Estudos Bíblicos
Devocionais / Meditações
Crescendo sob o Sol da Justiça, saltando e saltitando em graça (devocional, C.H.Spurgeon)
02/02/11
O Olho é a Lâmpada do Corpo
02/07/10
Uma Meditação sobre Mateus 6:19-24
Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A lâmpada [candeia] do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
Colocadas entre o mandamente de ajuntar tesouros no céu (6:19-21) e a advertência de que não se pode servir a Deus e ao dinheiro (6:24), estão as estranhas palavras sobre o olho sendo a lâmpada do corpo. Se o olho é bom (literalmente: “simples”), todo o corpo será cheio de luz. Mas se o olho for mau, o corpo será cheio de trevas. Em outras palavras: Como você vê realmente, determina se você está em trevas ou não.
Ora, por que esta afirmação sobre o olho bom e o mau está colocada entre dois ensinos sobre dinheiro? Eu penso que é por causa de uma coisa específica: o que nos mostra se o olho é bom, é como ele vê Deus em relação ao dinheiro e tudo o que este pode comprar. Este é o assunto na primeira parte desta passagem. Em 6:19-21 o assunto é: você deve desejar a recompensa celestial e não a terrena. O que, em resumo, significa: deseje Deus e não o dinheiro. Em 6:24 o assunto é se você pode servir dois senhores. Resposta: Você não pode servir a Deus e ao dinheiro.
Esta é uma dupla descrição de luz! Se você está ajuntando tesouros no céu e não na terra, você está andando na luz. Se você está servindo a Deus e não ao dinheiro, você está andando na luz.
Entre estas duas descrições da luz, Jesus diz que o olho é a lâmpada do corpo e que um bom olho produz um corpo cheio desta luz. Então, qual é o olho bom que dá tanta luz e o olho mau que nos deixa em trevas?
Uma indicação se encontra em Mateus 20:15. Jesus acaba de dizer, em uma parábola, que aos homens que trabalharam uma hora foi pago a mesma quantia do que àqueles que trabalharam o dia todo, porque o senhor é misericordioso, e além disso, todos eles concordaram com o seu salário. Aqueles que trabalharam o dia todo murmuraram que foi pago muito aos homens que tralharam uma hora. Jesus respondeu com as palavras que são encontradas em Mateus 20:15: ” É mau o teu olho porque eu sou bom? ”
Qual é o mau dos olhos deles? O que é mau nos olhos deles, é que eles não vêem a misericórdia do mestre como bela. Elas a vêem como feia, desagradável. Eles não vêem realmente o porquê daquilo. Eles não têm um olho que possa ver a misericórdia como sendo mais preciosa do que o dinheiro.
Agora, traga este entendimento do “olho mau” de novo para Mateus 6:23 e deixe-me determinar o significado do “olho bom”. Qual será o olho bom que nos enche de luz? Será um olho que vê a generosidade do Mestre como mais preciosa do que o dinheiro. O bom olho vê Deus e Seus caminhos como o grande Tesouro na vida, e não o dinheiro.
Você tem um olho bom se você olha para o céu e ama maximizar a recompensa da companhia de Deus ali. Você tem um olho bom se você olha para o Senhor-dinheiro e para o Senhor-Deus, e vê o Senhor-Deus como infinitamente mais valioso. Em outras palavras, o “olho bom” é um olho que avalia, que discerne e que atesoura. Ele não apenas vê fatos sobre o dinheiro e Deus. Ele não somente percebe qual é o verdadeiro e qual é o falso. Ele vê beleza e feiura, detecta valor e inutilidade, discerne o que é realmente desejável e o que é não desejável. A visão do olho bom não é neutra. Quando ele vê Deus, ele O vê como belo. Ele vê Deus como desejável.
Este é o porquê o olho bom conduz ao caminho de luz: ajuntando tesouros no céu, e servindo a Deus e não ao dinheiro. O bom olho é um olho simples. Ele tem um único Tesouro. Deus. Quando isto acontecer em sua vida, você estará cheio de luz.
Ore por um olho bom em você,
Pastor John
Fonte: Fonte: http://www.monergismo.com
Autor: John Piper
Livros Não Mudam Pessoas
17/06/10
Livros não mudam pessoas; parágrafos, sim. Às vezes, até sentenças. Ainda recordo uma tarde, no outono de 1968, quando estive em uma livraria na Avenida Colorado, em Pasadena, e li a primeira página deThe Weight of Glor y (O Peso de Glória), escrito por C. S. Lewis. Ainda que eu não tivesse lido outra página, minha vida teria sido mudada para sempre. Talvez possa resumir o que li em duas sentenças: “Somos criaturas indiferentes, que brincam com bebidas, sexo e ambição, enquanto o gozo infinito é-nos oferecido; como uma criança ignorante que deseja continuar brincando na lama em uma favela, porque não imagina o que significa o oferecimento de um feriado na praia. Satisfazemo-nos com coisas pequenas demais”.1 Quase trinta anos depois,2 ainda sinto o arrepio daquela descoberta e o ímpeto de luz que me atingiu. Nada mais seria o mesmo. Apenas um parágrafo, e a obra decisiva foi realizada.
Isso não é algo novo. Dezesseis séculos atrás, em agosto de 386, Agostinho estava em aflição espiritual. Em um jardim de Milão (Itália), ele se lançou ao chão, debaixo de uma figueira, e deu lugar às lágrimas, que jorravam de seus olhos: “Arranquei cabelos e bati na cabeça com os punhos. Fechei os dedos e abracei os joelhos”. Em seguida, ele ouviu “a voz melódica de um menino ou menina, não tenho certeza, que repetia em refrão: ‘Pega-o e lê; pega-o e lê’”. Agostinho aceitou isso como “uma ordem divina para abrir meu livro das Escrituras e ler a primeira passagem em que caísse o meu olhar”. Ele abriu e leu: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgia e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus e nada disponhas para a carne no tocante às suas concupiscências”. Com duas sentenças, toda a aflição foi desfeita. “Não tive qualquer desejo de ler mais, nem precisava fazê-lo. Pois, em um instante, quando cheguei ao final da sentença, aconteceu como se a luz da confiança inundasse meu coração, e todas as trevas de dúvidas foram removidas”. 3
Quanto a Lutero, sua vida foi tocada por intermédio de outra das grandes sentenças do apóstolo Paulo – Romanos 1:16-17. Na vida de Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. Para John Wesley foi o prefácio do comentário livroA Epístola aos Romanos , escrito por Lutero. E poderíamos acrescentar outros nomes à lista. A verdade é que a leitura de muitos livros pode ser semelhante a ajuntar pedaços de madeira, mas as chamas brilham de uma única sentença. A marca é deixada na mente não pela queima de muitas páginas, e sim pelo calor de uma sentença aquecida por Deus.
Minha oração é que Deus se agrade em tornar as breves leituras deste livro e queimar uma sentença ou um parágrafo em sua mente. As meditações têm apenas duas ou três páginas de extensão. Não estão arranjadas em ordem de assuntos. O que as mantém unidas é uma busca por experimentarmos a supremacia de Deus em toda a vida. O meu alvo é despertar e nutrir essa fome.
Fonte: Prefácio do excelente livro Uma Vida Voltada
para Deus, John Piper, Editora Fiel, pg. 11-2.
1 Lewis, C. S. The Weight of Glory. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., p. 1-2.
2 Piper está escrevendo isso em 1997. (Nota do Monergismo)
3 Augustine’s Confessions, Book VIII. In: Brown, Peter. Augustine of Hippo: a biography. Berkeley,
Calif.: University of California Press, 1967. p. 108-1098.
Introdução à Meditação Diária
02/06/10
I. Por que meditar?
Porque sou um cristão, e porque cada dia em que não passeio mais profundamente no conhecimento da Palavra de Deus na Sagrada Escritura é desperdiçado. Eu só posso continuar na certeza do firme fundamento da Palavra de Deus. E como cristão, eu aprendo a conhecer a Sagrada Escritura apenas por ouvir sermões e por meditar em oração.
Porque eu sou um pregador da Palavra, eu não posso expor a Escritura a menos que eu deixe que ela fale a mim diariamente. Eu estarei utilizando mal a Palavra em meu trabalho se eu não meditar nela continuamente em oração. Se a Palavra parece muitas vezes vazia para mim, se eu não a tenha experimentado, tudo isto é um sinal inconfundível que eu, a muito tempo, não mais tenho deixado que ela fale ao meu coração. Eu erro quando, a cada dia, eu deixo de procurar a Palavra que o Senhor tem para mim naquele dia. Atos 6.4 fala particularmente sobre o ministério da oração para aqueles que tem o compromisso de pregar a Palavra. O pastor deve orar mais do que os outros, e ele tem mais motivos para orar.
Porque eu preciso de uma firme disciplina de oração. Nós temos paixão por orar como nossa fantasia nos leva, por pouco tempo, por muito tempo, ou até mesmo totalmente. Isso é teimosia. Oração não é uma oferta livre que apresentamos a Deus. Nós não somos livres para continuar como nós desejamos. Oração é o primeiro serviço do dia que prestamos a Deus (Sl 119.147, ss., 164). Deus requer nosso tempo para este serviço. Deus precisou de tempo antes de enviar Cristo para nossa salvação. Ele precisa de tempo para vir ao meu coração, para minha salvação.
Porque eu preciso de ajuda contra minha pressa que não é adequada, e também da inquietação que põe em perigo meu trabalho como pastor. Um serviço verdadeiramente dedicado todo dia só vem da paz [que procede] da Palavra de Deus.
II. O que eu espero da meditação cristã?
Em todo caso, nós queremos nos erguer da meditação diferente do que nós éramos quando nós nos prostramos desanimados. Nós queremos encontrar Cristo em sua Palavra. Vamos ao texto curiosos para ouvir o que dele precisamos saber, e o que nos diz através de sua Palavra. A cada dia, encontro-o primeiro antes de encontrar as outras pessoas. Toda manhã nEle descansamos tudo o que nos ocupa, concernente a dificuldades, para que toda apreensão que nós temos seja aquietada. Pergunte a si mesmo o que ainda está lhe impedindo de O seguir completamente, e deixe-O ser o Senhor sobre isto, antes que novos impedimentos surjam.
Sua proximidade, sua ajuda e sua direção para o dia pela Sua Palavra, este é o seu objetivo. Desta forma começamos o dia fortalecendo a nossa fé.
III. Como devemos meditar?
Há meditação tanto livre quanto bíblica. Nós recomendamos a meditação bíblica para moldar nossas orações e, ao mesmo tempo, pelo disciplinar de nossos pensamentos. Finalmente, nós preferimos a meditação bíblica porque nos faz consciente de nosso companheirismo com outros [irmãos] que estão meditando no mesmo texto.
A Palavra da Escritura nunca deve parar de soar em nossos ouvidos, e trabalhar em nós ao longo do dia, como as palavras de alguém que você ama. E assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas aceita o que ele diz a você, aceite a Palavra da Escritura e medite-a em seu coração, como Maria fez. Isto é tudo. Isto é tudo. Isto é meditação. Não olhe para novas reflexões e conexões no texto, como se você estivesse preparando uma pregação. Não questione: “como passar isto para alguém”, mas “o que ele tem a dizer para mim?” Pondere na Palavra longamente em seu coração e deixe que ela te dirija e te possua.
Não é importante consumir o texto integral proposto para cada dia. Nós ficaremos, freqüentemente, esperando um inteiro o que ele tem a dizer. Deixe passagens incompreensíveis sossegadamente de lado, e não se apresse a ir à filologia. Não há nenhum lugar aqui para o uso do Novo Testamento grego; use o familiar texto de Lutero.
Se os seus pensamentos te distraírem ore pelas pessoas e situações que te preocupam. Este é o lugar certo para intercessão. Neste caso, não ore em termos gerais, mas ore de forma objetiva, por aquilo que te preocupa. Deixe a Palavra da Escritura te conduzir. Pode ser de ajuda você escrever calmamente o nome das pessoas com quem conversamos e pensamos todos os dias. Intercessão precisa de tempo se for levada a sério. Mas cuidado ao fixar um tempo designado para intercessão, para que este não se torne uma fuga daquilo que é mais importante, a busca pela salvação de sua própria alma.
Iniciamos a meditação com uma oração pelo Espírito Santo. Que ele clareie o nosso coração e prepare a nossa mente para a meditação e de todos aqueles que estarão meditando também. Então nos voltamos ao texto. Ao término da meditação nós estaremos em posição de proferir uma oração de ação de graças com um coração satisfeito.
À respeito do texto, como deve ser feito? Deve ser meditado durante toda semana, um texto com aproximadamente dez a quinze versos. Não é bom meditarmos um texto diferente a cada dia, pois a nossa capacidade nem sempre é a mesma. Não importa o que aconteça, não leve o texto no qual você irá pregar no domingo que vem. Isso pertence à preparação do sermão. É de grande ajuda para uma comunidade saber que você é participante do mesmo texto ao longo de toda semana.
O tempo para a meditação é de manhã, antes de começar as tarefas. Meia hora é o mínimo de tempo necessário para a meditação. Observe que o pré-requisito é quietude extrema e o objetivo é não ser distraído com nada, por mais importante que seja.
Uma atividade da comunidade cristã, infelizmente praticada muito raramente, mas bastante útil, é quando ocasionalmente duas ou mais pessoas se dispõe a meditar juntas. Mas que não tomem parte em discussões teológicas especulativas.
IV. Como vencer as dificuldades da meditação?
Quem leva à sério a prática da meditação séria logo vai encontrar algumas dificuldades. Meditação e oração devem ser praticadas por muito tempo e seriamente. A primeira coisa que deve ser lembrada é que não devemos ser impacientes consigo mesmo. Não se limite ao desespero dos devaneios de seus pensamentos. Não tente reprimir os pensamentos à força, mas inclua calmamente as pessoas e os acontecimentos, para os quais os pensamentos teimam em voltar, em nossa oração, voltando assim com toda paciência ao texto da meditação. Deste modo, você não terá desperdiçado os minutos com tal divagação, e estas não o aborrecerão.
Há muitas ajudas que cada um deverá buscar para as próprias dificuldades especiais: Leia o mesmo texto repetidamente, escreva seus pensamentos, e deixe o verso que te prende mais a atenção ficar guardado no seu coração, meditando-o (de fato, de qualquer maneira, a pessoa poderá ter qualquer texto, fora o que realmente foi meditado, de cor). Nós também logo aprenderemos sobre o perigo de escapar da meditação através de um estudo bíblico erudito ou de qualquer outra coisa. Por trás de todas as necessidades e dificuldades há realmente um engano quanto à nossa grande necessidade de oração: muitos de nós permanecemos por um tempo demasiado longo sem qualquer ajuda e instrução.
Em face disto, não há nada mais para ser dito, somente que devemos começar novamente, fiel e pacientemente, nas mais elementares práticas da oração e meditação. Você será ajudado, além disso, pelo fato de que outros também estão meditando, o que toda santa Igreja, em todo lugar e em todo o tempo, no céu e na terra, estão orando juntos. Este é o conforto na fraqueza da oração. E apesar de saber em todo o tempo, que não sabemos orar como convém, o Santo Espírito intercede por nós, com gemidos inexprimíveis.
Nós podemos deixar esta preocupação diária com a Escritura, e precisamos começar isto imediatamente, se nós já não fazemos assim. Porque é nela que nós temos a vida eterna.
G. S. II pp. 478-82
Autor: Dietrich Bonhoeffer
O documento anexo era um ensaio sobre meditações diárias que tinham sido escritas por Eberhard Bethge, sob a supervisão geral de Bonhoeffer.
Fonte: Dietrich Bonhoeffer, The Way to Freedom: Letters and Notes, 1935-1939 . Ed. Edwin H. Robertson. Trans. Edwin H. Robertson & John Bowden (New York: Harper and Row, 1966), pp. 57-61.
O povo da caverna
22/05/10
Há muito tempo atrás, ou talvez não muito tempo assim, havia uma tribo em uma caverna fria e escura. Os habitantes da caverna se apertavam e gritavam contra o frio. Eles se lamentavam em voz alta e demoradamente. Era só isso que faziam. Era tudo o que sabiam fazer. Os sons na caverna era tristes, mas as pessoas não sabiam disso, porque nunca tinham conhecido a vida.
Mas, então, um dia eles ouviram uma voz diferente. “Eu ouvi seu choro” ela disse. “Eu senti seu frio e vi as suas trevas. Eu vim para ajudar”.
Os habitantes da caverna permaneceram em silêncio. Eles nunca tinham ouvida esta voz. A esperança soava estranho aos seus ouvidos. “Como é que vamos saber que você veio ajudar?”
“Confiem em mim”, ele respondeu. “Eu tenho o que vocês precisam”.
O povo da caverna examinou no escuro até a figura do estranho. Ele estava empilhando alguma coisa, então curvava-se e empilhava mais.
“O que você está fazendo?”, alguém gritou, nervoso.
O estranho não respondeu.
“O que você está fazendo?”, gritou alguém em voz ainda mais alta.
Nenhuma resposta ainda.
“Diga-nos”, exigiu um terceiro.
O visitante ficou em pé e falou na direção das vozes: “Eu tenho o que vocês precisam”. Com isso ele virou-se para a pilha a seus pés e acendeu-a. A madeira pegou fogo, chamas levantaram-se e a luz encheu a caverna.
O povo da caverna afastou-se com medo. “Ponha isso para fora”, gritaram.
“Dói olhar para isso”.
“A luz sempre dói antes de ajudar”, ele respondeu. “Cheguem mais perto. A dor logo vai passar”.
“Eu não”, declarou uma voz.
“Nem eu”, concordou uma segunda.
“Só um tolo iria se arriscar a expor seus olhos a uma luz assim”.
O estranho chegou perto do fogo. “Vocês prefeririam a escuridão? Prefeririam o frio? Não consultem seus temores. Dêem um passo de fé.
Por um bom tempo ninguém falou. As pessoas pairavam em grupos cobrindo os olhos. O fazedor de fogo ficou de pé próximo do fogo. “Está quente aqui”, convidou.
“Ele está certo”, alguém atrás dele anunciou. “Está mais quente”. O estranho virou-se e viu um vulto caminhando em direção ao fogo. “Eu consigo abrir meus olhos agora”, ela proclamou. “Eu consigo ver”.
“Chegue mais perto”, convidou o fazedor de fogo.
Ela chegou. Ela caminhou para o anel de luz. “Está tão quente!” Ela estendeu as mãos e suspirou quando o frio começou a passar.
“Venham, todos! Sintam o calor”, ela convidou.
“Quieta, mulher”, gritou um dos habitantes da caverna. “Vai ousar nos arrastar para a sua tolice? Deixe-nos e leve sua luz com você”.
Ela virou-se para o estranho. “Por que eles não virão?”
“Eles escolhem o frio, porque embora é frio, é o que eles conhecem. Eles preferem ficar com frio do que mudar.”
“E viver no escuro?”
“E viver no escuro.”
A agora quente mulher ficou em silêncio. Olhando primeiro no escuro e depois no homem.
“Você vai sair do fogo?”, perguntou.
Ela fez uma pausa e então respondeu: “Eu não posso. Eu não consigo suportar o frio.” Então ela falou novamente: “Mas também não posso suportar pensar no meu povo no escuro.
“Você não tem que fazer isso”, ele respondeu, alcançando o fogo e tirando um graveto. “Leve isto para o seu povo. Diga-lhes que a luz está aqui e que a luz é quente. Diga-lhes que a luz é para todos os que quiserem.”
E assim ela pegou a pequena chama e caminhou para dentro das sombras.
Autor: Max Lucado
Fonte: http://irmaos.com

