita entre as manifestações sobrenaturais que estavam acontecendo na igreja de Corinto e o ministério angélico. Tais manifestações, ou parte delas, não eram produzidas pelo Espírito Santo, e nem também por espíritos malignos, mas por estes espíritos bons. Outras passagens onde “espíritos” significa “anjos”, segundo Ellis, são 1 Co 14.32; 1 Jo 4.1-3; Ap 22.6.(1) Embora esta sugestão seja interessante e provocativa, fica difícil ver como “espíritos” produtores de dons espirituais se encaixam no contexto de 1 Co 14.12 e no ensino de Paulo de que os dons são dados pelo Espírito Santo. O uso de pneumata em 1 Co 14.12 (bem como nas demais passagens mencionadas acima) pode ser explicado á luz de 1 Co 12.7, onde Paulo afirma que há diferentes manifestações do Espírito Santo. Ou seja, o mesmo Espírito manifesta-se de formas diferentes através de pessoas diferentes. Paulo refere-se a estas manifestações como “espíritos”. Elas eqüivalem aos dons espirituais. E difícil admitir que Paulo aprovaria um desejo dos crentes de Corinto de buscar estas entidades celestiais.
Anjos através dos livros do Novo Testamento
A presença e a atividade de anjos registradas nos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) indicam invariavelmente a intervenção direta de Deus. Como mensageiros fiéis de Deus, que têm acesso a presença divina (Lc 1. 19; cf 12.8; Mt 10.32; Lc 15.10), a visita ou a intervenção de um deles eqüivale a uma manifestação divina. A encarnação e o nascimento de Jesus foram marcados pela presença de anjos, indicando a participação direta de Deus no nascimento do Messias (Mt 1.20; 2.13,19; Lc 1 . 11; 1.2638). Embora os evangelhos não registrem quase nenhuma participação direta dos anjos assistindo a Jesus em seu ministério (o que poderia ter ocorrido, se Jesus quisesse, Mt 26.52), os anjos acompanharam o Senhor e se rejubilaram à medida que pecadores se arrependiam (Lc 15.10). As poucas vezes em que se manifestaram visivelmente tinham como propósito demonstrar que Ele era amado e aprovado por Deus (Mt 4.11; Lc 2143). Os anjos ainda participaram da sua ressurreição, da anunciação ás mulheres, e da anunciação aos discípulos de que Jesus havia de voltar (Mt 28.2-5; At 1.9-11). E o próprio Jesus também mencionou varias vezes que os anjos participariam da sua segunda vinda e do Juízo final (Mt 13.4 1; 16.27; 24.3 l).
Embora nos evangelhos a atividade dos anjos praticamente se concentre em tomo da pessoa de Jesus, ele mesmo menciona uma atividade deles relacionada aos homens, “cuidado para não desprezarem nenhum destes pequeninos. Eu afirmo que os anjos deles estão sempre na presença do meu Pai que está no céu” (Mt 18. 10, NVI). Aqui Jesus fala do cuidado vigilante de Deus pelos “pequeninos ‘, através dos anjos. A quem Jesus se refere por pequeninos” tem sido debatido pelos estudiosos, já que o termo pode ser tomado literalmente (crianças) ou figuradamente (os discípulos). Talvez a última possibilidade deva ser a preferida, já que Jesus usa regularmente “pequeninos” para se referir aos discípulos, cf Mt 10.42; 18.6; Mc 9.42; Lc 17.2. Qualquer que seja a interpretação, a passagem não está ensinando que cada crente ou criança tem seu próprio “anjo da guarda”, como era crido popularmente entre os judeus na época da igreja primitiva. Fazia parte desta crença que o anjo “guardião” poderia tomar a forma do seu protegido (cf. At 12.15). Jesus está ensinando nesta passagem que Deus envia seus anjos para assistir aos “pequeninos”, e que, portanto, nós não devemos desprezar estes “pequeninos”. Esse ministério angélico para com os “pequeninos” faz parte do cuidado geral que os anjos desempenham, pelo povo de Deus (cf. SI 9 1.11; Hb 1. 14; Lc 16.22). A passagem, portanto, não deve ser tomada como suporte á crença popular em “anjos da guarda”.
E importante notar que o Evangelho de João faz pouquíssimas referências á atividade dos anjos, embora, segundo João, Jesus tenha dito aos seus discípulos, no início do seu ministério, que eles veriam, os anjos subindo e descendo sobre si (Jo 1. 51). Possivelmente esta passagem não deva ser entendida literalmente no que se refere aos anjos, mas apenas como uma alusão ao sonho de Jacó (Gn 28.12) e ao seu cumprimento na pessoa de Cristo (unindo o céu á terra). No relato de João das boas novas, os anjos só revelam a sua presença ao lado da sepultura de Jesus (Jo 20.12) (2).
Estes fatos indicam que as aparições angélicas durante o período cm que Jesus esteve presente fisicamente entre nós foram relativamente poucas, e quase todas associadas com o seu nascimento, ministério, morte e ressurreição. Era conveniente que a vinda do Filho de Deus ao mundo fosse marcada por esta atividade angélica especial.
Apesar de a narrativa do livro de Atos abranger um período marcado por intensa manifestação sobrenatural, que foi o nascimento da igreja cristã, as aparições angélicas registradas pelo autor são relativamente poucas. Não há aparição de anjos em grupos, á exceção dos dois homens em vestes resplandecentes no local da ascensão (At 1. 10- 11). Nas intervenções angélicas, é sempre um único anjo que aparece, o qual é chamado de “um anjo do Senhor” (At 5.19; 8.26; 12.7,15) ou “um anjo de Deus” (10.3; 27.23). A expressão “anjo do Senhor” não tem. em Atos a mesma conotação que no Antigo Testamento, onde ás vezes este anjo é identificado com o próprio Deus. Em Atos a expressão sempre designa um mensageiro angelical. Os anjos aparecem em Atos com a mesma função principal, que no Antigo Testamento e nos Evangelhos, ou seja, trazer uma mensagem oficial da parte de Deus (At 5.19; 10.’ 10.22; 27.23). A isto se acresce a função protetora, pois por duas vezes um anjo do Senhor libertou apóstolos da prisão (At 5.19; 12.7). Uma outra missão de um anjo foi punir o rei Herodes (At 12.23) missão esta já mencionada no Antigo Testamento (cf Ex 12.13; 2 Sm 24.17)
A atividade dos anjos em Atos, além de bastante discreta, é voltada quase que exclusivamente para o progresso do Evangelho. Um ponto de grande relevância para nos hoje é que ela se concentra, em torno dos apóstolos (At 5.19; 12.7 27.23) ou dos seus associados, como Filipe (8.26). A única exceção foi a aparição a Cornélio (At 10,3). Mesmo assim ocorreu una ponto crucial do nascimento da Igreja Cristã, que foi a inclusão dos gentios na Igreja. À exceção deste caso não há registro de aparições de anjos aos crentes em geral, nem para lhes trazer mensagens de Deus, nem para protegê-los, embora certamente eles estivessem ocupados em desempenhar esta última; função, provavelmente de forma não perceptível aos crentes.
O apóstolo Paulo é bastante ponderado no que escreve sobre os anjos, se com parado com outros autores religiosos não cristãos da sua época. Ele emprega a palavra aggelos apenas catorze vezes em suas treze cartas. Ele se refere aos anjos de Deus, não tanto como mensageiro: celestes ou protetores dos crentes, mas como participantes do progresso do plano de Deus neste mundo, que participaram da entrega da Lei no Sinai (G1 3.19) e que virão com Cristo para executar juízo sobre a humanidade (2 Ts 1.7). Estes são os “anjos eleitos”, que assistem diante de Deus (I Tm 5.2 1; cf. Gl 4.14). Uma possível explicação para a atitude reservada de Paulo é que, para ele, o Senhor Jesus, é a manifestação suprema de Deus, que suplanta todas as demais, diante das quais as manifestações angélicas perdem em importância e relevância (Ef 1.21; Cl 1. 16; cf. Hb 1. 1-2). Em nenhum momento Paulo menciona em suas cartas encontros angélicos que porventura teve, nem encoraja os crentes a buscar tais encontros. Some-se a isso a preocupação que demonstra em suas cartas com aparições e visões de anjos. O apóstolo teme que anjos caídos, passando-se por anjos de Deus, manifestem-se em visões com o alvo de enganar os crentes. Ele menciona a possibilidade de que um anjo do céu venha pregar outro evangelho (G1 1. S), e que Satanás apareça dissimulado de “anjo de luz” (2 Co 11.14). Ele alerta aos crentes de Colossos a que não se deixem arrastar para o culto aos anjos propagado pelos líderes da heresia que ameaçava a igreja, e que se baseava cm visões (C1 2.18).
Uma passagem surpreendente sobre anjos é Gl 3.19, em que Paulo diz que a Lei de Deus foi entregue ao povo de Israel por meio de anjos. Esse fato no é mencionado na narrativa da entrega da Lei a Moisés no livro de Êxodo. Sua veracidade foi aceita possivelmente durante o período do segundo templo, quando os anjos receberam cada vez mais lugar destacado na teologia do judaísmo, a ponto de serem reconhecidos como mediadores no Sinai, na hora da entrega da Lei a Moisés por Deus. O fato foi aceito como verídico por judeus cristãos como Estêvão (At 7.53), o autor de Hebreus (Hb 2.2), e por Paulo. Só que, enquanto que para os judeus da sua época, a presença de anjos no Sinai era algo que exaltava a glória da Lei, para Paulo, a presença destas criaturas era apenas um sinal da inferioridade da Lei em comparação ao Evangelho, que havia sido trazido pelo próprio Filho de Deus, sem mediação de criaturas.
Uma outra passagem difícil de entender nas cartas de Paulo é a enigmática expressão de 1 Co 11. 10. “Por esta razão, e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade”. O que tem os anjos, a ver com o uso do véu nas igrejas de Corinto? A resposta está ligada a um aspecto da situação histórica específica da Igreja de Corinto no século I, que nós desconhecemos. Havia uma idéia estranha na época de Paulo de que Gn 6.1-2 se referia a anjos que se deixaram atrair pelos encantos femininos (uma tradição rabínica acrescenta que foram os longos cabelos das mulheres que tentaram os anjos), A falta de decoro e propriedade por parte das mulheres na igreja de Corinto poderia novamente provocá-los. O mais provável é que Paulo se refira a outro conceito corrente que os anjos bons eram guardiões do culto divino, o que exigiria decoro e propriedade por parte de todos os adoradores. Este conceito se encaixa perfeitamente no ensino do Novo Testamento de que os anjos observam e acompanham o desenvolvimento do evangelho no mundo (ver Ef 3. 10, 1 Tm 5.12; 1 Pe 1. 12; Hb 1. 14).
Não há menção de anjos cm Tiago, e nem nas três cartas de João. Pedro menciona apenas que os anjos anelam compreender os mistérios do Evangelho (1Pe 1. 12), e que estão subordinados a Cristo (3,22). Em Judas encontramos mais uma referência enigmática aos anjos, desta feita cm relação ao confronto do arcanjo Miguel com Satanás, em disputa pelo corpo de Moisés (Jd 9). Esse incidente não é narrado no Antigo Testamento, mas aparece num livro apócrifo que era bastante popular entre os judeus chamado A Ascensão de Moisés. Neste livro o autor narra que, após a morte de Moisés, sozinho no monte, Deus encarregou o arcanjo Miguel de dar-lhe sepultura. O diabo veio disputar o corpo, alegando que Moisés era um assassino (havia matado o egípcio), e que, portanto, seu corpo lhe pertencia. De acordo com a Ascensão, Miguel limitou-se a dizer que o Senhor repreendesse os intentos malignos de Satanás. Embora narrado num livro apócrifo, o incidente deve ter ocorrido, e Deus permitiu que, através de Judas, viesse a alcançar lugar no cânon do Novo Testamento.
A carta aos Hebreus menciona os anjos nada menos que 13 vezes, 11 das quais nos dois primeiros capítulos, onde o autor procura estabelecer a superioridade de Cristo sobre os anjos (Hb 1.4-7,13; 2.2,15,16). A razão para esta abordagem foi possivelmente a exaltação dos anjos por parte de muitos judeus no século I. O autor, escrevendo a judeus cristãos sentiu a necessidade de diferenciar a mensagem do evangelho trazida por Cristo, e as muitas mensagens e mensageiros angelicais que infestavam a crendice popular judaica no século I.
E no livro de Apocalipse que temos a maior concentração no Novo Testamento do ensino sobre anjos. É o livro do Novo Testamento que mais emprega a palavra aggelos (67 vezes). Aqui os anjos aparecem como agentes celestes que executam os propósitos de Deus no mundo, como proteger os servos de Deus (Ap 7.1-3) e administrar os juízos divinos sobre a humanidade incrédula e impenitente (Ap 8.2; 15.1; 16.1). Apocalipse está cheio das visões que o apóstolo João teve do céu, e os anjos aparecem como habitantes das regiões celestes, ao redor do trono divino, em reverente adoração a Deus e ao Cordeiro (Ap 5.11; 7.11), mediando ao apóstolo João as visões e as instruções divinas (Ap 1.1).
Uma questão que tem atraído o interesse dos intérpretes é o sentido da palavra “anjo” em Ap 1.20, “os anjos das sete igrejas” (cf Ap 2.1,8,12,18; 3,1,7,14).Alguns acham que João se refere aos pastores das igrejas às quais endereça suas cartas, já que em Malaquias os líderes religiosos são chamados de anjos (MI 2.7). Ou então, aos mensageiros (aggelos) das igrejas que haveriam de levar as cartas às suas comunidades. O problema com estas interpretações é que a palavra aggelos em Apocalipse nunca é usada para seres humanos, mas consistentemente para anjos. Por este motivo, outros, como Origenes no século II, acham que João se refere a anjos reais, já que este é o uso regular que ele faz da palavra no livro. Estes anjos seriam os anjos de guarda de cada igreja a quem João manda uma carta. A dificuldade óbvia com esta interpretação é que as advertências e repreensões das cartas seriam dirigidas a anjos, e não aos membros da igreja. Além do mais, fica claro pelo fim de cada carta que elas foram endereçadas aos membros das igrejas (2.7,11,17 etc).
Assim, outros estudiosos têm sugerido que “anjos” representam o estado real de cada igreja, o “espírito” da comunidade. Esta idéia, que no deixa de ser curiosa e estranha, tem sido adotada por alguns que defendem que igrejas têm suas próprias entidades espirituais malignas, que se alimentam dos pecados não tratados das mesmas (3). Fica difícil tomar uma decisão. Mas, já que é evidente que os anjos e as igrejas são uma mesma coisa nestas passagens, a interpretação que talvez traga menos dificuldades é que aggelos (anjos) se refere aos pastores das igrejas.
Anjos em batalha espiritual
Uma outra passagem cm Apocalipse que merece destaque é a que descreve uma batalha no céu entre Miguel e seus anjos, contra o dragão e seus anjos, onde Satanás é derrotado e lançado á terra (Ap 12.7-9). A que evento histórico esta guerra celestial corresponde tem sido bastante discutido. Para alguns, refere-se à queda de Satanás no principio, quando se revoltou contra Deus e foi expulso dos céus. Para outros, a vitória final de Cristo, ainda por ocorrer no fim dos tempos. O contexto, entretanto, parece favorecer outra interpretação, ou seja, que esta derrota de Satanás nas regiões celestiais corresponde à vitória de Cristo, ao morrer e ressuscitar, já que ela aconteceu, “por causa do sangue do cordeiro” (Ap 12. 10; cf. Jo 12.3 1; 16.1 l).À semelhança do Antigo Testamento, o Novo é igualmente reservado em narrar estas pelejas celestiais, e limita-se a registrar dois confrontos do arcanjo Miguel com Satanás (Jd 9; Ap 12.7-9). Não temos condições de saber quais as razões para estes embates entre anjos, e nem quão freqüentemente eles ocorrem no misterioso mundo celestial.
Digno de nota é o fato que Miguel, que no Antigo Testamento aparece como guardião de Israel, surge aqui em Ap 12.7-9 como defensor da Igreja, liderando as hostes angélicas contra Satanás e seus demônios, que procuram destruir a obra de Deus. Sua área de ação não e mais o território de Israel, mas o mundo, onde quer que a Igreja esteja. A constatação deste fato deveria moderar a fascinação de muitos hoje pela idéia de espíritos territoriais, maus ou bons, que seriam supostamente responsáveis por determinadas regiões geográficas, e que se embatem em busca da supremacia sobre aqueles locais. É possível que as nações ou outras regiões tenham seus príncipes angélicos, bons ou maus, mas esta idéia não exerce qualquer função ou influência no ensino do Novo Testamento, quanto aos anjos e á sua participação na luta da igreja contra os “principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6.12). Enquanto que em Daniel os principados e as potestades aparecem relacionados com determinados territórios, no Novo Testamento eles aparecem não mais relacionados com regiões, mas com este mundo tenebroso. O conflito regionalizado do Antigo Testamento tomou caráter universal e cósmico com a vitória de Cristo. O diabo e seus príncipes malignos são vistos agora como dominadores, não de determinadas regiões geográficas, mas “deste mundo tenebroso”. E os anjos agora servem aos servos de Deus, em qualquer região geográfica do planeta, onde se encontrem.
Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes - Estudo disponível no site www.ipb.org.br
